Protecção sócio-económica

Tendências pós-liberais na economia...

Enquanto a fracção dominante das nossas desgraçadas “elites” políticas e intelectuais se entretém, na sua eterna miopia, com ultrapassados romances de mercado à mistura com uma muito patriótica vontade de deixar a economia portuguesa ser definitivamente canibalizada pelos credores à boleia de novos PECs ou do FMI, há quem discirna com algum realismo, ainda que com liberal desaprovação, as tendências pós-liberais emergentes na economia mundial.

É o caso dos insuspeitos Ian Bremmer e Nouriel Roubini que, apesar de muitas das suas pouco recomendáveis prescrições, reconhecem o óbvio esgotamento do “modelo anglo-saxónico de laissez-faire” e a emergência do “capitalismo de Estado”. Em Portugal, o bloco central privatiza tudo o que há para privatizar, mas nas potências emergentes sabe-se que uma estratégia de desenvolvimento não pode prescindir de um Estado directamente envolvido nos sectores económicos fundamentais: “Na última década (...) a riqueza, o investimento e a empresa públicas regressaram em força. Uma era de capitalismo guiado pelo Estado começou; uma era em que os governos injectam cálculo político na performance dos mercados.”

Esta tendência favorece a reacção proteccionista nos países desenvolvidos, como este artigo de Paul Krugman no i, sobre a relação EUA-China, ilustra. Nada de novo. Esta é a história secreta da construção dos capitalismos. Basta lembrar que o argumento da protecção das indústrias emergentes surgiu no final do século XVIII nos EUA antes de ser teorizado pelo alemão Friedrich List no século XIX e de ser aplicado, a partir daí, um pouco por todos os processos de desenvolvimento. Como assinalou o Ricardo, a politica industrial, aberta ou disfarçada de politica cambial, está por aí à vista de todos, menos dos que hegemonizam o debate económico português lá para os lados da SEDES e de outros “faróis”.

Temos mesmo de alterar as regras do comércio e investimento internacionais e alargar as boas e flexíveis práticas de protecção socioeconómica para refragmentar a economia mundial e para torná-la assim mais gerível, quebrando o enviesamento para a contenção dos custos laborais, para a compressão da procura interna e para a geração de brutais desequilíbrios comerciais e de repetidas crises financeiras. A proposta do economista Dani Rodrik é cada vez mais sensata: os países subdesenvolvidos devem poder continuar a copiar as práticas de protecção industrial selectiva e temporária dos países bem sucedidos; os países desenvolvidos devem poder evitar a erosão dos seus standards laborais ou ambientais, bloqueando formas de concorrência internacional e de chantagem do capital consideradas ilegítimas. Isto para não falar dos necessários controlos de capitais, de que muitos países, e bem, nunca prescindiram. Portugal, economicamente esgotado depois de duas décadas de liberalização continuada, precisa de umas fortes suspensões das regras do mercado interno europeu...


Publicado por Xa2 às 13:07 de 23.09.10 | link do post | comentar |

6 comentários:
De proteccionismo vs anti-dumpings ... a 6 de Outubro de 2010 às 13:16
Portugal e a politica de comércio internacional da UE

[Publicado por Vital Moreira, http://causa-nossa.blogspot.com/ 2010.10.6]

Sendo eu presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, resolvi organizar em Portugal uma conferência internacional sobre política de comércio internacional da UE depois do Tratado de Lisboa, com incidência especial sobre

os "instrumentos de defesa comercial" (anti-dumping, anti-subsídio, etc.).

A conferência realiza-se depois de amanhã no Palácio da Bolsa no Porto, com a presença do comissário europeu do comércio interncional, Karel de Gucht, do nosso Ministro da Economia, Vieira da Silva, e de vários especialistas nacionais e estrangeiros, além de representantes das associações empresariais interessadas.
A entrada é livre e todos os interessados são bem-vindos. O programa completo é o seguinte.


PROGRAMA PARA CONFERÊNCIA
Política Comercial Externa da União Europeia e
Instrumentos de Defesa Comercial
(Antidumping, anti-subsídio, etc.)

Palácio da Bolsa, Porto, Portugal, 8 de Outubro, 2010, 9:30-17:30

9:30 – 10:00: Sessão inaugural
· Rui Moreira, Presidente da Associação Comercial do Porto
· Professor Vital Moreira, Eurodeputado e Presidente da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu
· José António Vieira da Silva, Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento de Portugal

10:00 – 12h30: O Tratado de Lisboa e a Política Comercial Externa da UE
· Karel De Gucht, Comissário Europeu para o Comércio Internacional
· Liliane Bloem, Presidente do Comité sobre Política Comercial do Conselho da UE
· Professor Vital Moreira, Eurodeputado e Presidente da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu
· Moderadora: Elisa Ferreira, Eurodeputada

12:45 – 14:30: Pausa para almoço

14:30 – 15:30: Aspectos políticos e económicos dos Instrumentos de Defesa Comercial (Antidumping, etc.)
· Professor Manuel Porto, Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
· Stefaan Depypere, Director de Defesa Comercial na Direcção Geral do Comércio da Comissão Europeia
· Moderador: Professor Alberto Castro, Docente e Director do Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Universidade Católica Portuguesa

15:45 – 17:15: Utilização dos Instrumentos de Defesa Comercial - implicações práticas para as empresas
· Armando Coutinho, Delegado Português no Comité Anti-dumping do Conselho da UE, Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento de Portugal
· Angeles Bosch, Vice-Directora Geral para os Instrumentos de Defesa Comercial, Ministério da Economia de Espanha
· José António Ferreira de Barros, Presidente da Associação Empresarial de Portugal
· Moderador: Rui Moreira, Presidente da Associação Comercial do Porto

17:15 – Sessão de encerramento
· Pedro Lourtie, Secretário de Estado dos Assuntos Europeus de Portugal.
· Vital Moreira, Eurodeputado e Presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu.


De Manipulação cambial vs Proteccionismo a 1 de Outubro de 2010 às 16:21
EUA querem sancionar China por manipulação cambial
30.9. 2010, Lusa / SOL

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira legislação que autoriza sanções comerciais contra a China e outras nações que manipulem a sua moeda para obter ganhos comerciais.

Por 348 votos a favor e 79 contra, a Câmara aprovou o projecto, que segue agora para o Senado, onde as suas perspectivas não são claras.

A maioria obtida explica-se com o voto de 99 republicanos que se juntaram aos democratas, enquanto que os opositores juntaram 74 republicanos e 5 democratas.

O governo chinês já reagiu, considerando que a proposta de lei aprovada quarta-feira pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos para punir a China por alegada «manipulação cambial» viola as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

«A proposta investigação às importações chinesas com base na taxa de câmbio viola as regras da OMC», disse o porta-voz do ministério chinês do Comércio, Yao Jian, citado pela agência noticiosa oficial chinesa.

A proposta de lei, aprovada por 348 votos contra 79, é vista também em Pequim como «um novo sinal do crescente proteccionismo» nos Estados Unidos.


De DD a 25 de Setembro de 2010 às 19:50
O problema é sempre a China.
Obama disse agora: "quem não quer ver tem de sentir". Por isso, está a elaborar uma lei aduaneira para castigar os países que desvalorizam a sua moeda só para levar as indústrias dos outros à falência e utilizam também a exploração quase esclavagista dos seus trabalhadores para o mesmo efeito. Esperemos pois que Obama tenha a coragem de colocar a China a sentir os efeitos do seus esclavagismo comunista-capitalista e que a União Europeia siga as pisadas dos EUA, como tem sempre acontecido em matérias importantes da economia mundial.
Não são os capitalistas e banqueiros americanos e europeus que pagam salários de miséria. Nos EUA continuam a ser pagos os salários mais altos do Mundo, tal como na Alemanha e em grande parte da Europa.
O esclavagismo do século XX e XXI foi e continua a ser COMUNISTA, só que nas últimas décadas entrou nos mercados mundiais ditos globalizados.
A moeda chinesa está desvalorizada em mais de 70% daquilo que deveria ser o seu valor verdadeiro.
Os chineses estão agora empenhados em valorizar o Euro, pois estão a comprar a nossa moeda em grande quantidade, apesar do baixo juro que proporcionam os depósitos em euros, mas ganham nas suas exportações, levando as indústrias portuguesas e europeias em geral à falência.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 23 de Setembro de 2010 às 13:41
Estou à espera de 'ver' os solidários e atentos às políticas internacionais nomeadamente a francesa de Sarkosy , virem a terreiro protestar contra a greve geral que decorre em França pelo ignóbil aumento de 60 para 62 anos na idade da reforma...
Então é só moções e protestos quando o dito sr devolve os indigentes ciganos à Roménia e agora tão quedos e mudos? Nós por cá é aos 65 anos + 2 meses o regime geral e em Espanha já vai nos 67 anos e admite-se uma greve geral pelos 62 anos? Ninguém se indigna? Bolas, não me digam que estes preocupados politiqueiros e opiniosos da política estão feitos só para um lado!


De migrante a 23 de Setembro de 2010 às 16:21
Antes de atirar pedras à luta dos trabalhadores franceses pense um pouco no seguinte:

Reforma aos 62 ou aos 65 ou 67...?
Desemprego em 7%, 10% ou 20% ...?

Jovens sem emprego e obrigados a tirar cursos atrás de cursos, estágios e mais estágios... com 25, 30 e 35 anos a viver às custas dos pais...

Reformados a acumular reformas ... a cumular empregos e tachos...


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 23 de Setembro de 2010 às 17:54
Pense também nos ordenados mínimos em França, Espanha e Portugal...
E quer dizer que qualquer 'luta' de trabalhadores é válida, só por ser dos trabalhadores?
Mas que rica filosofia politica!
Bom senso não há?
As justificações de que são invocadas para prolongar a idade de reforma não são as mesmas para França, Portugal ou Espanha?
E isso dos cursos é só cá? E está de acordo com essa engonhice para inglês ver?
Tenha juízo e seja honesto nos seus raciocínios políticos esteja a bola em qualquer um dos lados.
Honestidade precisa-se tanto na chamnada classe laboral, patronal e política.


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