Despesismo público, sacanço privado, propaganda a soldo ou ... ?!

(resposta de 'funcionário público' ao texto : ''Cortar nos salários da função pública'', por Henrique Raposo, no Expresso)

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Uma crónica aqui, um comentário ali, um “estudo”  acolá, um perito conferencia em qualquer lado e, paulatinamente, torna-se uma inevitabilidade:  “15 cêntimos de cada euro que v. ganha, caro leitor, são destinados aos salários da função pública “  fica-me uma interrogação

-quanto pagou (este comentador, 'perito', guru) de impostos?

Não sei, não posso saber, há sigilo fiscal, no entanto o meu salário (de servidor público) é público.

Está disponível na internet e em papel no Diário da República. Sobre esse salário também eu paguei os 15 cêntimos por cada euro que realmente ganhei.

Sim, por cada euro que realmente ganhei pois eu não recebo envelopes no final do ano, nem tenho carro da empresa, nem telefone, nem criei uma empresa à qual pertence a minha casa e os meus carros.

Não tenho nada, apenas o meu salário que é público, sem sigilo.

Ainda hoje lia no jornal que os gestores da REN são obrigados a entregar declaração de rendimentos mas requereram que ela ficasse sigilosa.

- Porquê ? Porque é o meu ordenado público e o deles não?

Ah os malditos dos funcionários públicos…

 

E as parcerias público-privadas que sugam mais dinheiro que um tornado do Arkansas?

E os Magalhães que rapidamente foram encostados?

E as SCUT (lembram-se de João Cravinho, o pai delas e grande “combatente contra a corrupção” que, coitado, lá foi trabalhar para o estrangeiro para um bom tacho) criação deste partido que agora acaba com elas.

E a Liscont dos contentores, e a Lusoponte de Ferreira do Amaral e agora de Jorge Coelho através da Mota Engil dona da AENOR que era presidida (se calhar ainda é) por Luís Parreirão Gonçalves, presidente também de não sei quantas SCUT, que era secretário de Estado do governo de Guterres que…criou as SCUT e concessionou várias ?

E os pareceres jurídicos encomendados a sociedades de advogados e pagos a pesos de ouro?

E os 30 milhões de euros pagos à GESCOM do grupo Espírito Santo por intermediação na compra dos submarinos?

E..? E..? E…?
 

E quem paga isso tudo?

Os 15 cêntimos sobre todo e cada euro que eu, funcionário público de salário público não sigiloso, recebo.

E agora querem que ganhe menos para terem mais dinheiro para mais pareceres, mais comissões, mais parcerias da treta.
E a verdade é só uma, querem que eu passe a ganhar menos mas pagar… bom, pagar vou continuar a pagar o mesmo ou mais.
Será que eles estão dispostos a mostrar em que carro andam, em que casa moram e sobre quanto pagaram impostos?
Eu estou. Quantos deste gurus estão ?

»

Notas:

A chamada ''função pública'' compreende (?):

- os trabalhadores [com vínculo (permanente) e os contratados (a termo, sem termo,...) os tarefeiros, os avençados, ...] dos órgãos de soberania (PR, AR, Governo, tribunais), das administrações central, regional, autárquica ... (e dos institutos públicos, ...);

- estas pessoas (''F.P.''?) estão em funções/cargos de soberania, cargos políticos por eleição ou por nomeação ('de confiança...'), ... nas direcções e chefias (por nomeação ou por concurso), ou integrados em carreiras (gerais ou especiais)... ou 'à parte';

- os agentes das várias funções e serviços que o Estado providencia aos seus cidadãos e habitantes neste país  estão, na grande maioria:   nas Forças Armadas, nas Polícias, na Educação, na Saúde e no Fisco/finanças...

 

Quanto ao/s conceito/s ''Estado'' ainda é mais complexo, mas pode dizer-se que compreende os conceitos de ''nação/população'', de território/recursos...'', de ''soberania'', de ''organização'', de ''administração pública'', ...

  

Depois de precisarem a que é que se referem, em concreto, quando falam de  ''Estado'' ou de ''função pública''/ ''funcionários públicos'', gostaria que me dissessem: 

- Onde será que estes iluminados gurus ('nacionais' e estrangeiros) e os restantes contribuintes/ eleitores quererão cortar ?:

na polícia que protege a sua rua e carro?! 

na ambulância do INEM ou no hospital ?! 

no pessoal do Fisco ?!

 ... no contrato, concessão ou parceria xyz?!

nos estudos xpto?! 

nos submarinos?!

 ...

nas múltiplas reformas 'douradas' acumuladas por ex-políticos, ex-administradores, ...?

nas remunerações, prémios, mordomias e desbragados luxos de marajás ('públicos' e 'privados-subsidiados pelo público'), sem informação transparente nem controlo por parte de cidadãos-contribuintes nem de pequenos e micro-accionistas?

nas empresas que fogem aos impostos através de 'offshores' e de falências fraudulentas?

na 'justiça' ao serviço/dominada pelos poderosos e complexa legislação cheia de buracos e 'alçapões' criadas pelos seus 'boys' e 'lobistas' ? 

...

 



Publicado por Xa2 às 00:07 de 29.09.10 | link do post | comentar |

15 comentários:
De PEC 3 a 30 de Setembro de 2010 às 15:34
Governo corta salários, congela pensões e sobe impostos

por Bruno Faria Lopes, .Para defender o "interesse do país" e tranquilizar os mercados financeiros, o primeiro-ministro anunciou ontem ao início da noite um segundo pacote de austeridade, que inclui cortes permanentes nos salários dos funcionários públicos, despedimento de trabalhadores do Estado contratados a prazo, congelamento das pensões em 2011, corte nos benefícios fiscais e subida de dois pontos na taxa do IVA. Com estas medidas, José Sócrates afirma que será possível cortar o défice orçamental para 4,6% no próximo ano, dois terços pelo lado da despesa, outro terço com mais receita - e passa a bola ao PSD para a aprovação do Orçamento do Estado para 2011.

"Não restam dúvidas: esta é uma consolidação orçamental feita mais pelo lado da despesa do que pela receita", afirmou Sócrates, num recado ao PSD de Passos Coelho, que defende o corte apenas pelo lado dos gastos como condição para viabilizar o OE/2011. Sentado ao seu lado, o ministro das Finanças foi mais longe e lançou um repto à oposição: "Desafio a dizerem onde se pode cortar mais - estaremos dispostos a estudar essas propostas".

Com o problema do défice este ano resolvido sobretudo com a receita extraordinária do fundo de pensões da Portugal Telecom (ver texto na página 18), em 2011 será dos trabalhadores do Estado e dos pensionistas que virá o maior esforço. Na consolidação pela despesa, os cortes na função pública e na Segurança Social valem 60% do total.

Na função pública, o governo vai cortar 3,5% aos salários dos trabalhadores acima dos 1500 euros mensais e até 10% em vencimentos superiores. A medida - "semelhante ao que Espanha fez", realçou Sócrates - abrange todos os trabalhadores do Estado e será para manter depois de 2011, sendo assim um corte permanente. O governo justifica a medida com dois motivos: porque "estamos [Portugal ] a ser penalizados por sermos o único país [entre os mais endividados] que ainda não tomou medidas na função pública"; depois, porque é a medida com efeitos mais imediatos na redução da despesa.

Por cima do corte salarial, os funcionários do Estado terá ainda que descontar mais 1% do vencimento para a Caixa Geral de Aposentações. No total, a diminuição dos gastos de funcionamento será de 0,6% do PIB - o corte nos salários, do qual resulta uma redução de 5% na massa salarial (cerca de 435 milhões de euros só contando com Administração Central) é a maior fatia. Haverá ainda mais medidas, algumas a entrar em vigor já em 2010, como a redução das ajudas de custo e das horas extraordinárias (ver caixa). O governo irá também congelar as admissões e progressões na carreira pública, cortando ainda no número de pessoas que trabalham para o Estado com contrato a prazo - "os contratados", como referiu o ministro. Sócrates garantiu que não vai despedir funcionários públicos (os que estão no quadro), mas o Executivo vai eliminar postos de trabalho no lado mais precário, neste momento um universo de 100 mil pessoas.

Os cortes na Segurança Social serão tão importantes como aqueles feitos na função pública: valem 0,6% do PIB. Nas pensões de reforma no sector privado, haverá congelamento no próximo ano (a expectativa era de um aumento modesto de 1%). Os pensionistas serão ainda penalizados de outra forma: o governo quer acelerar a convergência entre os impostos cobrados sobre o trabalho e as reformas, ou seja, deverá subir a tributação sobre as pensões de reforma já em 2011.

O governo socialista irá também cortar nos gastos com outras prestações sociais: além do congelamento já previsto para todas, haverá um corte de 20% no Rendimento Social de Inserção e cortes no abono de família a partir do 4º escalão.

Na despesa, outra das grandes fontes de poupança será no Serviço Nacional de Saúde, explicou o governo socialista: sobretudo no grande corte na comparticipação dos medicamentos (que deverá poupar 250 milhões de euros), que ditará um aumento significativo na factura dos portugueses. O SNS, tal como as restantes esferas mais autónomas da Administração Pública - universidades, empresas públicas, autarquias, regiões autónomas - terá ainda um corte na transferência a partir do Orçamento.

Entre as outras medidas ...


De PEC 3 a 30 de Setembro de 2010 às 15:40
... Entre as outras medidas estão ainda cortes no investimento público, uma das bandeiras deste Executivo, e a promessa de extinção e racionalização de serviços, institutos e empresas do Estado.

A factura do outro lado: sobe o IVA A austeridade do lado da despesa não impede, como já tinha avisado o ministro das Finanças, que o governo tenha de voltar a subir os impostos - e a subida do IVA para 23% será extraordinária, adicional em relação ao previsto no Programa de Estabilidade e Crescimento e ao pacote de urgência em Maio.

Da receita vem um terço do esforço de consolidação orçamental: 60% com a subida do IVA, os restantes 40% com o corte nos benefícios fiscais. Depois de ter descido o IVA para 19% em 2008, esta é a segunda subida que o governo socialista faz deste imposto, o mais regressivo do ponto de vista fiscal, uma vez que afecta por igual todas as pessoas, independentemente do nível de rendimento. O governo vai ainda mexer nas tabelas do IVA - Teixeira dos Santos não explicou como, mas será seguramente no sentido de eliminar isenções.

O corte nos benefícios fiscais - um dos pontos de discórdia com o PSD - será mesmo para avançar, com a introdução progressiva de novos tectos máximos, explicou Teixeira dos Santos.

O corte nos benefícios fiscais, a subida do preço dos medicamentos, o aumento do IVA e do IRS virão em cima de uma forte moderação salarial no sector privado, que tem grosso modo como referência o que se pasa no sector público. Com o consumo privado a valer dois terços da economia, será de prever um efeito recessivo significativo em 2011.
---------jornal I ,30.9.2010--------------

PSD e PS são no momento a mesma coisa.Quanto aos outros..... acham o que? Valem a pena ou não? Eu acho que sim. E não venham com conversas de criancinhas comidas e medos de extremismos de esquerda ou direita. Há por aí quem tente implantar o medo nas mentes mais fracas para que os mesmos se continuem a alimentar de nós.Afinal estamos todos a ser comidos por parvos há 30 anos. O povo português tem mesmo memória curta.Ou damos oportunidade a outros ou não! Pelo menos, podemos dar-lhes mais força.
----------

Tanta coisa onde cortar...

Nas derrapagens das obras públicas,
nas equipas dos ministros e secretários,
nos motoristas e veículos,
no uso desmedido de material de escritório (e sua contante redecoração),
nas licenças de Windows e MS Office (Linux OpenOffice servem para a grande maioria),
nos telemóveis e telefones,
no vestuário, no catering,
nos funcionários que são preguiçosos e incompetentes,
nas festas e adereços,
nas restantes regalias de Ministros, assessores e deputados...

vão logo cortar naquilo que alimenta o comércio de rua e ainda lixar mais esse comércio com o aumento do IVA (as duas medidas apenas levam à contracção da economia).
Os ordenados e IVA só seriam alterados se e depois de cortar no caviar todo e não houvesse mesmo mais ponta onde cortar.
---------

E uns dias antes aprovou a compra de blindados anti-motim para a GNR... pois...
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