De RTP: privatizar ou melhorar ? a 1 de Outubro de 2010 às 15:34
Privatizar a RTP?

24-09-2010,SOL, Por António Pedro Vasconcelos

''Só com a RTP [o Estado] gasta 400 milhões. É mais fácil acabar com escolas e serviços de urgência.''
A frase, na sua espantosa ligeireza e despropósito, é de Passos Coelho, que se propõe privatizar a RTP se algum dia chegar a primeiro-ministro.

A proposta, que se escuda em construções teóricas sobre a obsolescência da RTP numa economia de mercado (Pacheco Pereira tem dado a caução intelectual a essa tese abstrusa),
esconde a conhecida vulnerabilidade dos políticos liberais à pressão dos grandes grupos de comunicação,
para quem a posse de um alvará de TV é, não um simples negócio, mas uma alavanca de negócios e uma fonte de poder.

Bastaria ver os efeitos devastadores nos países em que se deixou que grupos de poder e indivíduos sem escrúpulos se apoderassem da TV
(Berlusconi em Itália, Bouygues em França) para estarmos vacinados contra essa tentação.

Mas, num país como o nosso, com uma diáspora e uma comunidade de países lusófonos que dispõe de um instrumento - a língua - nunca aproveitado como elemento estratégico dos interesses de Portugal, nunca houve qualquer reflexão sobre o assunto, o que explica que ninguém esteja hoje a pensar numa indústria de conteúdos em língua portuguesa nem na adequação da RTP às novas plataformas e aos novos serviços.

Não deixa de ser significativo do desleixo a que se vota o serviço público de televisão que, em Portugal, sobretudo desde que surgiram dois operadores comerciais, os presidentes da RTP tenham sido sistematicamente gestores que, embora experientes, centram a sua atenção nos bons (?!) resultados da empresa, deixando para segundo plano as estratégias em matéria de conteúdos e de programação, e não, como se impunha, pessoas com um passado de reflexão sobre o assunto ou, pelo menos, de alguma craveira intelectual.

Comparem-se os perfis de Almerindo Marques ou de Guilherme Costa com os de António Brás Teixeira ou de Soares Louro, para percebermos do que estou a falar. Os próprios ministros da tutela sempre foram ministros políticos, ignorantes da matéria com que tinham de lidar e que, por isso, estão na origem de decisões gravosas e de políticas que conduziram aos maiores desastres.

Enquanto primeiro-ministro, Cavaco Silva foi um deles, o homem que abriu caminho à desregulação da TV e à fragilização do serviço público de televisão.
Estou certo que, como outros (veja-se o exemplo recente de Morais Sarmento),
terá aprendido com o tempo os erros que os seus conselheiros o induziram a praticar.

Talvez por isso, é chegada a altura de, enquanto Presidente, inventar, por exemplo, a oportunidade de uma visita às instalações para se pronunciar sobre o tema,
travando a tentação irresponsável de muitos dos seus correligionários políticos e afirmando, com visão de Estado, a imprescindibilidade e a importância nacional e internacional do serviço público de televisão.
O que não dispensa a necessidade de um aggiornamento (e de racionalização de meios e opções e diminuição de custos). Mas isso, meus senhores, é outra história.

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... porque é que nós contribuintes - que até nem vemos/ouvimos normalmente qualquer programa quer da RTP quer da RDP, temos obrigação de sustentar as mordomias de uns tantos mamões que proliferam por aquelas empresas, com chorudos ordenados e mordomias escandalosas,
sem que daí advenha qualquer mais-valia quer para a instrução ou educação ou mesmo divertimento saudável deste POVO que já não suporta mais estes escândalos,
em que me parece que os ilustres comentadores (e apresentadores de tretas e concursos e directores e administradores) gravitam, porque também eles se abotoam na mesa do orçamento,
sem contar com os subsídios vergonhosos que auferem ...




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