De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 4 de Outubro de 2010 às 15:05
Contas por alto…
Sempre soubemos que a administração pública tem nos seus assalariados particularidades próprias. Sempre foi voz corrente que quem queria estabilidade e segurança ia para a função pública e quem tinha ambições e competências era potencialmente mais bem sucedido no privado. Isto sem desprimor por ninguém e por um ponto de vista popular e senso comum.
E a voz corrente tinha alguma razão quando se deslocava às repartições públicas e era habitual a displicência e bonomia em como era atendido… Mas também era voz corrente que a função pública não pagava bem, mas também não despedia ninguém… Claro que havia, como em tudo na vida, excepções. Mas excepções não são a regra.
Mas o mundo mudou e a dita crise acelerou muitas mudanças, mas não na administração pública.
Mas na função pública continua a haver muito laxismo no atendimento ao cidadão e na eficácia do exercício de funções, continua a ser muito difícil e raro os despedimentos e continua a ser objectivo de muitos jovens entrar para a função pública por causa dessa segurança em emprego para toda a vida… Lembro-me de ouvir falar da mentalidade de quem entrava para o estado ser da contagem decrescente para a aposentação. Sei disso pela experiência da minha própria vida. Da vivida e da contada.
Entretanto no privado o mundo do trabalho era muito mais intenso. Com altos e baixos. Com sucessos e promoções logo seguido de desencantos e despedimentos. Com ofertas de mais dinheiro e logo se muda para a concorrência. E muitas vezes despejado aos 40 anos por troca por um jovem muito mais barato. E logo agora que estava tudo bem…
Não são só os funcionários públicos que perante os seus vencimentos assumiram obrigações contratuais de habitação, carro, educação, etc.. Isso é comum a todos. O que não era habitual era os funcionários públicos terem instabilidade no seu pecúlio mensal… aos outros isso era o pão-nosso de cada dia.
Claro que há bons e maus chefes na Administração Pública. É claro que no privado os patrões estão lá para ganhar dinheiro e se puderem pagar 10 não vão pagar 15. Mas não faz isto qualquer um de nós enquanto mero consumidor? Comprar idêntico e sempre que mais barato? Mas nenhum patrão manda embora um empregado que o faz ganhar bom dinheiro…
Mas não sejamos tansos. Não se é mau por se ser patrão. Não se é bom, por se ser trabalhador.
Claro que o sistema capitalista-democratico-liberal vive da exploração do homem pelo homem. Mas há outro sistema que não o faça?
Agora o que se está a assistir é o sistema a ser autofágico, fruto da ganância de uns poucos e cegueira de muitos que com eles convivem e vão permitindo por lhes chegarem as migalhas que estes devoradores vão deixando cair enquanto devoram o próprio sistema.
Tal como não há vítimas sem abusadores, também não há ricos sem pobres.
Caminhamos portanto, e se calhar pela primeira vez em Portugal, para a regeneração.
E ninguém está inocente.


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