Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

Digam em directo nas TV's

Quanto ganham ?

Diversos blogues têm muito justamente chamado a atenção e denunciado com vigor o infame e exclusivo desfile pelas televisões de economistas que são todos favoráveis à ofensiva governamental numa operação de intoxicação tão descarada e tão deliberada que neste caso até custa falar de ofensa ao pluralismo porque parece que até agora nem um dos muitos economistas que têm outra opinião foi convidado. Como é óbvio, esta situação é apenas um pequeno sinal de que eles não dormem em serviço e um aviso sobre a exigente batalha de ideias e de esclarecimento que é preciso travar até dia 24.
Perante esta escandaleira, começo por esclarecer que, desde há muitos anos, faço questão de não assimilar mecanicamente as opiniões das pessoas ao respectivo nível de rendimentos até porque conheço suficientes homens e mulheres deste país que ganham e vivem bem (e, por vezes, até muitíssimo bem) e entretanto tem posições de esquerda e de até de esquerda consequente.
Mas, na situação em que estamos e face a esta completa falta de vergonha e de escrúpulos, arrisco-me a lançar aqui um excepcional desafio: senhores economistas que vão às televisões tocar o fadinho da falta de alternativas e das inevitabilidades, importam-se de, logo de ínicio, informarem os telespectadores de quanto ganham ?  Não, não tenham problemas, como se calcula, isso não diminuirá em nada a receptividade dos telespectadores às vossas opiniões e ideias.

 

 

Não só quanto ganham mas também quanto pagam de IRS.

 

Acertaste na mouche. Inteiramente de acordo: há aliados dos mais pobres que, apesar de viverem bem, têm uma visão humanista mais justa da sociedade. Os picaretas falantes do capital um dia cairão das suas cadeiras de marfim! O ... anda numa fona... palpita sobre tudo sempre, sempre ao lado do Capital !

 

Basta olhar para os seus currículos. Poucos terão trabalhado alguma vez na economia real.

Todos eles, desde a juventude, andam às voltas do mesmo percurso triangular:  universidade, governo, sector financeiro - e sendo este quem lhes paga mais, é este que lhes forma a opinião.



Publicado por Xa2 às 00:07 | link do post | comentar

13 comentários:
De gestores e administradores, púb.e priv. a 8 de Outubro de 2010 às 14:14
Não tenho a culpa

Sim, eu sei. Sei que gostariam de nos ter mansos e controlados mas vão ter-nos rebeldes. Sei que, possivelmente, não haverá outra coisa a fazer senão aquilo que inventaram com o "crescimento negativo" dos vencimentos da função pública. Sei que espalharam aos sete ventos a ideia da inevitabilidade destas medidas.

Sei que a culpa é da Administração Pública. Digo "Administração Pública" e não "Funcionários Públicos".

A Administração Pública tem sido gerida danosamente. É um animal insaciável de muitas clientelas que constituem uma casta destinada a sacar para si os benefícios que resultam de uma Administração Pública descontrolada e ao Deus-dará. São esses (públicos e privados, com e sem cor – muitas vezes privados vindos do público) e não os funcionários públicos que contratam o que não tem de ser contratado, que compram o que não tem de ser comprado, que não gerem o que tem de ser gerido e que colocam nos lugares chave aqueles que asseguram a continuidade dos seus propósitos.

Essa gente fura tudo. Fura os concursos para chefias, o que lhes permite manter em situação provisória (chamam-lhes em substituição), anos a fio, as pessoas que lhes interessa, fura a intenção da Lei, fingindo que o PRACE serviu para reduzir os lugares de chefia quando afinal se destinou só a designar por outro nome esses mesmos lugares que renumera de forma igual, fura as medidas de contenção continuando a inundar os serviços de inutilidades caras em nome de um progresso que nunca deixa acontecer por imaturidade dos processos que implementa e fura o SIADAP adulterando o sentido de avaliação por mérito através de uma coisa a que chamam o “dividir o mal pelas aldeias” ou seja, esquecer que se trata de uma avaliação por mérito e aplicá-la por regras de igualitarismo.

É essa gente e o poder político que lhes permite continuar a agir impunemente que tem a culpa e que deverá ser chamada à pedra. Os segundos são avaliados, recompensados ou penalizados, nas eleições. Os primeiros estão bem e recomendam-se.

Volto a dizer:

Sou funcionário público e não tenho a culpa da situação a que chegámos. Desafio quem quer que seja, seja público ou privado, a demonstrar que trabalhou e produziu numa vida de trabalho, mais ou melhor do que eu.

LNT, A barbearia do sr.Luis, 8.10.2010


De Func.Púb. NÃO È Admin.Púb. nem CASTA di a 11 de Outubro de 2010 às 14:03
Luis Novaes Tito disse... (em A Barbearia, 8.10.2010):
A.Ag,
Isto nada tem a ver com o PS, PSD, PCP, BE, ou seja com o que for.
Tem a ver com a tal casta que dirige a AP, que até no gozo se diz independente,
que sobrevive a todas as colorações, e que faz o que quer.
É verdade que o poder político acaba por ter culpa, essencialmente porque deveria estar atento e inviabilizar este estado de coisas,
mas esses, como digo no meu texto, ao menos têm de prestar contas em cada eleição.

8 .10.2010, fidalgo disse...
antes fosse apenas culpa de um ou outro partido...mas infelizmente a coisa é bem pior...como diz o nosso "barbeiro",
o problema de uma casta que se instalou e tornou o estado refém...é INFERNAL !!!!!! !!!!! E agora? Não sei.

O que sei é que de TODO não contribui para este estado de coisas,

JPN disse...
Boa reflexão. E concordo contigo. Há uns restos de discurso neoliberal (engraçado ver o Silva Peneda hoje apontar-lhe a inutilidade e o nefasto contributo)

que quando falam do Estado dizem funcionários públicos e se esquecem
do problema que é a Administração Pública e
a forma como ela está subordinada a interesses privados. :)

A Ag. disse...

a tal casta, não caiu do céu. Foi-se instalando à sombra do poder politico que governa este país desde 1974.
Os vícios foram ganhando espaço e quem tentou lutar contra a maré, teve de mudar de vida...

Ou considera que chegámos ao ponto em que estamos por obra e graça do espírito santo?
Mais:
por aquilo que conheço nenhum governo, de esquerda ou de direita, consegue fazer nada, pois os vícios são tantos e estão tão entranhados na máquina, que pouco, ou nada, há a fazer...

Esclareço, para os devidos efeitos, que sei do que falo...

mdsol disse...
Muito útil esta distinção entre função pública e
administração pública, sr. Barbeiro.

Anônimo disse...
Gostei daquele anónimo que escreveu:
Se Portugal tivesse Primeiros Ministros sérios e competentes...
Se Portugal tivesse Ministros sérios e competentes...
Se Portugal tivesse Secretários de Estado sérios e competentes...
e por aí fora.
Ora aí está!
O anónimo como todo o povo português excluí~se das responsabilidades.
A culpa é sempre dos outros.

Mas quem está a receber subsídio de desemprego e trabalha noutro lado é o povo,
quem está a trabalhar e ao mesmo tempo a receber o rendimento mínimo é o povo,
quem anda na construção cívil, não paga impostos, não passa facturas é o povo
e por aí fora, agora sim era um nunca mais acabar.

O responsável por esta situação é nem mais nem menos que o povo.
...Com um povo assim não há solução!

sou eu quem?
Um português que é funcionário do estado português que sente cada vez mais a incompetência a espalhar-se pelas várias direcções e chefias.

A administração pública portuguêsa necessita ser devidamente estruturada, mas de cima para baixo.

O problema não está no povo, está em quem o dirige.
Entendido????
Já agora e para finalizar, tenho as minhas contas em dia e não tenho calotes ao erário público.

Luis Novaes Tito disse...
A anónimo (tinha de assim ser) que resolveu escrever nesta caixa de comentários que me estou nas tintas para os desempregados (e o resto da demagogia do costume) está muito mal informado.

No entanto não o vou esclarecer melhor mas só dizer-lhe que
para ganhar o que ganho tive de trabalhar toda a vida e que tenho todos os meus impostos em dia.

É com esses impostos que participo no esforço nacional para protecção aos desempregados,
coisa que irá ser cada vez mais difícil por ter agora também de pagar com parte do meu vencimento para dar cobertura aos jantares que por aí se fazem.

A demagogia é sempre fácil, caro anónimo, no entanto nunca se esqueça que o que eu ganho é a compensação do trabalho que desenvolvo e como já disse no texto desafio quem quer que seja a provar que numa vida de trabalho fez mais ou melhor do que eu.

A casta não caiu do céu mas digo-lhe que ela comporta todos as colorações políticas (sem excepção).
Aliás é exactamente isso que a faz ter o poder que tem. No entanto só não só não se acaba com ela porque ainda ninguém teve coragem para a erradicar. Possivelmente sabem que essa gente tem na mão informações capazes de comprometer uns e outros e por is


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