Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

 

Quanto mais global mais periclitante se torna o pais, a Europa e o mundo.

Acaba de ser comemorado o 1º centenário da implantação da República, em Portugal. Neste século o regime republicano atravessou, segundo a maioria das opiniões, três fazes cada uma delas com conturbações próprias do seu tempo. Há já quem reclame por uma quarta Republica.

Nestes tempos, o regime democratico da chamada terceira República, há quem diga, existirem alguns paralelismos com o curto periodo da 1ª implementada em 1910, que haveria de definhar pouco tempo depois em 1928, vivem-se tempos de muita periclitância social e politica que põem em risco o próprio regime e agoiram graves conflitos sociais.

Efectivamente os partidos, enquanto alicerce do regime democrático e republicano, têm estado, mesmo internamente e nas suas próprias e intrínsecas práticas, algo doentes e debilitados, em termos ideológicos, no concernente a debate interno e na capacidade de produzir lideranças capacitadas para gerir as próprias estruturas e, muito menos, lideranças capazes de gerir, competentemente, a coisa pública. A eles se exige uma certa refundação interior.

Não só por isso mas também, temos de admitir que por cá se tenha chegado ao ponto de crise estrutural a que o Estado e da sociedade chegaram, agravada pela conjuntura internacional a que a dita globalização nos levou. Temos, assim, que resolver, urgentemente, questões de ordem estrutural e de ordem conjuntural o que se torna muito mais difícil dada a sua simultaneidade de exigências.

O cinzentismo, a brandura, a rotina, a insipiência e falta de exaltação de valores da ética republicana nos vários discursos e diferentes actos comemorativos dos ditos 100 anos do regime republicano ilustram o momento de crise que os próprios lideres vivem e a sociedade portuguesa atravessa.

Lamentavelmente, dos diferentes discursos de circunstância de nenhum ressaltou algo de notoriamente motivador ou mobilizador. Não se vislumbrou qualquer atitude promotora de busca de ideias de modernidade, de procura de caminhos novos, ou de incentivos à refundação republicana. Simplesmente agarrados ao passado, apenas relembrando feitos dos idos republicanistas.

Seremos capazes de nos acudir a nós próprios?

Seremos competentes para nos tornarmos credíveis entre nós mesmos?

Como apresentar o futuro às crianças e jovens que esperam um amanhã mais responsável e risonho?

Como apontar caminhos novos aos portugueses?



Publicado por Zé Pessoa às 00:11 | link do post | comentar

10 comentários:
De Falsas evidências a 7 de Outubro de 2010 às 10:28
A propósito do que este post de “Zé pessoa”, muito apropriadamente escreve, é oportuno ler no blog “Arrastão” http://arrastao.org/sem-categoria/manifesto-dos-economistas-aterrorizados/ um importantíssimo documento .

Uma evidência que é falsa não deixa, mesmo assim, de ser evidencia, já não daquilo que pretende evidenciar mas sim do seu contrário, só que para se perceber o logro leva tempo...


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 7 de Outubro de 2010 às 10:44
A actual República Portuguesa está estruturada e funciona como se duma vulgar sociedade anónima se tratasse.
Toda a população portuguesa é accionista desta empresa, cada cidadão tem uma acção da Portugal SA.
De quando em vez os accionistas são chamados a participar em assembleias-gerais com fins diversos, nomeadamente a escolher o Concelho de Administração (Legislativas) ou o Presidente da Mesa da Assembleia Geral (PR) e pontualmente a outras assembleias para eleger Directores Executivos (Autárquicas). E cada accionista só tem direito a um voto. E nem sempre vai às assembleias (abstenção) e antes das assembleias são contactados por grupos lobistas (Partidos Políticos) para votarem nas suas propostas e objectivos para a Portugal SA (Programas) e apresentam os seus candidatos ao Conselho de Administração (Governo).
Depois é como no resto das SA portuguesas. Rodeiam-se de assessores, escolhem e promovem a directores quem entendem, regulamentam os seus próprios vencimentos e benesses, subsídios de reintegração para quando deixam as funções executivas mesmo que logo de seguida sejam colocados noutra directoria, e reformas especiais em tempo de exercício de funções, etc…
Vão aos Bancos endividar a Portugal SA em nome de projectos (Obras Públicas) ou de outras necessidades pontuais (Reforço de Tesouraria, pagamento de ordenados...), cumprem apenas parte do programa para a empresa e gastam acima do orçamentado. Usam o dinheiro da Portugal SA em investimentos duvidosos e quando corre mal queixam-se do mercado.
Quando fazem um seguro de saúde para todos os accionistas (Segurança Social) fazem outro reforçado para os funcionários da empresa (ADSE) e outro ainda mais especial para eles próprios os executivos da SA.
E de quando em vez lembram-se dos accionistas, não para lhes entregarem dividendos, mas sempre para lhes pedirem reforços monetários para manterem a sua acção na empresa (impostos)
Mas que merda de empresa esta. Alguém me diz como posso deixar de ser accionista?


De Zé T. a 7 de Outubro de 2010 às 13:15
Boa comparação entre a «República Portuguesa» (actual) e a «Portugal, SA» (sociedade anónima), sendo que, em ambas, os titulares dos órgãos sociais/ gerentes não se têm portado nada bem ...

-como deixar de ser accionista-contribuinte-eleitor-... ?!
A resposta parece simples:

(0- suicidar-se não deve ser considerada hipótese aceitável, sendo que a auto-marginalização/ abstenção/ alienação é prática demasiado próxima de tal não-opção, embora seja cada vez mais frequente...)

1- EMIGRE (se for activo, com saúde e/ou habilitações terá mais hipóteses de algum sucesso), de preferência para uma bem desenvolvida e socialmente responsável «empresa», ou para uma 'cooperativa', ou para uma 'associação sem fins lucrativos', ...

2- arranje/entre numa 'união ou grupo de interressados' e faça/tente fazer um ''TAKE-OVER'', conquistando a liderança da «Portugal,SA» e impondo/negociando outras regras e práticas...

3- crie uma nova entidade/empresa ... ou considere uma 'fusão'/integração plena na «Holding Europa», talvez com um 'downsizing' para subsidiária regional e sem tantas chefias/direcções, conselhos e custos administrativos, ...,

4- arrisque entrar na ''guerra global'' pelos mercados recursos e nichos, ... ou contra eles, seja com 'fundos soberanos', com virulentos ciber-ataques ... ou terrorismo mediático.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 7 de Outubro de 2010 às 13:25
Obrigado. Mas a mais efectiva dada a actual conjuntura (gira esta palavra, não é?) será sem dúvida a primeira hipótese.
Mas está fora de questão usá-la em serviço próprio.
Vou no entanto tentar convencer uns quanto a praticá-lo... e se conseguir que alguns em que estou a pensar a fazê-lo fica muito dos problemas desta SA resolvidos. Bem haja pela sugestão!


De Fartos ! a 7 de Outubro de 2010 às 11:37
“Portugueses estão fartos de fazerem sacrifícios sem verem resultados”
- Por Sérgio Lavos, Arrastão

A frase é de António José Seguro, potencial candidato à liderança do PS.
Haja quem destoe do pensamento único que se apoderou do partido do Governo desde que Sócrates se tornou líder.
E, já agora, divergindo também do discurso do bloco central dos interesses. Não é o único: Henrique Neto, um dos fundadores do partido anteriormente conhecido por socialista, também critica o PEC 3 e a via sem saída para onde o país está a ser empurrado (o FMI, como sabemos, não se costuma enganar).

Do outro lado da trincheira, há alguns que não se compadecem com essas minudências, tais como “sacrifícios dos portugueses” ou “medidas de austeridade”, e continuam a gastar o dinheiro que não temos em aviõezinhos militares.

É para levar a sério, a austeridade à moda de Portugal?
Se fosse, uma das primeiras medidas tomadas teria sido o congelamento de todos os processos, iniciados por este ou por anteriores governos, com vista à aquisição de material militar.
Seria o mínimo, o decente, a fazer.
Mas a decência, já sabemos, é um luxo que há muito foi dispensado.


De Próximo líder do Ps ? a 7 de Outubro de 2010 às 11:44
Rui F , 7 Out 2010
A mesma lenga-lenga dos futuros candidatos do PS de Gaveta.

Mas o Tozé não é aquele tipo porreiraço que foi fazendo pela vidinha cá e em Bruxelas com todas as lideranças?
Nestes 25 anos de política já deve ter assegurado e bem a reforma!
No tempo em que foi construindo o seu extenso CV, não se preocupou em dizer essas coisas com a clareza dos corajosos.

Finalmente há candidato socialista (com letra pequena) na oposição à altura do Bloco de Esquerda!


Se eu fosse a ti não levava muito a sério as palavras do Tozé.
São truques do aparelho:
sempre foi assim na passagem das lideranças.

PS na oposição encosta-se à Esquerda e
no governo encosta-se á finança e aos grandes grupos económicos que é quem na realidade MANDA no país.

O que resta dentro do PS são os mercantilistas que guiaram o país para o atoleiro.
O PS está podre e é tecnicamente analfabeto, sem qualidade para governar o que quer que seja.

O Homem da Iberomoldes é outra coisa: tem legitimidade para falar como fala.
Preside a um grupo, que não sendo grande nem protegido do sistema, é uma incontornável referência nacional e são bons naquilo que fazem.

11 José Luis Moreira dos Santos 7 Out 2010

Gostei do que ouvi, mas de há tempos a esta parte ganhei a mania de querer tudo transparente :
saber o que dizem, quando dizem e com que intenção ou motivação dizem!
É claro que este meu feitio me coloca perante um ror de encruzilhadas!
será por ter a mania de querer, em tudo, jogo limpo?Que fazer?

12 Nuno 7 Out 2010 às 9:41

Voltamos nós ao sebastianismo… o problema é que nem o D. Afonso Henriques conquistou Lisboa sozinho…

Sim, António José Seguro parece ter ideias bem definidas, e fora do círculo central… parece ser inteligente e bem formado, ao contrário da corja incompetente e formada nas Independentes desta nação que manda no PS…

mas chega ele ao Poder sozinho?
Não, precisa de soldados… e esses soldados têm que ser pagos… e o pagamento é em saque…
do aparelho do Estado… voltamos ao mesmo de sempre: o Estado ao serviço dos Partidos!


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 7 de Outubro de 2010 às 13:28
Até parece que este António José Seguro não é o mesmo que tem andado a mamar no PS há séculos... e que é conivente com todas estas políticas mediocres deste e de anteriores governos.
Ele acha que o povo tem Alzheimer ou que somos todos Didis...?


De DD a 7 de Outubro de 2010 às 22:35
A SIC mostrou hoje as obras da barragem do Alto Sabor a cargo da EDP com um custo de 500 milhões de euros e é só uma das cinco que esta empresa está a construir ou em vias de começo.
A EDP já tem mais de 20 milhões de clientes em Portugal, Brasil e EUA e está a ser pioneira nas eólicas nos EUA, onde a EFACEC, que tem fornecido quase todo o material à EDP, tem agora uma fábrica de transformadores gigantes que não podem ser transportados por mar e para onde exporta muito material eléctrico.
Talvez o administrador deveria ganhar tanto como a mulher da limpeza e talvez a empresa nem deveria estar em expansão para gáudio da mesquinhez tão tipicamente portuguesa.
Outras empresas como a Cimpor, PT, Soporcel/Portucel, TAP, etc. têm projectado Portugal no estrangeiro, exportado os seus serviços e obtido ganhos importantes. Talvez isso não valha nada, mas sem isso e muito mais não vamos a parte alguma.

Criticou-se muito o apoio dado pela EDP a umas conferências de Manuel Pinho numa Universidade americana, sem se ter em conta que há uma política de marketinga a fazer para criar o nome de Portugal como país com tecnologia exportável e capacidade de organização e produção e conferências e publicidade fazem parte disso. Claro, para pessoas que trabalharam toda a vida e continuam a trabalhar em empresas, como é o meu caso..

O maior mal de Portugal é não ter prestígio mundial porque no passado nunca foi permitida a exportação de capitais e instalação de filiais nos mais importantes mercados. Hoje, todas as pequenas economias como a da Suíça, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, etc. estão altamente internacionalizadas e o seu PIB não depende exclusivamente dos seus pequenos mercados internos.

Portugal tem de seguir a mesma via, tem de ter grandes empresas com bons administradores e foi, sem dúvida, tarefa do Estado ter organizado grandes empresas a partir das nacionalizações, permitindo depois as suas internacionalizações e captação de capitais privados.

O problema português é serem poucas as grandes empresas e só serem, 17 os tais administradores com grandes salários. Devrriam ser mais de mil para Portugal ser uma Holanda ou uma Bélgica em termos de PIB per capita.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 7 de Outubro de 2010 às 22:40
«Não aos iluminados, mas daltónicos, ex-gerentes do passado!
Não aos senadores da República para quem tudo está bem se quem “lá” está são os “nossos” e que no passado não hesitaram, por muito menos, em sair à rua para derrubar governos tanto ou mais legítimos que o actual e seguramente muito mais competentes!»


De DD a 10 de Outubro de 2010 às 00:34
É inacreditável a raiva destes anónimos ao PS quando os problemas são estruturais e de longevidade da população.
O 25 de Abril permitiu passar de 250 mil reformados para 3,6 milhões e permitiu que todas as crianças frequentem a escola, estando-se em vias de chegarem quase todas ao 12º ano, havendo já dezenas de escolas secundárias e 1-2-3 com ensino profissionalizante. Também permitiu que as Universidades tivessem mais de meio milhão de estudantes e que 9,9 milhões de portugueses tenham médico de família. 700 mil ainda não têm, segundo as estatísticas.
Isto tudo para não falar nas estradas, eólicas, barragens, principalmente a maior da Europa, a do Alqueva, etc.
O reverso da medalha é que nada é gratuito e a capacida de pagamento do Estado (contribuintes) está ser utilizada acima das posses de cada um,portanto com algum endividamento externo. Mais de 30% dos rendimentos das famílias vão para os reformados.
A esperança de vida aumentou mais de 14 anos desde o 25 de Abril.
Eu sou um dos culpados da crise, pois tenho 71 anos e não estou nada interesado em morrer já, nem a minha mulher. À conta do SNS faço anualmente todo o tipo de análises e vou corrigindo algo que não esteja muito bem como um pouco de colesterol a mais, etc. e cá estou ainda a correr e a trabalhar sem fumar nem praticar excessos alimentares ou outros.
São chatos como eu que estragam as finanças do Estado. A greve geral é feita contra os 3,6 milhões de chatos reformados que teimam em continuar vivos. A solução é o PCP ganhar eleições e praticar a eutanásia da velhice como o fez o ditador romeno Ceasescu que acabou fuzilado pelos seus próprios militares e polícias, todos membros do seu Partido Comunista.


Comentar post

MARCADORES

administração pública

alternativas

ambiente

análise

austeridade

autarquias

banca

bancocracia

bancos

bangsters

capitalismo

cavaco silva

cidadania

classe média

comunicação social

corrupção

crime

crise

crise?

cultura

democracia

desemprego

desgoverno

desigualdade

direita

direitos

direitos humanos

ditadura

dívida

economia

educação

eleições

empresas

esquerda

estado

estado social

estado-capturado

euro

europa

exploração

fascismo

finança

fisco

globalização

governo

grécia

humor

impostos

interesses obscuros

internacional

jornalismo

justiça

legislação

legislativas

liberdade

lisboa

lobbies

manifestação

manipulação

medo

mercados

mfl

mídia

multinacionais

neoliberal

offshores

oligarquia

orçamento

parlamento

partido socialista

partidos

pobreza

poder

política

politica

políticos

portugal

precariedade

presidente da república

privados

privatização

privatizações

propaganda

ps

psd

público

saúde

segurança

sindicalismo

soberania

sociedade

sócrates

solidariedade

trabalhadores

trabalho

transnacionais

transparência

troika

união europeia

valores

todas as tags

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS