22 anos depois e por unanimidade

GREVE GERAL CGTP e UGT de novo juntas, 22 anos depois da 1ª vez!

A CGTP decidiu por unanimidade organizar uma greve geral para 24 de Novembro. Tudo indica que foi uma proposta amadurecida por uma vanguarda mas não por um amplo movimento de debate e auscultação dos trabalhadores! A greve geral, nascida como arma final do movimento operário, é um instrumento de luta excepcional!Para os sindicalistas anarco-sindicalistas era a condição para uma insurreição social capaz de destruir o capitalismo e criar um mundo novo!Tinha assim, esta forma de luta ,um carácter mítico.
Ao longo dos tempos a greve geral foi várias vezes utilizada, muitas vezes com impacto político e alterando a relação de forças políticas entre os actores da sociedade, outras vezes sem grande impacto social e político. Para ter impacto e alterar a relação de forças e «valer a pena» a greve geral, hoje mais do que nunca ,deve ser pensada tendo em conta os dados de cada situação concreta.
Não duvido que alguns sectores de trabalhadores estão preparados para fazerem um dia de greve.Aliás mais dias seria um desastre para a sua economia doméstica!
Na Administração Pública um dia de greve apenas pode criar problemas em alguns sectores ou «chatear » o público utente, ou seja o cidadão.-Noutros sectores o Estado apenas poupa o dia de salário dos grevistas!
Relativamente aos transportes e dado o sistema de passes que envolve a maioria dos trabalhadores, um dia de greve não afecta em especial as empresas públicas e privadas de trasportes.A Greve apenas irrita os utentes e naturalmente o Governo!
Daqui resulta que nas condições actuais é fundamental a participação dos trabalhadores do sector privado na greve geral!Ora aqui é que está o principal problema da próxima greve geral.
A crise, embora contenha os elementos de congelamento de salários e despedimentos colectivos, aumentou o desemprego que ameaça subir e assim é um machado sobre a cabeça de todo e qualquer trabalhador do sector privado!
A precariedade, a irmã do desemprego, afecta centenas de milhares de trabalhadores que, por mais vontade que tenham de protestar, fazem contas à vida antes de aderirem a uma greve geral!
Neste quadro a adesão á greve geral passará fundamentalmente pelas grandes empresas como aconteceu ,aliás, em Espanha na recente greve geral de 29 de Setembro!
Tudo isto que aqui lembro sabe-o qualquer dirigente sindical.Todavia, para alguns o interesse político na greve é superior a estas considerações.
Mas estas considerações devem servir para se pensarem em outras formas de luta adaptadas á situação presente e que não passem simplesmente pelas chamadas tradicionais «acções de massas» tão ao gosto dos vanguardistas!Formas de luta que envolvam sectores da população que não podem aderir a greves mas que querem protestar.Formas de luta que afectem económicamente as empresas e defendam os interesses dos consumidores.Formas de luta de defesa dos postos de trabalho, articulando estas com a defesa dos consumidores como se deveria fazer nas lutas das portagens (alguém defende os postos de trabalho dos portageiros?).
Sei que não é fácil organizações tradicionais rotinadas em determinados processos fazerem emergir acções diferentes!Pelo menos devem-se fazer novas alianças sociais e políticas e não partir «orgulhosamente sós» para a luta!
Dada a gravidade da actual situação, outra coisa não seria de esperar que a convergencia total de todas as forças sindicais existentes no país. Não será de acreditar que os proprios sindicatos, ditos, independentes a ela não adiram.


Publicado por Zurc às 14:59 de 08.10.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De DD a 10 de Outubro de 2010 às 20:41
Os 33% são a soma dos descontos para os agregados sociais que incluem o Serviço Nacional de Saúde com o subsídio de doença, o Fundo de Desemprego, os abonos de família, o subsídio de nascimento, de casamento e de funeral. Este último é um pouco mais de dois mil euros.
Só uma parte dos 33% vai para as reformas e a situação atual é possível pela simples razão de haver reformas muito baixas e o seu nível geral é muito inferior ao dos salários.
Nos privados (Centro Nacional de Pensões), a média ronda os 600 euros que é inferior à média salarial.
Se em termos financeiros fosse 1 a 1, o sistema não teria sustentabilidade possível.
Se um número muito elevado de portugueses não tivesse aldrabado a Segurança Social, o atual modelo não seria viável.
O um a um é por cabeça, não por massa monetária.
O futuro está em o financiamento vir não só dos descontos como do IVA e outros impostos. O IVA encarece tudo o que está à venda, mas para que as vendas se efectuem provoca a necessidade de racionalizar produções e formas de comercialização em que o lucro por unidade vendida seja bem mais baixo.
Veja-se o caso dos telemóveis, computadores e até roupas e outros artigos em que há o luxo de marca e o barato praticamente com a mesma qualidade do artigo de luxo.


De DD a 10 de Outubro de 2010 às 00:12
Nenhuma forma de luta altera o facto de vivermos já a relação de 1:1. Por cada trabalhador activo há um inactivo sustentado pelo Estado, ou seja, pelos contribuntes activos.
São 3,6 milhões de reformados das CGA e CNP. 350 mil desempregados pagos pela Segurança Social e mais outros trabalhadores com subsídios de doença, maternidade e reformados dos subsistemas de pensões.
Atualmente, reformam-se quase 150 mil trabalhadores por ano e morrem uns 100 mil cidadãos. A longevidade aumenta a olhos vistos, havendo cada vez mais centenários.
A minha mãe faleceu com 96 anos e a minha tia com 98 anos. Ambas tinham todos os filhos e filhas reformados e havia já dois netos e uma neta também reformados. Três gerações de reformados. Já são os bisnetos a sustentarem a reforma dos bisavôs.
Nenhum greve altera esta realidade que tem de ser vivida com boa disposição e alegria, mas sempre com a consciência que nada é gratuito.
Esta greve é política e destina-se a angariar votos para o PCP. Só que este partido não tem soluções, pois fala em o Estado gastar mais muitos milhares de milhões e ir buscar uns poucos milhões à banca ou aos ricos. Não sabem aritmética, pelo que nunca serão capazes de governar.
O desemprego não é reduzido com greves, nem com qualquer política, excepto a expoirtação e o eventual fecho das fronteiras europeias aos prodfutos chineses e de países com mão de obra barata. O desemprego em Portugal e na Europa só se resolve pela via da sua exportação para a China, Índia, etc., isto é, com direitos aduaneiros muito elevados para todos os produtos que os 502 milhões de mulheres e homens da União Europeia podem fabricar.
Claro, pagar-se-ia mais nalguns artigos por os salários europeus serem mais elevados, mas nunca se pode ter tudo na via. Não são possíveis altos salários sem desemprego e produtos baratos.


De Izanagi a 10 de Outubro de 2010 às 13:03
Essa ideia de que são as gerações mais novas que sustentam as gerações dos actuais reformados é um mito que convém ser esclarecido. Os trabalhadores descontam para a reforma 33% do seu salário ou seja por cada 3 meses financiam um. Significa isto que ao fim de um ano de trabalho financiaram quase 5 meses da sua futura reforma. Se multiplicarmos estes 5 meses por 40 anos de descontos verificamos que são aproximadamente 200 meses o que dividido por 14 (um ano e respectivos subsídios) dá um pouco mais de13 anos. Acontecendo a reforma aos 65 anos, se juntarmos 13 dá 78 anos, mais do que a esperança de vida média em Portugal. Acresce que a reforma da Segurança Social em Portugal não ultrapassa os 80% e em consequência podemos acrescentar mais três anos, o que dá 81 anos, sem entrar em linha de conta com as capitalizações do capital acumulado.
Teoricamente os reformados subsidiaram as suas reformas. O que aconteceu foi que os governos, para a sua política social de “compra de votos” de que destaco a atribuição de pensões e reformas a quem nunca descontou, utilizando aí o dinheiro do Fundo de Pensões, descapitalizaram-no. Mas isso foi uma opção política, que pouco difere da praticada pelo regime que foi (?) deposto com o 25 de Abril, que ao contrário de instruir os cidadãos, cívica e politicamente, disponibilizando os meios para que o voto dos eleitores fosse um voto esclarecido e consciente, optaram por receio do voto esclarecido por mantê-los na ignorância, manipulando assim mais facilmente o seu voto, estratégia que ainda hoje se verifica, sobretudo ao nível do poder autárquico. O poder central, porque mais afastado da população, adoptou as suas políticas de manipulação de massas, às novas formas de comunicação.
Esta descapitalização do Fundos de Pensões é a causa de as actuais contribuições dos trabalhadores activos, serem a fonte principal de financiamento das actuais reformas, mas seguramente que em Portugal este modelo é irreversível e com os actuais trabalhadores vai acontecer o mesmo quando atingirem a reforma.
Em conclusão, se os reformados actuais, que fizeram os seus descontos normais para a Segurança Social têm as suas reformas financiadas pelos actuais trabalhadores no activo, isso só se deve á péssima gestão que os diversos ministros da Segurança Social do PS e do PSD fizeram dos dinheiros de que eram fiéis depositários.




De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 10 de Outubro de 2010 às 15:27
Essas contas são muito simplistas e naífes.
As importâncias descontadas nos primeiros anos são infimas comparadas com o que se vai receber na reforma que são baseadas nos últimos vencimentos.. E então os custos do sistema de segurança social? E as baixas médicas pagas? E as comparticipações em medicamentos, médicos e hospitais? E os abonos de família, casamento, funeral etc.? E não só de quem descontou mas da família agregada a si e que passa ater direitos de segurança social - filhos e muitas vezes a mulher, os pais e sogros que nunca descontaream.Tudo o dinheiro que mantem o sistema sai de onde?


De Izanagi a 11 de Outubro de 2010 às 02:26
Há muitos , mas mesmo há muitos anos que o SNS é financiado com os impostos que alguns portugueses pagam, os quais em função do rendimento e do custo de vida são demasiado elevados.
Quanto á questão da diferença de salários entre o início do desempenho e o fim do mesmo, na maioria das situações nem é muito grande e a reforma não é pelo último salário, mas sim pela média dos últimos X anos. Os abonos de família, subsídios de nascimento e de funeral pouco impacto têm na despesa da segurança social pelo que é facilmente coberta pela capitalização dos descontos, nem que mais seja por depósitos à ordem.
Já representa um custo considerável o subsídio de desemprego e as baixas médicas, mas estas na maioria têm a conivência do Ministério responsável que não fiscaliza quem emite as mesmas e todos sabemos que muitas eram falsas, mas também há um apoio ás companhias de seguros , pois muitas são doenças profissionais, cobertas por companhias de seguro que estão sobretudo disponíveis, repito, com a conivência dos governos, para receberem o prémio do seguro.

Concluo dizendo que a maioria dos reformados actuais descontou o suficiente para a reforma que recebe.


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