Medina Carreira - O único com direito a ser octogenário

 

 

O Medina Carreira vai fazer 80 anos no próximo mês de Janeiro e recebe várias reformas, tanto da Ordem dos Advogados como do Estado devido aos numerosos tachos que teve. Na sua biografia intitula-se “bacharel” em engenharia mecânica porque frequentou o curso de mecânica dos Pupilos do Exército que equivalia à vulgar Escola Industrial, depois fez o sétimo ano dos liceus e formou-se em Direito e ainda tentou fazer económicas, mas desistiu.

 

Ao ouvi-lo ontem a falar no “Plano Inclinado” do Crespo com um tal Cantigas parece que ele, Medina Carreira, é o único português que tem direito a chegar aos 80 anos e ser reformado.

 

O homem mais o Cantigas criticaram vivamente o facto de termos hoje um número importantíssimo de reformados e de dentro de poucos anos esse número será superior aos activos. É um fato que já referi aqui que vivemos numa sociedade de 1 em 1, isto é, temos praticamente um reformado por um activo quando em 1974 havia apenas uns míseros 250 mil reformados.

 

O Estado democrático reformou toda a gente na devida idade e, além disso, reformou as centenas de milhares de retornados das ex-colónias quando chegaram à idade adequada. Recorde-se que Medina Carreira nasceu em Bissau, segundo a sua biografia.

 

Medina Carreira tem sido instado a apresentar soluções para as despesas do Estado. Fala muito em obras públicas, esquecendo que foram na sua maior parte altamente participadas pela União Europeia, tanto com o dinheiro que é enviado de Portugal para o orçamento comunitário como com a ajuda acrescida da Europa e uma participação directa do OE nacional. Ficou estabelecido na então CEE, depois CE e agora EU que uma parte do IVA vai para a Bruxelas mais certos direitos aduaneiros sobre produtos alimentares e outros vindos de fora da EU. Esse dinheiro só pode regressar para despesas de investimento público, investigação e formação técnico-profissional. Só em condições especiais de áreas desfavorecidas é que o Estado pode aplicar dinheiros na modernização de empresas privadas no âmbito de programas bem definidos. Todos os países europeus são obrigados a investir continuamente em qualquer tipo de obras. Os alemães estão agora a enterrar as suas estações de caminhos-de-ferro, fazendo os comboios entrar em Frankfurt, Munique e outras cidades em túneis e em estações subterrâneas sobre as quais se instalam parques frondosos e até bairros residenciais. A estação de Frankfurt vai custar 21 mil milhões de euros e é sujeito de protestos de muita gente que considera essa megalomania da Merkel como uma estupidez, mas trata-se de reaver uma parte das enormes contribuições do OE alemão para o orçamento comunitário.

 

Nada disto parece ser do conhecimento do Medina Carreira que não sabe que os dinheiros da EU não podem ser aplicados nas despesas gerais do Estado, nomeadamente em reformas, salários, etc.

 

O Estado tem actualmente cerca de 550 mil funcionários ao seu serviço e mais de  4 milhões de dependentes, entre os quais o próprio Medina Carreira, como reformados, desempregados, pessoas com baixa por doença ou maternidade, etc. O Medina criticou o fato de a natalidade ser baixa e dentro de poucos anos os dependentes serem em número muito superior aos activos, mas criticou também as ajudas pré-natal, a ajuda ao nascimento e o parco abono de família como tem criticado a escola para todos e o sistema de saúde para todos. Ele não sabe o que é gerir uma “carteira de 10,6 milhões de clientes” desde os últimos meses de gestação ao funeral com subsídio dos dois cônjuges, já que há sempre a reforma de sobrevivência para o elemento do casal que sobreviveu. Se não sabe é parvo, pois qualquer pessoa que trabalhou numa empresa com um certo número de clientes continuados sabe o que custa controlar essas “carteiras”.

 

Qual a solução para Medina Carreira?

 

Aparentemente o falso engenheiro bacharel dos Pupilos do Exército não tem nenhuma.

 

Com os seus quase 80 anos, ele está de perfeita saúde e é muito bem capaz de continuar a “massacrar” as finanças públicas com as suas reformas até aos 90 e, mesmo, muito mais e ganha uns bons dinheiros por repetir sempre as mesmas coisas na SIC do Crespo.  Talvez venha a atingir a idade do Manuel Oliveira que lucidamente vai já nos 102 anos de idade. E não são só as pessoas das classes mais elevadas que chegam a uma idade muito avançada, também as conheço do mundo rural e das classes mais pobres. O nosso Serviço Nacional de Saúde tem feito algo para que isso aconteça, tomando sempre medidas atempadas para evitar surtos epidémicos e para tratar muitas doenças. Hoje, morre-se cedo por descuido ou teimosia. Recordo o Lucas Pires que teve um ataque do coração quando viajava perto de Santarém e teimou em ir para Coimbra quando estava a um quilómetro de um excelente hospital que o poderia ter tratado imediatamente. Quando chegou a Coimbra era tarde de mais e estava morto.

 

Até as medidas anti-tabagismo proporcionam um aumento da longevidade, além dos muitos conselhos para evitar a obesidade, mexer-se muito, etc. A televisão na casa de toda a gente mantém qualquer idoso ligado aos acontecimentos e a sua mente a trabalhar, o que é importante quando a partir de certa idade a leitura torna-se difícil e cansativa.

 

A pronta resposta do INEM tem salvo a vida de centenas de milhares de pessoas. Recordo que em 1979 morreram na estrada 2.990 pessoas. No ano passado foram pouco mais de 700 e ainda morrem quando se adormece ao volante e vai-se bater noutra viatura sem sinais de travagem como aconteceu com a carrinha que levava pescadores de Caxarias há dias atrás. As pessoas tomam comprimidos para dormir ou querem conduzir durante muitas horas depois de dias de trabalho e, claro, não adormecem a guiar.

 

Medina falou ontem em separar todo o sistema de reformas do Estado. De alguma forma isso está feito porque há um orçamento próprio da Segurança Social e tanto a Caixa Geral de Aposentações como o Centro Nacional de Pensões têm contas separadas e até equilibradas. Para as reformas vai 1% do IVA e não alternativa no futuro que não seja em ceder uma parte maior do IVA para os reformados. É o sistema mais justo porque assim, pagam os activos e os dependentes através dos seus consumos, sabendo-se que as pessoas de idade avançada consomem menos, excepto em serviços de saúde e medicamentos. Daí as reformas atuais referentes aos preços dos medicamentos.

 

Enfim, tudo menos a eutanásia da velhice do ditador Ceausescu da Roménia que ordenava aos hospitais para não tratarem os idosos de modo a morrerem mais cedo.

Felizmente, foi Ceausescu e a mulher a morrerem mais cedo, fuzilados pelos seus militares e polícias, todos membros do seu Partido Comunista da Roménia.

 

O problema dos poucos ativos em relação aos dependentes inativos do Estado resolve-se com o aumento da produtividade do trabalho graças à informática e às muitas máquinas e métodos novos de produção. Mas enquanto existirem juízes jarretas que recusam a informática, nunca poderemos ter uma justiça moderna e eficaz.

 

Toda a moderna aparelhagem médica facilita muito a vida dos médicos e daí surgir o curso de engenheiro bio-médico.

 

Em todos os setores da vida, a produtividade aumentou muito, incluindo a simples escrita deste texto em computador, a ligação ao conhecimento proporcionado pela Wikipedia, etc. Só os estúpidos é que não sabem que um trabalhador vale hoje por dois, três ou quatro numa vasta série de profissões. Para conhecer a biografia do Medina gastei uns segundos em escrever o seu nome da barra do Google. Nos tempos em que o Medina era "engenheiro bacharel" isso era completamente impossível.

 

Veja-se os supermercados que já têm sistemas completamente automáticos de pagamento. A pessoa faz passar o código de barras pela máquina, coloca tudo num saco apropriado e paga pela cartão multibanco.

 

Enfim, estamos rodeados de mecanismos que multiplicam o trabalho, se bem que necessitem de pessoal para os fabricar e manter, mas na maior parte dos casos a economia em trabalhadores é enorme.

 

O nosso mal é o escalavagismo terceiro-mundista que prescinde desses mecanismos e oferece produtos a preços baixíssimos, tal como nos tempos da escravatura no Brasil e nas Américas.

 

 



Publicado por DD às 10:51 de 10.10.10 | link do post | comentar |

7 comentários:
De António Santos a 8 de Junho de 2012 às 05:14
Que arrazoado de bosta!


De Filipe Matos a 7 de Janeiro de 2013 às 21:02
Completamente!
Dá-me particular gosto ver inteligências modestas a tentar rebaixar a gente que vê assim de longe, na TV...


De DD a 12 de Outubro de 2010 às 22:45
Toda a gente tem medo da China. A cobardia europeia abrange Portugal e não há ninguém capaz de criticar o esclavagismo chinês e o fato de ser o grande causador do fecho das nossas fábricas.
Nós só conseguimos competir bem em coisas que os chineses não fazem como na pasta de papel e papel de alta qualidade, vinhos de qualidade, bom calçado de couro verdadeiro, não de PVC/PU (poliuretano).
Também os países ex-comunistas que entraram na UE são concorrentes terríveis porque estão a manter a anterior prática de salários baixíssimos. Os polacos, romenos, bulgaros, eslovácos e até checos ganham menos que os portugueses, o que não se justifica porque tiveram durante mais de 50 anos governos comunistas, supostamente a favor dos trabalhadores e não da exploração com baixos salários.
A indústria de cablagens que existia em Portugal emigrou para a Roménia porque os salários eram quase um quarto dos baixos salários portugueses. O mesmo fizeram as grandes fábricas de calçado estrangeiras que se foram embora explorar os trabalhadores dos ex-paraísos comunistas.
A República Checa aproxima-se mais de Portugal, mas foi inteiramente comprada pelos alemães e coreanos do sul. Os checos já não têm um hotel deles e a indústria automóvel é toda VW, KIA, etc.
Na Polónia, os alemães estão a comprar todos os terrenos da Silésia que já foi Alemanha e estão a praticar uma agricultura racional e intensiva como a que praticavam antes da guerra. A Polónia está toda a ser vendida a estrangeiros e até os portugueses possuem importantes cadeias de supermercados, bancos e começam a dominar no setor da construção civil. A maior fábrica de automóveis na Polónia é da Fiat, etc.


De Zé T. a 13 de Outubro de 2010 às 11:02
Pela sua dimensão e 'regime' .... a China reralmente é um caso à parte ... e mete medo mundialmente !
(mas a Rússia, India, Indonésia, Irão, Egipto, Africa do Sul, Brasil, México, ... são igualmente perigosas potências emergentes, tanto militarmente, como económica, comercial, demograficamente, e ...)

Porém (e mesmo na China, Rússia e outros estados ex-comunistas e capitalistas-extremistas) a gravidade do problema (eventual e real de ''guerra económico-social''... de ''dumpings'' , de ciber-terrorismo, ...) global existe
mas, paradoxalmente, é maior NÃO em termos de ESTADOS CONTRA ESTADOS
mas sim, é muito PIOR em termos de OLIGARQUIAS e IMPÉRIOS corporativos/empresariais contra os TRABALHADORES e os CIDADÃOS e os próprios ESTADOS
que estão cada vez mais REFÉNS e são controlados/ manipulados pelo DINHEIRO SEM PÁTRIA, nem rosto,
seja à FORÇA BRUTA de MÀFIAS e TERRORISTAS, seja subtilmente pela FORÇA da ESPECULAÇÂO, do jogo das BOLSAS e da 'lavagem cerebral' dos MÍDIA ( TVs, jornais, .... jogos) e 'Universidades'.


De Capital mata trabalhadores e a Terra ! a 13 de Outubro de 2010 às 11:16
LAMAS TÓXICAS NA HUNGRIA !

O mortal derrame de lamas tóxicas na Hungria na semana passada é mais um exemplo de desastre ambiental e humano da responsabilidade de grandes empresas que fazem redução de custos á custa de vidas humanas e de contaminação ambiental.

Um embalse de lodo com resíduos tóxicos de alumínio com um volume de um milhão de metros cúbicos situado a 165 kilómetros de Budapeste matou oito pessoas, 150 feridos bem como a evacuação de várias centenas de habitantes das povoações vizinhas.

A empresa responsavel , a MAL, comprada ao estado por uns milionários aquando das privatizações e do fim do socialismo, apresentou uma proposta grotesca ao avançar com uma contribuição de 200.000 euros para responder pelos prejuízos, quando os peritos avançam com estimativas de milhões para poderem reparar e evitar novos perigos!

O interessante ainda é ler as declarações do Presidente do comité de empresa e ,curiosamente também responsável comercial, ao El pais no sentido de que era necessário iniciar a actividade e pouco preocupado com as consequencias graves deste tipo de práticas industriais.Mais ainda, segundo o mesmo dirigente do comité agora na empresa todos pensam no lucro.É assim o velho capitalismo pós comunista conduzido frequentemente pelos antigos homens do aparelho político.Um capitalismo particularmente predador pouco sensível á dimensão social e ambiental.

É fundamental que as autoridades públicas sejam muito mais rigorosas com os grupos económicos e multinacionais aplicando rigorosas medidas de segurança e uma inspecção competente implementando accções de prevenção.Mas não basta.É absolutamente necessária a acção popular e dos trabalhadores que não podem abdicar, em nome do lucro e do emprego , de lutar por empresas responsáveis perante a comunidade nacional e internacional.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 11 de Outubro de 2010 às 11:45
Medina Carreira e DD devem ter estudado pela mesma cartilha. São mais iguais do que se poderia à partida pensar. Mas vou resumir:
São ambos cegos de um 'olho'.
E sabem qual é o 'olho'?
É o que no momento lhes convém ...
São perigosos porque são intelectualmente 'desonestos'. Usam algumas verdades e outras meias verdades e manipulam-nas para onde lhes convém politico partidariamente. E concluem as coisas mais absurdas e despudoradas possíveis.
E ambos são co-responsáveis no estado a que chegou o país, porque no passado ambos tiveram funções político partidárias executivas em órgãos do poder. E ambos esquecem os seus percursos falando como se fossem povo. São 'barões' encostados e ressabiados.
Cada um à sua maneira mas com muita coisa em comum. São ambos perigosos.


De isolda a 11 de Outubro de 2010 às 20:45
"São 'barões' encostados e ressabiados. "

DD , barão encostado? a quem ou a quê? A alguma esquina ? percurso político semelhante a Medina Carreira?

Informe-se primeiro antes de escrever sobre aquilo do que não sabe, Senhor Zé da Esquina..


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