O Mundo diplomático

Conhecimento e confiança , Por João Rodrigues

  Já saiu o número de Outubro do Le Monde diplomatique. Destaque na edição portuguesa para dois artigos de dois sociólogos de combate:

Manuel Carvalho da Silva escreve sobre os 40 anos da CGTP   e Hermes da Costa escreve sobre o valor da unidade laboral que transcende fronteiras nacionais.

Nuno Serra arrasa com a demagogia neoliberal da “liberdade na educação”, ou seja, com o financiamento público de escolas privadas que acentuam todas as divisões. Parte de um dossiê sobre as pressões neoliberais na educação.

Entretanto, Paulo Granjo escreve sobre “a recusa de ser irrelevante” em Moçambique.

 

Isto e muito mais na publicação de toda a esquerda. É por estas e por outras que a Sandra Monteiro, directora do jornal, pode escrever, num artigo sobre austeridade assimétrica e perda de confiança, que as respostas às questões suscitadas pelo esvaziamento dos Estados democráticos “remetem-nos para temas que os leitores do Le Monde diplomatique conhecem bem:

a construção mediática do consenso neoliberal tendente à aceitação de que não há alternativas;

a arquitectura essencialmente neoliberal das instituições europeias;

a financeirização da economia e o desprezo da economia real pelo capitalismo financeiro;

as engenharias e os mitos liberais sobre os mercados, as instituições, a regulação, etc.

 

Remetem-nos também para a dupla tragédia que são as desigualdades socioeconómicas:

por condenarem as populações a uma subvida e por atirarem as pessoas para soluções individuais, não cooperativas, dos problemas.

Mas é também aqui que reside a possibilidade de se quebrar o ciclo.

Através da presença no terreno da crítica e da acção colectiva…”



Publicado por Xa2 às 00:07 de 13.10.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De Perguntar não faz mal a 14 de Outubro de 2010 às 00:26
Liberdade para escolher”: o irrealismo perverso do cheque-ensino» (Nuno Serra) — série Outras Economias
Será possível disponibilizarem este texto?


De Nobel da PAZ a 13 de Outubro de 2010 às 11:33
PCP pelo PCC (pelo capitalismo chinês) !

[Publicado por AG]

O PCP veio criticar o Comité Nobel pela atribuição do Prémio Nobel da Paz ao corajoso lutador pelos direitos humanos chinês Liu Xiaobo - cuja mulher acaba de ser posta em prisão domiciliária só por ter ido à prisão comunicar-lhe a noticia da atribuição do Prémio.
Já sabiamos que o PCP desdenha dos que se batem pela democracia e os direitos humanos para defender certas ditaduras: da URSS à Coreia do Norte, passando por Cuba. Por isso não espanta que assuma as dores da ditadura do PCC-Partido Comunista da China. O que importa notar é que assim também se converteu em defensor de um regime que se distingue na prática do mais selvagem e predador capitalismo.
Nada tenho a ver com o PCP. Mas, como portuguesa, democrata e respeitadora do papel que o PCP teve na Resistência Anti-fascista em Portugal, sinto-me envergonhada com este posicionamento do PCP. Sei que há militantes do PCP que me acompanham.


De DD a 14 de Outubro de 2010 às 21:14
Apoiado, muito bem. A China é uma país de esclavagismo selvagem capitalista-comunista.
Segundo um outro admirador desse país, um economista da Universidade Católica na SIC, os chineses poupam 50% do seu PIB.
O católico, sempre ao lado da exploração, não sabe que não são os trabalhadores que poupam, mas sim os patrões que lhe sugam o sangue e o suor a troco de ordenados de 50 a 80 euros mensais.
Com os biliões e biliões de dólares acumulados, a China inundou os bancos dos EUA com os seus dólares e provocou assim a grande crise mundial, dado que a banca tentou emprestar a quem não podia pagar e nem precisava de adquirir casa. Não devemos esquecer que nos EUA os salários são relativamente altos, mesmos os dos McDonal e dos supermercados, mas não dão para casas de luxo.. Muitos desses trabalhadores foram atraídos por créditos fáceis e entraram em compras de casas com piscina e carros que ultrapassavam os seus rendimentos.
Hoje, a China quer comprar a dívida soberana grega e talvez venha a querer comprar a portuguesa.
Em vez de adquirirem algo para melhorar a vida dos seus trabalhadores, os chineses pensam em comprar parte do Mundo e exportar os seus chineses para as centenas de milhares de lojas que possuem em todos os países.
Sem a livre entrada dos produtos chineses na Europa, Portugal não estaria a atravessar a crise atual.


De . a 13 de Outubro de 2010 às 11:31
Em memória de Paula Escarameia

[Publicado por AG, Causa Nossa, 12.10.2010]

Procura-se no google uma fotografia e só sai esta, antiga e esbatida, e uma outra, ainda mais pequenina. Em contrapartida, capas de livros, artigos, intervenções sobre Timor Leste e diversos temas de Direito Internacional, em várias linguas - uma profusão.
O que diz muito sobre a Mulher - com M grande - que deixou este mundo há precisamente uma semana, no dia em que a República fez 100 anos: Paula Escarameia.
Uma Mulher que honrou a República e que prestigiou Portugal, suscitando por todos os areópagos políticos e académicos internacionais por onde passou não apenas admiração pelas suas formidáveis capacidades como jurista, como também reconhecimento pelas contribuições portuguesas que projectava, com criatividade e espírito construtivo.

Uma professora catedrática que não queria atrair atenções para si, mas era afirmativa e voluntariosa na defesa e aplicação dos principios e preceitos da lei internacional - que conhecia profundamente e que ajudou a fazer, empenhadamente.
O Estatuto de Roma, do Tribunal Penal Internacional aí está, cheio de dedadas indeléveis da Doutora Paula Escarameia.
Trabalhamos anos, sem nos conhecermos pessoalmente, em sinergia pela libertação de Timor Leste, eu no MNE, ela na Plataforma de Juristas por Timor Leste, que fundou. Conhecemo-nos em Londres em 1993, numa sessão na "Bar Association" sobre Timor Leste. Reencontrámo-nos em Outubro de 1996 em Nova Iorque, na ponta final da campanha eleitoral para Portugal ter assento no Conselho de Segurança no biénio seguinte;
e celebramos então conjuntamente, na nossa Missão junto da ONU, a vitória. Trabalhamos depois juntas, dois anos, na Missão em Nova Iorque - eu na nossa Delegação no Conselho de Segurança, ela representando-nos na 6a. Comissão da Assembleia Geral, a jurídica. Depois do meu regresso de Jacarta em 2003, reencontramo-nos algumas (poucas) vezes mais, em Lisboa, nos jantares da Associação Portuguesas de Mulheres Juristas e pelas causas que partilhavamos - Timor Leste, a ONU, o Direito Internacional...

Da Assembleia Geral à sua eleição para a prestigiada e prestigiosa Comissão do Direito Internacional da ONU foi um pulinho.
Para ela. Porque era a Doutora Paula Escarameia - Portugal só ganhou por tabela, por ter sabido candidatar quem tinha já créditos estabelecidos nos meios jurídicos internacionais.
No passado 5 de Outubro a República ficou mais baça por ter perdido, com apenas 50 anos de idade, tão brilhante jurista, diplomata e dedicada professora.

A ONU - com os sucessos e os falhanços de sermos nós todos, de representar todos os nossos Estados - perdeu mais do que a diplomata e a jurista: perdeu uma convicta activista e advogada de defesa. Da ONU e da "rule of the law" planetariamente.

Se estivesse ainda entre nós, a Paula Escarameia hoje teria vibrado com a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança. E, ao mesmo tempo, tal como eu, teria sentido o coração apertado pelo tremendo peso da responsabilidade e alguma incerteza.

Importaria que no MNE se dedicasse à memória de Paula Escarameia a eleição de hoje na ONU. Para que na nossa acção no Conselho de Segurança, nos próximos dois anos, nunca nos faleçam os valores, os principios e a letra do Direito Internacional, incluindo o Direito Internacional dos Direitos Humanos.


De Muito Mais a 14 de Outubro de 2010 às 00:23
Num forum onde já a Bósnia-Herzegovinia tem assento, Paula Escarameia merecia uma homenagem mais consentânea com a sua carreira.


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