10 comentários:
De Monstros que estragam o Estado e a Adm.P a 14 de Outubro de 2010 às 11:08
O monstro continua vivo e de boa saúde

O grande problema da solução fácil de cortar nos vencimentos é que daqui a poucos anos ou se cortam mais dez por cento ou o país entra de novo na bancarrota.

A verdade é que o monstro ganhou vida própria, os ministros são incapazes de controlar a máquina do Estado que ajudaram a crescer desmesuradamente.
Quantos dirigentes do Estado foram demitidos nos últimos anos por abuso ou incompetência?

Proponho-lhes um exercício:
perguntem a todos dirigentes do Estado de que meios precisem para terem um bom desempenho e vão chegar à conclusão de que o PIB português não chegaria, multiplicar-se-iam os funcionários, as instalações, os lugares de chefia, as modernizações diversas.

Um PRACE para reduzir o peso do Estado?
Foi um falhanço, eliminaram-se uns institutos que já não existiam, eliminaram-se uns serviços para inglês ver, muitas vezes os necessários para sobreviverem aqueles chefiados por amigos, esses como ouvi um director-geral dizer “estão fora de questão”.

Nas três direcções-gerais que conheço bem teria eliminado muitas dezenas de serviços e teria aumentado a eficácia dos mesmos, e ainda pouparia o que o Estado gastou com os sábios contratados ao exterior.
Deixaram-se enganar pelo monstro, até houve serviços quase sem funcionários onde funcionários de outros departamentos assinavam o ponto para iludirem os sábios vindos de fora.

O problema do Estado está na sua cultura, uma cultura de décadas em que ganharam os mais espertos e perderam os mais inteligentes, ganharam os mais manhosos e perderam os mais capazes,
ganharam os mais cobardes e perderam os mais corajosos, ganharam os mais servis e perderam os mais honestos.

É uma cultura onde não se premeia o valor, a honestidade, a inteligência ou a capacidade,
premeia-se sim a subserviência, o servilismo, o silêncio e a obediência ao chefe. ( !! )

É este o resultado de décadas de domínio do aparelho de Estado por gente que por não ter valor recorrer às estruturas partidárias para vencerem na vida, e venceram.

Sempre defendi aqui que todas as reformas da Administração Pública que não comecem pela mudança cultural falham, mas uma mudança cultural é coisa que não interessa aos partidos, significaria que em pouco tempo muitos dos dirigentes do Estado perderiam os seus lugares.

A ideia de que quando muda o partido no governo mudam os boys é mentira, os boys dos diferentes partidos protegem-se, na minha direcção-geral são amigos íntimos que unem forças contra os que não alinham no sistema. ( !!! )

Alguém ousa denunciar este Estado de coisas, as pessoas incompetentes que são nomeadas,
os prémios de excelência que foram atribuídos aos amigos e principalmente às secretárias dos directores,
os técnicos competentes que perderam os lugares para os ceder aos protegidos pelos partidos,
as despesas desnecessárias em salamaleques, as viagens desnecessárias ao estrangeiro,
os pequenos abusos na partilha das instalações, os exércitos de secretárias de que se fazem rodear as chefias,
as redes corruptas associadas a escritórios de advogados que se dão ao luxo de controlar a nomeação de dirigentes,
as divisões com um funcionário, as direcções de serviços que não fazem falta? ( !!!! )

Não, nos primeiros tempos de funcionário público em Lisboa o que mais ouvi era que falava demais, no Estado a regra é a do silêncio, um código de silêncio idêntico à “omertà” da máfia.
É mais fácil falar mal do primeiro-ministro, seja ele qual for, do que denunciar um abuso, criticar o boy mais poderoso do partido no poder ou do que lhe vai seguir. ( !! )

Os funcionários públicos não vão ver o seu vencimento ser cortado para salvar o país, mas sim para salvar este imenso monstro que se alimenta de incompetência e alimenta incompetentes.
Enquanto uns estarão a fazer constas à vida, outros já estão a pensar na forma como vão recuperar das perdas, o esquema que vão montar para recuperar o que agora perdem.
O monstro continua vivo e de boa saúde.

- Publicada por Jumento , 13.10.2010


De . a 14 de Outubro de 2010 às 11:16
Jumento ,in reply to Milan Kem-Dera

Caro amigo,

Pala nos olhos têm os que ... se dizem democratas e defensores da constituição mas alimentam o seu discurso político com escutas ilegais e violações do segredo de justiça, .

Talvez o meu amigo tenha que ter linha editorial ou linha política, a única linha que uso é a que serve para coser os botões da camisa, não sou militante partidário, comboio ou electricidade, portanto não preciso de linhas.
Penso por mim independentemente das consequências, quanto a benefícios não tive nenhum, quanto a prejuízos são certamente maiores do que os que o meu amigo teve por expressar as suas opiniões.

Já agora devo acrescentar-lhe que muito raramente aqui defendi as reformas da Administração Pública ou as políticas orçamentais deste governo, mas isso não interessa ao meu amigo, pois não?

O meu amigo acha que Sócrates está acabado e chamou a si o papel de perseguidor daqueles que alguma vez o apoiaram.
Enfim, há sempre quem se disponha a este tipo de papel, e de caminho ainda ganha umas visitas para o seu blogue, não é?
...
Milan Kem-Dera in reply to Jumento

Ó meu caro Jumento
Meu caro Jumento

Escusa de me "zurrar" os argumentos do infeliz prejudicado pelas políticas erradas de um governo que tantas vezes defendeu.
Que o seu "zurrar" já eu conheço... já que vivo num "curral" ao lado do seu - também sou funcionário público.
E sou mesmo daqueles que sofre verdadeiramente na pele todas as consequências do mau governo de quem, por diversas vezes, foi elogiado e desculpabilizado pelo Jumento ao longo dos últimos anos.

Se lhe deixei o meu link, não foi na busca de visitas (estou-me nas tintas para isso...), mas para que o Jumento pudesse, em largando as palas,
ler sobre a coerência de quem, no dia a dia e desde há cinco longos anos, assiste impotente (mas não calado!)
ao destruir da economia e das finanças do país onde nasceu e onde sempre viveu;
do país onde, durante várias décadas, contribuíu para o seu crescimento, enquanto assistia, impotente, aos inúteis "alapados" do partido - vulgo, "boys" - a delapidarem todo o seu trabalho e rendimento!

Mas também sei que, ao "zurrar" agora tanto contra as medidas do PEC III ( tarde piaste ... ), ...


De Mau PRACE, péssimo SIADAP, e paraquedist a 21 de Outubro de 2010 às 12:40
A bordoada cartesiana

um dos erros de António Guterres foi a vaga de reestruturações que promoveu na Administração Pública, os resultados foram desastrosos para o Estado e, como hoje se percebe, para os contribuintes,
o Estado paralisou com muitos serviços lançados na instabilidade e os institutos multiplicaram-se como cogumelos.

Sócrates não aprendeu a lição e lançou mais uma vaga modernizadora, arranjou uns estudiosos e lançou o PRACE,
o Estado voltou a ser mergulhado na instabilidade com centenas de serviços sem saber qual seria o seu futuro.

Depois de tanta instabilidade sucedeu o que era de esperar, os cientistas escolhidos para remodelar o Estado limitaram a deixar tudo na mesma e a criar mais alguns institutos, chega-se ao ridículo de o ministro das Finanças vir a assumir o papel de homem rigoroso extinguindo um instituto que ele próprio criou.

Como se tanta desorganização não bastasse veio agora o secretário de Estado da Administração Pública dizer, com aquele ar ameaçador que acha que fica bem a um governante, que vai reduzir 20% das chefias do Estado, isto é que para decapitar a despesa pública a solução mais adequada é decapitar os serviços públicos.

Independentemente de ser óbvio que alguns serviços públicos multiplicaram as chefias esta abordagem só revela ignorância e incompetência, a mesma incompetência comprovada pelo falhanço das reformas como o PRACE
ou
a avaliação do desempenho ( SIADAP ), esta última enterrada com a decisão orçamental de suspender os prémios, agora os que dão o litro vão ter direito a um “santinho” oferecido pelo ministro.
Recorda-me a anedota em que duas amigas falavam sobre as ofertas que recebiam dos amantes, uma gabava-se o casaco de peles, a outra queixava-se com tristeza de que o padre Zé só lhe dava santinhos.

Como explicar que se reduzem agora 20% das chefias quando há pouco tempo e com recurso a numerosos estudos (formações e seminários, 'scorecards' e 'Siadaps', ...)
Não o fizeram?

É evidente que à bordoada tudo é fácil e de um secretário de Estado que em tempos ameaçava trucidar quem se atravessasse à frente das suas reformas tudo se espera.
Da reforma científica passa-se à bordoada cartesiana, agora já não interessa a qualidade dos serviços públicos, o que importa é uma estratégia populista que vai exibir a cabeça dos chefes da Administração Pública à horda de contribuintes revoltada com os cortes nos seus rendimentos.

Declaração de interesses:
Não sou chefe de nenhum serviço, nunca aceitei ser chefe, nunca concorri ou meti cunha para ser chefe e nunca exerci qualquer cargo nomeado do qual resultassem benefícios pessoais.
Mais, até acho que o Estado tem chefias a mais, provavelmente mais do que os 20% que se pretende cortar

Publicada por Jumento


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