18 comentários:
De O.E. dos Banqueiros !! a favor dos B.$$ a 19 de Outubro de 2010 às 17:09
Ulrich: "Valeu a pena o esforço de algumas entidades para ser mudada a política orçamental"

por Marco Dinis Santos, I, em 19 de Outubro de 2010

Fernando Ulrich, presidente do BPI, alerta para s excessos de endividamento da economia
Pedro Azevedo

Fernando Ulrich elogiou hoje a pressão que alguns grupos fizeram para o governo alterar a sua política orçamental. "Valeu a pena o esforço de algumas entidades para ser mudada a política orçamental", afirmou durante um colóquio sobre o tema da dívida pública portuguesa promovido pela Assembleia da República.
O presidente do BPI recomendou também o adiamento dos investimentos que puderem ser adiados "inclusivamente se isso envolver a paragem de obras."


De Migalhas para uns, tesouro para outros. a 18 de Outubro de 2010 às 17:54
O DINHEIRO DOS OUTROS

«Nos últimos dias, tivemos oportunidade de conhecer uma grande variedade de formas legais (embora não legítimas) de desperdiçar o dinheiro dos contribuintes.
Andaram com sorte os que conseguiram consultar as páginas oficiais em que esses gastos estavam registados: se fossem lá hoje não conseguiriam ver o escândalo porque, entretanto, alguma alma caridosa apagou a informação...

A título de exemplos, podem citar-se o contrato com uma empresa de consultadoria de um antigo dirigente socialista (aí apenas um milhão), o fornecimento de flores naturais para os arranjos diários dos gabinetes de S. Bento, um jantar de artistas em Veneza (que não foi além de 14 mil...) e, sobretudo, os gastos com propaganda inútil.

Estou a ouvir dizer que se trata de "migalhas" diante do enorme alçapão da nossa miséria.
É verdade, embora a minha Avó ensinasse que "migalhinhas são pão".
Neste caso, é diferente:
este dinheiro não passa de dinheiro dos outros, dinheiro do Estado e, portanto, não é de... ninguém.

Só a generosa complacência de um povo pateta explica que essas pessoas não estejam nas cadeias.»
[JN] Por António Freitas Cruz.


De Contas aldrabadas como de costume a 18 de Outubro de 2010 às 17:52
TRUQUE ORÇAMENTAL PARA ILUDIR

«O Governo prometeu um corte nas indemnizações compensatórias e, no caso da RTP, este deverá ser de 33,1 milhões de euros, o que significa que o grupo de comunicação social público irá receber uma transferência de cerca de 88 milhões de euros.

Contudo, isto não significa que a RTP vá receber menos dinheiro do Estado. Isto porque o Executivo decidiu aumentar em 29,3 por cento a taxa para o audiovisual, paga por todos os contribuintes na factura mensal da electricidade. A poupança que o Estado consegue na diminuição da indemnização compensatória será paga por todos os consumidores através da taxa, que agora se fixa nos 2,25 euros por mês. "O aumento previsto para a contribuição do audiovisual dará a oportunidade à revisão em baixa, no montante do acréscimo de indemnização compensatória prevista para a RTP", refere o relatório do Orçamento do Estado.» [DN]

Parecer de O Jumento:
Este franciscano das Finanças é um mago nas contas aldrabadas.


De Emigrar ou nova Revolução ? a 18 de Outubro de 2010 às 17:49
O canto das sereias da extrema esquerda e da direita nunca me encantaram.
O PS era uma espécie de espaço onde cabia quase toda a gente desse espaço ideológico.

Acho que fomos todos traídos por uma gentalha sem princípios e sem ideias.
Intelectualmente corruptos e simplesmente incompetentes, que arrastaram o país para a beira do colapso ...

Hoje, parece que já não há motivo para ter esperança ou acreditar num futuro pois não há sequer sinais de que a sociedade seja capaz de sair de tão profundo torpor.

Vim com a família para os US há doze anos. De dois em dois anos sempre a mesma promessa - daqui por dois anos voltamos a Portugal.
Hoje já não há razões discutir ou considerar voltar.
Os nossos filhos continuam a gostar muito de Portugal, mas eu não quero que os meus netos tenham que pagar os desvairos de uma pandilha que hipotecou o país onde eles terão o direito de nascer.

Serão estes motivos suficientes para fazer uma revolução?
O Povo terá que responder a esta pergunta e fazer a sua escolha.»



De CULPADOS : PAGUEM !!! a 18 de Outubro de 2010 às 14:29
Demita-se senhor ministro das Finanças

Teixeira dos Santos deve estar muito grato aos mercados, graças aos malditos especuladores pode tentar iludir os portugueses fazendo-lhes crer que governou exemplarmente as finanças públicas durante seis anos e agora se não fosse ele a apresentar o “orçamento mais importante dos últimos 25 anos” os portugueses veriam o seu país entregue aos cuidados paliativos do FMI. Portanto, Teixeira dos Santos não é responsável, transformou-se em salvador, um salvador a que quem estiver interessado em deixar o orçamento pode telefonar-lhe das 0 às 24h.

A culpa não é dos que pedem dinheiro, que não controlam as despesas e são obrigados a empenhar-se cada vez mais, a culpa é dos que emprestam o dinheiro e não deviam cuidar dos seus interesses emprestando-o a um país que caminha para a bancarrota. Foi culpa dos mercados o descontrolo intencional da despesa durante 2009? Não me parece.

Se um país está à beira da bancarrota e o ministro das Finanças está no cargo não se pode aceitar que em vez de ser avaliado ainda se arme em fanfarrão e venha dizer que fez uma grande coisa e deve ser tratado com a reverência merecida a um herói. Se eu roubar um papo-seco no Pingo Doce ou no Lidl corro um sério risco de ir a julgamento e um ministro que conduz as finanças públicas a um ponto em que se tira uma parte substancial do rendimento dos portugueses ainda tem a distinta lata de falar de cima para baixo?

Os portugueses estão a pagar a ineficácia da máquina fiscal gerida pelo ministro, estão a pagar o excesso de despesa que os famosos controladores financeiros deveriam ter controlado, estão a pagar a despesa resultante das decisões do ministro das Finanças em relação ao BPN. É verdade que também pagamos os submarinos do Portas mas as finanças estão demasiado no fundo para que tudo se explique com submergíveis. Há um senhor que deve ser julgado antes de qualquer outro, é Teixeira dos Santos, ministro das Finanças. É verdade que os especuladores fizeram com que os juros da dívida subissem, é verdade que a actuação de Pedro Passos Coelho, mas antes de condenar um e julgar o outro é Teixeira dos Santos que deve ir a julgamento e em democracia esse julgamento.

Teixeira dos Santos falhou todas as previsões, nomeou chefias inúteis só para empregar amigos como controladores financeiros, deu sinais errados aos portugueses dizendo-lhes que a despesa estava sob controlo, mentiu sistematicamente sobre a real situação financeira do país. Teixeira dos Santos é o responsável pela uma das situações financeiras mais difíceis do país desde o princípio do século vinte, mas não teve que enfrentar qualquer revolução ou guerra, governou as contas em democracia, com Portugal na EU e com maioria absoluta durante mais de quatro anos, não tem desculpas.

Nas democracias os cortes salariais ou nos direitos dos cidadãos são decididos por consenso e em resultado do debate parlamentar, são conseguidos com contrapartidas negociais para os que são penalizados, são feitos com objectivos de progresso. Não é normal que em democracia um ministro decida a quem tirar 15% do rendimento sem que a vítima se possa pronunciar e em consequência da sua própria incompetência.

Se eu fosse ministro das Finanças e fizesse o que Teixeira dos Santos fez ao país e aos portugueses pediria humildemente desculpa aos meus concidadãos pelos prejuízo que a minha incompetência lhes provocou e apresentaria o pedido de demissão.

-por O Jumento, http://jumento.blogspot.com/2010/10/demita-se-senhor-ministro-das-financas.html#disqus_thread
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Isso queria ele ... (mais o Sócrates e os socretinos ! dar ''de frosques'' depois de terem feito tanta mer... mas, entretanto, já asseguraram o seu...$$$)

Isso queria ele... mas não o deixam ir sozinho e ainda bem ... estes sócretinos devem ser ''cozinhados em lume brando até esturricarem''... - como o fizeram aos trabalhadores portugueses e à ''imagem do PS'' (que já estava bastante debilitada).

E , se entretanto, ao lume estivessem os ''psdinos'' ... e se os banqueiros e especuladores já fossem ''carvão''... então esse seria um bom dia !


De anónimo a 19 de Outubro de 2010 às 09:05
Este povo (os que votaram nestes aldrabões do ps e do psd) deviam ser eles a pagar esta bagunça toda,;
quanto aos banqueiros especuladores e grandes empresários burlões-ladrões era pendurá-los pelos tintins na ponte 25 de abril e deixá-los lá até a crise passar.

BPN = anda tudo á solta e podre de rico.

BPP = Os larápios até dão entrevistas e escrevem livros

Presidente = Está a passar ao lado duma grande carreira (mas de apanhador de figos)

EPAL = Empresa Pública de Automóveis de Luxo

Por isso que venha abertamente o FMI (já cá estão os seus paus-mandados e vendilhões) já que não podemos ter empresários, deputados e governantes suecos ou finlandeses...


De Lutar pelos NOSSOS interesses. a 18 de Outubro de 2010 às 14:12
Zero de tolerância
(por Daniel Oliveira, http://arrastao.org/sem-categoria/zero-de-tolerancia/#comments )

Nas vésperas da entrega do orçamento, Ricardo Salgado (o Espírito Santo está em todo o lado) e mais um grupo de banqueiros encontraram-se com Pedro Passos Coelho. O recado há-de ter sido simples: se queres um dia chegar a primeiro-ministro é bom que aproves o orçamento. E encontraram-se com Teixeira dos Santos. O recado há-de ter sido simples: nós somos a economia, o que quer dizer que nós somos o País, por isso esperemos que o imposto que para aí se anda a falar não seja coisa para levar a sério. E não é. Mais coisa menos coisa, o correspondente a um prémio do Euromilhões.

Aqui e no resto da Europa as medidas contra a crise têm um propósito para alem da crise: reduzir o custos do trabalho na produção. Teixeira dos Santos deixou-o claro na apresentação dessa certidão de óbito a que damos o nome de Orçamento. Os cortes nos salários dos funcionários públicos serão seguidos pelo sector privado. E assim, um país onde o salário médio é de 800 euros, será mais competitivo. A receita não tem resultado. Mas há quem insista nela. Agir no “factor trabalho” (expressão gelada desse humanista que dá pelo nome de Aníbal Cavaco Silva) para deixar mais recursos disponíveis para o casino onde as nossas vidas são jogadas.

Sim, os banqueiros cumpriram, sem meias medidas nem disfarces, o seu papel. Lutaram pelos seus interesses. Quem os pode condenar? E quem pode negar que os seus interesses foram sempre salvaguardados? Por esse Mundo fora jogaram sem medo e rebentaram com as economias com a sua assombrosa irresponsabilidade. Os contribuintes salvaram os estroinas. Mal puderam respirar, voltaram ao negócio. Com os Estados falidos, por enterrarem tudo o que tinham e não tinham para que os bancos demasiado grandes para cair sobrevivessem, ofereceram-se para retribuir o favor. Emprestando a juros proibitivos o que o BCE lhes empresta quase de borla. Comeram a carne, agora roem o osso.

Devemos aprender com eles. Cumprir o nosso papel. Lutar pelos nossos interesses. E pouco nos deve importar quem nos condena. Fazer valer, sim senhor, o “factor trabalho”. Fazer pagar caro por ele. Garantir que o pouco que sobra vai mais para o nosso bolso do que para o deles. Não fazer uma cedência. Nem uma. Nunca pedir desculpas.

Nós, europeus (sim, nós somos europeus), não podemos aceitar pagar um tostão por uma crise que não causámos. Até ao limite. Porque há de calhar sempre a nós o papel da “responsabilidade”? Porque aceitamos e até aplaudimos. E assim se consegue que os custos do trabalho, aqueles que justificam cada hora do nosso dia a trabalhar para outros, pesem cada vez menos. De crise em crise. Sempre porque tem de ser.

Se não cedermos, se não aceitarmos nem mais uma chantagem, se formos intransigentes e intolerantes com tanto abuso, não será assim. Porque, afinal de contas, sem o “factor trabalho” não há produção. Sem produção não há economia. Sem economia não há nem lucro, nem banca, nem jogo. No fim, é tão simples como isto.


De Ausente dest OE: espirito da igualdade . a 18 de Outubro de 2010 às 12:47
O espírito que está ausente deste orçamento
( João Rodrigues, Arrastão.org, 18.10.2011)

Quem não anda distraído já percebeu que, ao contrário do que afirma Teixeira dos Santos, as escolhas orçamentais assimétricas vão aumentar brutalmente a fractura social num dos países com as mais elevadas desigualdades económicas da Europa. Os problemas sociais só podem aumentar à medida que a economia se vai tornando cada vez menos civilizada. O bloco central está a reforçar, por via orçamental, o multiplicar da desigualdade. Lindo serviço.

A investigação em economia política tem indicado que os países onde o essencial das normas salariais e das condições de trabalho é definido fora da empresa, em negociações centralizadas entre patrões e sindicatos, registam níveis de desigualdade antes de impostos muito inferiores aos países de regime liberal. Paradoxalmente, ou talvez não, os primeiros também redistribuem muito mais através da fiscalidade e dos serviços públicos, ou seja, através das escolhas orçamentais. O chamado multiplicador da igualdade consiste nesta virtuosa conjugação antes e depois de impostos.

O Espírito da Igualdade – Por que razão sociedades igualitárias funcionam quase sempre melhor, de que já aqui várias vezes se falou, lançado originalmente em 2009, é um livro indispensável no actual contexto. No Le Monde diplomatique – edição portuguesa deste mês volto à carga a propósito da edição portuguesa de 2010. Aqui fica o essencial da recensão.

O subtítulo sintetiza o objectivo deste notável e muito bem traduzido livro: mostrar “por que razão as sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor”. Que igualdade? Esta pergunta, formulada há já alguns anos pelo economista Amartya Sen, tem sempre de ser colocada quando se tratam estes temas. Assim como a questão: igualdade para quê? Uma medida do sucesso deste livro está na sua capacidade de dar respostas cabais a estas duas perguntas. As respostas ancoram-se numa exigente investigação empírica e na melhor teoria realista, a que escrutina os processos, os mecanismos causais que estão por detrás das regularidades, dos padrões identificados. Só a partir daqui é possível oferecer soluções de política convincentes. Estas devem ser compatíveis com o que sabemos sobre o comportamento humano e a sua natureza; sobre a diversidade das relações sociais e os seus impactos naquilo que cada individuo pode ser e fazer com a sua vida. Este livro também é um modesto contributo para o processo, em curso, de unificação das ciências humanas, entendidas em sentido amplo.

Richard Wilkinson e Kate Pickett, dois especialistas internacionais na área dos determinantes sociais da saúde, demonstram convincentemente que as desigualdades materiais, medidas pela diferença de rendimentos entre os 20% do topo e os 20% da base da pirâmide social, são o factor mais poderoso na moldagem das relações sociais nos países ricos, afectando o bem-estar social como nenhum outro indicador. Fazem-no a partir de uma impressionante recolha da estudos científicos, uma parte dos quais foi resultado da sua aturada investigação. Tudo para concluírem, para o grupo de vinte e três países desenvolvidos analisados, que quanto mais igualitárias são as sociedades menos intensos são os problemas sociais e mais elevada é a qualidade de vida, concebida de forma ampla. O rendimento per capita revela-se irrelevante neste contexto. Os países mais desiguais têm, globalmente e para os vários escalões sociais, piores resultados na área da saúde pública e níveis muito superiores de sofrimento social evitável.

Como b...


De .. a 18 de Outubro de 2010 às 13:59
O espírito que está ausente deste orçamento
(Por João Rodrigues)

...
Como bons cientistas sociais, os autores não confundem correlação com causalidade. A sua análise estatística mostra um padrão claro e sistemático de associação entre cada um dos problemas abordados e as diferenças entre ricos e pobres, mostrando ao mesmo tempo que nenhuma outra variável exibe uma relação causal com a mesma expressão.
Este é um ponto de partida para uma detalhada exploração dos mecanismos causais que permitem dizer que as desigualdades de rendimentos são a principal causa dos problemas escrutinados.

De outra forma, como explicar que países tão diferentes como Portugal, os EUA ou o Reino Unido exibam uma performance tão medíocre em termos de indicadores sociais e que o Japão ou a Suécia, países infinitamente mais igualitários, sejam sociedades bem mais decentes?

Os autores dão uma grande importância à forma como as desigualdades de rendimento criam um filtro, uma carapaça, que entorpece as relações sociais cooperativas entre os indivíduos, que aumenta a conflitualidade e o preconceito de classe, que sabota os sentimentos morais, que cria armadilhas sociais em que todos caímos:
arrogância de um lado, humilhação e angústia do outro.

O poder da mensagem deste livro deveria contribuir para remeter para o caixote do lixo das ideias abjectas a célebre formulação de Peter Mandelson, um dos obreiros da defunta terceira via:
“estou intensamente relaxado com o facto de as pessoas se tornarem obscenamente ricas”. Pouquíssimas pessoas, claro.
Agora até o conservador David Cameron é obrigado a referir-se elogiosamente ao livro durante a campanha das últimas eleições legislativas britânicas. Os estudos de opinião dizem que o diagnóstico dos autores é largamente partilhado:
a DESIGUALDADE ECONÓMICA È O PROBLEMA.

No entanto, no seguimento da publicação deste livro surgiu uma pequena indústria conservadora de “estudos” que tentaram demolir as suas conclusões, lançando também a dúvida sobre as intenções totalitárias destes perigosos igualitários,
que defendem maior progressividade fiscal,
menos desigualdades antes de impostos, conseguidas com maior poder dos sindicatos,
um Estado social mais generoso,
um maior controlo das grandes empresas.

A resposta dos autores a estas críticas, publicada no seu excelente sítio na internet (http://www.equalitytrust.org.uk),
sublinha um ponto essencial: este livro sintetiza a evidência publicada em revistas científicas de referência escrutinadas pelos pares. Qualquer estudo científico é falível, claro.
No entanto, a ciência só progride se lutarmos contra o esforço do dinheiro para distorcer o debate, através dos bem financiados “think-tanks”.
Todas as respostas aos críticos serão submetidas a revistas da especialidade; estes que façam o mesmo, dizem-nos Wilkinson e Pickett. Que ganhe o melhor argumento; a evidência mais forte. A “vitória” no campo das politicas públicas depende da correlação de forças política, claro. Mas se há coisa que a teoria crítica tem de reaprender nestes tempos negros é que
há uma distinção crucial entre vitória política, questão de poder e de correlação de forças, e a vitória intelectual, questão de bons argumentos e da sua veracidade.
A possibilidade destes também depende da existência de instituições que nutram as melhores práticas científicas.


De . a 18 de Outubro de 2010 às 14:04
---José Guinote , 18 Out 2010

Portugal aparece referido ao longo do livro sempre como um dos países com maior desigualdade de rendimentos apenas superado pelos Estados Unidos.
Tal como os Estados Unidos é um dos que tem pior desempenho em todos os indicadores estudados. Cito apenas uma pequena parte(p214):

“A nível internacional, aparentemente deparamos sempre com uma distribuição saudável em relação aos países escandinavos e ao Japão.
E no extremo oposto, sofrendo de elevadas taxas relativamente à maior parte dos problemas sociais e de saúde, encontramos geralmente os EUA, Portugal e Reino Unido(…)”

Talvez alguém que tenha que entrevistar Teixeira dos Santos lhe devesse oferecer o livro para, pelo menos, o impedir de continuar a dizer as coisas sem sentido sobre a justiça das medidas contidas no Orçamento que ele disse, por exemplo, na entrevista aos jornalistas do Público.

Foram os resultados da investigação que os autores efectuaram e publicaram neste livro que serviu de apoio a Tony Judt para escrever o seu último livro antes de morrer “Ill Fares the Land” no qual faz uma crítica impiedosa do neoliberalismo dominante nos últimos trinta anos e faz a apologia da social-democracia europeia do pós-guerra que, aliás, o neoliberalismo tem procurado implodir com particular destaque para a União Europeia com a cumplicidade dos partidos socialistas, cada vez menos sociais-democratas, como o nosso.
Um livro excelente que me parece merecer uma tradução.

Deixo aqui um pequeno excerto: (…) What matters is not how affluent a country is but how unequal it is. Thus Sweden, or Finland, two of the world´s wealthiest countries by per capita income or GDP, have a very narrow gap separating their richest from their poorest citizens – and they consistently lead the world in indices of measurable wellbeing. Conversely, the United States, despite its huge aggregate wealth, always comes low on such measures. We spend vast sums on healthcare, but life expectancy in the US remains below Bosnia and just above Albania.(…)”


De .. a 18 de Outubro de 2010 às 12:38
--- ...tadinhos!

Parece que tem razão, Jorge Miranda, ao pretender querer inscrever na Constituição da República a acumulação de poderes como é o caso dos juízes que se igualam a funcionários públicos quando não o são.

Se toda a gente, ainda que de uma forma desigual, vai ter diminuição de rendimentos porque os senhores magistrados o não deveriam ter?

Seriam para rir se o caso não fosse tão sério as afirmações do presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses ASJP ) disse que a penalização que esta classe vai sofrer com os anunciados cortes orçamentais é a «factura» pelo seu trabalho em processos como o «Face Oculta» e «outros anteriores».

«Estamos a pagar a factura de ter incomodado, nas investigações e no trabalho jurisdicional que fazemos, os boys do Partido Socialista. Estamos a pagar a factura do processo Face Oculta e de outros processos anteriores», disse António Martins em entrevista à Agência Lusa.

O juiz considerou que «existem 450 mil cidadãos, entre os quais os juízes, que são vítimas de um roubo», numa referência aos anunciados cortes de salários.
... tadinhos !

--- Zé T.

o OE é uma previsão de receitas e despesas e a política é uma mistura de economia e de sociologia....
mas não é só isso !

convém não esquecer que em tudo isso há ESCOLHAS (as de agora e as de governos anteriores, deste partido e de outros) e estas NÃO são NEUTRAS... existem causas razões e objectivos (declarados ou escondidos)...

e umas ESCOLHAS são melhores (ou piores depende da perspectiva/interesse em causa) que outras para a maioria da população ou para determinados sectores/subsectores (classes, grupos etários, grupos profissionais, regiões, ...)

Assim, mesmo que se concorde com determinados 'cortes' ou racionalidades político-sociais-económicas muitos portugueses expressam que discordam do que foi feito, como foi feito, e do que se pretende fazer e como fazer....

quanto aos ''cortes''' a determinados grupos/sectores isso requer uma análise mais aprofundada, mas devem ter-se sempre presentes e cumulativamente alguns princípios:

1º universalidade e transparência de aplicação de medidas e leis (simples, entendíveis, eficientes, sem lacunas nem sobreposições nem excepções);

2º os 'grandes e poderosos' que dêm o exemplo e assumam as suas responsabilidades/custos pela governação e economia passada-recente e presente (políticos, ex-políticos, bancos, grandes empresas, empresários, administradores, ... partidos, fundações, 'off-shores', ...);

3º só a existência (e medidas que favoreçam) uma grande classe média e a abolição da miséria e da obscena riqueza é que pode elevar a qualidade de vida da sociedade e consolidar os laços de identidade e solidariedade da nação portuguesa e europeia.

4º...

--- porquê e para quê ? 'corja' pró buraco !

Arrepiação

A ideia que fica é que andamos, há anos, a cavar um buraco com as mãos e agora, que já nem unhas temos para continuar, ainda nos mandam cavar mais fundo como se o fundo depois de atingido ainda tivesse outro fundo por baixo.

E quando questionamos sobre a razão do escavar só temos por resposta que cavar é preciso.

LNT, [0.354/2010], A Barbearia

-- fatbot disse...
Que mais irá acontecer??? Já estávamos no fundo, mas agora agora estamos muito pior!!! Haja DEUS!!!

-- Anônimo disse...
O que apetece mesmo é cavar daqui pra fora.
Quem paga é sempre o mesmo e quem ganha são sempre os do costume.

Penso que é tempo de enviar para o "buraco" que o LNT fala a corja que anda a obrigar o povo a cavar.

-- maloud disse...
E não se vê luz ao fundo do túnel. Que desespero!


--- Escolhas?
Para fazer escolhas era necessário que os governantes fossem possuídos de alguma ideologia social. Tais escolhas são feitas em função dos mandantes económico-financeiros e não em função de uma ideia de sociedade.

Não é por acaso que nenhum dos partidos, nem os cidadãos em geral, são capazes de dizer que alterações, credíveis e de sustentabilidade, defenderiam em termos estruturais de organização e funcionamento da sociedade.

Toda a gente diz "do Carmo e da Caramunha " mas quem propõe profundas alterações de comportamentos? ninguém !

Talvez o FMI, quando por aí aparecer, fisicamente, visto que "a mão invisivél" já


De Prop. de OE 2011. a 18 de Outubro de 2010 às 12:41

Numa pen…
(por Daniel Oliveira, Arrastão)

…cabe a desgraça deste País. Uma desgraça desigualmente destribuída.
Que será paga, antes de mais, pelas classes baixas e média-baixas.
E que, com este caminho, não tem fim à vista. E isto acreditando nas fantasiosas previsões macroeconómicas, que são de optimismo comovente quanto ao consumo interno e esquecem que as medidas de austeridade no resto da Europa terão efeitos nas nossas exportações.

O governo, mas também o PSD, que tem defendido este caminho para sair da crise, julgam que somos uma ilha.
-----------------
---J. Silva ,16 Out 2010

Um país que passa 30 anos a importar 70% do que consome;
que destruiu todo o seu aparelho produtivo (o pouco que tinha);
que tem tido governos que apenas gerem subsídios daqui para ali;
de uma classe política que não sabe nem quer saber o que é produtividade;
de uma classe média endividada em saloios oásis consumistas;
de um sistema de ensino que produz analfabetos funcionais e cretinos intelectuais;
de um sistema jurídico inerte, ineficaz e até corrupto;
de um povo que julgou que estava no tempo de D. João V;
de um modelo de democracia que deu o “bafo” em termos estruturais, ideológicos e metodológicos;
de um país que nada produz, que não se desenvolve solidamente e só se preocupa em futilidades de ocasião ou de obras de fachada;
de políticos estrangeirados que não gostam nem nunca gostaram de Portugal.

Com uma panorâmica destas, as pessoas julgavam que isto iria dar aonde? Os resultados são e foram os esperados.

---Olympus Mons ,16 Out 2010

Daniel, isto, este orçamento, é o António das Botas (Salazar), em 1930 a começar a tratar do desvario…

Que vergonha que eu sinto.

---PedroM,

24 horas após a apresentação do orçamento mais brutal da nossa história,
15 minutos depois da abertura, já os telejornais falavam dos jogos do Benfica, Sporting e Porto.

Indubitavelmente — que venha a fome!

---PedroM ,16 Out 2010

A verdadeira desgraça deste país é não termos alternativas para o abismo:

ou temos um orçamento que tente por as contas públicas em ordem, de acordo com os critérios da UE e ao mesmo tempo hipoteque o crescimento económico
ou então
temos um orçamento que tente puxar pela economia e ignore o défice das contas públicas, violando os critérios da UE e expondo-se às consequências que isso acarretará,
que poderão ser graves sanções monetárias da UE, agravamento das taxas de juro e dificuldades cada vez maiores de arranjar o dinheiro que precisamos para dinamizar a economia,
exclusão da zona euro e no limite, da própria UE – com a devolução de muitos dos fundos que recebemos e vetados de vez ao isolamento periférico.

Ou seja, estamos num círculo vicioso em que qualquer das soluções nos irá trazer a miséria e desgraça nos próximos tempos. Resta só saber qual a “melhor” delas no médio/longo prazo.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 17 de Outubro de 2010 às 09:28
Quanto mais dinheiro entrar mais haverá para sacar.
Esse é que é o verdadeiro problema.
É que não há quem governe. Há é quem se governe.


De Orçamento e deputados a 15 de Outubro de 2010 às 14:50
Razões que as necessidades muito bem conhecem.
Todos os deputados, por ou outra razão, têm vontade de ver o OE aprovado.
• Uns porque convictamente sabem que não há outra solução nas actuais circunstâncias. Não trabalharam para a encontrar;
• Outros há que, para ir ao encontro dos seus próprios ou dos interesses de quem lhes garante o lugar, não tem outra saída;
• Há, ainda, aqueles que não sabendo se teriam lugar nas listas de deputados que teriam de surgir, caso a AR fosse dissolvida, o melhor é deixar estar o que está sempre dá para mais uns tempos.

E a população e o país perguntarão alguns cidadãos contribuintes? Esses que se lixem, apertem o cinto que já estão habituados e se não estão habituem-se que ainda vão muito a tempo...


De Servidores do Po...privado... partido. a 19 de Outubro de 2010 às 08:47
DEPUTADOS NO REINO UNIDO...! (na Suécia também é parecido.)

Não é de estranhar, mas é interessante saber... como tudo é diferente...!

Os deputados do Reino Unido, na "Mãe dos Parlamentos",

1 . não têm lugar certo onde sentar-se, na Câmara dos Comuns;
2 . não têm escritórios, nem secretários, nem automóveis;
3 . não têm residência (pagam pela sua casa em Londres ou nas províncias);
detalhe: e pagam, por todas as suas despesas, normalmente, como todo e qualquer trabalhador;
4 . não têm passagens de avião gratuitas, salvo quando ao serviço do próprio Parlamento.
5 . E o seu salário equipara-se ao de um Chefe de Secção de qualquer repartição pública.

Em suma, são SERVIDORES DO POVO e não PARASITAS do mesmo.
A propósito, sabiam que, em Portugal, os funcionários não deputados que trabalham na Assembleia têm um subsídio equivalente a 80 % do seu vencimento? Isto é, se cá fora ganhasse 1000,00 ? lá dentro ganharia 1800,00 ? Porquê? Profissão de desgaste rápido? E por que é que os jornais não falam disto?

Porque têm medo? Ou não podem? Nada disso.Os jornais são "isentos"............


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