P.I.G.S. aliados: exijam mudança de rumo na União Europeia !

Era porreiro, não era pá?

Se a economia falhar este Orçamento não vai resolver nem os nossos problemas financeiros mais urgentes.

José Sócrates arriscou-se, com previsões macroeconómicas irrealistas, que não medem o que vai acontecer à procura interna e às despesas sociais que o aumento do desemprego vai trazer e que são de um extraordinário optimismo em relação às exportações, negando, ele próprio, aquilo que muito bem tem dito: estamos perante uma crise europeia.

Isto, com a distribuição desigual dos sacrifícios, é o pecado do Orçamento.

 

Tem-se escrito e dito que não há alternativa a este Orçamento. É péssimo mas tem de ser. Acontece que dificilmente podemos chamar a isto uma alternativa a qualquer coisa. O resultado final não será melhor do que não fazer nada ou fazer o contrário disto.

A única alternativa viável é europeia.

Porque a moeda é europeia. Porque a economia é europeia. Porque o mercado é único e europeu. Porque a crise é europeia.

Só que isso obrigaria os portugueses a abandonar a menorização a que se condenam e a querer ter um papel na Europa.

Começar por aceitar, a este nível, os seus erros. Empenhados que estiveram em ser o bom aluno europeu e a impressionar os seus parceiros, que, como é evidente, estavam a pensar em si próprios, aceitaram tudo, incluindo opções que foram a nossa desgraça.

 

Muitos queixam-se hoje da impossibilidade do BCE financiar directamente os Estados europeus, passando o dinheiro para a banca que lhe acrescenta juros proibitivos.

E queixam-se do “pacto estúpido” (o PEC), que obrigando os países a cumprir défices cegos administrativamente determinados, levaram os Estados a gastar mais, e não menos.

As Parcerias Público-Privadas resultam disso mesmo: cumprir o défice adiando o pagamento da conta com mais custos a longo prazo.

E queixam-se da nova arquitectura institucional da Europa, que retirou aos países periféricos qualquer capacidade de decisão.

 

Mas onde estava Portugal de cada uma das vezes que estas decisões foram tomadas? A abanar a cauda, com a língua de fora e a pata estendida. Basta recordar a alegria a quando da aprovação do Tratado de Lisboa, que foi, como reconhece qualquer pessoa intelectualmente honesta, uma tragédia para Portugal. Porreiro, pá! E o primeiro que a ele se opusesse era rapidamente carimbado com a o derradeiro insulto: anti-europeísta.

O que está feito não pode ser mudado. Fica apenas de lição. Mas podemos aprender com o erro.

 

E um passo normal seria países como Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia  ('PIGS'), em vez de se autoflagelarem e aceitarem tudo em silêncio, entenderem-se numa estratégia comum para se baterem pelos seus interesses. Deixarem de se portar como se estivessem na União por favor e agirem como aliados naturais que são.

Aliados que não têm medo de apanhar lepra por se juntarem numa mudança no rumo que a Europa está a seguir.

E se os governos não o fazem, que o exijam os cidadãos. Mas para isso falta abandonarem este desesperante complexo de inferioridade e impotência.

   Publicado no Expresso Online



Publicado por Xa2 às 00:07 de 21.10.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De DD a 25 de Outubro de 2010 às 15:32
Comprem um Porsche Cayenne.. São 22 mil euros de entrada, 48 prestações a 550 euros mensais e 28 mil euros de valor residual que pode ser amortizado com 14 mil euros e 28 prestações de 500 euros.

Enfim, qualquer juiz desembargador ou reformado pode fazer uma aquisição desta com os ordenados que têm. Para além dos mais de 4 mil euros de ordenado recebem ajudas de custo diárias, mesmo quando vivem e trabalham na sua cidade de origem, e recebem 700 euros de subsídio de renda de casa, mesmo quando vivem num apartamento de que são proprietários. Esse subsídio dá para pagar as 48 + 28 prestaçõies e ainda sobjeja dinheiro.
O carrinho só custa 76.400 euros; uma brincadeira para qualquer juiz.


De Valorizar as PESSOAS na UE. a 21 de Outubro de 2010 às 10:31
Vitória para a igualdade na Europa

[Publicado por AG, Causa Nossa, 20.10.2010]

O PE aprovou hoje o relatório de Edite Estrela com propostas legislativas que alargam o periodo de licença da maternidade na UE das actuais 14 para as 20 semanas, pagas por inteiro, e reforçam a protecão e segurança das mães no local de trabalho.

O relatório propõe também licenças de paternidade de duas semanas integralmente pagas.
Não se trata apenas de uma grande vitória para a igualdade de género na UE, mas de promover a saúde e segurança das mulheres e também de estimular a natalidade, numa Europa em perigoso declínio demográfico.

É uma importante contribuição para a Europa sair da crise por cima, com estímulo à economia VALORIZANDO o factor TRABALHO (contra as receitas neo-liberais que prevalecem e tudo subordinam ao factor capital),
com medidas de apoio aos cidadãos - e em particular a mais de metade deles, as mulheres.

Em 2009 este relatório viu a sua aprovação adiada por arrostar com a oposição da direita mais retrógrada, em convergência com a relutância de alguns governos e forças políticas que se dizem socialistas/trabalhistas (através de eurodeputados que se prestam a ser sobretudo correias de transmissão no PE).
Em 2010, a vitória não estava assegurada, foi preciso negociar, fazer compromissos, mas ainda assim arriscar. Arriscou-se, ganhou-se. Foi uma vitória saborosa e sobretudo bem merecida. Por Edite Estrela. E por todas nós, as mulheres na Europa.


De Melhor UE. a 21 de Outubro de 2010 às 10:26
Recursos financeiros próprios da UE

[Publicado por Vital Moreira, Causa Nossa, 19.10.2010]
A Comissão Europeia ousou colocar em cima da mesa a ideia da criação de recursos tributários próprios da UE, com várias alternativas (e não somente um IVA europeu, como enganadoramente titula o Público).

Há muito que defendo essa idea, que permitiria aumentar os recursos finaneiros da UE e substituir as contribuições directas dos Estados-membros -
- que constituem despesa orçamental, contando para o défice orçamental -
-, desse modo contrariando a nociva noção de "contribuinte líquido", que constitui o mais demagógico dos argumentos anti-UE nos países mais ricos, que por isso mais contribuem para as finanças da UE.

Vai ser interessante ver a reacção dos que ainda há um ano reagiram à ideia de receitas tributárias próprias da UE como se fosse uma heresia antinacional...


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