De Boaventura S. Santos a 25 de Outubro de 2010 às 10:33
Se nada fizermos para corrigir o curso das coisas, dentro de alguns anos se dirá que a sociedade portuguesa viveu, entre o final do século XX e começo do século XXI, um luminoso mas breve interregno democrático. Durou menos de 40 anos, entre 1974 e 2010.
Nos 48 anos que precederam a revolução de 25 de abril de 1974, viveu sob uma ditadura civil nacionalista, personalizada na figura de Oliveira Salazar.
A partir de 2010, entrou num outro período de ditadura civil, desta vez internacionalista e despersonalizada, conduzida por uma entidade abstrata chamada "mercados".
As duas ditaduras começaram por razões financeiras e depois criaram as suas próprias razões para se manterem. Ambas conduziram ao empobrecimento do povo português, que deixaram na cauda dos povos europeus. Mas enquanto a primeira eliminou o jogo democrático, destruiu as liberdades e instaurou um regime de fascismo político, a segunda manteve o jogo democrático mas reduziu ao mínimo as opções ideológicas, manteve as liberdades mas destruiu as possibilidades de serem efetivamente exercidas e instaurou um regime de democracia política combinado com fascismo social. Por esta razão, a segunda ditadura pode ser designada como "ditamole".


De DD a 25 de Outubro de 2010 às 15:20
Boaventura deveria saber mais de história e da situação de dezenas de países no Mundo.
As ditaduras são o produto da vontade de uns tantos homens, geralmente armados ou com apoio de forças armadas.
A actual crise financeira é o produto de uma vontade socializante aliada a uma incapacidade para produzir, principalmente resultante da concorrência chinesa.

A revista Tiome de hoje diz que no México um trabalhador de uma fábrica de automóveis ganha 7 dólares à hora com tudo incluído, na China ganha 1,4
dólares e na ìndia cerca de 0,7 dólares.
O automóvel Tata Nano fabricado na Índia custa 2.500 dólares, ou pouco mais de 2 mil euros.
Hoje estamos metidos numa guerra de exploração dos trabalhadores. Os mais explorados matam os postos de trabalho dos menos explorados, a não ser que coloquemos barreiras à importação dos produtos fabricados pelos mais explorados.
A família Tata rouba tanto aos seus trabalhadores que jé dona de uma parte importante da indústria indiana e de quase todas as siderurgias europeias e americanas, incluindo a siderurgia portuguesa.

Há aqui no Luminária imbecis que teimam que é o Sócrates o culpado de uma situação global em que a exploração maior mata a exploração menor. O capitalismo terceiro mundista e comunista chinês mata o socialismo democrático.

Os americanos preparam-se para desvalorizar largamente o seu dólar como defesa dos postos de trabalho dos seus trabalhadores e, assim, os chineses vão perder triliões de horas de trabalho porque não querem importar bens alimentares e de consumo e, menos ainda, aumentar os salários dos seus trabalhadores.

Um tipo como o Boaventura que não vê esta realidade é completamente cego e está tão anquilosado com ideias antigas que não descortina a realidade que surgiu de uma forma crescente nos últimos vinte anos.

Devido à sua idade, Boaventura julga que a Europa ainda detém o monopólio industrial do Mundo em conjunto com os EUA.


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