A Telenovela orçamentista

As delegações do PS e PSD encontram-se numa azáfama ciclópica, tanto quanto hipócrita é a afirmação do candidato Cavaco Silva que, dizendo não se intrometer porque não é seu tempo, sempre envia o seu, esse sim, recadinho encomendado por quem, efectivamente, detém os poderes.

Porque não negoceiam, estes senhores, a tomada de medidas estruturais de fundo que permitam e obriguem a uma maior produção de riqueza e a sua, concomitante, distribuição mais equitativa.

Paradoxalmente, em tempos de crescimento económico e de governações de centro-esquerda, aumentaram as desigualdades sociais, um dos sinais mais preocupantes da actual conjuntura, numa sociedade que é já a mais desigual da Europa. Em Portugal, entre 2006 e 2009 aumentou em 38,5% o número de trabalhadores por conta de outrem, abrangidos pelo salário mínimo (450 euros): são agora 804 mil, isto é, cerca de 15% da população activa. Em 2008, um pequeno grupo de cidadãos ricos (4051 agregados fiscais) tinham um rendimento semelhante ao de um vastíssimo número de cidadãos pobres (634 836 agregados fiscais). Se é verdade que as democracias europeias valem o que valem as suas classes médias, a democracia portuguesa pode estar a cometer o suicídio, afirma o sociólogo Boaventura S. Santos.



Publicado por Zurc às 15:50 de 25.10.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Adiar e aumentar as facturas...Bancarrot a 27 de Outubro de 2010 às 18:02
A Scutelância foi à felência

Durantes as últimas décadas o país primeiro criou direitos e depois gastou sem sequer fazer as contas, desde os anos setenta que não deve ter havido um único ano sem défice orçamental.
Os políticos disputam os cargos propondo ofertas aos eleitores, oferecendo novas borlas, novos subsídios, e os eleitores gostam escolhem os que oferecem mais glorificam os que no passado mais ofereceram, pouco se importando com a origem do dinheiro, tem-lhes sido indiferente que as benesses sejam pagas com os seu próprio dinheiro, com dívida pública ou com fundos comunitários.

O país tornou-se na Scutelância, o país das borlas e o modeloque apenas se preocupa com a forma de gastar a riqueza soçobrou, a combinação da crise internacional com a dívida pública levou-o à falência.

Mas os políticos não perceberam e se até aqui disputavam o voto dos eleitores oferecendo e escolhendo os destinatários das prendas sociais,
agora disputam os votos escolhendo os portugueses que devem assacar com as responsabilidades.

Uns desprezam os funcionários públicos, outros preocupam-se porque o aumento do iva atinge os pequenos comerciantes que constituem o músculo da sua máquina partidária.
Dantes disputavam a maximização dos votos, agora degladiam-se para minimizar os prejuízos eleitorais.

Num momento de crise profunda de um modelo que foi ou caminha a passos rápidos para a falência, quando seria de esperar um projecto colectivo sem o qual Portugal nunca poderá superar esta crise,
os dirigentes políticos lutam pela sobrevivência no poder, seja este a liderança governamental ou partidária, dividindo os portugueses.

Tramam-se mais uns para que os outros fiquem contentes e justifiquem o sacrifícios dos vizinhos com velhas acusações de gandulagem, no próximo OE as vítimas serão outras ou muito provavelmente as mesmas.

E enquanto o sacrifícios de alguns dá ao país a sensação de sobrevivência de um modelo económico e social falido a Scutelândia salva-se mais um ano, até porque o aumento das exportações dão mais um ano de vida à economia.

´Parece que o país terá mesmo que ir à bancarrota para que os portugueses percebam que este imenso esquema de borlas conduzirá os portugueses à miséria.

Publicada por Jumento em 26.10.2010
--- PJ

Por falar em SCUT, onde é que anda o João Cravinho? Gostava de o ver a explicar a decisão que tomou...

--- Cluis60

O meu amigo diz tudo. Só não diz onde cortava se estivesse no lugar do seu "patrão" Teixeira dos Santos.
Já agora: a França, a Inglaterra, a Alemanha, os EUA têm um Estado Social muito maior que o nosso.

Simplesmente, lá quem rouba vai depressa para a prisão.
Ver só o que aconteceu ao Madof e o que aconteceu ao Dias Loureiro e ao Rendeiro por exemplo.


De CausaNossa a 26 de Outubro de 2010 às 14:16
Pela TTF - Taxa sobre Transacções Financeiras

[-por AG,]

No site da campanha "Europeus pela reforma financeira" eu justifico porque apoio a criação de uma Taxa sobre Transacções Financeiras (TTF):
(porque)
Os "banksters" (banqueiros/gangsters) criaram a crise.
Os bancos devem agora ajudar os europeus a sair da crise, financiando investimento em crescimento inteligente e sustentável, com emprego decente para todos.
É para isso a TTF"
----------------------------------------------------------
Como é bom viver à custa dos outros
[-por Vital Moreira]

Quando Portugal passa por severas dificuldades orçamentais e há consenso para a diminuição das despesas eleitorais a nível nacional, a Assembleia regional da Madeira resolve aumentar as subvenções para as eleições regionais (aliás já bem generosas).

Sabendo-se que a Madeira vive em boa parte à custa do orçamento do Estado -- ou seja, dos contribuintes do continente --, é caso para dizer que é fácil ser generoso quando são os outros a pagar a conta.

Como sempre o PSD nacional, que quer arrasar a despesa pública a nível do Estado, assobia para o ar...


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