Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

É claro que todos temos de sofrer e ser responsáveis

excepto a malta do costume.  ...  (por Sérgio Lavos)
 

(por  João Rodrigues)

Eu tenho argumentado que os “economistas” neoliberais estão totalmente equivocados, em particular na questão laboral, a questão socioeconómica mais importante. E basta. No entanto, não resisto a adicionar um elemento, certamente secundário, mas muito revelador sobre o estado moral das nossas “elites”.

Comecemos por um bom artigo no Público de sábado sobre a erosão da democracia causada pelo “mercados”. São José Almeida faz uma pergunta a propósito do último Prós e Contras: “Houve uma coisa que saltou aos olhos e provocou uma clara sensação de mal estar: por que razão sorria Mira Amaral?” O livro “Os Donos de Portugal”, acabado de ser lançado, responde: “Como a ponta de um iceberg, os mais notórios globetrotters dos conselhos de administração são Mira Amaral, Nogueira Leite, Joaquim Ferreira do Amaral, Murteira Nabo e Luís Todo Bom.” (p. 321). Juntem a pensão da CGD e é só sorrir.

Mais motivos para sorrir:

 Mira Amaral era o grande defensor da desastrosa austeridade à irlandesa e apesar deste e de outros disparates continua por aí com amplo tempo de antena. Ex-ministros sempre com boas sinecuras públicas e privadas e com controlo televisivo quase total. A banca ou outros grupos económicos rentistas reconstruídos por privatizações ruinosas foram o destino da esmagadora maioria, como está bem documentado em “Os Donos de Portugal”.

    Estas coisas não são para se dizer entre as pessoas por quem se deve ter consideração:

é o que, inspirado pelo Rui Tavares, já apodei de economia da consideração. E a ordem dos economistas, que supostamente vela pela ética da profissão, é presidida por Murteira Nabo, precisamente um dos globetrotters. Desde os meus tempos de estudante no ISEG que sou contra a ordem dos economistas.

     O que é que isto mostra? O que o Daniel já defendeu:

“economistas” demasiado bem alimentados andam a brincar com a vida dos outros há muito tempo neste país. E estão errados. E demasiados privilégios toldaram os seus sentimentos morais. A passividade dos outros também ajudou à festa.

    Daí para a incapacidade de pensar realisticamente a economia como um conjunto de mecanismos e de relações sociais e políticas é só um pequeno salto para o abismo da politica económica seguida desde há muitos anos: foi esta gente que nos meteu alegremente no colete de forças deste euro mal instituído. E agora aí estão a dar a cara por todos os PEC que afundam a economia e geram desemprego para os outros. Sempre a sorrir? Só se deixarmos. A greve geral também é contra esta economia de predação.

 

A crise Fica para os outros    (por Daniel Oliveira)

    O Banco de Portugal está a esquivar-se à redução dos salários dos seus funcionários. ...E isto naquela que é, provavelmente, a instituição do Estado com os mais escandalosos privilégios. Aquela da qual muitos dos principais advogados da sangria salarial em todo o País recebem reformas pornográficas, por vezes resultado de passagens fugazes pelo Banco.

    Esta é apenas mais uma história bem reveladora da verdadeira natureza desta crise. Uma história em que o sacrifício é sempre transferido para o vizinho de baixo. Porque esta crise não é apenas financeira. É ética. Aliás, se se lembram como isto começou, a primeira resulta da segunda.


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9 comentários:
De Pensões douradas da oligarquia a 27 de Outubro de 2010 às 10:28
José Vitor Malheiros: "As pensões douradas da oligarquia"

Quando o artigo é de Vitor Malheiros leio sempre. E... nunca me arrependi. Não conheço Vitor Malheiros mas leio-o. E é como se o conhecesse. É um grande jornalista e além disso, o que é muito,
é um homem corajoso. Por isso também tem o meu apreço. E diz o que tem a dizer. Não baixa a cerviz perante os poderes. Não sei se já foi prejudicado. Mas arrisca-se.
Transcrevo umas linhas do seu artigo de opinião (às terças no Público) da semana passada "As pensões douradas da oligarquia":
_____________

" O Governo tem um problema. Não é o único problema nem o mais importante, mas este é um daqueles que o Governo admite: o Governo não sabe como aplicar o corte de 10 por cento nas pensões acima de 5000 euros.

Se fosse nos salários, era fácil - como vai ser fácil, aliás. Se fosse nas pensões mais baixas também era fácil. Se fosse mais um aumento de IRS era fácil, ou do IVA, ou do IMI, ou do imposto de selo.
Mas cortar nos pensionistas de luxo, naqueles que se reformaram aos cinquenta anos para acumular duas ou três pensões (além de continuarem a trabalhar e a receber salários, porque recuperaram milagrosamente do cansaço que os obrigou à reforma), aí, é “complicado”.

Não é que a administração fiscal não saiba quem ganha o quê. Não é que a administração fiscal não saiba quem paga o quê a quem e quanto e quando. Mas é complicado, pronto.

Para começar, nunca se começou. E verdade que esta situação imoral é denunciada há anos, e que todos sabemos que o dinheiro da Segurança Social anda a servir para pagar reformas de luxo a quem não precisa delas, mas nunca se tentou fazer o levantamento ou conceber o sistema que permitiria fazer o levantamento dessas situações. A razão? É complicado, já dissemos. ... "

(Continua aqui)
# posted by Raimundo Narciso, 26.10.2010, http://puxapalavra.blogspot.com/


De Fumo negro e bocas no trombone a 27 de Outubro de 2010 às 11:46
A confirmação que Eduardo Catroga acaba de fazer e já se sabia, numa demagógica e desonesta comunicação politica, o fumo é negro, demasiadamente negro.

Pelos vistos, isto vai mesmo rebentar. Será que rebenta?

Terão alguma coisa a ver com o rebentamento as declarações de P. Vitorino que meteu a boca no trombone, a propósito da face oculta?

O futuro o dirá!


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 27 de Outubro de 2010 às 13:38
Será Verdade? Será que a alternativa ao PR actual é um dinossauro do exercício político nacional que acumula 2 pensões de reforma sendo uma delas atribuída pelos descontos de uma entidade pública onde nunca trabalhou?
Será que é legal? É certamente.
Mas será moralmente correcto? Ou justo?
Quem é que se pode ser verdadeiramente representante do povo se não não vive nas mesmas regras de sociedade como próprio povo?
Será que temos quando vamos votar entre meia dúzia destas figuronas temos, verdadeiramente, escolha? Será somos mesmo nós que escolhemos quem nos governa ou representa? Ou será que não é tudo uma fantochada duma coisa a que se poderia chamar "isto que é uma espécie de democracia".
É isto que é a Res Pública? É isto que é a democracia?
Esperem aí. É que eu vou ali e já venho...


De Subscrevo a 28 de Outubro de 2010 às 14:15
TENHAM VERGONHA - Carta aberta a Mário Soares e a todos os políticos

Sr. Dr. Mário Soares,

Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.

Há dias, ouvi o Sr., doutamente, nas TV's, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior.

Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, aqui estou eu para lhe dar a alternativa. Aqui lhe deixo 10 medidas que me vieram à mente assim, de repente:

1. Acabar com as pensões vitalícias e restantes mordomias de todos os ex-presidentes da República (os senhores foram PR's, receberam os seus salários pelo serviço prestado à Pátria, não têm de ter benesses por esse facto);

2. Acabar com as pensões vitalícias e / ou pensões em vigor dos primeiros-ministros, ministros, deputados e outros quadros (os Srs deputados receberam o seu ordenado aquando da sua actividade como deputado, não têm nada que ter pensões vitalícias nem serem reformados ao fim de 12 anos; quando muito recebem uma percentagem na reforma, mas aos 65 anos de idade como os restantes portugueses - veja-se o caso do Sr. António Seguro que na casa dos 40 anos de idade já tem direito a reforma da Assembleia da República);

3. Reduzir o nº de deputados para 100;

4. Reduzir o nº de ministérios e secretarias de estado, institutos e outras entidades criadas artificialmente, algumas desnecessárias e muitas vezes até redundantes, apenas para dar emprego aos "boys";

5. Acabar com as mordomias na Assembleia da República e no Governo, e ao invés de andarem em carros de luxo, andarem em viaturas mais baratas, ou de transportes públicos, como nos países ricos do Norte da Europa (no dia em que se anunciou o aumento dos impostos por falta de dinheiro, o Estado adquiriu uma viatura na ordem dos 140 mil ? para os VIP's que nos visitarão);

6. Acabar com os subsídios de reintegração social atribuídos aos vereadores, aos presidentes de Câmara, e outras entidades (multiplique-se o número de vereadores existentes pelo número de municípios e veja-se a enormidade e imoralidade que por aí grassa);

7. Acabar com as reformas múltiplas, sendo que um cidadão só poderá ter uma única reforma (ao invés de duas e três, como muitos têm);

8. Criar um tecto para as reformas, sendo que nenhuma poderá ser maior que a do PR;

9. Acabar com o sigilo bancário;

10. Criar um quadro da administração do Estado, de modo a que quando um governo mude, não mudem centenas de lugares na administração do Estado;

Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas e em obras de fachada sumptuosas obras sumptuosas.

Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer.

Zé do Povo Portugal
...................................
E eu SUBSCREVO !


De Nepotismo e abuso de poder/ cargo públic a 28 de Outubro de 2010 às 14:29
DE PAI PARA FILHA ...
DE TIO PARA SOBRINHO ...
MOTORISTA PARA TODA A FAMÍLIA

Soube-se dia 27 no jornal Público que a advogada Vera Sampaio foi contratada como assessora pelo membro do Governo Senhor Doutor Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira, Ministro da Presidência.

Como a tarefa não é muito cansativa foi autorizada a continuar a dar aulas numa qualquer universidade privada onde ganha uns tostões para compor o salário e poder aspirar a ter uma vidinha um pouco mais desafogada.
O facto de ser filha do Senhor ex-presidente não teve nada a ver com este reconhecimento das suas capacidades...

Há famílias a quem a mão do Senhor toca, simplesmente com a sua graça.

Soube-se há tempos que o filhote depois de se ter formado foi logo para consultor da Portugal Telecom, onde certamente porá toda a sua experiência ao serviço de todos nós.
FILHOS E ENTEADOS ...


De gorduras chorudas a 28 de Outubro de 2010 às 15:06
onde cortar despesa ?
responde Marques Mendes (ex-lider do PSD):

Para além das dezenas de direcções-gerais dos ministérios... existem:

1520 organismos do Estado (totalmente públicos, dos o.soberania, adm.central, regional, local, ...)
356 instituto públicos
639 fundações públicas
343 empresas públicas municipais
95 empresas públicas centrais
18 governos civis (uma inutilidade completa)
87 parcerias publico-privadas (faz-se agora e paga-se mais tarde com absurdas derrapagens e juros e escandalosas clausulas a favor do privado)

e 4560 gestores/administradores (os boys de vários partidos, todos com vencimentos chorudos, despesas de representação, carro e motorista, reformas douradas, ...)

empresas públicas (e ppp) quase todas na falência técnica, ... e os nossos impostos a pagar isto todos os anos !

e se considerarmos que muitos destes organismos são redundantes, inúteis, super-gastadores (principalmente com luxos e mordomias para seus dirigentes/gestores, ...)
e são centrais de NEPOTISMO, isto é, empregadores de ''boys e girls'' (impreparados, incompetentes, 'para-quedistas' desastrosos que ''assentam praça em generais coroneis e majores''; dirigentes e assessores), são filhos, sobrinhos, genros, noras, esposas, amantes, netos, ... da oligarquia política e económica que desgoverna este país.

há muito por onde cortar... e muito por onde melhorar a gestão empresarial e da administração pública, e dos governantes...


De injustiça fiscal a 28 de Outubro de 2010 às 17:13
Injustiça fiscal
[Publicado por AG, Causa Nossa,27.10.2010]

Comentei ontem na rubrica "Conselho Superior" da RDP-Antena 1 a injustiça fiscal que o projecto de OE vem agravar.
Exemplificando com a discriminação anti-constitucional que resultaria da revogação de beneficios fiscais ás comunidades religiosas e respectivas obras sociais à excepção da Igreja Católica.

Observei também a injustiça e imoralidade fiscal que resulta de instituições de interesse comercial ostensivo e de fundações desconhecidas e de duvidosissima utilidade pública
conseguirem o reconhecimento pelo governo desse estatuto para beneficiarem de isenções fiscais, quando pesados sacrificios são exigidos à esmagadora maioria dos contribuintes portugueses.

"Justiça Fiscal" é o titulo do livro que José Luis Saldanha Sanches conseguiu deixar-nos já do seu leito de morte. De justiça fiscal precisamos, urgentemente - evidenciar-nos isso é, porventura, o único mérito deste projecto de OE.


De Potugas a 28 de Outubro de 2010 às 16:53
Nova letra do Hino Nacional...

Heróis do mal
Pobre Povo
Nação doente
E e mortal
Expulsai os tubarões
Exploradores de Portugal
Entre as burlas
Sem vergonha
Ó Pátria
Cala-lhe a voz
Dessa corja tão atroz
Que há-de levar-te à miséria
P'ra rua, p'ra rua
Quem te está a aniquilar
P'ra rua, p'ra rua
Os que só estão a chular
Contra os burlões
Lutar, lutar!


De Combater a Corrupção (e o Nepotismo) a 28 de Outubro de 2010 às 17:18
Combater a corrupção : em Portugal e na Europa
[Publicado por AG, CausaNossa, 27.10.2010]

Não podemos limitarmo-nos a vociferar. Nem resignarmo-nos, diante da corrupção.

O combate tem de ser travado à escala nacional e europeia, porque a corrupção, essa, tem tentáculos à escala global, estribada em políticos, "banksters" e outros profissionais desonestos, no "capitalismo de casino" que persiste e nos «off-shores» em que ninguém toca.

Por isso é preciso participarmos na consulta pública aberta pela Comissão Europeia para preparar o pacote europeu de medidas legislativas de combate à corrupção, que está previsto lançar em 2011 - e que o Parlamento Europeu pediu e acompanhará empenhadamente.

Pode participar na consulta online até 3 de Dezembro, aqui.
Corrupção = desigualdade + empobrecimento

----- Portugal ficou em 32º, entre 178 países, no «Indice de Percepção da Corrupção (IPC) 2010" publicado esta semana pela ONG "Transparência Internacional".
Não é resultado de que nos possamos orgulhar.
Exceptuando um ligeiro progresso comparativamente a 2009, ano em que ocupou o 35º lugar, o nosso país tem vindo a descer neste "ranking" pelo menos desde 2005, quando ficou em 26º. Portugal está em 16º dos 27 países da UE. Entre antigos membros da UE (UE-15), só a Itália e a Grécia obtêm piores qualificações.

Apesar do índice IPC medir a percepção de corrupção (e não a existência de corrupção, que não é facilmente mensurável devido ao carácter oculto), estes dados mostram como há quase tudo por fazer no combate à corrupção em Portugal.

Com a crise e os sacrificios que o próximo OE vai impor, os portugueses que pagam os seus impostos estão a compreender como a corrupção e a impunidade dos corruptos
(os casos "Furacão", "Portucale", "Submarinos", BPN, BPP, Face Oculta, nem sequer ainda a julgamento chegaram...)
têm uma ligação directa com a desigualdade que persiste neste mais desigual país da Europa.

E com a pobreza que cada dia afunda mais famílias. E com o empobrecimento do país, agora de soberania diminuida, à mercê dos credores e em risco de bancarrota.


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