Há uma Política Económica em Portugal

 

 

            Há pessoas que aparecem na televisão do Mário Crespo e noutros canais a dizer que não há política económica em Portugal.

            Essas pessoas deveriam conhecer algo do mercado nacional e saber que os “clusters” apontados por Porter há 16 anos como polos (nova ortografia) de competitividade e desenvolvimento só começaram a surgir em Portugal há poucos anos e, precisamente, com o governo Sócrates, funcionando com apoios do QREN, incentivos fiscais e outros apoios ligados è formação profissional e investigação.

            Portugal tem hoje já constituídos 18 polos de competitividade, mas nem todos em pleno funcionamento, ou antes, todos em concretização, apesar de alguns estarem a produzir resultados de muitos milhões de euros.

            O “cluster” da aeronáutica está ligada à empresa brasileira Embraer, parceira do Estado nas OGMA, onde detém 65% do capital e fabrica peças para os seus aviões, tendo instalado uma primeira fábrica em Évora para componentes aeronáuticas, estando previstas mais duas ou três e outras tantas de empresas fornecedoras.

            Só a Embraer o investimento seria da ordem dos 170 milhões de euros, mas Barroso e os seus comissários estão a opor-se ao montante de incentivos a conceder pelo atual Governo Socialista, nomeadamente de natureza fiscal. A Embraer começa a ser um importante concorrente do gigantesco oligopólio mundial de aviação formado pela Airbus e Boeing que dividem entre si o mercado de quase toda a aeronáutica de transporte e parte da militar. Alemães, ingleses e franceses temem que a Embraer concretize o seu projeto de avião militar de transporte com muitos componentes portugueses e que será bem mais barato que o concorrente da Airbus A400M e o novo C-130J da Boeing/Lockeed.

            A fábrica da Embraer e outras está e estarão instaladas no importante pólo tecnológico de Évora com aeródromo junto e todo o tipo de equipamento para fornecimento de água, electricidade, saneamento básico, ligações rodoviárias, etc., numa área superior a 135 hectares.

            O “cluster” aeronáutica, nunca identificado por Porter, inclui já um vasto grupo de empresas como a PITVANT que lançou um avião não tripulado para vigilância de costa e de floresta contra incêndios, além de muitas outras missões, ligada ao Centro de Pesquisa da Academia da Força Aérea e que faz parte do PAIC (Portuguese Consortium for the Aerospace Industry). Também a TAP- Manutenção e Engenharia, as OGMA e muitas PME como a Amorim Cork Composites, Caetano Componentes, Lismoldes, LN Moldes, Moldes RP e empresas portuguesas de base tecnológica como “Evolve Space Solutions”, “Skysoft”, “Edaetech”, “Optimal Structural Solutions”, Moldoeste, Holos, “Active Space Technologies”, etc.

            Mas o “cluster” mais importante em Portugal e a funcionar é o da saúde, também nunca referido por Porter, denominado HCP-Health Cluster de Portugal, que resultou do muito que se investiu no Serviço Nacional de Saúde. Este “cluster” tem como objectivo exportar mais de 5 mil milhões de euros em 2018, nomeadamente medicamentos e dispositivos médicos inovadores. As atuais empresas farmacêuticas e biomédicas deste HCP já são responsáveis por um volume de negócios de 1.250 milhões de euros e exporta em valor mais que o vinho do Porto. Saliente-se que Portugal tem gasto 10% do PIB em saúde e daí esperar-se como muito provável que em 2050 venha a ter 36% da população com mais de 64 anos de idade.

            Temos ainda o importante “cluster” das eólicas com empresas como a Efacec que atingiu um nível mundial no fabrico de transformadores, geradores, etc. com um volume de negócios de mil milhões de euros, a Martinfer no fabrico de estruturas, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo na produção de pás dos aerogeradores, estando a funcionar outras fábricas para o mesmo material. Os próprios parques eólicos que produzem 16% da eletricidade (nova ortografia) consumida no País fazem parte deste gigantesco “cluster” também não identificado por Porter.

            A floresta com as indústrias de cortiça, pasta de papel e papel são um importante “cluster” com fabricos a partir de matéria prima nacional e com uma posição nos mercados mundiais de primeira grandeza. Portugal é dominante nos papéis de qualidade para impressão e no papel “tissue” para guardanapos, toalhas, etc.

            O sector da construção civil já foi muito importante, mas está e estará a recuar devido à imposição de uma moratória sobre as obras públicas, mesmo às largamente financiadas pela União Europeia). Portugal vai perder 18 mil milhões de euros em fundos comunitários com a moratória imposta pelo PSD e comunicação social que tem feito tanta propaganda contra qualquer obra.

 Contudo, as grandes empresas como a Mota-Engil, Soares da Costa e outras meteram-se em outros negócios e estão já bastante internacionalizadas, exportando a sua experiência na construção de autoestradas, pontes, edifícios, etc. Para o mercado nacional fica a manutenção e reabilitação do edificado nacional.

            As tecnologias de informação são um “cluster” dinâmico em crescente atividade com numerosas empresas de software e, entre outras, a J.P. Sá Couto que a Assembleia da República queria mandar fechar apesar de realizar mais de 200 milhões d euros de volume de negócio cada vez mais orientado para a exportação. As universidades e os milhares de doutorados e licenciados estão lentamente a impor a marca Portugal no Mundo das altas tecnologias e da qualidade, única forma de vencer a concorrência da escravatura chinesa.

           Portugal tem futuro e sabe-o quem está no mercado a trabalhar, mas o desenvolvimento mais recente é produto de uma política governamental orientada para as novas tecnologias informáticas, eólicas, saúde, etc. Quase nada apareceu sem o apoio do Estado como financiador, fornecedor de condições ou como o cliente muito importante. Por si próprio, os empresários pouco ou nada fizeram. Uma grande parte notabilizou-se mais pelas declarações de falência do que pela sua atividade, apesar de os salários ainda serem dos mais baixos da União Europeia.

 



Publicado por DD às 17:41 de 31.10.10 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Anónimo a 10 de Novembro de 2010 às 02:32
Com uma economia tão florescente, o desemprego galopante, a pobreza, o roubo dos salários, o corte nos apoios sociais, o aumento de impostos são mesmo um chatice!...


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 1 de Novembro de 2010 às 13:02
Eu José Lopes, acrescento mais uns pontos à lista do Nicolau Santos e do Luís Pirão:
- Eu conheço um País que está a criar um medicamento que previne e combate a obesidade.
- Eu conheço um País que produz os melhores sapatos do mundo.
- Eu conheço um País que produz os fatos usados na Fórmula 1 e nos astronautas da NASA.
- Eu conheço um País que produz o melhor software de GPS do mundo.
- Eu conheço um País que faz os melhores lasers do mundo, utilizados na medicina e na indústria aeroespacial.
- Eu conheço um País que tem um monumento que tem 6 órgãos, sendo o único no mundo (Convento Mafra).
- Eu conheço um País que produz os adereços utilizados pela indústria cinematográfica de Hollywood.
- Eu conheço um País que tem a maior variedade gastronómica do mundo.
- Eu conheço um País que criou a única palete de cores para leitura de daltónicos.
O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive...
P O R T U G A L !!!!
Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.
Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.
Há ainda grandes empresas multinacionais instalada no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mac Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo ) .
É este o País de sucesso em que também vivemos, mas nós só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso. É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso.
Afinal não somos de todo TÃO maus. Só precisamos é de arranjar políticos HONESTOS!!!!


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 1 de Novembro de 2010 às 13:00
"EU CONHEÇO UM PAÍS..."
Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista "Exportar"
Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.
Eu conheço um país onde tem a sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.
Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.
Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.
Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.
Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.
Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os de toda a EU.
Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.
Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.
Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.
Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.
Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.
Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.
Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.
Eu Luís Pirão, acrescento mais uns pontos à lista do Nicolau Santos:
- Eu conheço um país que é segundo em net de banda larga na Europa.
- Eu conheço um país que tem uma capital com eventos culturais fantásticos que fazem frente a qualquer cidade do mundo. Que tem potencialidades turísticas ilimitadas com restaurantes para todas as carteiras e com comida deliciosa, assim como alojamento para todas as bolsas e de razoável qualidade. Basta ir a Londres e ver toda a gente a comer sandwiches no jardim pois a alimentação atingiu preços exorbitantes nos restaurantes.
- Eu conheço um país com uma história ímpar que ligou todos os continentes comercialmente pela primeira vez na história da humanidade no século XVI.
- Eu conheço um país que tem a sua selecção de futebol neste mês de Maio no 3.º lugar do ranking mundial em mais de 200 nações, só o Brasil e a Espanha estão à frente com poucos pontos de diferença.
- Eu conheço um país que conquistou meio mundo no século XVI com base no respeito pelos outros povos, com base nas trocas comerciais, com base na diplomacia.
- Eu conheço um país que venceu os seus compatriotas espanhóis pela força de vontade de um homem chamado Nuno Alvares Pereira e que permitiu a paz para a nação se lançar nos descobrimentos marítimos.


De VE a 31 de Outubro de 2010 às 22:33
Estudo revela que 1 em cada 3 adultos está satisfeito por ter frequentado oi programa Novas Oportunidades porque passaram a entender muito melhor acarta de despedimento
Segundo a Universidade Católica, 1 em cada 3 alunos das Novas Oportunidades considera que o programa foi positivo na sua vida profissional, uma vez que passaram a entender porque foram despedidos, enquanto antes achavam que "justa causa" era um programa sobre advogados da Fox. "Se ainda fosse ignorante estaria optimista e pensaria, baseando-me nos ditados populares, que 'depois da tempestade vem a bonança'. Mas, como agora estou dotado de qualificações literárias e valências pedagógicas, conclui analiticamente que nunca mais vou encontrar emprego na vida. Obrigado, Novas Oportunidades!", explicou um português de 45 anos de idade.


De Um titulo adequado a 31 de Outubro de 2010 às 20:42
Um titulo que não seria bom mas adequado seria "uma economia de clusteres"


De Portugal e o Mundo: Estamos feitos... a 2 de Novembro de 2010 às 11:02
O desafio chinês
[Publicado por Vital Moreira, Causa Nossa, 1.11.2010]

Estamos a assistir rapidamente ao fim do mito de que o milagre económico chinês não punha em causa a liderança tecnológica das potências económicas tradicionais (Europa, Estados Unidos, Japão),
que assim manteriam vantagem na economia do conhecimento e da inovação.

Sucede que a China acaba de anunciar o mais rápido supercomputador do mundo.
Segundo um comentador, «the announcement highlighted how China is leveraging rapid economic growth and sharp increases in research spending to join the United States, Europe and Japan in the global technology elite».
-----
Considerando isso com o facto de já ter no bolso grande parte das DÍVIDAS dos EUA, da Europa e de Portugal (para além das de muitos países Africanos...)
, falta perguntar:
- sr. presidente da RPC, o que quer que nós façamos (em troca)?
ceder a península de Troia? uma ilha dos Açores? a Caixa Geral de Depósitos? as minas de cobre/pirites?
o apoio incondicional à RPC no Cons.Segurança da ONU ?


De Olho Vivo a 31 de Outubro de 2010 às 19:29
O post não tem titulo.


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