Resignação até ...

O hino da resignação  (-por Filipe Tourais, em  2010.11.2 o pais do burro )

       As pessoas, as políticas, o emprego, o crescimento económico, a repartição desigual dos sacrifícios, a injustiça que manterá longe de qualquer crise o sector financeiro, os fornecedores de pareceres pagos a peso de ouro, as grandes fortunas e as transacções com paraísos fiscais, os submarinos e negociatas afins, as parcerias público-privadas que enriquecem clientelas.

Nada disto interessava. O importante era garantir a aprovação de um Orçamento, fosse ele qual fosse: os mercados assim o exigiam, os mercados estão de olho em nós, se nos portarmos como eles querem, os mercados vão diminuir a sua margem de lucro no dinheiro que obtêm junto do BCE a 1 por cento e fazem o favor de nos emprestarem a um preço 500 e tal por cento mais caro do que o seu preço de custo.

Sim, porque os mercados têm o enriquecimento fácil como direito adquirido. Os mercados, os mercados, os mercados. Exigem. As pessoas aceitam que lhes tirem e retirem. E quem lhes tira e retira sabe que pode contar com o seu voto.

Depois de uma maratona de folclore que ainda não acabou, o exigido Orçamento, garantido à partida por satisfazer os interesses representados por ambas as partes presentes na dita negociação, apesar de martelado, lá se anunciou assegurado. Dezanove minutos depois da hora certa, com direito a fotografia no telemóvel de um detentor de pensões de reforma superiores a 10 mil euros e tudo. Supostamente, os mercados rejubilariam e baixariam imediatamente o juro da dívida portuguesa.

Mas não. Os tais mercados voltaram a fazer das suas e o juro da dívida soberana portuguesa a dez anos aproximou-se do máximo histórico, ultrapassando os 6,2 por cento (624 por cento de margem relativamente ao valor que o BCE – um BCE que não compra dívida aos Estados - lhes cobra pela cedência dessa liquidez !!).

Foi então, como sempre tem sido, a hora dos adivinhos brilharem. Eles sentem o pulso aos mercados. O que foi desta vez? Eles é que sabem.

Têm a resposta sempre na ponta da língua. Não é difícil. Basta seguir a cartilha e escolher: falta de estabilidade política, demasiados direitos laborais, salários demasiado altos, contribuições para a Segurança Social que devem baixar para empresas com responsabilidade social facultativa, privatização de serviços públicos, cortes salariais aos servidores do Estado, etc, etc.

As explicações aparecem surgidas do nada, como por magia. Se, desta vez, um dos pontos acima não for utilizado, fica a aguardar vez para uma próxima em que se torne necessário consultar o oráculo.

O neoliberalismo cavou uma crise sem precedentes que se transformou na sua oportunidade de ouro para fazerem do mundo o que sempre quiseram e nunca puderam. Aquela cantiga dos mercados veio mesmo a calhar. É um sucesso de popularidade. Não há ninguém que não saiba cantarolar o hino da resignação.

Agradecimentos a uma comunicação social intoxicante e alinhada.

 

Antes, discutiam-se políticas e o seu impacto nas vidas das pessoas. Gradualmente, isso mudou. Hoje, as políticas tomam o pulso aos e cedem a supostas exigências dos mercados. As pessoas deixaram de contar:  aceitaram deixar de contar. 



Publicado por Xa2 às 13:37 de 02.11.10 | link do post | comentar |

15 comentários:
De Irlanda neoliberal: de 'Tiger' a 'PIG's a 4 de Novembro de 2010 às 10:34
Irlanda:
O fatídico 11º mandamento
(Sandro Mendonça 25/10/10 )

Hoje a Irlanda tem um défice de 32%, dois terços do qual devido às perdas do sistema bancário agora nacionalizado.

Comunidade
Uns quantos irlandeses pecaram por quantos dedos tinham nas mãos e o país falhou o mais importante (11º mandamento): foi apanhado.

Se queremos compreender uma economia é melhor começar pelo próprio país. Há alguns anos atrás, mais do que gostaria de recordar, conheci boa parte da Irlanda andando à boleia. Estrada fora era possível colher impressões sobre o que ia mudando e sobre aquilo que do país antigo ia permanecendo.
Na altura era já possível vislumbrar vários exemplos de novas casas em construção de aspecto bastante afluente. Mas, entre essas casas, lá continuava o farto tapete verde da ruralidade ancestral.

Nesse tempo o país era ainda conhecido como "tigre celta" e não como um animal de quinta do qual se fazem salsichas. No entanto, a metamorfose de "tiger" a "pig" pode ser demasiado súbita.

O mandamento rectificativo
Uma vez uma furgoneta velha encostou à berma e lá dentro um agricultor de idade fez uns ruídos. Sentei-me ao seu lado e o bom homem lá entabulou conversa. Durante o que me pareceram ser 15 longos minutos não percebi uma ú-ni-ca palavra que ele disse. Imaginei mesmo que o ancião me pregava uma partida dirigindo-se a mim em gaélico. Num momento de felicidade, porém, o cérebro fez-se e percebi que por trás de um sotaque cerradíssimo havia um idioma em inglês. Momento precioso porque é nesse instante que o rotundo condutor se volta com um inesperado ar de cerimónia e atira:
- "Sabe, nós aqui na Irlanda somos tão católicos que não temos dez mandamentos. Temos onze!" Convidei-o com o meu interesse juvenil a revelar esse princípio ético extra.
- "Pois, amigo, o 11º mandamento é o mais importante: NÃO SER APANHADO."

"Indescritivelmente deprimente"
Hoje, é o que sabemos.
Uns quantos irlandeses pecaram por quantos dedos tinham nas mãos e o país falhou o mais importante: foi apanhado.
Durante as duas últimas décadas a Irlanda conheceu tempos vibrantes de transformação.
Outrora um território agrícola tornou-se numa economia dinâmica, baseada em serviços, apostada na atracção de investimento directo estrangeiro e dependente do comércio internacional.
Entre 1995 e 2007 o PIB irlandês cresceu 6% ao ano. Esta pequena economia era a menina dos olhos de todos aqueles que afirmavam ser possível reformar uma velha e atrasada região periférica da Europa a partir de receitas baseadas no liberalismo económico, na baixa de impostos e na aposta em serviços sofisticados e globalizados como a banca moderna.
O que se passou a seguir foi um balde de água fria.

Em 2008 a actividade económica travou abruptamente e na economia instalou-se uma recessão crónica.
Em 2008 o PIB caiu 3% e em 2009 quase 8%.
Em 2010 estimativas credíveis apontam para uma contracção que pode ir até 14% (fonte: ERSI, um "think tank" irlandês de referência).
Quanto ao desemprego a situação é calamitosa: mais do que duplicou de Outubro de 2008 (6,1%) a Outubro de 2010 (13,5%).
Muitos observadores caracterizam a situação como "indescritivelmente deprimente" (fonte: jornal irlandês Independent, 29 de Abril 2010, quando o descalabro da banca começava a ganhar contornos mais claros).

Do cheque especulativo ao choque de sobriedade?

No entanto este frio choque não chegou, ainda assim, para acordar todos da ébria idolatria ao defunto mito irlandês.
Há um ano atrás encontrava-se em preparação um orçamento de austeridade que muitos dos nossos comentadores do costume elogiaram como grande iniciativa exemplar (em particular Bagão Félix e Ernâni Lopes, mas também tantos outros que durante anos e anos a fio sempre nos convidaram para seguir a embriaguez celta).
Tratou-se de um caso de cortes históricos em serviços públicos e assistência social.
Entre os quais o célebre corte médio de 15% nos salários dos funcionários do Estado.

Hoje a Irlanda tem um défice de 32%, ...


De Austeridade HORRORosa ... $$ VIOLA país a 4 de Novembro de 2010 às 10:40
Irlanda: O fatídico 11º mandamento
(Sandro Mendonça 25/10/10)
...
Hoje a Irlanda tem um défice de 32%, dois terços do qual devido às perdas do sistema bancário agora nacionalizado.
O Ministro das Finanças diz-se "verdadeiramente chocado", mas acrescenta que continua a acreditar no modelo de "economia liberal" que tornou a Irlanda um "tigre".
No contexto de mais um escândalo (descobriu-se que os bancos nacionalizados perdoaram milhões de euros de dívidas de especuladores imobiliários que estiveram no centro da crise), o governo prepara-se para apresentar mais um orçamento de austeridade, mas enfrenta uma massiva taxa de rejeição popular:
mais de 80% da população quer que o actual governo saia (sondagem do presente mês).

Muitos comentadores afirmam que "se está a matar a economia para salvar bancos que era suposto ajudarem o país, mas que continuam sem injectar o crédito de curto prazo vital às PME."
Ou, que se está a gerir "uma crise de procura agregada contraindo ainda mais a procura agregada." E sobretudo:
"A Irlanda é agora vista aos olhos de muitos como o exemplo horrífico do que uma política de austeridade pode fazer."
(citações extraídas do jornal Sunday Independent, 17 de Outubro 2010).

A vista a partir da austeridade

Anos volvidos desde a minha primeira visita à Irlanda, onde agora estive em trabalho e não à boleia, pude falar com muita gente. Um alto quadro de um sector tecnológico diz-me:
"Estou a trabalhar mais 30% do que há dois anos, ganho menos 30% que há dois anos, mas não me queixo ... pelo menos tenho trabalho."
Um trabalhador por conta de outrem confessa-me: "perdi metade da pensão que estava a acumular há 25 anos."
Outra pessoa diz-me que toda a gente está com medo do próximo orçamento, "vai acabar com a economia."
Ainda outro irlandês diz: "Os mais novos estão a ir embora, a emigrar, aqui não há nada."

No entanto, ninguém me resumiu de modo mais brutal o que verdadeiramente se passou do que um taxista:
"Este país foi VIOLADO financeiramente!".

E perguntei-lhe:
mas numa sociedade civil onde a religião tem tanto peso a Igreja Católica não tem sido uma força de amparo social?
A que ele respondeu: "Olhe, depois dos escândalos de pedofilia já ninguém acredita na igreja."
A resposta deixou-me em silêncio. Há pecados que nem estavam previstos nos mandamentos originais. A crise económica é uma crise de confiança é uma crise moral.
E, enquanto, seguia na direcção do aeroporto, pensei ... neste momento o único consolo desta gente em relação ao PIB irlandês é essa instituição chamada "pub irlandês", santuário onde pelo menos a cerveja é honesta e a música é alegre.
____
Sandro Mendonça, Professor do Departamento de Economia, ISCTE e SPRU - University of Sussex. Membro do painel I&D - Investigação e Debates.


De dia 24 Nov. Venha para a RUA ... a 3 de Novembro de 2010 às 18:02
when in doubt, wear red
(quando na dúvida, veste vermelho)

«depoliticization is the oldest task of politics, the one which achieves its fulfilment at the brink of its end, its perfection on the brink of the abyss.»
rancière, on the shores of politics, 'the end of politics,' 1988

O Presidente da República não é um homem, só, não é uma miss simpatia.
É um programa político, um lado da barricada (não brinquemos às políticas, por favor, já chega o Nobre a dizer que não há esquerda nem direita - please don't mind the man behind the curtain...).

Voto AlegreVs Cavaco sem grandes dúvidas.

Mas há que escolher lados.
Ser 'de esquerda' não é só um rótulo - não chega pô-lo na lapela e lembrar Abril.
Neste momento, ser de esquerda é apelar à defesa dos direitos no trabalho e ao trabalho,
é gritar a plenos pulmões contra a sua desvalorização, é dar-lhe força negocial, nas ruas.

Não sendo muito, é o que podemos fazer (e continuamos só a sair à rua a horas certas, como dizia o Zé Mário...) - e é um dever cívico, neste momento. É auto-defesa colectiva.

... Que venha para a rua, dia 24.
Até pode nem falar nisso, o candidato - mas que faça.

. gui castro felga , http://oblogouavida.blogspot.com/


De Mercados ?: droga e prostitutas... !! a 3 de Novembro de 2010 às 16:32
O que é que os mercados querem?

No Le Monde diplomatique deste mês defendo que tentar desenhar políticas a pensar nos voláteis e especulativos “mercados” é um exercício votado ao fracasso.
Os cortes comprimem o mercado interno, o que gera recessão e aumenta o desemprego.
Ao prever um crescimento de 0,2%, assente exclusivamente nas exportações, o governo mostra a mesma miopia face ao desastre de que foram vítimas outros governos:
por exemplo, na precoce Irlanda previa-se um crescimento de 1% para 2009, no seguimento da austeridade, e acabou-se com uma quebra de 10%.

Enfim, em Portugal pergunta-se de forma cada vez mais obsessiva e subserviente: o
que é que os “mercados” querem?
Através de Paul Krugman, descobri uma resposta original e arrojada e provavelmente mais próxima da verdade do que as neoliberalices dos Cantigas Esteves desta vida, os que monopolizam a opinião nessa coisa que dá pelo nome de serviço público de televisão:
“os mercados querem dinheiro para droga e prostitutas...”
A explicação está aqui...
-por João Rodrigues em 3.11.10


De Pão e circo p.as massas; Droga e putas p a 3 de Novembro de 2010 às 16:38
Sex And Drugs And Markets’ Role

Kevin O’Rourke has a post, ''What do markets want'', raising the same issues '' I’ve been discussing'' about debt, austerity, etc.

But never mind all that: read the comments, specifically this one:
«
--The markets want money for cocaine and prostitutes. I am deadly serious.

--Most people don’t realize that “the markets” are in reality 22-27 year old business school graduates, furiously concocting chaotic trading strategies on excel sheets and reporting to bosses perhaps 5 years senior to them.
In addition, they generally possess the mentality and probably intelligence of junior cycle secondary school students.
Without knowledge of these basic facts, nothing about the markets makes any sense—and with knowledge, everything does.

--What the markets, bond and speculators, etc, want right now is for Ireland to give them a feel good feeling, nothing more.
A single sharp, sweeping budget would do that; a four year budget plan will not.
Remember that most of these guys won’t actually still be trading in four years.
They’ll either have retired or will have been promoted to a position where they don’t care about Ireland anymore.
Anyone that does will be a major speculator looking to short the country for massive profit.

--In lieu of a proper budget, what the country can do—and what will work—is bribe senior ratings agencies owners and officials to give the country a better rating.
Even a few millions spent on bumping up Ireland’s rating would save millions and possibly save the country.

--Bread and circuses for the masses; cocaine and prostitutes for the markets.
This can be looked on a unethical obviously, but since the entire system is unethical, unprincipled and chaotic anyway, why not just exploit that fact to do some good for the nation instead of bankrupting it in an effort to buy new BMWs for unmarried 25 year olds.
»
That’s what I call a policy recommendation — and it’s better than most of what passes for wisdom these days.


De Burlões enganadores a 3 de Novembro de 2010 às 16:10
Emprego, dizem eles!

E «eles» é, neste caso, Dominique Strauss-Kahn, director-geral do FMI , que responsabiliza «a crise» pela destruição de 30 milhões de empregos e diz que a criação de novos são agora a primeira, a segunda e a terceira de todas as prioridades.
Como se não estivéssemos a assistir exactamente ao inverso, a imposições draconianas que resultam em mais e mais destruições de postos de trabalho.

Ou pretende-se que gritemos «FMI amigo!» (agora q.para lá foi um portuga neoliberal) contra os tais monstros sem rosto a que se convencionou chamar «mercados»?
Nada disto faz sentido – ou faz, desgraçadamente. E eu só tenho pena de que me tenham educado sem usar palavrões.


A ler:
A Bruxelles, c'est l'Europe économique qu'on assassine
«Eliminemos o povo para cumprirmos melhor os tratados.»


De ''economista'' neoliberal do chok terror a 3 de Novembro de 2010 às 17:03
O novo gestor do FMI para a Europa

António Borges (AB), economista neo-liberal e defensor das políticas de "choque e terror", acaba de ser nomeado para o cargo de director do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional. A escolha é consistente com a doutrina do Consenso de Washington que o FMI aplica há dezenas de anos por esse mundo fora com os resultados que se conhecem.

Não vá alguém ter dúvidas sobre a actual orientação do FMI sob a presidência de um destacado membro do partido socialista francês (Dominique Strauss-Khan), AB veio dizer-nos o que pensa sobre o papel do sistema financeiro na presente crise. Numa conferência intitulada "Reformar o Sistema Financeiro", realizada na passada semana na Fundação Calouste Gulbenkian (notícia do Expresso-Economia, p. 29), AB afirmou:

"a missão principal do sistema financeiro não é apenas canalizar poupança para investimento, essa é apenas a ponta do icebergue. Deve ser permitido aos investidores exercerem o seu poder nas empresas, o que muitas vezes só acontece através do mercado, e a sua acção deve ser mais forte e incisiva para que não se voltem a cometer os erros do passado."

Logo na primeira frase, ficamos a saber que a poupança dos agentes económicos encaminhada para o crédito à economia "é apenas a ponta do icebergue". O resto, o "corpo do icebergue", é encaminhado para aplicações financeiras à margem, e frequentemente em prejuízo, da provisão de bens e serviços de que necessitamos. É esta esfera financeira que preocupa AB a ponto de discretamente sugerir que, se pudesse ter uma acção "mais forte e mais incisiva", esse capital especulativo teria impedido a ocorrência dos "erros do passado".

AB não diz a que "erros" se refere. Os de Jardim Gonçalves e sua trupe da Opus Dei no BCP? Os do BPN e BPP? Os de Madoff e outros? Os "erros" dos gestores que nos EUA concederam crédito a quem não tinha rendimentos? Percebe-se a intenção. AB refaz a história da crise procurando reabilitar a finança especuladora sob pretexto de que esta desempenha uma função socialmente útil. Assim, com grande desfaçatez, AB apresenta a crise do ponto de vista que convém aos interesses que defende. Vejamos.

AB deixa implícito que a crise foi causada por erros de gestão e pela actuação de indivíduos de mau carácter. Na realidade, AB está a ocultar a causalidade central: o excesso de liquidez dos países com excedentes na balança de transacções correntes foi (financeiramente) aplicado nos países onde a crise rebentou. O sobreendividamento dos EUA e da periferia da Europa foi a contrapartida das aplicações financeiras dos bancos da China e da Alemanha. Todos conhecemos a força de persuasão do "marketing" que os bancos portugueses mobilizaram para que as famílias se endividassem, quer dizer, utilizassem a poupança dos segmentos sociais mais favorecidos da Alemanha. Esta dimensão estrutural da crise é ocultada pela retórica da "individualização" das causas da crise e a retórica simplista do "despesismo".

AB e os seus amigos da Bolsa revelam um enorme descaramento ao virem agora dizer que a especulação financeira é socialmente útil. Querem fazer-nos esquecer que este capitalismo financeiro é intrinsecamente gerador de crises porque baseado numa dinâmica de efeitos amplificadores, geradores de "bolhas" que, em dado momento e sob a acção de um qualquer factor externo, fatalmente explodem.

Opondo-se a AB e seus amigos da bolsa, acertadamente diz Friedhelm Hengsbach, Jesuíta e Professor Emeritus de Economia e Ética em Frankfurt:

"[No capitalismo financeiro Anglo-Americano] Os gestores trabalham exclusivamente para o interesse dos accionistas e, portanto, baseiam a suas decisões (e o seu salário) nas cotações da bolsa que supostamente traduzem o valor da empresa. Os interesses dos trabalhadores, dos clientes, da administração local e organismos do estado são vistos como secundários. ... Tem bom fundamento a suspeição com que os cidadãos vêm a colaboração entre governo e elites financeiras."
...
(-por J.Bateira, 1.11.2010, Ladrões de bicicletas)


De sabemos o q.esperar 'destes'... a 3 de Novembro de 2010 às 17:05
O novo gestor do FMI para a Europa
...
A tal conferência em que AB discursou tinha o seguinte subtítulo:
"O que sabemos e o que podemos esperar".
Do centrão português (PS+PSD) já sabemos o que podemos esperar. De uma esquerda preparada para governar deve esperar-se uma política que foi bem resumida por um economista insuspeito de esquerdismo:
"É preferível sobre-regulamentar de imediato [o sistema financeiro] e, depois, corrigir os erros, do que arriscar uma nova era de mercados financeiros, instrumentos e instituições auto-regulados e suavemente sub-supervisionados."
- por Jorge Bateira em 1.11.10


De Portugal: só p.patrões ricos e ESCRAVOS a 3 de Novembro de 2010 às 17:12
--Desculpem lá mas estou farto destes bandalhos todos.!

Estes fulanos nunca por nunca ser podem saber o que é que custa estar desempregado, precisar de dinheiro para pagar a renda, a alimentação, os remédios, a comida, etc, e não ter.

Individuos como este, e o tal Dominiq Straus Kan e outros iguais a eles - o PS e o PSD do qual o tal AB é vice-presidente, apenas dão mau nome á democracia.
A nomeação deste fulano para aquele lugar - lugar próprio dos VAMPIROS - demonstra claramente que estas elites estão todas podres.
Afinal a que titulo é que ele foi nomeado para ali.!?
Só pode ter sido pelas teias que foi tecendo quando esteve nos EUA e na GB.
Não foi por competência porque este, como outras centenas de ''economistas muito bons'' (?) não conseguiram prever a chamada crise antes contribuiram e bem para ela, como é o caso deste individuo que defendeu (eu vi )a bondade das tais sub-prime.
Cá como lá fora, o PS e o PSD (as familias politicas quero eu dizer) vão fazendo o seu caminho de COMPADRIO, de cumplicidade com todas as MALFEITORIAS das elites financeiras e politicas.
A democracia e os povos merecem melhores pessoas.

-- Maquiavel disse...
Sou velho o suficiente para lembrar os acontecimentos dos anos 80 na URSS estados vassalos.

Também havia lá uns tipos que queriam "salvar o sistema, aprendendo com os erros", mas que näo iam ao âmago da questäo.

Menos de 30 anos depois, e após o falhanço monumental da teoria nos países onde mais selvaticamente foi implementada (EUA e GB), querem continuar na mesma senda,
ignorando Madoffs e BPN/BPPs, e querendo que sejam os "pobres" a pagar pelas crises originadas pelos "ricos".

Na URSS e estados vizinhos aquilo acabou mais ou menos pacificamente (dominada pelas MÀFIAS de oligarcas), porque o Ocidente mandou dinheiro.
Na Jugoslávia näo mandaram, e foi o descalabro.

Agora é a China comunista a mandar dinheiro (curioso), mas a sociedade ocidental é de tal forma egoísta que näo sei se vai chegar para impedir sangue.
em Portugal já mais de 250.000 desempregados perderam o subsídio, e näo há postos de trabalho para eles. Veremos

-- LUSITANO disse...
Caro
Jorge Bateira,
Não compreendo a sua admiração em relação a António Borges um ultra-liberal formado no mais duro capitalismo, não há pois, que admirar de opiniões de tal criatura, aliás, sempre que oiço esse Sr. desligo ou mudo de canal, dá-me vómitos a conversa dele, por ele, só havia patrões ricos e escravos.

Num futuro governo PSD, vamos ver qual vai ser a sua influência, pois, parece, que o líder desse partido lhe dá ouvidos.

Para mal dos nossos pecados, nunca mais aparece um cometa que dê cabo desta porcaria toda.
Cumprimentos.
LUSITANO

--Maquiavel disse...
Por isso mesmo é que votarei CDU ou BE... depende de qual meter mais medo aos banqueiros!


De Cidadãos Protestam a 3 de Novembro de 2010 às 15:52
GREVE GERAL a 24 Nov. 2010

"Concordo. Portanto, haja quem a faça por mim..." - foi/tem sido assim... veremos se esta prática se altera.


« Maioria dá OK à greve mas não tenciona aderir.» -JN,1.11.2010
- 1º O articulista deve antes de publicar saber escrever, o que não se verifica. Predicado, sujeito e complemento e virgulas nos devidos lugares, foi coisa que não aprendeu.
2º Não sebe redigir mas sabe dar golpes de rins, qual Eduardo na baliza. Reparem nesta acrobacia linguística: "A indisponibilidade é como seria de esperar, menor entre os funcionários públicos"
3º Ficha técnica não é publicada.
4º Se 60% concorda, ainda bem. Afinal os sindicalistas sabem alguma coisa do que andam a fazer.
5º Esta é a primeira tentativa da Control Investe, para colaborar na desmobilização da greve, não é ?
6º Snr. José L. Pereira, comentários ordinários ? O JN parece a Gaiola Aberta.


De Alerta esquerda a 3 de Novembro de 2010 às 15:33
Rui Namorado ALERTA (sobretudo “os seus”), no http://ograndezoo.blogspot.com/ (acerca do ''trambolhão'' nas intenções de voto):

(…) o PS perde eleitorado para a direita e para a esquerda, mas o que perde para a direita é suficiente para esta chegar à maioria; o que perde para a oposição de esquerda não é suficiente para que esta se aproxime sequer da possibilidade de se constituir, por si só, como alternativa de Governo.
(…) seria pura cegueira política desconsiderar a sondagem ontem saída. Ela sublinha o risco de uma futura hecatombe eleitoral para o PS, de uma cisão entre o PS e uma parte do seu eleitorado que pode ser duradoura.
O contexto sócio-económico nacional e internacional, a anemia política dos partidos europeus da Internacional Socialista, a sofreguidão com que os poderes fácticos dominantes e a direita política europeia sugam a riqueza produzida pelos povos que dominam, tornam a luta política cada vez mais árdua. E fazem-no em tal grau que vai ficando claro que, sem mudanças estratégicas radicais, sem um sobressalto de unidade e de inteligência colectiva do povo de esquerda e dos partidos que nele têm raízes, corremos o risco de uma prolongada agonia política sob a égide institucional dos autómatos neoliberais que os poderes financeiros internacionais irão teleguiar com bonomia e cinismo.


De PS ? centro-direita... medidas duras a 2 de Novembro de 2010 às 15:35
Enquanto isso, na Roménia...

“O governo romeno de centro-direita do primeiro-ministro Emil Boc sobreviveu hoje a uma moção de censura apresentada pela oposição para contestar medidas de austeridade draconianas que têm vindo a ser aplicadas desde Julho.
(...)
O descontentamento com a actuação do governo manifestou-se também hoje nas ruas de Bucareste, com dezenas de milhares de pessoas - 30 000 segundo a polícia e 80 000 segundo os sindicatos romenos - em protesto contra medidas de austeridade como o corte de 25 por cento nos salários dos funcionários públicos ou o aumento da taxa do IVA de 19 para 24 por cento.”

Será que a crise financeira é internacional? Ou será que o governo socialista da Roménia... espera, não é socialista!
É de Centro-Direita. Hum...


Loja de ideias, 27.10.2010


De A grande mentira? a 2 de Novembro de 2010 às 15:53
O Ministério Público estima em quase meio milhão de euros o saldo positivo dos pagamentos de Manuel Godinho, a Paulo Penedos, em três anos, pela sua mediação junto do pai, José Penedos, presidente da REN, em favor dos interesses das empresas do sucateiro.


De E o burro sou eu, né? a 2 de Novembro de 2010 às 15:00
Se, como dizem os entendidos, a intervenção do Estado no BPN foi feita para salvar o sistema bancário português porque não há-de ser esse mesmo sistema a suportar os custos do seu próprio salvamento ?

Ao que parece é mais fácil ir ao bolso dos trabalhadores, e o burro sou eu né!?


De Cortes de Ladroagem a 3 de Novembro de 2010 às 10:13
OE - Uma questão de bisturi

Culpa minha, reconheço que me é difícil ler o OE, mas ainda assim gostava de ter uma ideia sobre se as verbas para o BPN foram objecto de negociação na abstenção do PSD.

É que, se a única coisa a negociar eram os benefícios fiscais, vulgo deduções no IRS, fico sem entender como é que as receitas que daí adviriam serão compensadas pelos cortes na despesa-gorda, uma vez que maior banha do que aquela (do BPN) é difícil de encontrar.

Até mesmo na obesidade uns são mais iguais do que os outros.
LNT
[0.383/2010]


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO