Sábado, 30 de Maio de 2009

email’s que não deviam ficar só entre um número restrito de amigos e cingirem-se apenas àquele tipo de passatempo que consiste, afinal, numa certa forma de comunicarmos uns com os outros, mesmo à distância.

Uns, porque nos mostram lindíssimas paisagens existentes no nosso Planeta, outros porque nos apresentam obras extraordinárias executadas pelas mãos de grandes artistas, outros ainda porque expressam pensamentos e sentimentos que nos fazem meditar e dar menos valor àqueles que o intereseirismo ou a apressada passagem do tempo nos levam a colocar em primeiro plano.

Por isso, muitas dessas mensagens deviam ser passadas ao maior número de pessoas, o ideal seria a todas, porque eram bem capazes de alterar profundamente a sua maneira de olhar para certas situações e o seu modo de estar no Mundo. Claro, sabemos bem, que nem todos são sensíveis a certos estados de espírito, pois estão mais vocacionadas para o imediatismo dos seus interesses e certas concepções político-sociais. Portanto, quanto a esses nada há a fazer, tudo o que se lhes pode dizer é como pregar no deserto.

Vêm todas estas considerações a propósito de um e-mail que recebi recentemente com o título “Este email deveria rodar o mundo” . E deveria mesmo, quanto mais não fosse por uma questão de justiça e de bom senso.

O referido email mostra-nos uma menina ainda de tenra idade a olhar, com ar entristecido, para o cimo de um altíssimo poste de iluminação para onde caprichosamente um balão, certamente por seu descuido, se lhe escapou das mãos e se fixou onde só muito dificilmente poderia ser retirado.

Por sorte, um cidadão qualquer, por sinal de cor, que casualmente por ali passava e apercebendo-se da tristeza da criança atreveu-se, mesmo arriscando uma queda fatal dada a elevada altura do poste, a trepar até ao seu cimo, desprendeu o balão, desceu o poste e quando se preparava para o entregar à criança, que estaria felicíssima por recuperar o seu balãozinho, chega entretanto a mãe da miúda, pega nela e num gesto brutamente arrebatado não deixa que a filha receba o balão das mãos do homem, naturalmente por ser negro. Foi simplesmente chocante de ver.

Que lições tirar desta cena? A meu ver, pelo menos três:

Uma, talvez a primeira lição, foi a inexplicável recusa e a ingratidão da mãe da menina, quando deveria ficar reconhecida pela atitude do homem, fosse ele preto ou branco. Era sua obrigação agradecer-lhe pelo seu trabalho, pelo risco que correu e pela sua amabilidade face à tristeza da criança pela perda do seu balão, que até poderia ser um outro brinquedo qualquer.

A segunda, foi a sua falta de consideração e compreensão perante a frustração da criança, que se viu privada de uma coisa que para ela poderia ter um valor estimativo muito para além do seu valor real, que era nulo ou quase nulo. O mais angustiante para a criança terá sido o sentimento de perda, coisa que a mãe não conseguiu ou não quis entender. Demonstrou bem que as suas capacidades de pedagoga não faziam parte do seu currículo.

Por fim, a mais repugnante, foi o racismo, não foi só um mero preconceito que evidenciou por não ter deixado a filha receber o seu balão já dado como perdido, mas milagrosamente recuperado, das mãos de um negro.

Um gesto que nunca se poderá aceitar, para mais porque machucou de forma violenta psicologicamente uma pessoa que acabara de praticar uma acção louvável. E que o terá entristecido de tal maneira que o levou a seguir para casa cabisbaixo e demasiado magoado.

Aquela cena, o mais certo, é ter sido encenada. Mas se o foi, não terá sido por acaso, ela reflecte o que muitas vezes se passa e teve em vista uma função que, à falta de melhor termo, chamaria de didáctica. Ela encerra em si mesma uma lição moral e vem mostrar-nos como muitas vezes as pessoas se comportam de uma forma inaceitável.

 Mas se ainda fosse fruto de um gesto irreflectido ainda se poderia desculpar, mas o caso vertente tem todas as características de um acto verdadeiramente consciente. E não é com comportamentos daquela natureza que se contribuirá para o apaziguamento social, sem o qual o Mundo nunca terá a paz tão desejada.

É por isso, que procedimentos deste tipo não poderão ser tolerados, antes deverão ser combatidos a todo o custo. Oxalá que todos os que tiveram oportunidade de verem o email hajam aprendido alguma coisa com ele. [C. Quintino Ferreira]


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Publicado por JL às 18:18 | link do post | comentar

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