7 comentários:
De YES WE CAN !! a 10 de Novembro de 2010 às 10:20
Chega de compromissos, paninhos quentes e lixo debaixo do tapete.

Denunciar o que está mal
Denunciar a Falta de Transparência
Denunciar o NEPOTISMO (directo e cruzado, de 'tachos' para familiares, amantes e parceiros de negócios)
Denunciar a Corrupção, Má Gestão da coisa pública, incompetência, Dolo, Tráfico de influências, ...

Denunciar a ''captura do Estado'' pelos lóbis das grandes empresas, sociedades de advogados, jornalistas e comentadores subservientes, gabinetes de 'estudos' , universitários, maçons, opus dei, gays, ...


De intoxicação mental a 10 de Novembro de 2010 às 12:49
Ética do serviço público (na RTP)


Saúdo Paquete de Oliveira por ter dado voz a uma iniciativa cidadã pelo pluralismo no debate económico. O programa, que passou no último fim-de-semana, pode ser visto aqui.

Entretanto, descobri um trabalho interessante, feito por dois economistas do muito recomendável Political Economy Research Institute, sobre a relação cúmplice entre a análise económica dominante e os interesses do sistema financeiro e sobre as questões éticas que tal cumplicidade levanta. Se a Ordem dos Economistas servisse para alguma coisa, que não serve, poderia debater e escrutinar estas coisas.

Enfim, o trabalho de investigação é sobre os EUA, mas poderia sem dificuldade ser transposto para Portugal. Quase todos os economistas de televisão têm ligações ao sistema financeiro. Os telespectadores deveriam ser, pelo menos, informados deste facto.

Por exemplo, a RTP2 tem agora, à quinta-feira, Bento e Bessa como comentadores permanentes. Este estado de coisas já não se explica pela incompetência ou pela ignorância: a opinião pública é para ser trabalhada. Este trabalho ideológico só está garantido se o debate se cingir a quem defende cortes salariais, desregulamentação das relações laborais e privatizações e a quem defende privatizações, desregulamentação das relações laborais e cortes salariais. A denúncia feita pelo provedor do telespectador foi muito importante.

Publicada por João Rodrigues


De Esquerda Moderna ou Direita Neoliberal? a 10 de Novembro de 2010 às 12:55
Jogo de espelhos

“Claramente o PSD convenceu-se que depois do fraco apoio recebido pelo seu novo credo NEOLIBERAL(como mostraram as reacções ao seu projecto de revisão constitucional), o melhor meio de conseguir os seus objectivos seria por via de uma crise orçamental, que obrigasse à vinda do FMI e à imposição por via externa de um PROGRAMA ASSASSINO de redução da despesa pública e de corte nos serviços públicos, incluindo na saúde, na educação e na protecção social, ou seja os três PILARES do ESTADO SOCIAL ”.

(Vital Moreira, “A ameaça da crise”, Público de 9 de Novembro)

Vital Moreira analisa de forma particularmente clara e certeira a trajectória errática do PSD, sublinhando o taticismo eleitoralista que tem norteado o partido nos últimos tempos, a propósito da novela da aprovação do orçamento de Estado para 2011.

O que surpreende neste artigo, contudo, é a idêntica clareza com que supostamente se poderiam distinguir as medidas do governo relativamente ao projecto ideológico do PSD.
Existirá uma separação assim tão cristalina entre as opções governamentais e os anseios do maior partido da oposição?
Não constitui o OE de 2011 em si mesmo, pelas escolhas que encerra, e aprovado para todos os efeitos “a meias”,
«um programa assassino de redução da despesa pública e de corte nos serviços públicos, incluindo na saúde, na educação e na protecção social, ou seja os três pilares do Estado social»?

Se em tempos de crise é este o rosto da identidade ideológica da “ESQUERDA MODERNA” (que Vital Moreira tanto gosta de contrapor à “ESQUERDA RADICAL ”), por será que o mesmo se confunde tão facilmente com os eixos programáticos da “DIREITA NEOLIBERAL ” ?
Publicada por Nuno Serra


De Políticos Mercenários e Promiscuidade $$ a 10 de Novembro de 2010 às 13:05
Os mercenários
( Por Daniel Oliveira)

--- Charlie McCreevy é irlandês e foi, até Fevereiro de 2010, comissário para o Mercado Interior e Serviços. Saltou da Comissão Europeia para a companhia aérea Ryanair.
Isto depois de muitas queixas de outras companhias aéreas pelo financiamento público a esta low-cost.
E também arranjou emprego na NBNK Investments PLC, depois de ter sido um dos principais responsáveis pela regulação bancária na União.

--- Meglena Kouneva é búlgara e foi comissária para a Protecção do Consumidor.
Foi para o BNP Paribas, depois de ter elaborado a “Directiva Crédito”, simpática para as instituições bancárias.

--- Benita Ferrero-Waldner é austríaca e foi Comissária para as Relações Externas e Política Europeia de Vizinhança e entrou para o conselho fiscal da Munich Re,
a principal empresa de resseguros da Alemanha, depois de se ter empenhado no projecto Desertec de abastecimento de electricidade da Europa por uma rede de centrais solares na África do Norte.
Negócio onde a mesma Munich Re tinha um papel central.

--- Gunter Verheugen é alemão e foi vice-presidente da Comissão.
Depois de a abandonar foi para o Banco Real da Escócia, para a agência de influências Fleishman-Hillard e para a instituição bancária BVR.
Mais relevante:
criou a sua própria agencia de lobbying para servir empresas e grupos de pressão junto das instituições europeias, incluindo a comissão que ainda há pouco integrava.

Dos 13 ex-responsáveis que deixaram a Comissão Europeia em Fevereiro de 2010, seis já estão a trabalhar no sector privado,
quase todos contratados por empresas que de uma forma ou de outra foram afectadas pelas suas decisões,
muitos deles sem experiência empresarial relevante anterior à sua entrada na Comissão.
Da política para a Comissão, da Comissão para grandes empresas europeias.

A história dos caminhos paralelos destes comissários foi publicada na bastamag.net e vem na edição portuguesa do Courrier Internacional deste mês.
E ela é-nos muito familiar:
políticos que usam os lugares públicos para favorecer as empresas que mais tarde os vão contratar.
E que nessas empresas usam depois a sua rede de contactos políticos para que elas continuem a ser beneficiadas.
Ao contrário do que muitos pensam, esta promiscuidade não é uma particularidade portuguesa. Ela é comum a quase todas as democracias e chega mesmo aos mais altos responsáveis políticos.

Por isso, não deixo de sorrir com a demagogia ingénua, que se entretém com salários de deputados e outros gastos do género.
Não é aí que os Estados perdem dinheiro.

O salário que conta não é pago directamente nem no momento em que o cargo é exercido.
É depois de alguns políticos sem qualquer sentido de serviço público tratarem de interesses privados, lesando os cidadãos e as instituições que deveriam defender.

A verdade é que na Europa, como em Portugal, muitos cargos políticos estão nas mãos de mercenários que os põe ao serviço de quem há-de pagar mais.
Não há lei de incompatibilidades que resolva isto.

Quando os cargos são electivos, caberia à comunicação social seguir o rasto de ex-políticos e comparar as suas funções actuais com as decisões que tomaram no passado.
Para que os partidos que escolheram aquelas pessoas para gerir o que é de nós todos serem punidos pelos eleitores.

Quando não o são, como é o caso da Comissão Europeia, a coisa torna-se mais difícil.
E esse é o drama da burocracia europeia:
os cidadãos não as podem controlar.

E são estes homens e mulheres, que ninguém conhece fora de Bruxelas e dos seus países de origem, que tomam as principais decisões que determinam as nossas vidas.

Em Portugal, a democracia está anémica e ninguém é responsabilizado por nada do que fez ao serviço de quem lhe paga mais tarde.
Na Europa, não há democracia nenhuma e são os lóbis que tratam das nossas vidas.
Num e noutro caso a política está à venda.
Nós somos apenas um pormenor.

Publicado no Expresso Online


De Más lideranças a 11 de Novembro de 2010 às 10:34
A alegria faz milagres

A frase é de José Mourinho e com ela o treinador do Real Madrid explicava as boas exibições da sua equipa depois de um início de época periclitante, a equipa que pouco prometia transformou-se em muito pouco tempo e segundo o seu treinador essa mudança foi resultado da alegria de jogar.

Pergunte-se aos trabalhadores de muitos serviços públicos e de uma boa parte dos trabalhadores das empresas do sector privado se vão trabalhar com alegria e faça-se a mesma pergunta aos da Autoeuropa e tirem-se conclusões.
Pergunte-se aos trabalhadores de uma empresa onde sentem o empenho e solidariedade dos seus administradores, onde percebem que as dificuldades salariais com que vivem se espelham num comportamento austero dos seus dirigentes e mesmo sem a abundância da empresa de Setúbal (AutoEuropa) poderão encontrar alegria e empenho.

Infelizmente, ou talvez felizmente paras as equipas ou empresas que seriam suas vítimas, os nossos políticos não são nem treinadores de futebol nem administradores de empresas,
gerem uma coisa bem mais fácil de gerir, o dinheiro dos contribuintes, por pior que trabalhem serão premiados e quando perderem as eleições deixarão de sofrer os condicionalismos do poder e poderão colher os frutos do exercício desse poder.

Governo e maior partido da oposição cortaram uma fatia significativa do rendimento dos funcionários públicos e impuseram uma pesada carga fiscal à generalidade dos portugueses e estes não tiveram direito à mais pequena explicação,
ninguém lhes deu esperança no futuro, limitaram-se a justificar uma política duríssima com o espantalho da crise e com uma mensagem subliminar,
ou aceitam como cordeiros ou vem o lobo mau e é ainda pior,
comam e fiquem calados.

É um velho defeito dos nossos políticos cobardes,
não assumem um erro, não dão uma palavra de esperança, justificam as políticas de austeridade como uma inevitabilidade e usam sempre a ameaça para as imporem sem grandes explicações.
Como se tudo fosse competência e rigor governamental e todos os males que sucedem aos portugueses sejam sistematicamente uma consequência das crises internacionais, até porque neste belo país não há crises nacionais.

Há poucos meses alguém se gabava que podia promover aumentos generalizados de apoios sociais, diminuir o iva e dar aumentos de 3% porque tinham sido brilhantes a consolidar as contas públicas. Poucos meses depois e apesar da brilhante gestão das contas públicas cortam-se 10% dos vencimentos, aumentam-se os impostos e fazem-se cortes generalizados nos apoios sociais.
Quando foi para dar justificou-se com a competência, quando foi para tirar a culpa foi da crise.

Os nossos líderes políticos, sejam do governo ou do maior partido da oposição, confundem liderar com mandar,
não percebem que uma nação é um colectivo de cidadãos que podem ou não estar empenhados ou podem estar mais ou menos envolvidos no futuro do seu país.
Não percebem que foram eleitos para governar ou para fazerem oposição no pressuposto de que o fazem respeitando os cidadãos,
acima de tudo respeitando a sua inteligência e dignidade e não tratando-os como primatas a quem não se deve dar explicações como há pouco tempo tinha sugerido Ernâni Lopes.

Infelizmente não percebem que numa equipa de futebol, como numa empresa ou como numa nação a alegria faz milagres, como diria um dia escreveu
António Gedeão “eles não sabem que o sonho é uma constante da vida”
e esse sonho não são os sonhos ou pesadelos dos líderes políticos, é o sonho de um povo permanente desprezado por aqueles que elege.

O Jumento, 11.11.2010


De Défice de Solidariedade Remuneratória a 11 de Novembro de 2010 às 10:40
---Mario :

Inteiramente de acordo com o que disse sobre a alegria no trabalho. Mas já é tempo de começar a ir à raiz do problema e que é, a meu ver,
o esquecimento completo de que o trabalho é, por natureza, solidário.
Como o organismo, por exemplo, de um corpo vivo. Neste, cada «componente» realiza a sua tarefa especifica e todos são «alimentados» da melhor forma para executar a função.
Não passa pela cabeça de ninguém irrigar abundantemente de sangue o cérebro e diminuir drasticamente o seu fluxo para os membros. Ou manter uma higiene cuidada da boca e deixar que o cu apodreça na merda. A curtissimo prazo todos iam à falencia.

Mas é o que se passa na falta de solidariedade no trabalho, quando se remunera o chefe executivo com milhões e o mais obscuro empregado com uns míseros tostões.
Irresponsavelmente, criam-se organismos sem solidariedade remuneratória para as diversas funções e o desastre está à vista.

Digam-me que isto é filosofia barata e que a realidade é outra e que a economia de mercado que temos é assim mesmo e que não há nada a fazer...
Esperem até ver o ânus fazer greve por tempo indeterminado e depois quero ver onde vai parar o brilhantismo dos «cérebros» remunerados a milhões.

O que me desespera é que as pessoas, como aqui o nosso Jumento, passam a vida a lançar criticas, mas não denunciam, de forma pedagógica, a raiz do mal.

Na multidão dos opinadores que por aí anda são todos tirados a papel quimico do «forum TSF». Dizem que o diagnóstico está feito e que o que é preciso é passar à acção.
No meu entender, o problema é que o diagnóstico não está feito. Bem pelo contrário. Diagnosticar não é afirmar o óbvio:
« o senhor tem aqui um grande inchaço -isso já eu sei sr doutor, quero é saber como apareceu isso e como se cura».
Portugal está cheio de doutores do óbvio e carente de investigadores. É que investigar dá trabalho e quase sempre nos faz "engolir" a razão toda que pareciamos ter no «forum TSF».
De qualquer modo, proteste-se e grite-se a dor, se ela é real, porque até o bebé grita pela maminha da mãe. Mas, por amor de deus, opinar à moda dos «forum TSF», não!

---J. Madeira :

Boa variação sobre a alegria no trabalho. Nós por cá, acreditamos mais na CHEFIA do que na LIDERANÇA, saímos de uma ditadura, que caíu de podre, e entramos na liberdade que, rápidamente descambou para a libertinagem!
Como aqui há dias se falou, aos novos caciques interessava embebedar o Povo com muitas promessas e, muitos elogios à sua sábia maturidade!

O que se passa com a Função Pública é o mesmo que se passa no privado, com algumas excepções, actualmente,
a grande moda do patronato desde que se fala na crise é nunca ter dia certo para depositar os salários dos trabalhadores...já paga ao dia 32 mais 12 ou 18 dias, subsídios ficam esquecidos!
Podemos concluir que, não só temos, um elevado défice financeiro, como um enorme défice cultural e civíco !
E, a A.C.Trabalho pouco ou nada faz face às denúncias apresentadas!


De + Transparência + Responsabilização a 11 de Novembro de 2010 às 11:03
Proposta:
um livro branco dos abusos da despesa pública

Ninguém em Portugal sabe onde e como se gastam os dinheiros públicos, criam-se institutos, fundações, empresas municiais e outros esquemas que apenas têm por objectivo a ambicionada autonomia administrativa e financeira, - um truque para gastar dinheiro sem grandes controlos públicos, -
multiplicam-se assessores e adjuntos,
encomendam-se diplomas aos escritórios de advogados,
fazem-se estudos bem pagos que não são divulgados e ninguém lê,
nomeiam-se dirigentes do Estado incompetentes.

Quando se corta adoptam-se critérios oportunistas, extinguem-se serviços necessários e protegem-se os institutos onde se colocaram amigos,
corta-se nos vencimentos e continua-se a enriquecer os escritórios dos advogados amigos com encomendas de diplomas,
cortam-se nas horas extraordinárias dos médicos mas mantém-se o rebanho de assessores.

É imoral que alguns portugueses estejam a ser sacrificados sem que tenham tido direito a qualquer negociação e, pior do que isso, a qualquer explicação.
Os portugueses são sujeitos a sacrifícios mas nem sequer têm direito a saber quem abusou, quem ganhou, quem roubou, aliás, nem sequer podem saber qual a situação actual das contas públicas.

Quem ganhou com os 4.500 milhões de euros do BPN?
Quem são os assessores e adjuntos dos gabinetes?
Quem são os dirigentes das empresas públicas ou municipais?

Há uma grande opacidade em relação a muito do que se passa no Estado, como se aqueles que pagam impostos e aos quais o governa aumenta cada vez mais esses impostos não tivessem
direito a conhecer abusos,
a saber dos laços de amizade ou familiares
entre governantes e os nomeados para administrados de empresas públicas, municipais ou participadas.

Não há qualquer fiscalização externa do Estado para além do pouco que o Tribunal de Contas faz, o cidadão está impedido de escrutinar os actos dos governantes.
É tempo de retirar esta cortina que impede os portugueses de vigiar a forma como se gasta o dinheiro dos seus impostos.

Tal como no passado foi entregue ao falecido Sousa Franco a tarefa de elaborar um
«livro branco das remunerações do Estado»
deve ser entregue a uma personalidade de independência inquestionável a tarefa de elaborar um «livro branco da despesa pública»
para que os portugueses que são sacrificados pelos governos tenham o direito a saber toda a verdade sobre a forma como são gastos os seus impostos.


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