SÓCRATES CAI, SÓCRATES NÃO CAI

Entre nós, cá dentro, muitos são aqueles que prognosticam a queda do governo antes do fim da legislatura, incluindo o próprio socialista João Proença, da UGT, que diz não irá além de Junho.

Eu, pelo que estou a constatar, tal “trambolhão” não será assim, tão certo, a avaliar pelas mãos estendidas que chegam do exterior, dirigidas a tão ilustre crente no futuro, ser iluminado para todos os compatriotas defender. Já tinha chegado o “amigo” chileno e veio, agora, cheio de entusiasmo, o não menos “amigo” chinês.

Cair ou não cair? Tudo depende dos socialistas, considerando as mais diversas circunstancias. Dos socialistas que estão no governo, dos que estão nas autarquias, dos que estão nas empresas (sobretudo dos administradores), dos que estão nos sindicatos e dos militantes em geral. Todos esses socialistas, cada um de modo próprio e segundo o respectivo grau de responsabilidade, podem contribuir para que a boa gestão dos recursos publicos seja conseguida. Claro que o exemplo terá de surgir do topo, dos que têm maior grau de responsabilidade, o que, em abono da verdade se diga, não tem sucedido.

Os militantes socialistas terão de ser mais actuantes e mais exigentes para consigo próprios e para com os seus camaradas em exercício de cargos publicos, políticos e gestionários.

Os sindicalistas socialistas terão de se deixar de olhar, apenas e só, para o umbigo sindical e passarem, também, mais activa e frequentemente, a “dar a cara” aos diferentes níveis da estrutura interna do partido.

Os gestores socialistas (empresas, autarquias, políticos) terão de ser, e parecer, mais sérios, mais coerentes, na gestão da “res pública”, usando, mais eficaz e justamente, os recursos de que dispõem e só esses, provenientes dos impostos, agindo com rigor e parcimónia nos gastos.

O rigor legislativo, a eficácia dos mecanismos e de todo o sistema de regulação da economia, terão de ser melhorados bem como a eficiência da “máquina” fiscal, sobretudo, no que respeita à movimentação de mercadorias, capitais e serviços, quer internamente como no que reporta a comércio externo.

Terá de ser reduzido, drasticamente, o mercado paralelo e a, concomitante, fuga aos impostos.

Naturalmente que PSD ou qualquer outra das forças politicas, com assento na Assembleia da Republica, só se atreverão a apresentar qualquer moção de censura ao governo se este cair na desgraça de dar motivos para esse desiderato.

A queda de Sócrates só acontecerá se o seu governo e o partido que o apoia persistirem em não agirem solidariamente entre si e permanecerem as escandalosas derrapagens associadas a asneiras politico-financeiras alienantes da responsabilidade que quem destrói incentivos à poupança e desbarata dinheiro capturado no mercado externo.



Publicado por Zé Pessoa às 00:13 de 15.11.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 19 de Novembro de 2010 às 10:20
Independentemente do acerto das afirmações e análises aqui apresentadas, julgo que deveria ser também evidente que quem fez parte do problema não deverá fazer parte da solução.
Claro que para pior é sempre possível, mas não é a "vida" em geral assim?
E não será possível esforçarmo-nos para que não seja assim? Que o amanhã possa ser melhor que o hoje?
Mas com os "mesmos" não, por favor...


De Aviso laranja a 15 de Novembro de 2010 às 14:40
As mais recentes previsões meteorológicas informam que o país vai estar debaixo de aviso laranja durante todo o inverno e previsivelmente até Março do próximo ano.
Fortes ventos e tempestades ciclónicas se avizinham um pouco por todo o território em especial na região de São Bento e na Gomes Teixeira


De Problema ou solução? a 15 de Novembro de 2010 às 10:50
Talvez sim, talvez não. Tudo depende se os Barões do PS aceitam ou não aceitam a exigência de certas forças ocultas (o PP, partido ou figura já não oculta) que é a decapitação do líder socialista . Há quem diga que, tal figura, se tornou mais problema que solução. será?
E se for problema não será o único e muito menos o maior. Por mim, já não acredito na mudança de figuras de topo, só haverá alteração factual se ela provier da alteração dos comportamentos de todos a começar pelo próprio Cavaco Silva que nunca reconheceu ter sido conivente, mesmo promotor de abate de frotas de pesca e agora tanto fala do mar. Hipocrisia e lágrimas de crocodilo .
Talvez amanhã, dia do mar , o homem seja capaz de reconhecer os seus graves pecados em tudo isto.
Também vos digo, em nome da verdade dos meus pensamentos, que não acredito.


De Verticalidade e não-punhaladas a 15 de Novembro de 2010 às 10:28
O MISTÉRIO DOS BICHANOS QUE RUGEM

Foram bichanos ronronantes, enquanto lhes pareceu que Sócrates era forte. Quando, no mais recente Congresso Nacional do PS, apresentámos uma moção alternativa no plano político, foram como cordeiros a balir, no seio da corrente dominante, sem estados de alma a toldar-lhes a decidida fidelidade.

As dificuldades por que passam o Governo e o PS parecem ter-lhes aberto o apetite. E já se imaginam vistosos tigres a rugir ferozmente sonoridades audíveis pela comunicação social. Megafones de jornalices banais afixam poses que julgam ser a de “homens de Estado”. Transcendentemente, afixam uma coligação hoje, uma remodelação amanhã, como quem oferece ao espanto dos mortais, ideias dignas de um oráculo.

Estarão possuídos pela miragem que os coloca à mercê dos nossos adversários como instrumentos seus. Talvez involuntariamente transformam-se em janelas de esperança para aqueles que, de fora do PS, se sentem autorizados a dizer quem deve ser o nosso secretário-geral, quem devemos indicar para a liderança dos governos que o voto dos portugueses nos encarregar de constituir.

Com a autoridade de quem pertence ao pequeno quadrado dos que contrapuseram uma moção de orientação própria à de Sócrates, sublinho que é ao PS que cabe decidir quem o lidera ou a quem delega a sua representação política externa. Não é um qualquer brilhante cabeça de abóbora que irá ditar em nossa casa aquilo que gostaria de fazer na dele.

Aos bichanos que acordaram do seu longo remanso de veneração a Sócrates para darem pequenos sinais de que não concordam com ele neste ou naquele detalhe, apenas se lhes pode pedir um pouco de verticalidade. Aos socialistas que há muito não escondem divergências que não são de pormenor nem de circunstância, deve apelar-se para que assinalem com profundidade as suas diferenças estratégicas, para que a diversidade entre socialistas se evidencie no plano das ideias mais amplas e dos vectores de profundidade da evolução social, se for esse o caso, deixando para a voracidade mediática e para a rafeiragem que erra pela vida política as urgências e os dramas das agendas efémeras.

A todos os socialistas é tempo de pedir que valorizem as clivagens que implicam caminhos diferenciados dentro do espaço socialista e esqueçam os reflexos de bando, as fidelidades a pessoas, os cálculos de carreiras. É tempo de assumir, rumo a um próximo congresso, alternativas políticas claras e de proscrever uivos mediáticos de circunstância com sabor a punhaladas nas costas seja de quem for.

-Postado por Rui Namorado, OGrandeZoo


De Amado Sacrificado-Geral do PSDSP... a 15 de Novembro de 2010 às 10:31
VIVA O SACRIFICADO- GERAL !

Há momentos na História dos povos em que todas as luzes que orientam os caminhos parecem apagar-se. E as trevas descem então sobre os mortais como estranha maldição. Mas de súbito, é a própria História que se espreguiça, indo buscar às suas arcas mais fundas uma estrela, que a todos nos oferece depois, generosa e materna.

O mais recente fenómeno dessa natureza manifestou-se através do Ministro Amado, quando ele nos mostrou, com a simplicidade dos luminosos e a disponibilidade para o sacrifício dos estóicos, o caminho salvador da coligação, como remédio certo para as maleitas do Governo a que pertence e para as desgraças que se abatem sobre o povo que somos.

Uma coligação entre o partido do governo e o maior partido da oposição, com Paulo Portas à porta, chorando diatribes. Uma coligação PS/PSD, plana, previsível, pronta a vestir, para que a política institucional seja anestesiada e o Sr. Professor Mercado nos possa dar a sua benção. Só então a Europa, austera e distante, nos dará o resto dos rebuçados que nos prometeu. O Pedrinho tirará os seus calções de menino traquina e entrará em S. Bento com toda a pompa necessária na circunstância. Tudo ficará na santa paz do senhor, o povo com um furo mais no aperto do cinto e suas eminências biblicamente preocupadas com os pobrezinhos, sem caírem no exagero da excomunhão dos ricos. Mas o Ministro Amado não se embaraça com detalhes. Ele apenas convive com os grandes desígnios.

Acontece que eu, talvez empolgado pela visão felina do alumiado Ministro, acho que se deve ir mais longe. E dentro desse mesmo espírito, o PS e o PSD têm que se fundir, numa vontade única de ferro, numa organização simbiótica, que todos os Professores Mercado deste mundo, aplaudirão, estou seguro, olimpicamente e de pé.

E, quando esse transcendente objectivo for atingido, quem estará mais bem colocado do que o Ministro Amado para aspirar ao posto supremo da nova organização:
o lugar de Sacrificado-Geral .


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