Sábado, 13 de Novembro de 2010

Não há razões para se duvidar da boa-fé do ministro Luís Amado ao abordar a necessidade existente, nas actuais circunstancias que o país atravessa há certo tempo e que agora está a atingir o clímax, e que o bom senso aconselharia um entendimento coligatório das diversas foças partidárias com assento na Assembleia da Republica.

Só que o ministro esqueceu uma realidade concreta existente entre nós. A cultura portuguesa, no que à politica diz respeito e à gestão dos interesses colectivos e do bem comum, corresponde a uma ideologia de caca. Em Portugal o comportamento dos políticos e por arrastamento dos cidadãos corresponde a uma postura botabaixista e pouco valorativa dos bons exemplos. a lamuria e maledicência têm sido a via láctea mais fácil de percorrer e não se visualizam perspectivas de melhorias, mesmo dentro (aí ainda menos) dos próprios partidos.

Como tudo indica, não haverá coligação, aos socialistas só lhe resta continuar a governar, mas a governar a serio e com seriedade, se não quizerem ser corridos sem apelo nem agravo mas com a vida futura muito agravada.



Publicado por Zurc às 22:41 | link do post | comentar

2 comentários:
De Quem paga é ... os trab.p.conta.doutrem a 15 de Novembro de 2010 às 10:11
Coligação
[Publicado por Vital Moreira] [Permanent Link]

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, veio defender a solução de um governo de coligação -- que na nossa geografia política só poderia ser entre o PS e o PSD --, de modo a enfrentar os graves problemas orçamentais e económicos que a crise internacional trouxe ao País.
Não há surpresa nesta posição, tendo em conta as posições do autor a este respeito desde há muito. Todavia, uma coligação de governo entre o PS e o PSD é tão improvável e tão problemática hoje como era antes da crise.

Primeiro, a deriva neoliberal do PSD de Passos Coelho dificulta enormemente qualquer entendimento sobre o modo como resolver as dificuldades orçamentais e económicas do País.

Segundo, uma coligação de governo entre os dois partidos centrais do espectro partidário só alimentaria a contestação social e política das medidas de austeridade por parte da esquerda radical.

Terceiro, não se vê como poderia haver uma tal coligação sem novas eleições e sem mudança de liderança num dos partidos em causa (ou em ambos).

Quarto, como mostrou a experiência de governo de bloco central de 1983-85, quem depois paga politicamente o seu preço político é o PS...

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Tonteria
[Publicado por Vital Moreira] [Permanent Link]

O Público de hoje diz que há quem no PS esteja a laborar num projecto de novo governo do PS sem Sócrates, que pudesse beneficiar do apoio parlamentar do PSD, numa espécie de governo de bloco central apócrifo a cargo do PS.

Se não se trata de pura invenção jornalística, a hipótese carece de um mínimo de sentido.

Primeiro, seria necessário que Sócrates aceitasse ser imolado em benefício de tal elucubração "patriótica".

Segundo, quem escolhe a solução governativa em caso de crise governamental é o Presidente da República e não o partido que tinha o Governo, não sendo provável que Cavaco Silva aceitasse tal "negócio".

Terceiro, como mostrou o Governo Santana Lopes, um primeiro-ministro que não tenha uma legitimidade eleitoral directa padece de um défice de legitimidade e de autoridade política.

Quarto, é evidente que o PSD não se conformaria com o papel de "pau de cabeleira" de um governo PS II, a não ser para fazer o "trabalho sujo" em seu proveito.

Por isso, a referida hipótese não passa de uma tonteria política.
Sem novas eleições, não há alternativa PS ao actual governo do PS.

Os que no PS pensam em tirar o tapete a Sócrates, "fazem a cama" ao governo do PS.
O PSD agradece.


De A Coligação PSD-PS já existe ! a 17 de Novembro de 2010 às 12:49
A coligação que antes de ser já o era

Por Daniel Oliveira


A coisa mais grave que Luís Amado disse na entrevista ao “Expresso” não foi a defesa que fez de uma coligação. Foi a hipótese de sairmos do euro, que correu mundo, do “The Wall Street Journal” ao “Le Fígaro”, do “El Mundo” à “Folha de São Paulo”, do “El Universal” ao “The China Post”. A Reuters resumia assim a entrevista do ministro dos Negócios Estrangeiros que, contrariando a posição do governo português, já defendeu no passado a constitucionalização dos limites ao défice:

“O fracasso em obter uma coligação governamental ampla para enfrentar a crise financeira poderia forçar Portugal a abandonar o euro, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros numa entrevista publicada sábado”.

A leviandade deste senhor, tão apreciado pela direita nacional pelas suas pretéritas posições sobre a invasão do Iraque, parece não ter limites. Funciona como uma espécie quinta coluna neste governo.

Aqui, discutiu-se sobretudo a tal necessidade de uma ampla coligação. Somos especialistas em “não temas”.
A razão da nossa crise nada tem a ver com uma suposta instabilidade política. Até porque não há crise política nenhuma.
Tudo o que o governo tem proposto, do orçamento aos dois PEC’s, foi aprovado. Quase sem modificações. Para todos os efeitos práticos, a coligação já existe.

O governo não pode cair, por isso nem o espectro de uma demissão paira neste momento sobre o País. Todos sabemos que mesmo que venha a haver eleições no próximo ano – e para isso seria necessário que ou o PCP ou Bloco votassem a favor de uma moção de censura apresentada pelo PSD – e Passos Coelho as ganhe a política de austeridade vai continuar a ser seguida.
E, por fim, como se viu com a aprovação do Orçamento e subsequente subida das taxas de juro, as decisões políticas tomadas em Lisboa têm um efeito quase nulo na forma como os especuladores se relacionam com a nossa dívida.
Estamos no pacote dos PIGS e isso é que conta.

A crise que conta, a instabilidade que devemos esperar, é social.
É a do desemprego, da redução do poder de compra, da pobreza e das repercussões devastadoras que este orçamento terá na economia e na vida das pessoas.
Um assunto menos excitante para jornalistas e comentadores, que tantas vezes escrevem para si próprios e para os agentes políticos.
Se nascesse um governo de bloco central amanhã, tirando a multiplicação de lugares para mais boys e a institucionalização do pântano político em que vivemos, nada mais mudaria.
A crise económica e financeira continuaria, imperturbável.
O saque bancário aos dinheiros públicos não pararia. A vida dos portugueses não melhoraria nem um milímetro.

Por isso, sobre este assunto não vale a pena gastar nem mais uma linha.
A coligação não vai acontecer. E se acontecesse era absolutamente indiferente.
Ela já existe para tudo o que interessa. Infelizmente.

Publicado no Expresso Online


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