Domingo, 31 de Maio de 2009

O desemprego não é conjuntural, mas estrutural, ou seja, é produzido no âmago do sistema capitalista, o qual encontrou uma forma de acumulação, chamada ‘acumulação flexível’, que elimina uma imensa quantidade de trabalhadores da possibilidade de obter um emprego.

Ao mesmo tempo, a flexibilização das relações entre capital e trabalho tem oportunizado a geração de postos de trabalho cada vez mais precários, assim, não é por acaso que também nos países centrais do capitalismo, cresce o número de pessoas que fazem da rua o seu local de trabalho. Quem anda pelo Rio de Janeiro ou em qualquer outro centro urbano já percebeu que se faz sol e o trânsito engarrafa, é dia de muitos vendedores de água mineral. Como se fosse um mistério da natureza, quando chove, ‘chovem’ guarda-chuvas por todos os lados. Se nos perguntassem que profissões, actualmente estão ‘em alta’ no mercado, poderíamos dizer que, são a dos moto-táxis e catadores de latinha, além de psicólogos e psiquiatras para tentar driblar os problemas de saúde mental agudizados pela mais nova crise económica (leia-se crise do capital).

Tornando-se uma mercadoria cada vez mais lucrativa para os empresários do ensino, a escola e a universidade-empresa prometem desenvolver as chamadas competências básicas para a empregabilidade e para o empreendedorismo (sendo este último, a mais nova versão do ‘ganhar a vida por conta própria’). No actual contexto em que a capacidade destrutiva do capital repercute na deterioração do planeta e das condições de vida dos seres humanos, seria pura ‘ideologia’ dizer que o problema do desemprego será superado com aumento de escolaridade e com a melhor qualificação profissional dos trabalhadores. Na verdade, apesar da esperança dos trabalhadores e seus filhos, a escola ajuda, não pode ser considerada como a ‘redentora da humanidade’, no sentido de propiciar um lugar ao sol a todos os cidadãos. No regime de acumulação flexível, assegurado pelas políticas neoliberais que retiram da população os direitos sociais historicamente conquistados, não há lugar para todos. Com poucas oportunidades de “trabalho decente” (conforme apregoa a Organização Internacional do Trabalho – OIT), apenas os ‘mais aptos’ sobreviverão.

É fundamental garantir uma Educação Básica que seja pública, gratuita e de qualidade social para todos. Esta é uma palavra de ordem actual. No entanto, é hora de perceber que o objectivo da educação não é atender ao mercado, mas o bem-estar social e humano. A qualificação profissional de que precisamos é a que capacite reflexões e pensamentos, possibilitem a criação de propostas e práticas que modifiquem as relações económico-sociais em todos os seus aspectos. Afinal, o sistema capital não é um sistema inexorável. [Lia Tiriba via Bem Estar no Trabalho]



Publicado por Xa2 às 12:55 | link do post | comentar

2 comentários:
De DD a 31 de Maio de 2009 às 19:55
O "Continente" de Belmiro de Azevedo já tem o "self service" de pagamento no super do Colombo e, provavelmente, noutras lojas.. O pessoal passa o código de barras dos produtos e aparece a soma. Introduz-se dinheiro ou cartão e o pagamento é feito sem o recurso a uma menina da caixa.
Uma máquina dessas deve custar o quê?
Talvez uns 10 mil euros, ou menos, e trabalha sem horário, horas extraordinários, sábados, domingos e feriados. E não faz férias.
Pelo tempo que trabalham os super, cada posto de trabalho de caixa deve ser ocupado por, no mínimo, duas e meia pessoas para contar com férias, etc. Ganham pouco, sim, mas auferem uns 450 a 550 euros mensaais mais Segurança Social, férias, 13º e 14º ordenado.
Num ano, as 2,5 caixas de um posto de trabalho devem ganhar a miséria de de uns 22 mil euros.
O que acontece é que as máquinas são importadas e, além de um pouco de electricidade, nada cponsomem. Nada compram nos supermercados "Continente".
E depois vem o engenheiro com a sua arrogância estúpida criticar o governo porque há desemprego.
Ele despede as empregadas e queria o quê?
Que fossem encontrar trabalho no Estado para a besta humana criticar o governo por ter funcionários a mais.
Ou ficam no desemprego para a besta criticar o governo por as despesas do Estado serem altas.
Obviamente que as taxas dos 42% de IRS tem de subir para 52%, a fim de que haja dinheiro para subsídios de desemprego.
E deve ser introduzido um adicional ao IRC para os lucros superiores a um milhão de euros dos bancos, empresas comerciais, etc. Um adicional que duplique a taxa actual. Também para sustentar o desemprego e compensar a ausência de contribuições para a Segurança Social.
Só faltava que a Sonae fosse também pedir ajuda ao Estado.


De anónimo a 2 de Junho de 2009 às 11:25
«... para a besta ...» está melhor DD. Embora, cá para mim, pior que esta b... são aqueles que fazem o mesmo (ou pior) e mantêm o 'low profile' ou mandam os seus capatazes 'consultores/doutores/... falar por eles e defender as posições mais neo-liberais e do capitalismo selvagem.

mas IRS subir para 52% !! esta é ironia, não?!
...


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