FMI: Os deuses devem andar loucos!

       

Foi preciso fazer um estudo, esta gente trabalha pelo seguro, não vá o diabo tece-las e fazer-lhes perder os míseros cobres remuneratórios que recebem, para concluírem do agravamento do fosso distributivo da riqueza produzida e da, concomitante, causa da actual crise económica e social que o mundo atravessa, sobretudo a Europa, considerada como modelo social a seguir pelo mundo todo.

O, excelso, estudo mandado fazer pelo Fundo Monetário Internacional, (FMI), conclui, esta coisa espantosa e inaudível, de que a actual instabilidade financeira está relacionada com as desigualdades na distribuição de rendimentos.

Não era necessário gastar recursos (assim tem outro força, essa gente é paga a peso de oiro) para concluir tal desiderato académico, bastaria ler os relatórios de cada empresa, ver a distribuição dos rendimentos do trabalho, onde o leque salarial se tornou uma vergonha (se os governantes, governadores e gestores ainda a tivessem), ver a distribuição/aplicação dos lucros e tudo somado se veria que entre injustiças distributivas e fugas de capitais. Feitas tais contas com facilidade se concluiria que se iria cair numa crise mais grave que a de 29 visto que agora os valores que enforma as pessoas e as sociedades de degradaram imensurávelmente.

Sendo verdade que, tal como a Grande Depressão nos anos 20, também a actual crise financeira foi provocada pelo adensar do fosso entre os ricos e os pobres, conforme revela a análise dos técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI), é sinal que além de não terem sido tomadas medidas para impedir tal repetição, veio tornar claro que com a globalização dos mercados associada à facilidade de movimentação de capitais e bens de luxo transaccionáveis, sobretudo, via Internet, é obrigatória a tomada de medidas de controlo e de criação de mecanismos eficazes de actuação de nivel, também, global.

Com tantas cimeiras realizadas entre os vários Gs; (Davos, Nato, ONU, G-20, G-20+1, etc.) nenhum destes seja capaz de determinar mecanismos de coordenação e de regulação das diversas formas e naturezas de fluxos financeiros.

Sobre isto não se pronunciaram os técnicos do FMI, porquê?

Continuar andar entretidos e engnar as populações só e apenas com diagnósticos que quase toda a gente já conhece pouco adianta ao equilíbrio das sociedades. Tomem medidas e medidas adequadas para que se não repitam disparates já cometidos. Sempre que um mesmo disparate se repete, em vez de evolução, existe retrocesso e agravamento, essa é a realidade dos dias que correm.



Publicado por Zurc às 10:14 de 26.11.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De DD a 26 de Novembro de 2010 às 20:50
O FMI estava a referir-se a Portugal?

Na Alemanha duas famílias herdeiras do Ferdinand Porsche são proprietárias de quase 50% do grupo VW/SEAT/SKODA/AUTO UNION, etc. que pretende chegar este ano aos 7 milhões de automóveis fabricados. Aquilo vale mais que o PIB português.

Um senhora de idade, a filha e o enteado são os sócios maioritários da BMW e de um vasto conjunto de empresas, tendo encaixado recentemente alguns milhares de milhões de euros na venda da participação maioritária que detinham no grupo Continental, o segundo maior fabricante de pneus do Mundo que em Portugal detém a Continental/Mabor.
Há na Europa fortunas que chegam ao PIB português e ultrapassam a dívida soberana portuguesa como as há também nos EUA. Só o Sr. Walmart possui a maioria do capital da empresa do mesmo nome com 1,6 milhões de trabalhadores e 8.500 lojas. O Belmiro é um anão quando comparado com o Walmart.
Quando se fala em desigualdades e se diz que há gestores portugueses que ganham mais que os europeus e americanos está-se a mentir redondamente. O presidente da VW ganha mais de 500 milhões de euros por ano, o mesmo acontecendo com o presidente do Dresdner Bank e do grupo Allianz.
Um pequeno grupo de 22 armadores de Hamburgo possui mais de metade da frota mercante do Mundo, sendo dois deles maioritários na MSC, a maior empresa de porta-contentores do Mundo com navios capazes de transportarem 15 mil contentores.

O ordenado mínimo alemão que é convencional e não determinado por lei é de 1.200 euros, tanto como ganha um carteiro no início da sua profissão, mas não há 14 ordenados. Geralmente são apenas doze e nalguns sectores há o 13º ordenado, o que comparado com lucros de milhares de milhões por ano dos milionários alemães reduz as diferenças portuguesas quase a zero..

O desemprego na Alemanha é apenas 1,7% menor que o português e a dívida soberana é só 7% inferior à portuguesa, o que para o maior exportador do Mundo é bestial de besta. Com tantos carros e máquinas exportadas e um PIB gigantesco, a Alemanha tem uma dívida soberana de 78,8% do PIB enquanto a portuguesa é de 85,8% de um PIB imensamente menor. Em números, a dívida alemã é de 1.898.370 milhões de euros; a portuguesa é de 145.860 milhões, portanto a Alemanha tem um dívida 13 vezes superior à portuguesa com apenas 8 vezes mais habitantes. A Alemanha é que está desestabilizar o Euro e a antiga bufa da Stasi (a Pide comunista da RDA) Angela Merkel usa os países mais pequenos da Europa para desviar as atenções sobre a crise financeira alemã.
Os números porcentuais foram tirados do artigo de Eduardo Catroga nas páginas 80 a 88 da publicação "O Economista - Anuário da Economia Portuguesa" saído há dias e publicado pela Ordem dos Economistas Portuguesas tendo Murteira Nabo como diretor.


NOTA: Estou agora a ouvir no 1º Canal, o PM da Federação Russa a dizer que o seu país gostava de aderir ao Euro.
O preidente Medvedew disse em Portugal que um dia a Rússia poderia ser membro da Nato e já antes dissera que aceitaria ser membro da União Europeia.
Estas afirmações representam a grande derrota dos comunistas portugueses que pretenderam ver na Cimeira da Nato a elaboração de uma estratégia de guerra quando foi na verdade de Paz devido à presenço do presidente da Rússia e de outros chefes de Estado a antiga URSS que saíram satifeitos com os acordos alcançados.


De + Desigualdade = + Crise » Crimes ... a 26 de Novembro de 2010 às 18:04
A desigualdade provoca as crises (ou «O dia em que o FMI fez um discurso à Ladrões»)

A desigualdade de rendimentos pressupõe a perda de poder de compra das classes desfavorecidas, com implicações na redução da procura agregada.
Esta quebra da pocura não é compensada pelo aumento de poder de compra das classes mais ricas, pois uma boa parte do aumento de rendimentos destas últimas dirige-se a investimentos em activos financeiros (logo contribuindo essencialmente para fazer crescer o valor desses activos, mas não a actividade económica em geral).
É verdade que parte da riqueza acrescida dos mais ricos é reciclada sob a foma de crédito aos menos favorecidos, promovendo o consumo por parte destes.
Mas como o rendimento destes últimos não aumenta (apenas consomem mais), crescem os riscos de os empréstimos não serem pagos.
Com eles crescem também os riscos de ocorrência de crises financeiras.
A menos que as crises dêm origem a uma deflação muito acentuada dos preços dos activos financeiros, ou a um aumento do poder de compra das classes menos favorecidas, os riscos de novas crise não diminuem (que é, basicamente, o que está acontecer neste momento).

Este tipo de análise já surgiu várias vezes neste blog.
Agora houve alguém no FMI que resolveu pôr isto sob a forma de um modelo formal.
Talvez isto ajude a que a mensagem ganhe direitos de cidadania no mundo dos 'economistas a sério' (se não mesmo junto daqueles que aparecem todos os dias a falar na televisão, jurando que a crise se deve ao crescimento excessivo dos salários ou ao desmesurado Estado Social).

Postado por Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas


De Trabalho de casa a 26 de Novembro de 2010 às 14:12
Há muito trabalho por fazer, lá fora, ao nível internacional e global e, também, cá dentro.

O trabalho "de casa" só pode ser feito por nós próprios. O Orçamento do Estado (muito mau orçamento mas, é o que nos foi imposto) foi aprovado à custa da abstenção do PSD. Compete, agora, ao governo da responsabilidade do Partido Socialista leva-lo a termo, com rigor e eficácia.

Pelos exemplos, mais recentes, duvida-se e muito que estas figurinhas, actualmente a gerirem governo e partido, consigam "levar a carta a Garcia ".


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