5 comentários:
De DD a 3 de Dezembro de 2010 às 22:55
Paste de comentário anterior.

A produção de eletricidade mais barata seria com centrais térmicas a carvão. Ninguém quer o carvão e, por isso, está barato. O ideal seria mesmo instalar uma central a carvão no Lumiar ou em Odivelas e assim ainda se poupava mais com os cabos porque a eletricidade seria logo consumida no local. Claro, fazia uns fumos, mas até permitia poupar mais nas reformas. Nós aqui na região morríamos mais cedo. Além disso, podíamos importar o carvão baratíssimo da China e até o equipamento gerador, pois os chineses têm milhares de centrais térmicas a carvão e produzem as caldeiras a vapor e os geradores com transformadores a um preço incrivelmente barato. Enfim, seria uma poupança três em um.7

A eletricidade eólica e hídrica é cara; a produção pelo vento é muito dispersa e as barragens custam uma fortuna e, ainda por cima, não poluem, pelo que os habitantes da grande Lisboa vivem mais tempo,logo estão a gastar mais dinheiro em reformas.

Acrescente-se que tanto as barragens como as eólicas são equipamentos quase completamente produzidos com trabalhadores portugueses, naturalmente muito mais caros que os chineses.

Os chinocas podiam vir cá montar as centrais a carvão a ganhar 100 euros por mês mais outros 100 de ajudas de custa. Menos que o salário mínimo nacional e são operários metalo-mecânicos altamente especializados nesses tipos de trabalho.

Os parvalhões da DECO têm razão. Tudo podia ser mais barato a carvão e nada de investimentos novos, nem pelo vento, água ou sol. Só o carvão sujo e poluente.

Se não for a carvão, a eletricidade cobria ainda menos os seus custos e aumentava-se o famoso défice tarifário para mais uns milhares de milhões de euros que se pedia emprestado ao estrangeiro em títulos de dívida pública a 10 ou 20 anos

Sim, a eletricidade que pagamos não cobre todos os custos de produção. Por isso, existe o famoso défice tarifário como existe o défice resultante de vivermos mais tempo, agora, com 18,5 anos para além dos 65 em média.

Façam uma petição para instalar centrais chinesas a carvão vindo da China.



De Ditosa... mas ser's minha, não. a 3 de Dezembro de 2010 às 14:15

Ditosa Pátria

Um amigo mandou-me um poema de Jorge de Sena. Escrito no exílio, na desesperança do ano de 1961, quando Humberto Delgado acabava de ser expulso das Forças Armadas e se refugiara no Brasil, quando Henrique Galvão tomava o Santa Maria, quando o MPLA atacava as cadeias de Luanda e a UPA massacrava no Norte de Angola, quando Goa, Damão e Diu eram ocupadas pela União Indiana, quando a revolta de Beja não dava em nada, quando as cadeias estavam cheias a rebentar de presos políticos, quando Salazar parecia eterno, quando o Dia do Estudante desencadeava uma repressão feroz. Poema datado? Talvez. Vejam bem:

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
a pouca sorte de ter nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fátua ignorância;
terra de escravos, cu p’ró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol caiada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra − museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:

eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço: mas ser’s minha, não.

Dezembro de 1961
in «Quarenta Anos de Servidão» Lisboa, 1979


Passaram quase 50 anos sobre o poema de Sena. Hoje voltamos talvez a poder dizer "esta é a ditosa Pátria minha amada".

A minha Pátria do PS e dos bons empregos para tapar manobras internas (caso Víctor Baptista),
a minha Pátria do PS e dos honorários chorudos por coisa nenhuma (Tagus Park e escritório José Miguel Júdice),
a minha Pátria do PS e dos salários milionários a pequenos gestores da cultura (Guimarães capital da cultura).

Mas também
a minha Pátria de Alberto João Jardim sempre perdoado apesar de reincidente nos insultos a quem lhe dá de comer,
a minha Pátria de Pacheco Pereira, sempre na vanguarda dos seus aliados do Ministério Público,
a minha Pátria de Belmiro de Azevedo & filhos feitos com a conspiração castelhana na Opa da PT por causa da Vivo,
a minha Pátria de Cavaco Silva, sempre bajulado apesar dos seus negócios particulares no BPN, aliás em sintonia total com o PSD, pelo menos na inventona das escutas.

- por José Teles , 28.11.2010 aboiada.blogspot.com


De DD a 4 de Dezembro de 2010 às 18:00
Poema abjecto e torpe de quem nunca lutou pela liberdade e democracia em Portugal, preferindo um bom emprego nos States e depois do 25 de Abril não regressou porque não lhe deram de mão beijada um tacho suficientemente bem remunerado como o disse numa entrevista televisiva.
Não é o que a Pátria não fez por ele, Sena, mas o que ele fez pela Pátria que deveria questionar e escrever em poema.


De .Protestar e não desistir. a 3 de Dezembro de 2010 às 14:01
"Afinal Vale a Pena Protestar!"
...e não desistir de procurar outras propostas

...
O que é nefasta é a convicção, que paulatinamente vai tomando a opinião pública, de que não há outras receitas para lidar com a crise, senão as que nos são proposta pela ideologia dominante.

A ideia de que as medidas que estão a ser tomadas, no país e a nível europeu, são inelutáveis não impedem, porém, que se aceite com naturalidade que os dividendos sejam levantados antes de tempo, para que não sejam confrontados com as restrições impostas pelo OE de 2011,
ou que as remunerações dos altos quadros de algumas empresas públicas não sofram qualquer redução, ao contrário do que vai acontecer com as dos restantes trabalhadores.

Ora, o que desde há muito tempo está a acontecer é que os lucros avultados e as hiper-remunerações coincidem com o peso crescente, em termos percentuais, das remunerações mais baixas, agravado pela crescente precarização do trabalho, mesmo em relação à mão de obra mais qualificada, como é o caso dos jovens diplomados.

No entanto, importa não esquecer que o mérito de muitos gestores de topo se encontra, em larga medida, disseminado por outros profissionais.

Por outro lado, a ligação entre remunerações e cumprimento dos objectivos da empresa nem sempre é inquestionável, para já não falar do processo de fixação desses objectivos, bem como da necessária articulação entre as metas de curto e de médio e longo prazo.

De referir também a instrumentalização e até exploração dos trabalhadores pelos titulares dos dividendos e das remunerações excessivas.

Basta olhar para as tese do “emagrecimento” das empresas, em termos de pessoal e do poder dos trabalhadores, ao provocarem despedimentos, precarização, outsourcing, etc., em moldes que, em muitos casos, denotam falta de hombridade e de competência na gestão dos recursos humanos.

Daí que importe afinal protestar e não desistir de procurar e ensaiar outras propostas.

- por Maria Eduarda Ribeiro http://areiadosdias.blogspot.com/ 1.12.2010
Etiquetas: Actualidade, Crise Sistémica, Desigualdades, Défice


De Antecipar/ fugir aos impostos e alcavala a 3 de Dezembro de 2010 às 13:49
Querido menino Jesus,

Prevendo que isto, aqui no rectângulo, não vai estar para bons ventos no ano que vem, gostaria muito de ter no meu sapatinho, de 24 para 25 e antes que se faça tarde, o meu ordenado anual de 2011, uma espécie de divendos antecipados da PT e de outras empresas pândegamente públicas ou participadas.

Se este meu desejo for realizado, tal como o é para a simpática telefónica nacional, ficarei grato e irei retornar aos serviços que essa prestável empresa tem no mercado, abandonando de vez a concorrência.

Se assim for, prometo também deixar de desligar o telefone na cara das meninas e meninos que insistem em estragar-me o jantar, pelo menos uma vez por semana, com os telefonemas a que agora chamam de recativação de antigos clientes. (como se essa categoria não envolvesse todos os portugueses e o estragar do jantar não lhes fosse fatal)

Para já é tudo.

Muitos beijinhos a toda a Família
LNT


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