Em situações de grande crise um líder deve ser "militar", ou seja, ter mão firme nas exigências e pôr a equipa a participar na gestão da crise, aconselhou. Nessas alturas, "as equipas mais do que esperar o que a empresa pode fazer por elas, devem reunir-se em torno do líder". – Palavras de um tal Horta Osório nomeado para um banco britânico.
Na sequência deste tipo de pensamento, Rui Rio, o PR da CMP disse que nos tempos da ditadura as pessoas tinham mais liberdade e viviam melhor. É evidente que tinha ele, oriundo de uma família rica, mas no 25 de Abril de 1974 havia apenas 250 mil reformados, quase não havia assistência média, as caixas não correspondiam ao Serviço Nacional de Saúde e havia a liberdade de não matricular as crianças no ensino obrigatório pelo que tínhamos quase 30% de analfabetos. Além disso, nos anos sessenta, quase dois milhões de portugueses tiveram a “liberdade” de fugir a salto do país para França e outros países europeus porque o Estado fascista português não concedia passaportes a quem não pertencesse às classes médias e ricas. Claro, depois em França os consulados concediam passaportes para Portugal não passar a vergonha de ter milhões de apátridas na Europa e porque repararam que os emigrantes mandavam dinheiro para as famílias e vinham passar as férias a Portugal com as suas economias que investiam em arranjos nas suas casas e nas dos pais, etc.
Há um número cada vez maior de economistas e políticos da direita PSD a pensarem que as soluções do País passam por uma ditadura, obviamente fascista. A primeira a dizer isso em público foi a Manuela Ferreira Leite. Ontem no programa da SIC “plano inclinado” do Crespo dois sapiens arcaicos, o Medina e um tal professor Cantigas, falaram muito para dizerem por palavras enviesadas que o Estado Social tinha de ser demolido em Portugal. Sim não confundir a sua destruição com uma gestão mais cuidadosa dos meios financeiros para o tornar mais sustentável. A direita quer o fim do Estado Social e pretende que parte do IRS e IVA pagos pelos trabalhadores sejam canalizados para as empresas, eufemísticamente denominadas de micro, pequenas e médias empresas.
A direita quer substituir o Estado Social por uma espécie de “sopa dos pobres” denominada hoje “banco alimentar contra a fome” de uma dama da extrema direita fascista. Tomem lá um pacotinho de arroz e umas maçãs e retira-se o rendimento mínimo garantido, o serviço nacional de saúde, grande parte das reformas e, principalmente, não se aumenta o miserável salário mínimo de 475 euros para os não menos miseráveis 500 euros como ficou acordado quando este devia ser de, pelo menos, 750 euros.
Quando Passos Coelho veio dizer que estava preparado para governar com o FMI, quis afirmar que lhe seria conveniente utilizar o FMI como desculpa para demolir o Estado Social.
Enfim, no PSD toda a gente sabe que não poderá fazer melhor que o atual governo PS, antes pelo contrário, a assumir o poder em 2011 como esperam com o apoio do PCP e BE no derrube de Sócrates, irão para o Governo sem experiência e conhecimento dos dossiês, pelo que nos primeiros dois a três anos só poderão fazer pior. Não basta pretender que são necessários meios financeiros para aparecerem por milagre ou que é preciso gastar menos para o conseguir.
Toda a gente sabe pois na direita que só uma ditadura fascista férrea poderia fazer o País regressar a situações financeiras equilibradas com menos reformados e quase sem prestações sociais.
Curiosamente, na cimeira ibero-americana recentemente realizada na Argentina foi tomada uma decisão de não reconhecimento de qualquer ditadura e expulsão de qualquer país das organizações de comércio e outras sempre que se instale nele uma ditadura.
Na União Europeia há o mesmo espírito; uma ditadura seria expulsa, mesmo que resultante de eleições democráticas. Um PSD maioritário com Cavaco na presidência poderia ser tentado a tomar medidas tão impopulares que o fariam perder as eleições seguintes ou, então, rasgava a Constituição e assumia-se como poder fascista ditatorial com censura aos meios de informação, eleições num quadro diferente, etc. Isto, apesar da bruxa alemã estar a fazer tudo para que algumas situações sejam tão más que as direitas se assumem como ditaduras. Hoje, são já mais de 70 milhões de europeus a terem de viver com medidas de austeridade extremas (Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal) e admite-se que a Itália possa cair no mesmo dilema, aumentando então o número para uns 130 milhões, o que provocará um contágio tal que nenhum país europeu ficará imune, nomeadamente a Alemanha, até porque é a nação que tem a maior dívida soberana por residente e na soma global por país, ou seja, mais de 1.800.000 milhões de euros, ou mais de 21 mil euros per capita quando a portuguesa é de 13 mil euros por residente.
A brincadeira da direita europeia está a chegar ao fim. Ou transformam o BCE numa espécie de Fed americano com capacidade para injetar euros no mercado, ou arruínam-se todos. Utilizar a problemática financeira como brinquedo para destruir os Estados Sociais e criar ditaduras capitalistas na Europa é sonho de estúpidos.
Claro que o oposto também é uma brincadeira de estúpidos. Em plena crise exigir uma ausência de rigor ou mais Estado Social e menos empresas também é inviável.
Pessoalmente acredito que a greve ilegal dos controladores do espaço aéreo espanhol foi uma manobra da direita, pois, sendo esses trabalhadores dos mais bem pagos da Espanha e de outros países, é óbvio que não são de esquerda e uma greve não anunciada e disfarçada com baixa fraudulenta por doença não pode deixar de ser uma provocação para apalpar a força ou fraqueza do governo socialista de Zapatero. A greve custou milhões às empresas de aviação e ao turismo espanhol, pelo que se vai iniciar um processo judicial para inquirir da veracidade sobre uma doença colectiva de todos os trabalhadores daquela atividade e saber qual a determinação do PSOE perante esta provocação. Sim, muitas greves são bem mais de direita que de esquerda.
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