4 comentários:
De UE: 23em27 são governos de Direita... a 9 de Dezembro de 2010 às 12:42
Palavras que fazem meditar e...

... e explicam muita coisa.
23 lideranças da direita, em 27 Estados da União Europeia, dá para perceber melhor a política de desastre, liderada pela Alemanha, face à maior crise internacional desde 1929.

A resposta destes governos da direita, às aventuras financeiras da "alavancagem", à "economia de casino", essa em que Pedro Passos Coelho defendia na privatização da CGD, ameaça destruir o euro e a própria UE.

Mário Soares no Diário de Notícias:

« ... A esmagadora maioria das lideranças europeias pertence, neste momento de crise, à direita ultraconservadora (23 em 27 Estados membros), pouco tendo a ver, no plano político-ideológico, com as velhas democracias cristãs do centro, que, com os socialistas, contribuíram, nos últimos cinquenta anos, para consolidar o projecto europeu.

Pelo contrário, as lideranças actuais parecem não sentir a importância da Europa como projecto político de paz, de democracia pluralista, de bem-estar para os europeus e, sobretudo, de unidade e solidariedade entre os Estados membros, com um contrato social que constitui uma das principais identidades europeias.

E, por outro lado, parecem pensar, de novo, em termos de um certo nacionalismo serôdio - cada um por si e os outros que se arranjem - que, no século passado, não o esqueçamos, conduziu a Europa a duas hecatombes mundiais.
...»

Etiquetas: crise, Euro, Mário Soares
# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra


De Tempo de políticas e conomias diferentes a 9 de Dezembro de 2010 às 14:33
Tempo de heterodoxias

A economia da Islândia do incumprimento da dívida, dos controlos de capitais e da desvalorização cambial está a recuperar.
Só a heterodoxia económica funciona.
Não admira por isso que o historiador económico irlandês Kevin O'Rourke, co-autor de Power and Plenty, tenha escrito uma Carta de Dublin, terminando a defender que a Islândia, ao optar democraticamente pelo incumprimento da dívida, “é um modelo óbvio para nós”.

O’Rourke sublinha a maciça e assimétrica transferência de custos sociais da crise para os cidadãos irlandeses.
Tal transferência, engendrada pela Comissão e pelo BCE, com a cumplicidade de um governo que viu aprovado mais um orçamento de desastre, foi desenhada para tentar salvar os credores,
o capital financeiro dos países centrais, e assegura mais recessão e desemprego na Irlanda e nas periferias.
Esta é a face da União Europeia hoje existente, um projecto bloqueado e, na ausência de alterações radicais na sua configuração, sem qualquer futuro.
Meegan Grene, analista da Irlanda da Economist Inteligence Unit, defende, em artigo no Financial Times, que a Irlanda saia do euro. Costas Lapavitsas, Eugénia Pires e Nuno Teles já tinham apontado, em artigo no Público de 28 de Março, esse cenário como a segunda alternativa das periferias
perante uma União que seria politicamente incapaz de criar um verdadeiro governo económico solidário do euro:
“A segunda alternativa para os países periféricos é o abandono da zona euro, que resultaria na desvalorização das moedas nacionais,
reestruturação da dívida denominada em moeda estrangeira e
imposição de controlos de capitais.

Para proteger a economia, a banca teria de ser nacionalizada e o controlo público alargado aos sectores estratégicos.
Neste contexto, uma política industrial, promotora do aumento da produtividade, seria crucial.”

Postado por João Rodrigues, Ladrões de Bicicletas., 8.12.2010


De ... a 9 de Dezembro de 2010 às 14:38
José Luiz Sarmento disse...

O que Portugal tem é uma elite quasi-feudal, uma oligarquia financeira como tinha a Islândia.

Parte da oligarquia islandesa está agora na pildra, e a outra parte está notificada de que tem que pagar a crise, já que a provocou.

A Islândia está a recuperar a uma velocidade estonteante.

Em Portugal e na Irlanda ninguém ousa beliscar as respectivas oligarquias. A consequência é que nos vamos afundar cada vez mais na merda.
................
arrepanhem-se os milhares de milhões que muitos políticos e empresários fraudulentos puseram em paraísos fiscais (ou em nome de parentes) e pagam-se as dívidas
...


De DD a 11 de Dezembro de 2010 às 23:08
A grande culpada foi a bruxa Merkel que primeiro lançou o grito de combate à recessão com mais despesas e subitamente inverteu a sua política para a contenção da despesa pública, pois viu que podia aproveitar a crise para reduzir as prestações sociais e iniciar a demolição do Estado Social.
Depois veio gritar que os credores seriam sempre os responsáveis pelo incumprimento por parte dos devedores quando há um fundo europeu para o incumprimento que atuou na Grécia e Islândia, sendo óbvio que nunca daria uma garantia total. Quem compra títulos de dívida ou obrigações de qualquer natureza assume algumas responsabilidades porque, a não ser assim, apareceriam aí títulos em excesso e até falsos.

Em Portugal, a banca desmotivou a poupança ao pagar juros irrisórios de 1% ou menos e o Banco Santander foi ao ponto de aceitar depósitos a cinco anos com pagamentos de juros crescentes desde 1,2% no primeiro ano até 5% no último, mas só para quem comprar 10 mil euros de ações do banco, o que suponho ser proibido pelas leis que regulam a banca em Portugal.


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