De http://nossaradio.blogspot.com/ a 20 de Dezembro de 2010 às 12:28
A notícia do Correio da Manhã sobre a reforma de Manuel Alegre decorrente do seu vínculo à RDP deu azo a dois fóruns de discussão na rádio: Fórum TSF e Antena Aberta. Ficou bem patente o sentimento de indignação e de revolta da generalidade dos ouvintes, subsistindo alguns pontos que urge esclarecer. Se Manuel Alegre só esteve alguns meses na RDP, como é que cumpriu o período de contribuições para a Caixa Geral de Aposentações para ter direito à reforma enquanto trabalhador da rádio pública? Em declarações às rádios e televisões, Manuel Alegre diz que a reforma resulta dos descontos que fez como deputado. Mas na Lista de Aposentados e Reformados - Agosto 2006 ele é dado como coordenador de programas de texto da Radiodifusão Portuguesa, SA e não como deputado (a última actividade), aparecendo integrado no sector Empresas Públicas e Sociedades Anónimas e não no sector Assembleia da República. Não é crível que a CGA não soubesse que Manuel Alegre era deputado. Será que nos mapas de remunerações que a Assembleia da República envia para a CGA, Manuel Alegre é dado como funcionário da RDP com a profissão de coordenador de programas de texto? É no mínimo absurdo! Enquanto isto não for devidamente explicado e fundamentado é totalmente legítima a interrogação: terá Manuel Alegre continuado a receber da RDP o seu vencimento ao longo dos últimos trinta anos mesmo sem lá ter posto os pés, e cumulativamente com a sua remuneração de deputado? O mínimo que se pediria é que a administração da Rádio e Televisão de Portugal viesse esclarecer todos os portugueses, em vez de se remeter a um comprometedor silêncio. É sabido e notório que o serviço público de rádio tem sofrido apertadas limitações orçamentais, pelo que não se admite que a taxa de radiodifusão (rebaptizada de contribuição do audiovisual por Morais Sarmento para dela a televisão passar a comer a parte de leão), possa ser usada para pagar salários a quem, por vontade própria, deixou de exercer funções na rádio que é suportada por todos nós. E caso se confirme que Manuel Alegre esteve a receber da RDP, não haverá outras situações similares?
Parece-me muito sintomático que a juntar-se a outros casos bem conhecidos (Alberto João Jardim, Santana Lopes, etc.) venha agora à baila o nome de um homem que me havia habituado a ver como um inconformista e um não alinhado com o situacionismo, diria até, uma consciência cívica do regime. Agora não escondo o meu desalento e a minha tristeza ao constatar que afinal esse homem peca dos mesmos pecados venais dos videirinhos da política, que se estão a marimbar para o país e cuja única preocupação é sua vidinha. O cidadão Manuel Alegre de Melo Duarte devia ter vergonha quando vai à televisão falar em ética e em moral. Será ético e moral (ainda que legal) um deputado passar a auferir de uma reforma de aposentação (ainda que reduzida a um terço, o que corresponde a mais de mil euros) e continuar na Assembleia da República para a acumular com o ordenado de deputado? E será também ético e moral (ainda que legal), um deputado depois de abandonar o Parlamento ficar com duas reformas por inteiro pelo exercício do mesmo cargo? Pois é! O Sr. Manuel Alegre pode ter alguma valia como poeta, mas quanto ao resto é como os demais.
Péssimo tributo está Manuel Alegre a dar à memória do grande Adriano Correia de Oliveira que deu voz a alguns dos seus mais belos versos. “E Alegre se fez triste ... Que fez tão triste a clara madrugada” terá exclamado Adriano na tumba em Avintes por esta traição do seu antigo companheiro de luta, afinal um vulgar “comedor do dinheiro que a uns farta e a outros mata” (acrescentaria Adriano, do poema de Manuel da Fonseca).
Por: Álvaro José Ferreira,
em http://nossaradio.blogspot.com/


De DD a 20 de Dezembro de 2010 às 23:18
É verdade, eu fui deputado e a AR da República descontava para a Caixa dos Jornalistas, classificando-me no respetivo mapa como jornalista.
Os 23 contos que ganhava não influenciaram em nada a minha reforma, pois só contaram como anos de descontos.


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