Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Vi, de raspão, uma intervenção de Maria Filomena Mónica, na RTPN, se não estou em erro.

Mas o que ouvi deixou-me perplexa. Dizia Maria Filomena Mónica que a avaliação tem de ser subjectiva, que tinha pedido a reforma antecipada porque o ministério queria que ela preenchesse uns formulários e que ela se recusava.

Não consigo perceber como é que Maria Filomena Mónica foi avaliada e avaliou ao longo destes anos todos, os conhecimentos, as publicações, os curricula de tantos quantos se cruzaram o seu caminho. Foi pela cor dos olhos, pelo que vestiam, pelo som dos apelidos? Como é que ela própria foi avaliada? Por testes, em que tinha que responder a perguntas iguais às dos seus colegas, que tinham uma grelha de avaliação e que, no fim, somavam um determinado valor? Ou pelos ares de inteligência ou de indigência mental que tinham?

Como se pode ser a favor da meritocracia se não há formas de comparar e avaliar? Como se comparam e avaliam procedimentos, atitudes, conhecimentos, aptidões, sem que se tende uma objectividade exemplar? Como se pode dar possibilidade a quem é avaliado de contestar a própria avaliação, se esta não seja o mais clara e transparente possível?

É claro que há, e deve haver, algum lugar para a subjectividade. Avaliar pressupõe responsabilidade do avaliador e, por muito que se seja objectivo, as pessoas não são computadores. Essa responsabilidade deve ser assumida e quem avalia deverá prestar contas da sua avaliação.

Como é possível alguém que se diz democrata e meritocrata defender uma forma de avaliação que permite um poder discricionário sobre quem está a ser avaliado?

Maria Filomena Mónica defende o indefensável, fala de uma escola que já não existe, se é que alguma vez existiu. E se o diagnóstico é que este é um problema que tem oitocentos anos, de certeza que não estaria à espera que alguém o resolvesse em quatro. Muito menos ela própria, cujas ideias não se percebem se são para este século ou para o XIX, onde ela confessa que vive na maior parte do tempo. [Sofia Loureiro dos Santos, Defender o Quadrado]



Publicado por JL às 21:15 | link do post | comentar

1 comentário:
De CP a 2 de Junho de 2009 às 10:05
De Carlos Pires a 1 de Junho de 2009 às 22:45 (comentário no blog Defender o Quadrado)

A MFM sempre misturou análises muito lúcidas com alguns disparates. Há anos atrás analisou de modo muito certeiro os programas e exames de várias disciplinas e mostrou como estavam mal concebidos, como eram superficiais e reféns de modas pedagógicas e académicas pouco consistentes.
Mas pelo meio disse algumas asneiras: por exemplo, declarou como sendo ridículo qualquer professor de línguas que levasse um gravador para a aula (por exemplo para ouvir uma canção).

Parece óbvio que o que se tem de discutir não é a existência de formulários, mas sim o seu conteúdo e provavelmente o seu número.
As pessoas que criticam o modelo de avaliação que o governo tem tentado impor por ser muito quantitativo erram o alvo. Ser quantitativo é bom.
O que tem de se ver é o que é e o que não é possível de ser quantificado e o modo como a quantificação é feita (por exemplo, pretender quantificar a percentagem de positivas dadas por um professor e fazer com que isso tenha uma relação directa com a sua classificação profissional - como queria o governo - é um óbvio disparate, pois levaria em muitos casos à inflação das notas dos alunos).

Um dos problemas desse modelo de avaliação é que apesar de ser quantitativo nalgumas coisas não evita a subjectividade e a arbitrariedade.

Relativamente a isso é preciso dizer que os sindicatos e associações de professores não souberam apresentar alternativas: como avaliar a sério, mas de modo justo e objectivo? (Os relatórios defendidos pela Fenprof seriam também subjectivos.)
Alguns professores a título individual fizeram propostas válidas mas ninguém quis analisá-las e discuti-las.
Sou professor mas não me identifico com os sindicatos de professores.

Por outro lado, creio que é esta foi a pior ministra da educação de que há memória. Desse meu ponto de vista, é interessante observar pessoas como a Sofia e alguns dos seus leitores - defensores quixotescos do indefensável. É uma atitude que não deixa de ter alguma nobreza, pois manifestamente resulta de convicções e não de interesses.

Por falar nisso: como resistirão essas convicções às recentes declarações do Presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores?
O homem foi nomeado pelo governo e aquilo que diz significa que a ministra e os seus secretários de estado só têm feito asneiras - mesmo quando têm objectivos correctos.
Cumprimentos


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