De Os Candidatos e propostas são DIFERENTES a 21 de Dezembro de 2010 às 10:02
Diferenças

Ontem, na apresentação da Comissão de Honra e do Contrato Presidencial da candidatura de Manuel Alegre, Maria de Belém disse, entre muitas outras coisas acertadas, que
a diferença entre DIREITOS e CARIDADE(zinha) reside no facto de os primeiros serem matéria de reivindicação e a segunda de agradecimento e gratidão.

Para quem gosta de dizer que "é tudo igual" já aqui tem uma, senão a essencial, razão para entender que
nem tudo, nem todos, são iguais e que a candidatura de Manuel Alegre contém todo um mundo de diferenças da de Cavaco Silva.

Não se tratam só de diferenças formais ou ideológicas, tratam-se de caminhos diferentes para se obterem resultados diferentes.

Enquanto Alegre fala de boa ou má CIDADANIA e de bom ou mau HUMANISMO, Cavaco mantém-se na boa ou má MOEDA sabendo ele, até pela sua formação de que tanto gosta de falar mas de que não se conhece ciência nova, ou novas soluções, que o dinheiro é todo igual e que essas boas ou más moedas, pelos vistos, dependem só de quem as tem na algibeira.

LNT, [0.487/2010], A Barbearia


De ..Políticos e ''Apolíticos'' de NOJO.. a 21 de Dezembro de 2010 às 14:51
Livrem-nos dos políticos com nojo da política (alterado)

(por Daniel Oliveira, Arrastão, 20.12.2010)

As campanhas eleitorais não dizem muito sobre os candidatos. Dizem mais sobre o que os candidatos acham que os eleitores querem ouvir.
E em tempo de crise, quando o sistema político parece ser incapaz - até pelas limitações impostas por uma União Europeia politicamente paralizada - de encontrar soluções ou apontar caminhos, tudo o que os candidatos à Presidência não querem parecer é políticos.
Apesar de, como é evidente, tendo em conta o cargo a que se candidatam, não poderem ser nem mais nem menos do que isso.

Fernando Nobre, naquele que é o pior tique que um político pode ter - e confesso que esta sua postura me espanta - mostrou como seu principal currículo político não ter currículo político nenhum.
Chegou ao ponto de acusar Francisco Lopes de ser responsável pelo estado em que o País está já que, veja-se o escândalo, é deputado.
Como se ter sido escolhido pelo povo para um cargo que depende do voto democrático tornasse um cidadão cúmplice de tudo o que aconteça de mal. Disse que ele fazia parte do sistema, essa nebelosa que torna tudo indiferenciado e que supostamente distingue quem nunca se meteu nesse nojo que é o confronto democrático.

Defensor Moura também acusou Manuel Alegre de ser político. Coisa feia, bem se vê. Isto, apesar dele ser deputado em exercício, ter sido presidente de câmara e ter uma longa vida partidária.
Temos então os políticos, os não políticos e os políticos só um bocadinho.

Cavaco Silva já tem muitos anos deste discurso.
Ele paira sobre a política mas parece nunca lhe tocar. Não ser político é a sua imagem de marca.
O elemento distintivo de um dos homens que há mais tempo faz política no País.

Todos eles são candidatos à Presidência da República.
Um cargo que nada tem de executivo ou técnico. Um cargo absolutamente político.
Um cargo que, exigindo um enorme conhecimento das instituições e dos equilibrios partidários, deveria exigir um vasto currículo com provas dadas em cargos políticos.
Enfim, um cargo reservado a políticos.

Não a homens que deprezam a política ou querem passar a imagem que dela têm nojo, mas aos que a vêem como a mais nobre das actividades a que um cidadão se pode dedicar.
Até porque, mesmo quem tenha provas dadas de ausência de currículo nesta área (coisa estranha, a de ter na inexperiência uma vantagem), perderia essa virgindade no dia em que entrasse no Palácio de Belém.

Conhecemos de sempre este filme:
políticos que fazem do ódio à política uma arma de propaganda. Acontece-lhes uma de duas coisas. A menos má:
rapidamente se tornam iguais a todos os que criticaram. A pior:
a sua inexperiência, voluntarismo ou falta de consistência traduz-se em incompetência ou desrespeito pelas regras democráticas.

Lembro-me das melhores eleições eleições presidenciais que este país viveu:
Mário Soares, Freitas do Amaral, Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintansilgo.
Todos políticos de primeira água que puxavam dos galões da sua experiência.
O que nos aconteceu para termos chegado a este nível de indigência, onde ter currículo político é tratado como defeito ou motivo de vergonha?

Para não pôr tudo no mesmo saco, há dois candidatos que não têm seguido este caminho: Manuel Alegre e Francisco Lopes.

Os dois assumem o seu passado e a sua militância. São, de formas diferentes, políticos assumidos.

E, num tempo em que a demagogia derrapa para um preocupante desprezo pela democracia que conquistámos há 36 anos, isso só diz bem deles.

Por mim, quero um político como Presidente. E que tenha orgulho nisso.


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