Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Um país, dois sistemas

por Daniel Oliveira
«
Graças a um Estado Social insustentável estamos na penúria. São centenas de milhares a viver pendurados na mama dos impostos. Os funcionários públicos. Os desempregados. Os benificiários do rendimento social de inserção. A cultura. É o que se diz. E diz-se que se fosse pela esquerda a economia estaria toda estatizada. Que se se entregasse a educação, a saúde e a segurança social aos privados, que sabem gerir decentemente, tudo isto correria sobre rodas. Em vez do dinheiro ir para subsidiodependentes e boys seria promovida a competência. Até porque quem não soubesse gerir o negócio ia à falência.

 »

Hoje ficámos a saber que o Estado vai injectar mais 500 milhões de euros no BPN, um banco privado gerido por correlegionários políticos dos defensores da tese exposta no primeiro parágrafo. De centenas de milhões em centenas de milhões pagos por um Estado falido e contribuintes exaustos lá chegaremos a valores próximos daqueles que as medidas de austeridade permitirão poupar ao Estado. E soubemos isto uns dias depois de um secretário de Estado se gabar de poupar mais uns cobres em ajudas sociais. Rigor, gritou ele.

 

Sim, é verdade, o nosso Estado Social está a deixar o País na penúria. Mas este Estado Social é uma espécie de clube Med, reservado a gente selecta. Não, não é preciso esquerda nenhuma para que a economia esteja estatizada. Por essa Europa fora, e também e sempre em Portugal, os bancos são todos públicos. Com uma condição: estarem falidos. Só mesmo os lucros ficam para os privados, sobretudo os que são conseguidos à custa de taxas de juros cobradas aos Estados para os Estados salvarem os bancos que não se safaram. Como foi experimentado na China, temos um País e dois sistemas. No nosso caso, quando há lucro vivemos numa economia de mercado, quando há prejuízo somos generosos socialistas.



Publicado por Xa2 às 00:08 | link do post | comentar

2 comentários:
De Izanagi a 23 de Dezembro de 2010 às 01:30
E o que é curioso é que os partidos de direita, nomeadamente o CDS e o PSD estão contra a injecção dos 500 milhões no BPN. Ao que julgo também o PCP e o BE estão contra. Dos partidos com assento político, resta o PS ( digo PS e não Partido Socialista, porque de socialismo perdeu-lhe o rasto), único que está a favor. Estranho. O que é que se anda a esconder?


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 23 de Dezembro de 2010 às 16:34
Não tem nada de curioso essa votação. Só tem de lamentável.
A oposição não vota de acordo com princípios políticos e a ideoligia que devia ter.
Vota contra o sentido de voto do partido do poder.
Se o PS votasse contra era ver a oposição a votar a favor...
Quando assim não é, é que é de estranhar e ficar atento ao que se deve. Ou têm alguma a esconder ou de algo a beneficiar...
A mediocridade não está no governo nem no PS está globalizada por toda a «porca» da política nacional.
E isso é que é preocupante para o país, porque não se vislumbram alternativas. Pelo menos a curto prazo.


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