O EXEMPLO SUÍÇO, QUE A EUROPA NÃO CONSEGUIU SEGUIR

Como é sabido em qualquer país organizado em regime democrático, onde se observe uma relação de “Contrato Social” entre o Estado e o povo, quanto maior é o número de bens oferecidos ou cedidos a valores muito inferiores ao seu custo real mais impostos terá o erário publico de arrecadar.

Por via disso decidiu o Conselho do Estado da Suíça, há um certo tempo e sujeito a ratificação, com 35 votos a favor e nenhum contra, o aumento temporário da taxa do IVA para sanear as contas dos Serviços de Invalidez, em favor dos Seguros de Invalidez (AI/IV), dado que as suas contas se encontram numa situação deficitária. O projecto de lei prevê o aumento por um período de 7 anos, que irá de 2010 a 2016, onde os actuais 7,6% passam (até à entrada da nova lei) para 8,1%, o sector Hoteleiro passa para 3,8%, enquanto aos bens de consumo de primeira necessidade passa de 2,4% para 2,6%. Esta modificação necessita da aprovação dos Cantões e do povo. A divida dos Serviços de Invalidez passam os dez mil milhões de francos.

O povo acabou agora de aprovar (com rectificação) o aumento de taxa proposta em alternativa (0,9%, 1,00% ou 1,4%), fixando tal acréscimo em 1,00%.

Estão mesmo a ver, se por cá fosse levada a referendo, tão delicada matéria, qual seria o comportamento dos partidos e, correlativamente, das/os cidadãs/ãos eleitores? Nem os políticos nos respeitam nem nós nos fazemos respeitar. É o que temos.

A política de impostos na Suíça

A confederação Helvética tem sido, com alguma justa razão, considerada como um paraíso fiscal para alguns residentes de determinada categoria económica, sobretudo de natureza empresarial. Para os contribuintes singulares directos não é, fiscalmente, um tão grande paraíso mas, a alíquota (Em Direito tributário, alíquota é a taxa ou valor fixo que será aplicado sobre a base de cálculo para o cálculo do valor de um tributo. As alíquotas em percentual são mais comuns em impostos e as alíquotas em valor ocorrem mais em tributos como empréstimo compulsório, taxas e contribuição de melhoria. A Alíquota é um dos elementos da matriz tributária de um tributo. Assim, há a exigência de que o seu valor ou percentagem seja estabelecido em lei.) dos impostos é, particularmente, vantajosa com relação à alucinante alíquota fiscal aplicada na Alemanha, Escandinávia e Itália e na Europa em geral, faz com que numerosos estrangeiros escolham a Suíça como o seu domicílio fiscal. O motivo é muito simples, além do fato que as alíquotas (taxas) fiscais são muito menos elevadas que na Itália e em outros países europeus, a forma de verificação e de taxação fiscal são claramente mais liberais com relação aos outros países.

Exemplificamos com o fato que, na Suíça, os prémios de leasing de veículos são totalmente deduzíveis. Em outros países a dedutibilidade é parcial ao contrário da Suíça. Na Suíça a alíquota do IVA é igual a 7,6% (até à entrada da nova taxa), enquanto que nos outros países europeus é , geralmente, acima dos 20%.

No Ticino é um dos Cantões onde se paga, significativamente, menos impostos. Se na Suíça o encargo médio fiscal é de 100 francos, no Ticino esse sacrifício fica pelos 71,7.

Impostos pessoais

A Suíça é um dos mais equilibrados países do mundo sob o ponto de vista fiscal, sobretudo, para quem pode viver somente de rendimentos: acções, títulos ou investimentos. Tais pessoas são normalmente bem-acolhidas na Suíça, e o único imposto que devem pagar é uma soma fixa, proporcional às entradas de capitais. Em numerosos casos é possível pré-acordar com o fisco o montante global dos impostos. Muitos campeões desportivos, actores e industriais usufruem de tal oportunidade que lhes permite viver num verdadeiro e próprio paraíso fiscal no centro da Europa. Tal prerrogativa é desfrutada também pelos aposentados, que são pessoas que terminaram a sua actividade lucrativa e querem viver num país com uma fiscalização muito atraente, que a Suíça tem indiscutivelmente.

Mas, mesmo ao nível da carga fiscal imposta aos cidadãos contribuintes o sistema é considerado justo e equilibrado. A lei respeita os contribuintes e não “extorque” a riqueza nem o esforço de trabalho de cada um. O sistema cobra o que a lei permite e, conforme cada cidadão, colectivamente, o autoriza.

Impostos das empresas

As sociedades suíças ordinárias pagam impostos com taxas variáveis, segundo a sua situação e actividade. Em algumas circunstâncias, as sociedades suíças podem pagar impostos muito baixos, em torno de 9% do rendimento. Isso vale sobretudo para as multinacionais e para as sociedades comerciais que têm a sua actividade fora do território suíço e cuja sede social seja num Cantão fiscalmente muito favorável. O Ticino, conforme já referido, é o terceiro melhor Cantão da Suíça (do ponto de vista fiscal) e representa seguramente um bom ponto de referência para os investidores estrangeiros. O Cantão Genebra, contrariamente, ocupa um dos piores lugares num total de vinte e seis Cantões que compõem a Suíça. Recorda-se que a Suíça é um Estado Federal, como a Alemanha, a Espanha e os Estados Unidos da América.

A determinar a atraente posição do Ticino é sobretudo o baixo imposto para pessoas físicas, inferior a um quinto com relação à média. Na prática, neste cantão os impostos são inferiores na ordem dos 20%, em relação à média suíça.

Não é por acaso que em determinados cantões suíços são registadas mais sociedades que pessoas físicas, pelo evidente motivo da conveniência fiscal que a praça de negócios helvética oferece.

Os suíços dispõem de um sistema de apoio “Miralux Fiduciária“ (A Miralux Fiduciária é especializada em consultas e serviços privados, confidenciais, internacionais. Oferecem uma variedade de serviços comerciais, tributários e legais sobre contas bancárias no exterior, duplas nacionalidades e naturalizações, autorização de residência (com particular atenção às naturalizações européias e aos programas de repatriação), de residência em paraísos fiscais, e facilitações comerciais Offshore), de ajuda na elaboração de planos e de documentos necessários à obtenção de tais vantagens.

Os clientes do “Miralux Fiduciária“ obtém benefícios com a sua experiência e relações comerciais, assim como dos planos de negócios, e de todas as informações voltadas à obtenção das facilidades oferecidas pela legislação tributária helvética.

Existem outras numerosas razões que fazem com que inúmeros clientes europeus tenham escolhido a Suíça como sede legal para suas actividades. A Miralux Fiduciária poderá fornecer-lhes todas as informações necessárias e assistir-lhes na escolha, com uma economia fiscal segura.

Competitividade, da Suíça com o resto do mundo

A Suíça, ainda, está em primeiro lugar na classificação da competitividade do Forum Económico Mundial (WEF), superando os Estados Unidos, líder há anos. Na classificação de 2005, a Confederação estava no quarto posto, enquanto que, em 2006 alcançou o primeiro.

A competitividade helvética, se beneficiou com o novo índice, global da competitividade (GCI), (contra a oitava baseada no velho sistema, em 2004).

Na segunda posição colocava-se a Finlândia, seguida da Suécia, Dinamarca e Singapura. Junto aos Estados Unidos no sexto posto se encontram o Japão, a Alemanha, a Holanda e a Grã-Bretanha. A Itália continua a perder posição e agora é passada do trigésimo oitavo para o quadragésimo segundo lugar. Com efeito, a Suíça dispõe de uma infra-estrutura bem desenvolvida no campo da pesquisa científica, isto é o que há sublinhado Augusto Lopez-Claros, chefe da economia no WEF. Os centros de pesquisa e indústria trabalham em estreita colaboração. As empresas têm investido muito em pesquisa e desenvolvimento, o que se traduz como um forte estímulo para as inovações tecnológicas, há acrescentado o supracitado especialista. Tudo isto deu, no último ano e meio, uma grande reviravolta troando-se a situação tão volátil que de toda a actual situação a mais estável continua, efectivamente, a Suíça porque alicerçada numa excelente coesão social, saudável democracia e permanente exercício de cidadania individual e colectiva.

Também, muito por culpa própria, a “revolução portuguesa” perdeu-se pelo caminho, dando lugar a esta, espécie, de democracia doente, corrupta, sem ética nem pingo de vergonha. Vai definhando...



Publicado por Zé Pessoa às 00:08 de 03.01.11 | link do post | comentar |

7 comentários:
De DD a 3 de Janeiro de 2011 às 11:16
Se quiser posso emprestar um célebre livro de Jan
Zieglers "A Suíça Lava Mais Branco" que revela os bons negócios que se fazem na Suíça.
O antigo chanceler alemão Helmuth Kohl vendeu em 1990 um número apreciável de blindados à prova de radiações aos EUAS e Arábia Saudita provenientes do stock de reserva militar. Foram vendidos a uma empresa (escritório) de um amigo de Kohl e revendidos aos destinatários pelo dobro do preço. O Sr. Kohl encaixou tanto dinheiro que depositou num banco suíço com outras verbas que recebia que o banco o nomeou administrador quando saiu do poder.
Esse tipo de negócios fazem-se muito da Suíça por eestarem praticasmente isentos de impostos.
0Na Suíça qualquer ladrão ou traficante de droga pode roubar ou traficar no Mundo inteiro e tem a garantia de não pagar quase nada ao fisco e ser mantido o segredo bancário.



De Abaixo o Sigilo bancário e a 'Lavagem' a 3 de Janeiro de 2011 às 17:19
De: Quem nos dera... (a 27.12.2010)

Olhe que não, olhe que não senhor jornalista .

Uma coisa é guardar SIGILO bancário (sobre o dinheiro, seu 'dono' e proveniência), outra bem diferente é
''LAVAR dinheiro'' (entrar com dinheiro para um casino ou negócio legal e de lá sair com o que ''resultou dessa actividade''
- geralmente perdendo/deixando lá a comissão do ''lavador'', entre 5% e 15%, podendo então usar ''legalmente'' o dinheiro 'lavado' sem lhe fazerem perguntas incómodas...).

Bem vistas as coisas é capaz de ser lavado mais dinheiro em qualquer outro país do Sul da Europa (Gibraltar, ilhas CanalMancha, Caraíbas, CaboVerde, Madeira, etc.) do que na confederação suiça.


De DD a 3 de Janeiro de 2011 às 22:55
A Suíça foi o primeiro paraíso fiscal para os ladrões e traficantes do Mundo. Iniciou essa atividade já no Século XIX. Os nazis utilizavam a Suíça para depositar o ouro roubado aos judeus e aos bancos centrais dos países que conquistaram e a partir da Suíça faziam muitas aquisições de produtos de que tinham necessidade. Durante a guerra, vinha ouro nazi para Portugal para pagar volfrâmio , sardinhas em conservas, óleos vegetais, etc.
Não se pode comparar a experiência suíça nessa matéria com a dos jovens paraísos fiscais de agora que ascenderam à independência há poucas décadas ou anos.
A Suíça é o melhor albergue de ladrões que há no Mundo e os meus familiares suíços têm vergonha disso.
Eu trabalhei numa empresa farmacêutica americana que tinha na Suíça a sede para a Europa e facturava aí certas matérias primas que eram fabricadas no México e vinham para a Bélgica de onde eram expedidas para as diversas fábricas instaladas na Europa, incluindo Portugal.. Eu era o chefe de planeamento e compras, pelo que conhecia os preços do mercado. Assim, o escritório na Suíça chegava a debitar os princípios ativos a um preço 200 vezes superior ao do mercado mundial, pelos que os medicamentos formulados em Portugal saíam caríssimos. Esse lucro imenso só era possível porque a Suíça não aplicava impostos. Até o fisco norte-americano andava atrás da empresa porque considerava que o esquema era um roubo, mas pouco podia fazer porque não controlava países como México, Suíça, Bélgica e Portugal.
Para enganar as autoridades portuguesas do medicamento, mudava-se um pouco o nome da referida matéria prima, acrescentando uma designação física como micronizado, em nanopartículas ou outra coisa qualquer.
Na indústria farmacêutica são todos ladrões, tanto os suíços como os americanos, alemães, mexicanos, chineses, italianos, etc.
Em Portugal é que há mania de se considerar como ladrões os portugueses, quando ao fim de mais de 40 de trabalho no mercado internacional sei que os portugueses ainda são os menos ladrões que há.
Se Portugal soubesse ROUBAR como fazem os suíços, escandinavos, americanos, etc. estaria hoje numa boa.


De Comportamentos, os deles e os nossos a 4 de Janeiro de 2011 às 09:29
Sem se dar conta DD acaba por reconhecer que, de uma forma ou de outra, todos os países são lavadores de dinheiro, seja através da venda de volfrâmio, seja através dos depósitos bancários , seja pela venda de conservas, seja por dar abrigo a judeus e nazis etc., etc.
Como já alguém falou, DD é exímio em desviar conversas do essencial para o que lhe mais interessa que é o facto dos cidadãos não tomarem maior conhecimento e consciência das suas próprias capacidades e dos disparates que os políticos nos têm andado a impingir.
Ao que o post de Zé Pessoa dava relevo era ao comportamento dos cidadãos suíços perante uma necessidade de aumentar impostos e dos respectivos responsáveis políticos que não esbanjam o esforço dos seus concidadãos nem lhe esbulham esses sacrifícios como por cá, com demasiada frequência sucede.


De DD a 4 de Janeiro de 2011 às 22:46
Exportar volfrâmio não era nem é lavar dinheiro. Segundo o livro do Fernando Rosas acerca da economia de Portugal na II. Guera Mundial, a Inglaterra impos ao governo português que só vendesse qualquer produto aos alemães a troco de ouro e não contra marcos. De restpo, Salazar não era tão estúpido para aceitar a moeda de uma Alemanha que a partir de 1942 estava mais que derrotada e só não o foi mais cedo porque os ingleses se recusaram a bombardear as fábricas de gasolinas sintéticas, pois sem combustíveis a máquina de guerra nazi teria parado e poderiam tê-lo feito em 48 horas. Churchill não queria substituir um império de um ditador com pequeno bigode por poutro muito maior de outro ditador com grande bigode. Por isso deixou que alemães e russos se matassem uns aos outros até estar preparado para desembarcar na Normandia e, mesmo assim, só nos últimos dois meses é que a RAF destruiu as gigantescas fábricas de combustíveis e borrachas sintéticas de Leuna.
A revista Time desta semana descreve o Cantão de Zug como o verdadeiro paraíso fiscal da Europa com um IRC de 8% e onde estão instaladas já as sedes das empresas dos grandes oligarcas russoa que conseguiram roubar tudo o que têm, pois em cinco ou seis anos ninguém no Mundo faz fortunas daquelas.
Na cidade de Zug há mais sedes de empresas do que habitantes, sendo a maior parte dessas empresas apenas uma Caixa Postal e um e.mail.

Nota: Curiosamento, o Fernando Rosas não se referiu ao que escreveu num programa televisivo sobre o ouro nazi e acusou Salazar de ter sido conivente com os nazis na questão do ouro quando o ditador português limitou-.se a seguir as instruções impostas pelos ingleses que sabiam que aquele ouro não era tanto assim. Muitos países ocupados conseguiram evacuar as reservas de ouro para fora antes da chegada dos nazis.


De ou não será senhor DD? a 5 de Janeiro de 2011 às 12:23
Ouro extorquido aos judeus mortes nas câmaras de gás . Mas que lavagem mais suja que esta será que pode (poderia) haver?
Não vale a pena atacar os suíços de lavagem por aceitar depósitos nos cofres dos seus bancos e branquear aqueles que receberam alguns desses valores, sujos de sangue.
Contudo, os telhados de vidro não nos devem cegar a pontos de não se enxergar o que há de positivo no comportamento de uma população e dos seus actuais dirigentes.
É preciso separar o que pode ser separável sem fazer branqueamentos, ou não será senhor DD?


De Zé T. a 3 de Janeiro de 2011 às 10:39
Artigo muito interessante. Parabéns a Zé Pessoa.

nota:
a Suiça (melhor: «Confederação Helvética») é mais do que uma «federação» (como a Alemanha ou os EUA, mas diferente da Espanha);
é uma «confederação» de Cantões (pequenos estados mas com mais poderes constitucionais do que os estados federados,
embora, na prática, a sua ''aliança/confederação e leis adicionais'' seja equivalente aos estados federados e até aos 'estados/regiões autonómicas' ).


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