Defesa racional ou complexidade e custo em demasia ?

Parece impossível !  (por Manuel Falcão)

      As despesas com pessoal do Min. Defesa Nac. aumentaram mais de 10% no ano passado - um aumento de cerca de 121,3 milhões de euros num ano, o maior aumento verificado em todos os Ministérios à excepção do da Presidência do Conselho de Ministros.

     Por muito boas que sejam as razões para aumentar e ajustar salários dos militares, fazer isto em paralelo com os PEC e os pedidos de sacrifícios diversos, mais os cortes nos salários em outros sectores, revela no mínimo falta de bom senso.

     O Ministro da Defesa, Santos Silva, nunca se distinguiu pelas suas qualidades de gestor - sempre se evidenciou pelo estilo trauliteiro nos cargos por onde passou. Aqui remeteu-se a bater a bolinha baixa e a cumprir as reivindicações com que foi confrontado.

     Um aumento de 10% nas despesas de pessoal do Ministério da Defesa parece-me um pouco exagerado na actual conjuntura.

 

     Talvez seja altura de estudar casos como o do Canadá, em que não existem três ramos tradicionais das Forças Armadas (força aérea, marinha e exército, com suas múltiplas 'armas', unidades e serviços - operacionais, de apoio e de comando), estando todos fundidos numa estrutura única. Esta reforma (dantes o sistema era semelhante ao nosso), data de 1968 e o resultado é maior economia, maior eficiência, menos duplicações, maior concentração de recursos nos meios operacionais e menos nas burocracias. Dá que pensar.

     E outra coisa que dá para pensar é que o Canadá tem um total de elementos activos nas Forças Armadas que não chega ao dobro dos nossos, num país com uma dimensão incomparável (o Canadá tem a 2ª maior área do mundo) e com uma população de 34 milhões de habitantes. No fundo, a questão é adoptar a estrutura das Forças Armadas à realidade actual, quer a nível nacional, quer a nível internacional.

     De certeza que existem serviços duplicados, na área admistrativa é possível racionalizar custos e usar uma estrutura comum e, até, a nível dos órgãos de cúpula de cada ramo, será possível obter melhorias significativas.

     A pior coisa que um governante pode ter é aceitar o status quo e não pensar sobre o que pode ser mudado e melhorado - seja nas FA seja em qualquer outro sector. Infelizmente a vontade de não fazer ondas tem sido a constante do actual ministro da Defesa.



Publicado por Xa2 às 07:07 de 04.01.11 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 4 de Janeiro de 2011 às 13:40
Sabem é que isto das «democracias» tem os seus custos... Sobretudo em épocas de crise.
É que nestas épocas convêm, ao poder, ter os homens das armas na «mão»...


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