Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

 

     . Em que país eles vivem ?, por Daniel Oliveira

 

Em frente a mim, um amigo com uma longa carreira almoça. Percebo que não o faz há dias. Demasiado novo para se reformar, demasiado velho para começar de novo, vive no limiar da sobrevivência. Mantém-se bem vestido para tratar das aparências. Tenta manter aquela dignidade que sempre me mereceu admiração.

     No chat, converso com um amigo emigrado. Excelente no que faz, quando chegou a Lisboa parecia que a sua carreira não encontraria grandes entraves. Até que, cansado de viver de recibos verdes mal pagos em ateliers que tratam o talento como coisa irrelevante, decidiu partir. Sem nada que o esperasse no destino. Lá se está a safar. Mas, apesar disso, quer saber como isto vai porque ainda não perdeu a esperança de voltar.

     Olho em volta e vejo os meus amigos mais promissores a dar aulas em universidades estrangeiras, com condições que aqui seriam virtualmente impossíveis. Outros a trabalhar em call-centers ou a viver de biscates, com as suas vidas adiadas para sempre. Vejo os pais deles a carregarem até à velhice o fardo de garantirem a sua sobreviência. E a dos netos, quando os filhos tiveram coragem para tanto.

     Diariamente cruzo-me com a angústia de vidas impossíveis, onde tudo é contado. De trabalhadores menos qualificados aos melhores quadros que o nosso sistema de ensino produziu. Tanto desperdício de talento que perco a esperança neste país.

     Isto é o que vejo. Depois leio textos de colunistas e economistas. Vivemos acima das nossas possibilidades. Habituámo-nos ao bem bom. Perdemos a ética do trabalho. Já não sabemos o que é o sacrifício. Fico agoniado e assalta-me uma dúvida: sou eu que conheço demasiados azarados ou esta gente que escreve nos jornais e fala na televisão vive num País diferente do meu ?



Publicado por Xa2 às 00:07 | link do post | comentar

5 comentários:
De Caixa de ressonância? a 6 de Janeiro de 2011 às 09:50
Isto mais parece o blog do copy-past do que qualquer outra coisa. Onde está a criatividade dos autores do LUMINÁRIA?
É que cinco ressonâncias seguidas de outros blogs ou de jornais abonam pouco à credibilidade .... e parece uma caixa da referida.
Mas se não há mais nada, quem não tem cão caça com gato, não é verdade?
Não desanimem que para isso já nos basta o governo do, socialista(?), Socrates.


De Escrevente a 6 de Janeiro de 2011 às 11:09
Ressonância?
o leitor/ comentador tem alguma razão ... mas 'copy-past' (copiar e colar, de jornais ou de outros blogs) também implica :
- uma selecção/escolha (e identificação pró ou contra ou ...);
- trabalho e tempo/ disponibilidade;
- interesse/ gosto;
- criatividade... é deixada para 'bloggers' 'artísticos', 'criativos', 'escritores', e para os comentadores.

Tudo são opções, em função das condições/recursos/constrangimentos existentes...

mas, felizmente, o LUMINÁRIA tem a porta aberta para quem queira fazer mais e melhor, ... aqui ou em qualquer outro lado, ...


De ´Governos: Refrear o sist. financeiro ! a 6 de Janeiro de 2011 às 09:55
O Fundo de Estabilidade Europeu, segundo Stiglitz

Para Stiglitz, prémio nobel da economia, o fundo de estabilidade da UE não é mais que um "paliativo".
O panorama de há seis meses atrás, isto é, a incerteza na UE mantém-se.

Para Stigliz, "a via da austeridade escolhida pela Europa sob pressão dos mercados vai retardar a saída da crise, enfraquecer os elos mais vulneráveis da Zona Euro e da União Europeia".

Nesta mesma linha de pensamento diz stiglitz "a ideologia do mercado livre que permitiu as bolhas financeiras ata as mãos aos políticos".

E continua "muitos dos líderes europeus não compreenderam que se deve atacar a regulação do sistema e refrear a energia do mundo da finança que nada conhece da economia".

Estas ideias foram expressas no Le Monde de hoje resumo de uma entrevista ao Libération não acessível senão aos assinantes on line.

Etiquetas: Europa, Regulação do sistema, Stiglitz
# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra, 5.1.2011


De Levantar a cabeça e revoltar a 6 de Janeiro de 2011 às 10:04
Será que neste desgraçado país não há nada de positivos?
Quem , chegado de momento, lesse um escrito destes quereria voltar à tal ilha deserta onde o negativismo não é tão profundo.
Com atitudes assim ninguém será capaz de levantar a cabeça.
Por onde anda tanto empreendedorismo que as universidades andaram a vender?
Será que pretendemos continuar a meter a cabeça debaixo da areia envergonhados das nossas próprias mesquinhices ?
2010 foi o ano em que se venderam mais automóveis , se mais viajou, mais dinheiro se levantou nos multibancos, + muita coisa.
A riqueza esta mal distribuída, é certo, muito pelo acomodar de gente que o deixou de ser e não é capaz de se revoltar...


De Rúben a 10 de Janeiro de 2011 às 15:06
Eu também decidi mudar, porque aqui não posso trabalhar do que estudei, nem ganho o dinheiro que mereço por isso.
Por isso empecei uma busca de emprego na (http://pt.adsdeck.net/empregos/b/emprego-suica)Suiça , e enquanto tenha trabalho lá vou me mudar...
Tomara que alguma vez possa voltar e ter uma vida diga aqui.


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