Vender o património público e assaltar os contribuintes

Vender o país...

por João Rodrigues

 

     Já sabiamos que a crise é uma oportunidade para a economia austeritária. Pedro Santa-Clara, detentor da cátedra Millenium-BCP de finança da Nova, que já antes tinha feito uma sonsa apologia do FMI, defende agora, em entrevista ao Negócios de hoje, a privatização da CGD, a par da venda dos principais bancos a estrangeiros. Uma das formas de “ultrapassar” o problema da dívida externa, diz ele.

     Na realidade, trata-se de uma política míope, que imita e antecipa o serviço que o FMI gostaria de fazer ao capital financeiro estrangeiro, entregando-lhe a CGD e o que mais houver de bandeja

     Isto quando, da Europa de Leste à Argentina, são conhecidos os efeitos desastrosos das privatizações bancárias e do controlo do sistema financeiro por grandes conglomerados financeiros estrangeiros.

     Quando há crises, os países ficam muito mais expostos às decisões destas multinacionais, que obrigam as suas filiais a súbitas e mais intensas contracções do crédito (e a despedimentos), ao mesmo tempo que os Estados perdem ainda mais a capacidade para controlar o seu sistema financeiro.

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Os silêncios e as palavras de Cavaco (por Daniel Oliveira)

Ainda o debate entre Cavaco Silva e Manuel Alegre. Um dos poucos momentos que deu que falar foram as críticas do Presidente à Caixa Geral de depósitos na gestão que está a fazer do BPN. A comparação que fez com a situação inglesa, quando se está, em Portugal, a falar de um caso de polícia, deixa claro para todos que o suposto rigor técnico de Cavaco não tem correspondência com a realidade. Já tinhamos observado isso mesmo quando, com o maior dos descaramentos, explicava, no tom professoral do costume, que o negócio da ponte Vasco da Gama não era uma Parceria Público-Privado.

    Quando os seus amigos andavam a brincar com o fogo no BPN, Cavaco Silva ficou calado. Quando o caso rebentou, ficou em silêncio. Quando o seu ex-ministro Dias Loureiro mentiu ao Parlamento veio em sua defesa para o tentar segurar no Conselho de Estado. Quando o BPN foi nacionalizado, deixando de fora a SLN, concordou e calou-se.

    Quando resolve falar Cavaco Silva? Agora.

Para criticar quem afundou o BPN num buraco de pelo menos cinco milhões de euros? Não.

Para assumir que Dias Loureiro e Oliveira e Costa tiveram um comportamento vergonhoso? Não.

O Presidente abre a boca pela primeira vez sobre o caso BPN para atacar quem, mal ou bem, recebeu o presente envenenado.

    Cavaco Silva não consegue disfarçar a sua dificuldade em falar sobre este caso de mãos livres. O descaramento desta acusação - que demonstra também a sua irresponsabilidade institucional - prova que não é, nesta matéria, um homem livre. Um dia saberemos porquê.



Publicado por Xa2 às 10:08 de 06.01.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Izanagi a 6 de Janeiro de 2011 às 11:41

FAZ O QUE EU DIGO NÂO FAÇAS O QUE EU FAÇO.
Daniel Olievira pode ter toda a razão do mundo ao atacar Cavaco pelo seu silêncio quando os seus amigos andavam a brincar com o fogo, mas é extremamente injusto quando mantém silêncio sobre o silêncio do seu candidato Manuel Alegre, deputado na altura, num Parlamento de maioria PS, e o seu amigo, Victor Constâncio andava igualmente a brincar com o fogo na fiscalização do BPN .
Não se ouviu uma palavra de Manuel Alegre a criticar a gestão fraudulenta do BPN .
Curiosamente também não ouvi nem li qualquer palavra de recriminação á gestão do BPN da autoria de Daniel Oliveira. Será que na altura era conivente?


De Uns escolhidos outros marginalizados a 7 de Janeiro de 2011 às 15:45
O "amigo" eu não percebi se você é contra a divulgação desta falcatruas (pelo menos parece) ou se é contra o facto da sua divulgação, normalmente serem tendenciosas?
Pelo que aqui escreve parece querer defender Cavaco e atacar o Alegre, você é um neoliberal cavaquista ou um, marginalizado, socialista?



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