Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

O chamado caso BPN é um exemplo lapidar de, como aqui escrevi em Dezembro de 2008, como a realidade ultrapassa a ficção. Passados mais de dois anos, tenho algumas certezas, e muitas, muitas interrogações. Quem são os 390, número referido na comunicação social, accionistas do BPN e/ou da Sociedade Lusa de Negócios (SLN)? O Banco de Portugal (BP) afirmava ter dificuldades em os conhecer (???). E hoje, qual é a situação?

O BP revelava, no final de 2008, ter seis processos abertos e admitia, só nessa altura (?!), que as irregularidades remontavam ao ano 2002. A que conclusões chegou entretanto? De quem foi a responsabilidade por não ter fiscalizado em condições? Ou a culpa, para variar, vai morrer solteira?

O Governo decidiu intervir. Fê-lo de forma precipitada e não salvaguardando o interesse público. No concreto, sem proceder à nacionalização, como se impunha, de todos os bens do grupo SLN. Porquê? Para proteger os respectivos accionistas e o património da sociedade proprietária do BPN? Para nacionalizar os prejuízos, deixando de fora os lucros dos mesmos do costume? Ao fazê-lo, o Governo desconhecia que estava a aumentar a dívida pública?

O que deveria ter sido nacionalizado? Apenas o Banco ou todo o Grupo económico? Ficamos à espera de explicações também neste aspecto. Em Espanha, num passado não muito longínquo e numa situação com contornos algo semelhantes, o Estado nacionalizou todo um grupo e mandou a beautiful people para a prisão. Privatizou os cacos rapidamente e arcou com os prejuízos sem delongas. E era um governo socialista, se bem me recordo. Mas España es diferente. E, de facto, é.

Governo, Presidente da República e Banco de Portugal ignoravam a existência de um buraco financeiro no banco? E a sua dimensão? Foram injectados até hoje, recorde-se, 4,8 mil milhões de euros. Ou quase 5 por cento do PIB de Portugal! Tudo isto num banco que, segundo se noticia, tem depósitos no valor de três mil milhões de euros. E se pretende privatizar por um estranho valor mínimo de 180 milhões!

Que novos "sacrifícios" vão ser pedidos?

E que operação está em marcha com a criação de três empresas, Parvalorem, Parparticipações e Parups? São de capitais públicos? Estamos perante mais uma manobra de engenharia financeira que os contribuintes vão ter de pagar mais à frente?

Quando dará o governo resposta a estas questões?

António Vilarigues [Público]



Publicado por Izanagi às 15:20 | link do post | comentar

1 comentário:
De Cecilianos e cavaquistas a 10 de Janeiro de 2011 às 17:04
Interrogações muito incomodas e que, como sempre, irão ficar sem qualquer resposta. Quem quer apostar?
Alias, acrescento que ninguém será condenado, tal & qual como tem sucedido em outros casos corruptos onde se diz (nunca nenhum foi confirmado, nem o de Oeiras visto que o senhor continua numa liberdade total, ainda há quem divude que em Portugal não existe igualdade) que estão metidos politicos de todos os quadrantes partidarios.
Será que corrupção já faz parte da nosssa cultura com tal enrraizamento que já envergonha os cecilianos?


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