A tribo que impõe sacrifícios e fica com os benefícios
[Paulo Querido, http://networkedblogs.com/cvhmM, 04-01-2011]
Eu não quero ter um presidente que quer os sacrifícios repartidos “por todos, sem excepções ou privilégios“. Prefiro um que me diga, com a mesma clareza, que quer os benefícios repartidos por todos, sem exceções nem privilégios.

Irrita-me a ideia, predominante na classe que detém o megafone da opinião, de que a crise deve ser paga pelos estratos sócio-económicos mais deprimidos da população e pelos funcionários públicos.

 

Como se as classes baixas e os funcionários do Estado tivessem sido os beneficiados do sub-prime, da má gestão das carteiras de créditos, das inantes políticas económicas públicas ao longo de um século por executivos multi-coloridos (não é que não tenhamos tentado todas as soluções oferecidas no catálogo do voto), ou tivessem repartido o bolo dos assaltos ao BPN e dos desfalques noutras instituições financeiras. E portanto agora têm de repor. 'Bullshit'.

Tenho passado a pré-campanha distante. Mas a mensagem de ano novo do Presidente da República irritou-me. Cavaco representa uma tribo que não é a minha. A tribo que nacionaliza o prejuízo e privatiza o lucro. Que reparte os sacrifícios e avoca os benefícios. (Ou, mais ao estilo de Cavaco, cala-se e consente que eles sejam avocados.)

Nota: declarei o meu apoio ao candidato Manuel Alegre. O meu envolvimento nestas presidenciais pouco passa daí. Não pelas mesmas razões que a maioria dos portugueses, que acham enfadonhos os discursos dos candidatos, quando não mesmo desnecessário (!) o plebiscito que reconduzirá (?) Cavaco Silva no cargo para um segundo — e, boas notícias!, último — mandato. Mas porque o muito trabalho que felizmente tenho tido me deixa menos tempo de ócio.


Publicado por Xa2 às 07:07 de 11.01.11 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Izanagi a 13 de Janeiro de 2011 às 11:38
Não entendo como se podem fazer afirmações com a que faz o autor do post, quando diz:" Cavaco representa uma tribo que não é a minha. A tribo que nacionaliza o prejuízo e privatiza o lucro."
Quem recentemente nacionalizou prejuízos e manteve os lucros privatizados foi o governo PS, com a anuência dos deputados do PS na Assembleia da República, Assembleia onde estava sentado Manuel Alegre.
Onde está a coerência?
E o governo do país depende dos votos destas pessoas. Não é por acaso que Portugal está na situação em que se encontra.


De Cidadão a 12 de Janeiro de 2011 às 10:33
De : Razão Felicidade vs Engano - a 12.01.2011

Cá por mim... concordo com
« Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.»
mas penso de modo diferente, relativamente à conclusão:

Se não fiz algo bem e isso afectou outros acho que devo dar uma justificação/pedido de desculpa mas muito curta e simples (sem floreados ou estórias paralelas pretensamente justificadoras/ desculpadoras e não insistir mais no assunto, assumindo a responsabilidade e eventuais consequências,- embora também espere a compreensão dos meus pares especialmente se são Amigos).

Quanto ao resto...
como NÂO pertenço à «TRIBO da DIREITA», a dos lucradores com a crise e sacadores do erário público/ contribuintes ...
só posso apoiar as posições e candidatos de «esquerda e centro-esquerda»,
... apesar de reconhecer que muitas vezes o PS/governo me tem maltratado ...
também reconheço que a Direita no poder é ainda pior...
e que a «actuação deste PS/Governo» não se deve confundir com «Políticas de Esquerda»,
nem com o Socialismo(pt)/ SocialDemocracia(ue).

Concluindo: vou VOTAR, mas não no sr. Silva.


De Zé T. a 11 de Janeiro de 2011 às 10:43

-- Seja cidadão pleno: VOTE .

-- Defenda a Democracia e da Liberdade: VOTE .

-- Seja coerente com a sua comunidade e grupo sócio-económico: VOTE esquerda e centro-esquerda.

-- VOTE num destes candidatos :
.. Francisco Lopes .. ; .. Manuel Alegre .. ; .. A. Nobre ..

-- Não fique em casa, não se abstenha, não vote branco ou nulo.

-- Não VOTE nos representantes dos interesses de Direita, naqueles que criaram a Crise, ficam com os Lucros e obrigam o Estado/ contribuintes/ trabalhadores a pagar os Custos e a tapar os 'buracos'.

--------------------
O esmoler

(por Miguel Cardina, Arrastão)

O candidato presidencial Cavaco Silva foi hoje abordado por uma mulher que se queixou de não ter dinheiro para alimentar o filho, a quem recomendou que procurasse "uma instituição de solidariedade que NÃO SEJA do ESTADO ".

Quando a situação é de socorro qualquer extintor é importante, da AMI à Linha Nacional de Emergência Social (da Segurança Social, curiosamente).
Mas é reveladora esta forma de olhar o Estado como uma entidade que no fundo não serve para cuidar dos reais e pungentes problemas das pessoas.

O Estado, para Cavaco, é uma "pessoa de mal", um empecilho, uma gordura social que é preciso ir removendo.
E o combate contra a pobreza resume-se à lógica do extintor, fundamental mas redutora.
Um presidente que não consegue perceber a relação do fenómeno da pobreza com a necessidade de mais e melhores políticas de inclusão social é um presidente que não serve.

E uma sociedade como a nossa - com uma forte incidência de baixos salários, com uma taxa de desemprego a crescer, com uma gritante desigualdade de rendimentos - não ficará melhor com a sua eleição.

Do que precisamos é de alguém que não tenha medo de defender o papel do Estado na promoção de políticas de igualdade e de solidariedade; não de um esmoler de vistas curtas.

(Publicado também no Alegro Pianissimo)


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO