5 comentários:
De Izanagi a 13 de Janeiro de 2011 às 11:23
ASSALTO

- Alô? Quem tá falando?
- Aqui é o ladrão.
- Desculpe, a telefonista deve ter-se enganado, eu não queria falar com o dono do banco. Tem algum funcionário aí?
- Não, os funcionários tá tudo refém.
- Ah, eu entendo. Afinal, eles trabalham catorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram emprego, né? Vida difícil... Mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?
- Impossível. Eles tá tudo amordaçado.
- Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pró olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?
- Claro que não mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar o assalto!
- Bom... Sabe o que é? Eu tenho uma conta...
- Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero!
- Não, isso eu já sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.
- Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou outra um sequestro...
Pra saber de juro é melhor tu ligá pra Brasília.
- Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia... Mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.
- Tá pensando que eu tô brincando? Isto é um assalto!
- Longe de mim pensar que o senhor está na brincadeira! Que é um assalto eu sei perfeitamente; ninguém no mundo cobra os juros que cobram no Brasil. Mas queria saber o número preciso: seis por cento, sete por cento?
- Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?
- Ah, já tava esperando. Você vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?
- Não... Já falei... Eu sou... Peraí bacana... Hoje eu tô bonzinho e vou quebrar teu galho.

(... um minuto depois)

- Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.
- Puxa, que incrível !
- Incríve por quê? Tu achava que era menos?
- Não, achava que era mais ou menos isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, eu consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço pelo telefone, em menos de meia hora, e sem ouvir 'Pour Elise'.
- Quer saber? Fui com a tua cara. Acabei de dar umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?
- Não acredito! E eu não ter que comprar nenhum produto do banco?
- Nadica de nada, já tá tudo acertado!
- Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado desta...

(de repente, ouvem-se tiros e gritos)

- Ih, sujou! Puliça!
- Polícia? Que polícia? Alô? Alô?

(sinal de ocupado...)

- Droga! Maldito Estado: quando o negócio começa a funcionar, entra o Governo e estraga tudo!

Luís Fernando Veríssimo
( humorista brasileiro )

Se alterarmos "cadeia" por outro lugar (deixo à imaginação dos leitores) podia perfeitamente ser em Portugal


De Visitante a 13 de Janeiro de 2011 às 18:15
Gostei do texto «Assalto».

Mas quanto à cara do candidato farsante já estou mais que farto de o ver aqui 'postado'.

JL, DD, Zurc e Zé Pessoa façam-me o favor de evitar colocar mais imagens de Cavaco neste blog !


De Autismo - O menino de ouro do PS a 13 de Janeiro de 2011 às 09:50
Parece que Dias Loureiro não tem como amigo apenas Cavaco Silva.Também tem muitos amigos no PS, que não só Jorge Coelho, ou o seu compadre Ferro Rodrigues. Para aqueles que têm memória curta, convém lembrar uma notícia publicada no Expresso em Junho de 2008:
Biografia de José Sócrates
Dias Loureiro apadrinha "o menino de ouro do PS"

Manuel Dias Loureiro, ex-dirigente do PSD e ex-ministro de Cavaco Silva, aceitou estar ao lado do socialista António Vitorino para apresentarem a biografia autorizada do primeiro-ministro José Sócrates. "O menino de ouro do PS", de autoria da jornalista Eduarda Maio, será lançado na próxima segunda-feira, num hotel de Lisboa.
"Achei o convite interessante e aceitei, mas ainda não sei o que vou dizer", afirmou Dias loureiro ao Expresso recusando ver na sua presença no evento qualquer significado político. Dias loureiro, que apoiou a anterior liderança de Marques Mendes no PSD e se distanciou claramente da de Luís Filipe Menezes, optou por não tomar partido nas últimas directas, e não esteve presente do Congresso que no passado fim-de-semana entronizou Manuela Ferreira Leite como líder do seu partido.
Numa altura em que alguns defendem a necessidade de um 'Bloco Central' para governanr o país - solução rejeitada pela líder social democrata -, a parceria de Dias Loureiro com António Vitorino está a causar mau estar em alguns sectores do PSD.


De Izanagi a 13 de Janeiro de 2011 às 11:17
Nem quero acreditar, mas já não ficaria surpreendido, que seja por este tipo de "amizades" que desconhecemos quase tudo o que se passa no BCP, com excepção de que cada português terá que desembolsar cerca de €500 para o BCP. Como há metade que não paga nada, cabe aos que pagam cerca de €1000. Eu sou dos otários.
Mas Dias Loureiro e Oliveira e Costa não eram os únicos accionistas do BPN. Porquê este silêncio á volta dos outros?


De Izanagi a 13 de Janeiro de 2011 às 11:20
rectificação : onde se lê BCP deve ler-se BPN, se bem que também, deveríamos( nós cidadãos) estar melhor esclarecidos sobre o BCP. Acredito que para o BCP não desembolsamos tanto.


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