Homens

 Vítor Alves : morreu-nos um Herói !  (por  A.G.)

    Um Capitão de Abril, o "diplomata" dizem.  Era mesmo: convivi de perto com Vítor Alves, quando eu trabalhava em Belém com o Presidente Eanes e ele vinha lá quase todos os dias, tirando aqueles em que viajava pelo mundo inteiro a preparar Dezes de Junho e eu sei lá quê mais que o Presidente lhe dava como encargo. 
    Entrava-me pelo gabinete dentro jovial, atento, aqueles olhos brilhantes e vivos a querer trocar impressões rápidas e sôfregas, a tomar aceleradamente a temperatura do MNE, de S. Bento, de Belém, do país, e a dar noticias das suas andanças. "Atão como vai a menina?" atirava sempre para preparos, super-simpático. Riamos muito, nós na Assessoria Diplomática e o nosso imparável e impagável Major Vitor Alves.
     Traz-me à memória tantos episódios divertidos, recordações tão boas! Eram tempos dificeis, duros, mas aureos na recuperação da imagem e da auto-estima do país, no ensaiar das nossas capacidades de projecção de Portugal no exterior, com orgulho e eficácia na defesa dos interesses da nossa jovem Democracia.
    Impossível não evocar também outro especialissimo Capitão de Abril já desaparecido e com quem também conviviamos diariamente em Belém, na presidência de Ramalho Eanes: Ernesto Melo Antunes
    Melo Antunes e Vitor Alves - dois Heróis inesquecíveis, a quem devemos muito mais do que a tolerância e a Democracia que o 25 de Abril que fizeram nos abriu: devolveram a Portugal a dignidade perdida. Morreram probos e distantes das ingratidões.

 

 

    O (ex-)Presidente Ramalho Eanes disse que recusou comprar a “preços especiais” acções de bancos que o queriam como accionista para credibilizar as suas imagens.  Explicou tudo. Tudo o que o separa de Cavaco Silva (apesar de ser seu apoiante). 
    Tudo o que me faz gostar muito dele e continuar cada vez mais a admirá-lo, para além de algumas (poucas) discordâncias, como essa de apoiar Cavaco – não gosto, mas até compreendo, tendo nós vivido o que vivemos no seu tempo em Belém. 
    Ora aqui está um Homem honrado, impoluto, escrupuloso ao ponto de ter recusado um milhão de euros de indemnização do Estado por ter sido miseravelmente discriminado durante décadas.
    Um Homem não tem de apregoar que é sério, para o ser e ser reconhecido como tal.


Publicado por Xa2 às 07:07 de 14.01.11 | link do post | comentar |

4 comentários:
De .Raíz do Pensamento: ALERTA. a 18 de Janeiro de 2011 às 09:49

Não há machado que corte a raiz ao pensamento

Recebi este e-mail de pessoa amiga. Para mim é da maior oportunidade divulgá-lo, pelo
ALERTA que faz para que se fale de temas marcantes da nossa História.
Alerta ainda para o facto da nossa comunicação social andar longe de temas importantes da sociedade portuguesa e antes se debruçar sobre temas marginais.

O momento eleitoral e a forma como os candidatos são questionados, já sem referir como são tratados pela comunicação, alguns pura e simplesmente olhados e tratados com desdém, como José Manuel Coelho, são a prova da grande marginalidade dos problemas tratados.

Aqui registo então o conteúdo do e-mail.
««
As poucas falas, os parcos conteúdos transmitidos e o quase inexistente tempo de antena dados à matéria noticiosa sobre o Coronel Vitor Alves, no dia 9 de Janeiro, revela-nos que
o pretenso serviço público de comunicação social privilegia a especulação de factos conjunturais, explorando níveis de criminalidade, até à exaustação,
em detrimento de factos estruturantes, nomeadamente, os ligados à Revolução de Abril, à conquista dos direitos humanos para todos, às lutas pela liberdade e à defesa da Constituição da
República Portuguesa.

A televisão é um fórum poderosíssimo de actuação simbólica, de intervenção no espaço público e de formação de opinião, não esquecendo a rádio e a imprensa escrita.

Entre a homenagem a Vitor Alves, um dos protagonistas da consolidação dos valores da mudança da sociedade portuguesa,
e o crime de Nova Iorque, os órgãos de comunicação social preteriram a primeira matéria noticiosa e destacaram a segunda (com horas !! diárias em telejornal e 'primetime'!!), considerando o crime como a informação necessária e útil à vida colectiva portuguesa.

Tal destaque é mais um exemplo das opções editoriais do pretenso serviço público de comunicação social.
Não há neutralidade na escolha.
O silêncio tem valor de mensagem.
E, a mensagem transmitida foi e é apagar a história dos protagonistas de Abril e de todos aqueles que estiveram e estão ligados à defesa dos seus ideais expressos na Constituição da República Portuguesa.

Nesse dia, esperava “ouver”, como diz o José Duarte (dos 5 minutos de Jazz), ouvir como quem escuta e olhar como quem vê, um material noticioso de homenagem ao Capitão, Major em Abril, Vitor Alves. Nada disso aconteceu.

Certamente, não foi por falta de material em arquivo existente na RTP sobre Vítor Alves. Decerto, não foi pela falta de jornalistas competentes que a RTP tem nos seus quadros. Não foi por falta de informação sobre o contributo que deu à sociedade portuguesa ao longo da sua vida.

Foi a escolha dos editores, que devem ser responsabilizados, que levou a que o Coronel Vitor Alves, militar de Abril, como tantos outros, tenha sido menosprezado pelos órgãos públicos de comunicação social.

Compartilho dos ideais a que a vida de Vitor Alves esteve ligado e deixo registada a minha indignação e protesto.

13 Janeiro de 2011
Conceição Lopes
Membro da Civitas Aveiro. Cidadãos do Mundo. Associação 25 de Abril
»»
# posted by Joao Abel de Freitas , PuxaPalavra


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 15 de Janeiro de 2011 às 13:52
Fosses tu o Carlos Castro e já aqui tinhas uma data de comentários...


De .''Jornalismo'' e 'socialite' de mer... a 18 de Janeiro de 2011 às 15:53
NAUSEAS

Na mesma semana em que foi assassinado um cronista social faleceu um capitão de Abril,
ao primeiro a comunicação social dedica horas, ao segundo dedicou minutos,
para o primeiro são ouvidas dezenas de “personalidades”,
do segundo nada se diz,
do primeiro até temos de saber por onde vão ser distribuídas as> cinzas,
do segundo soube-se que o corpo esteve algures em câmara ardente,
do primeiro traça-se um perfil de grande lutador pelas liberdades,
do segundo> pouco mais se diz que era um oficial na reserva.

> A forma como a comunicação social tem tratado o homicídio de um mero> cronista social tem sido, no mínimo abusiva, são jornalistas, astrólogos, parapsicólogos e uma verdadeira procissão de personagens de um jet set rasca> e no meio usa-se e abusa-se das imagens onde se vê o cronista a entregar um> ramo de flores a Maria Barroso, imagens que já vi serem repetidas quase uma> dúzia de vezes.

> A forma trágica como terminou aquilo que o cronista descreveu aos amigos que> iria ser uma lua de mel é apresentada por astrólogas, parapsicólogos e> outros especialistas deste ramo como uma bela história de amor, um misto de> um episódio do Morangos com Açúcar com o Romeu e Julieta.
Chegamos ao> ridículo de ver as astrólogas e parapsicólogos a tentarem demonstrar a culpa> do jovem homicida exibindo e-mails e insinuando que este teria conquistado> com palavras o distraído apaixonado, dando a entender que como noutro tempos> que o enganou.

> E anda este país com problemas gravíssimos distraído com um episódio sórdido> da lumpen-burguesia deste nosso jet set miserável, como uma pequena seita de> sente que se auto-elege como bonita vive de pequenos luxos obtidos à custa> de papalvos, um meio onde se promovem personagens patéticas e decadentes a> grandes figuras nacionais, onde autarcas financiam discotecas de astrólogas> ou ajeitam as contas de idiotas convidando-os para reis do Carnaval.

> Todo este espectáculo mórbido que só serviu para os portugueses saberem um> pouco mais sobre se fazem e desfazem as paixões conseguidas com trocas de> favores começa a provocar-me náusea,
já me custa assistir a um telejornal ou> abrir as páginas dos jornais,
enoja-me que estes jornalistas me queiram> fazer pensar que os grandes problemas do país é como acabam as paixões dos> nossos socialites,
os sítios que querem poluir com as suas cinzas, ou os sms> que trocaram com os seus engates.

> Lá que insistam em dizer que crónica social é saber com quem namora uma> qualquer Lili decrépita e decadente é uma coisa, agora que a sociedade> portuguesa é o pequeno mundo dessa pobre gente é outra coisa.

O país tem> muito mais com que se preocupar com os engates de modelos, com as trocas de> sms, com paixões à primeira vista entre jornalistas de 65 anos e modelos de> 20.

Chega, começo a sentir náuseas.

> In O Jumento


De Portugal à mercê de Mídia de merd.... a 18 de Janeiro de 2011 às 17:43
Portugal e os cidadãos de primeira

(-por António de Sousa Duarte *)12.01.2011

As mortes de Vítor Alves, capitão de Abril, e do cronista cor-de-rosa Carlos Castro mostram algumas evidências sobre o país

Separadas por escassas horas, as mortes do coronel Vítor Alves, "capitão de Abril", e do cronista "cor-de-rosa" Carlos Castro tiveram o condão de fazer notar uma vez mais algumas evidências sobre Portugal e os portugueses que nunca será de mais destacar. Na verdade, mesmo admitindo as macabras circunstâncias em que Castro foi assassinado e os requintes de malvadez de que foi aparentemente vítima, não parece normal que tal facto tenha merecido tão esmagadoramente maior espaço mediático do que
o desaparecimento de um dos principais símbolos da Revolução do 25 de Abril de 1974 e destacado operacional da construção do processo democrático.

Vítor Alves faleceu domingo, cerca de 36 horas depois da morte, em Nova Iorque, de um colunista social conhecido por se dedicar há décadas a analisar os factos da actualidade "cor-de-rosa" nacional.

Considerado em muitas das biografias espontâneas que dele nos últimos dias chegaram ao nosso conhecimento como "um cidadão de primeira", Vítor Alves foi um homem probo, sério, rigoroso, sensível que contribuiu de forma decisiva - antes e depois do dia 25 de Abril de 74 - para o actual regime democrático em Portugal.
Vítor Alves, que integrou, com Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, a comissão coordenadora e executiva do MFA (Movimento das Forças Armadas), foi o autor do primeiro comunicado dirigido à população no dia 25 de Abril e o militar que foi o porta-voz do Movimento.
Mas as exéquias mediáticas de Vítor Alves foram curtas, muito curtas, se levarmos em conta a importância do seu legado e o impacte informativo que outros factos da actualidade suscitaram
e de que é exemplo, sublinho, a vaga noticiosa relativa à morte de Carlos Castro.

O país trocou "um cidadão de primeira" por uma "história de segunda", mas o desiderato é positivo:
chancela-se a morte do militar, político, ministro e conselheiro da Revolução em rodapés a correr e baixos de página e atribuem-se honras de Estado...

mediático ao assassinato do cronista (não cronista social como alguns lhe chamam, como se Carlos Castro e Fernão Lopes fossem páginas do mesmo livro...) e às incidências macrotrágicas em que foi encontrado o seu corpo após alegada tortura, castração e assassinato.

Mas a responsabilidade de todo este "estado a que - de novo e citando Salgueiro Maia - chegámos" não é do povo.
Porque não é o povo que edita jornais, blocos noticiosos, telejornais ou sites.
Nem é o povo o responsável por Marcelo Rebelo de Sousa ter dedicado ontem, no Jornal da TVI, mais tempo de antena à morte de Carlos Castro do que ao desaparecimento de Vítor Alves.

(*Ex-jornalista, consultor de comunicação, doutorando em Ciência Política)


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