Bairros Sociais e sua fractura

As bancas de droga não se fixam ao acaso, fixa-se por várias razões estruturais.

Um dos aspectos terá a ver com a recruta de mão-de-obra, nada mais fácil, encontrar nos Bairros Sociais, pessoas que não conseguem entrar no mercado de trabalho, nem tem grandes expectativas de lá entrar.

Depois para muitos dos nossos jovens, consideram a escola como um destino que abre para parte nenhuma.

Os bairros sociais continuam a ser sítios de margem, a manter um certo aspecto de fortificações onde é mais fácil desenvolver este tipo de actividades.

Com a crise a bater à porta, com a perda económica das famílias, algumas pessoas não olham a meios e lançam mãos as economias paralelas.

O tráfico instala-se nos bairros sociais, em primeiro lugar, porque há uma clientela disposta a comprar, depois em segundo lugar, os mercados ilícitos necessitam de quem opere ao nível da rua sem grande medo da polícia, com mecanismos de protecção perante as invasões, em terceiro faz-se normalmente em terrenos urbanos de mais difícil acesso.

 E então a polícia vai aos bairros sociais? Sim, vai, muitos bairros até têm esquadras, com 41 efectivos, mas de nada vale e como brincar ao jogo do rato e do gato.

Como se resolve o problema do tráfico? Possivelmente como é que se resolver a divida do país? Possivelmente como é que se resolve os problemas dos fechos das fábricas em Portugal? Possivelmente como é que se resolve o problema do desemprego em Portugal?

Texto de opinião de João Carlos B. Antunes também publicado em AMBCVLumiar blog 



Publicado por Gonçalo às 14:20 de 18.01.11 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 18 de Janeiro de 2011 às 17:47
O problema ter dívidas, não está apenas em si mesmo.
O problema em pagar uma dívida fazendo outra dívida a juros superiores àquela que se está a pagar, é que é errado.
Quando não se tem para pagar, negoceia-se o pagamento (ou fica-se a dever).
Agora pagar dívidas fazendo empréstimos em que a dívida fica maior do que antes de se pagar, é que é duma irresponsabilidade total. Esperemos que quem assim «enterra» o País, não fique impune.


De Zé Pessoa a 18 de Janeiro de 2011 às 17:32
Já, por mais de uma vez, algures escrevi que, atribuir casa é importante para o abrigo das famílias mas, se os poderes públicos se focam por isso (a avaliar pelas situações até isso tem sido uma completa irresponsabilidade) é muito pouco.
Tem faltado todo um acompanhamento para uma verdadeira integração social e para a aquisição de autonomias económicas
Tem faltado, em paralelo com o referido, politicas de responsabilização por parte dos "realojados" quer quanto à educação das crianças, dos próprios adultos e quanto à harmonia familiar e de vizinhança.
o que tem fervilhado é uma panóplia de associações de apoie social que se alimentam e alimenta de paliativos sem resultados de isenção social conforme o titulo do próprio subsidio indica.
Alias, esse mesmo subsidio contraria o que deveria ser uma cultura de responsabilização e em vez de subsídios deveriam ser criados postos de trabalho ao nível do ambiente, salubridade e higiene.
Em toda a Lisboa um cidadão residente ou visitante não consegue encontrar aberto um sanitário publico que seja. Um paradoxo, só para português e turista ver.
Não seria muito mais digno tratar de jardins, varrer umas ruas ou vigiar um sanitário que ser traficante de drogas ou parasita de subsidio?


De Zé T. a 18 de Janeiro de 2011 às 14:43
Boa análise. Os problemas sociais e económicos estão ligados.


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