Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

A boa moeda  (-por Daniel Oliveira, 17.01.2011)

Para apelar ao votos dos jovens, Cavaco Silva deixou frase enigmática:
"Pensem bem o que significa alhear, deixar àqueles que são mais medíocres, àqueles que têm menos conhecimentos e capacidades, aqueles que são menos sérios, o poder de decisão".

Sabemos que o Presidente não tem uma relação fácil com verbo - os exercícios interpretativos das incompreensíveis declarações públicas do Presidente são já um clássico da política portuguesa -, mas seria bom perceber qual é a ideia.
- Que os mais velhos são medíocres? Espero que não.
- Que quem costuma votar é pior do que quem não vota? Seria estranho.
- Que os mais velhos tendem a escolher gente menos capaz? Improvável.
Talvez o candidato queira dizer, na sua língua de trapos, que é necessário ir votar nele para impedir que se escolham medíocres, desonestos, incapazes e ignorantes.

Feita a mais benigna das interpretações, o que Cavaco Silva deixa nesta frase é o que deixou em toda a campanha e, diga-se em abono da verdade, durante quase toda a sua carreira política:
a arrogância como programa político.
Já foi assim nos debates com quase todos os candidatos, assim continua.

O que se tira desta declaração é que o que divide Cavaco Silva dos restantes oponentes são as qualidade pessoais de cada um. E qualidades de carácter.
Segundo o Presidente, que sempre teve de si próprio uma opinião que se aproxima perigosamente da megalomania, os seus opositores são mais medíocres, menos conhecedores e capazes, e, veja-se bem, menos sérios do que ele.
O discurso de Cavaco sempre se resumiu a isto mesmo: ele é a boa moeda.
E fala assim o homem que teve, até há uns meses, Dias Loureiro como um dos seus principais homens de confiança.

Cavaco tem de se decidir.
Ou quer falar dos problemas do País, e abandona de uma vez por todas o elogio quase delirante às suas qualidades pessoais, concentrando-se nas alternativas políticas que se apresentam nestas eleições,
ou mantém esta estratégia e temos todo o direito a escrutinar se o que diz sobre si próprio é comprovável.

Ou os seus traços de carácter não são relevantes nestas eleições e ele não se compara nesse domínio aos restantes candidatos, ou eles são fundamentais para o nosso voto e esse é um tema desta campanha.

Se são um tema, digo sem rodeios:

NÃO CONFIO na seriedade de Cavaco Silva.
Não confiava quando o seu governo se enterrava em escândalos de corrupção, quando Dias Loureiro era ministro e Oliveira Costa era secretário de Estado e
quando os dinheiros europeus serviam para engordar patos bravos.

NÂO CONFIO quando fica evidente que continuou, durante anos, a fazer negócios com a quadrilha do BPN.

NÃO CONFIO nas capacidades políticas de Cavaco Silva.
Não confiava quando escolheu, numa das maiores oportunidades que Portugal já teve, o modelo de desenvolvimento que nos levou à ruína e quando tratava da contestação de estudantes, de trabalhadores, de utentes da ponte 25 de abril ou de forças de segurança à bastonada.

NÂO CONFIO quando o vejo embrenhar-se numa novela como a das escutas ou deixa que o País seja insultado pelo chefe de Estado checo, ao seu lado, sem abrir sequer a boca.
Não confiava nem confio nos conhecimentos de Cavaco Silva sempre que demonstrou e continua a demonstrar a sua inquietante iliteracia e a sua perturbante falta de Mundo.

Estarei a ser insultuoso para o nosso Presidente? Não mais do que Cavaco Silva foi ao referir-se aos seus opositores. É que já cansa tanta pesporrência.



Publicado por Xa2 às 00:07 | link do post | comentar

3 comentários:
De AG, 11.1.2011 a 19 de Janeiro de 2011 às 09:54

Campanha eleitoral: do BPN ao FMI

Na rúbrica CONSELHO SUPERIOR da ANTENA UM esta manhã sublinhei
o meu grande apreço pelo gesto patriótico de José Mourinho ao declarar-se ontem "um orgulhoso português" (e por falar em PORTUGUÊS naquele forum internacional).

Falei também do BPN -
a) do que o Governo ainda não explicou - porque é que só se nacionalizaram os prejuízos, sem os activos da SLN
e
b) do que o Presidente da República/Candidato ainda tem a explicar para não ficar a sensação de que se prestou a credibilizar o BPN quando a gestão Oliveira e Costa já começava a ser posta em causa em 2001;

ora o Prof. Cavaco Silva não era apenas em 2001 o "mísero professor" que atirou a Judite de Sousa na entrevista de ontem, mas sim um ex-Ministro das Finanças e um ex-Primeiro Ministro de Portugal, ou seja exactamente o tipo de clientes que, como bem explicou o Presidente Eanes, os Bancos gostam de exibir entre os accionistas...

E, claro, falei do FMI -
apoiei Manuel Alegre no apelo ao Presidente Cavaco Silva para intervir junto da Sra. Merkel, do Presidente Sarkosy e outros dirigentes europeus da sua familia política para que façam o há a fazer para ajudar Portugal a suster o ataque especulativo dos mercados, ataque que não visa apenas o nosso país, mas o Euro.
Terminei sublinhando que se o FMI acabar por vir, não será apenas por falhanço do Governo, mas também por falhanço do Presidente Cavaco Silva.


De Eu também não a 19 de Janeiro de 2011 às 10:08
Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és!

Quem acompanha e faz amizades com burlões, ladrões e outros trapalhões, seja na politica ou na compra/venda de acções é porque abarcou iguais profissões.

Gente assim, não pode merecer o voto dos portugueses, a não ser que todos tivéssemos enlouquecido .


De Pensões Cavaco e companhia... a 19 de Janeiro de 2011 às 13:18
A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Depois de ter tornado público o estado de pobreza da sua esposa (recebe 800€ de pensão) e, ao contrário do que sucedeu noutros casos, o candidato decidiu apresentar provas públicas da situação de pobreza da primeira dama e convidou O Jumento para assistir ao momento em que Maria Cavaco Silva preenchia o formulário electrónico de solicitação do rendimento social de inserção.

O candidato informou-nos ainda que se vier a ser reeleito (cruzes canhoto!) vai dedicar um dos roteiros da pobreza aos seus familiares e amigos, espera-se que o Palácio de Belém, a Quinta da Coelha e a Praia dos Tomates sejam três pontos obrigatórios desse roteiro.
Só não confirmou se incluirá Cabo Verde no roteiro a fim de manifestar a sua solidariedade a um dos pobres mais simbólicos do cavaquismo, o seu amigo Dias Loureiro.

UMA SUGESTÃO A CAVACO
Que mostre a carreira contributiva, para todos percebermos, porque razão a coitada recebe apenas 800 euros de pensão.
Provavelmente Cavaco, que colecciona pensões, queria que fossem os outros portugueses a pagar uma pensão a quem não descontou.


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