Fábrica inovadora pede insolvência três anos depois

Inovação, investimento forte e um produto nacional de qualidade foram ingredientes que não resultaram para a fábrica da Atlanti.Co, unidade de tratamento e embalagem de peixe. Este projecto, vencedor de vários prémios, previa facturar 10 milhões de euros por ano. Isto foi em 2007. Agora o grupo acaba de avançar para a insolvência, com uma divida de 2,3 milhões de euros aos credores, salários em atraso e muitas dificuldades em perspectiva.

[...]

"Queremos ser uma marca de referência no sector", explicava então Manuel Castro, administrador, que agora admite o fracasso do actual modelo, numa altura em que já deu entrada o pedido de insolvência. Em 2007 a realidade era bem diferente e a embalagem e transformação de peixe fresco oriundo de aquacultura e da pesca no Atlântico "totalmente nacional" para comercialização em cuvetes, apresentava-se como a principal atracção do negócio. De filosofia inovadora, também pela vertente social de protecção das espécies, o projecto foi reconhecido e apoiado por alguns concursos nacionais, com destaque para a conquista do prémio BES Inovação 2005.

[...]

Paulo Julião [Diário de Notícias]

 

Esta notícia veio lembrar-me um antigo caso de «sucesso» de uma exploração agrícola no Alentejo, em que a iniciativa do empresário estrangeiro foi considerada «exemplo» para todos os outros agricultores portugueses. Teve honras e destaques nos jornais e até do então Primeiro Ministro Cavaco Silva. Poucos anos depois estava ao abandono e o excelso empresário desapareceu de Portugal... Mas aí já não apareceu nenhuma figura da política para mostrar o «exemplo» a não seguir pelos outros empresários portugueses...

Constata-se porém a precaridade e a vulnerabilidade dos prémios e distinções que se atribuiem, nomeadamente este do BES Inovação.
Neste triste e lamentável caso hoje referido da Atantic.Co seria interessante saber se o Estado Português subsidiou este projecto e, em caso disso quanto, como e em que condições.



Publicado por [FV] às 16:55 de 23.01.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De DD a 24 de Janeiro de 2011 às 16:18
O Sr. Soares do Pingo Doce/Jerónimo Martins disse que recebia pescada congelada do Chile vinda de avião a menos de 12 horas de ser pescada e a preços muito baratos.
O caso desta empresa deve ter tudo a ver com os senhores dos grandes supermercados que preferem importar do que comprar nacional.
Enquanfo o Lidl, Minipreços e outras lojas estrangeiras vendem tudo dos seus países, geralmente de péssima qualidade, mas baratos, as empresas nacionais só querem importar.
Para além disso, vivemos num Mundo de grande exploraç-ao do trabalho em que de fora vêm produtos produzidos por pessoas que ganham muito menos que os portugueses apesar de os nossos salários serem os mais baixos da Europa.
Atenção: Na Alemanha tem sido detectada dioxinas em muitos produtos alimentares de origem avícola e animal em geral por causa de rações feitas com óleos vegetais industriais muito baratos.
Não comprem salsichas alemãs e quaisquer produtos de carne, ovos, etc. nas lojas alemãs Lidl, Minipreço, etc..


De . Fim a Parcerias P-P e a PIN's !! . a 24 de Janeiro de 2011 às 12:27

Pois... mais um exemplo daquilo que se sabe:
« Lucros privados, Custos socializados »

e, talvez,:
«amiguismo e favorecimento de empresas de.... com dinheiros públicos, isenções fiscais e outras benesses (terrenos, urbanização, licenças, ...bonificações)»

com ou sem :
umas «''comissões'', '' % '' ou '' donativos '' para alguns bolsos de 'intermediários' ou de contas partidárias»

ou então uma ''simples acção 'naíf'' de intervenção/ participação político-administrativa'' (para político local e/ou nacional ganhar votos ou melhorar imagem) no domínio empresarial privado.

- Quando é que neste país se clarifica e separa o que é participação económica/ interesse público do interesse privado e empresarial (com seus custos, riscos e lucros) ?!


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