Ensino privado, dinheiro público

O Governo entende, e bem, que o Estado não deve financiar os colégios privados com contrato de associação (onde o ensino é, como nas escolas públicas, pago pelos contribuintes) com valores superiores àqueles com que financia as escolas públicas.

Mas os colégios querem mais, e, ontem, dirigentes de alguns deles, arrastando consigo pais e crianças (há notícia de casos em que as crianças que não foram a essa e a outras manifestações promovidas pelos colégios tiveram falta), depositaram caixões junto do ME, querendo com isso simbolizar a "morte" do ensino privado... por ter que viver com o mesmo com que vive o ensino público. É a "iniciativa privada" no seu melhor: sempre a clamar contra o Estado e, ao mesmo tempo, sempre a exigir subsídios e apoios.

Diz a ministra que o Estado não deve contribuir com dinheiro dos contribuintes para as piscinas, o golfe e a equitação de alguns colégios privados, e é difícil não lhe dar razão.

Mas talvez esta fosse boa altura para, finalmente, o ME ir mais fundo e apurar o destino que é dado em alguns desses colégios aos dinheiros públicos. Saber, por exemplo, se todas as verbas destinadas aos professores chegarão ao seu destino ou se, em certos casos, o Estado não andará a financiar, afrontando a Constituição, um ensino abusivamente selectivo e confessional, onde os professores têm, de novo só por exemplo, que "participar na oração da manhã na Capela".

Manuel António Pina [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 10:50 de 26.01.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Lobi p. Lucro Privado à custa do Estado a 27 de Janeiro de 2011 às 09:58
DESPERDÍCIO
[Publicado por Vital Moreira, CausaNossa]

«Maioria dos alunos das escolas privadas que sofrem cortes têm lugar no sitema público» - do Diário Económico.
Já se suspeitava disso há muito. A confirmação mostra que os "contratos de associação" eram quase sempre injustificados e que o pródigo subsídio público às escolas privadas era uma desperdício inaceitável de dinheiro público.


De DD a 26 de Janeiro de 2011 às 22:41
Em todos os colégios privados financiados pelo Estado com valores superiores ao que gasta por aluno no público, há ainda a propina paga pelos pais, o que torna os ditos colégios um excelente negócio para os proprietários.
Coisas como golfe, ténis, equitação, balet, etc. são geralmente pagas à parte pelos pais. É só meter ao bolso, é isso que sabe fazer a iniciativa privada aqui e em quase todos os países do mundo.


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