4 comentários:
De Países, SA ? ou S.A. q.são inimigas? a 4 de Fevereiro de 2011 às 18:08
"Os países não são grandes empresas a competir no mercado global"

Paul Krugman, (28 de Janeiro de 2011) no jornal I


"Os interesses das grandes empresas nominalmente americanas e os interesses do país nunca foram o mesmo, mas actualmente estão menos alinhados do que nunca"
...
Mas não será pelo menos útil pensar no nosso país como uma espécie de EUA SA, em competição no mercado global? Não.


Pensemos no seguinte: um administrador que aumente os lucros espremendo ao máximo a força de trabalho é considerado bem-sucedido. Foi mais ou menos o que aconteceu nos Estados Unidos ultimamente. O emprego está em mínimos históricos, mas os lucros batem novos recordes. Nesse caso, quem tem razões para pensar que se trata de um êxito económico?
...
A crise financeira de 2008 foi um momento cheio de ensinamentos, uma lição acerca do que pode correr mal quando confiamos na capacidade dos mercados de se auto-regularem. Também não devemos esquecer que algumas economias altamente reguladas, como a da Alemanha, conseguiram, muito melhor que nós, defender o emprego depois da crise. No entanto, por qualquer razão, este momento pedagógico passou sem que nada tivesse sido aprendido.
Obama, por si mesmo, até pode ter um bom desempenho: a sua taxa de aprovação está a subir, a economia dá sinais de vida e as suas probabilidades de reeleição parecem boas. No entanto a ideologia que produziu o desastre económico de 2008 está outra vez na mó de cima - e parece estar para ficar, até produzir um novo desastre."


# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra, 29.1.2011


De DD a 27 de Janeiro de 2011 às 21:11
O modelo em causa da direita chama-se também desinflação competitiva que é redução de salários ou não aumento dos mesmos, redução dos custos sociais e despesas do Estado de modo a tornar os bens produzidos nos diversos países mais null em termos de preço e mais vendáveis.
Só que isto acaba num círculo vicioso: menos dinheiro, menos consumo, menos lucros e concomitantemente revalorização null do euro. Sem emissão de moeda pelo BCE e compra de títulos do tesouro dos países endividados a juros baixos não haverá relançamento das economias e a redução da despesa estatal vai a par da recessão.
Claro que isto não significa que o contrário quantitativamente elevado é bom ou possível a longo prazo, isto é, o Estado aumentar continuamente a sua despesa com défices e dívida soberana. Com juros altos ou baixo, o endividamento não é uma solução política, há que encontrar a nível europeu um equilíbrio que permita aos Estados continuarem a executar as suas tarefas essenciais sem endividamento excessivo.
Em Portugal começa-se a verificar na Função Pública demissões em série. Todas pela falta de meios associada às reduções salariais, mas o Estado tem de cortar as despesas dos diversos departamentos de Estado entre 3 e 15% conforme a utilidade de cada um. Os hospitais devem gastar menos 3% e em teatros, apoios desportivos, institutos sem grande utilidade, etc., os cortes devem chegar aos 15%.
A duplicação de reformas e salários acabou, o Presidente da República viu os seus rendimentos sofrerem uma quebra de 41%. Dos 17 mil euros que recebia de salário e reformas passou a receber 10 mil apenas das reformas.


De EUROpatrões a 27 de Janeiro de 2011 às 14:48
Transferir custos...

Com as taxas de juro da dívida pública nestes níveis, a pergunta do economista francês Dominique Plihon
- "Será que é necessário reestruturar a dívida soberana europeia?"
- tem uma resposta cada vez mais clara:
"As economias europeias arriscam-se a cair numa recessão duradoura acompanhada por um crescimento do desemprego de massas.

Esta evolução inquietante será o resultado das políticas de austeridade orçamental adoptadas simultaneamente pelos governos da União Europeia para sossegar os mercados e travar a degradação das finanças públicas.
Esta futuro sombrio e estas políticas de austeridade são inaceitáveis.

É necessário libertar as economias do jugo da dívida e dos mercados. Isto implica reestruturar a curto prazo a dívida soberana, reduzir decisivamente o poder dos mercados e lançar as bases de uma outra Europa, solidária e ecológica" (minha tradução).

Isto passa também, como se sublinha no artigo, por um papel mais activo do BCE no financiamento dos défices e pela emissão de dívida europeia (as euro-obrigações).

-por João Rodrigues , Ladrões de Bicicletas
-----------------------------
Não deixa de ser curioso…

… que o Governador do Banco de Portugal diga lá fora o que cala cá dentro
- “a consolidação orçamental em alguns países pode amortecer a recuperação económica”
- contrariando (e bem) o seu chefe Trichet que no mesmo dia
“rejeitou a ideia de que a via da austeridade pode por fim à retoma” (aqui também).

Postado por José M. Castro Caldas


De Izanagi a 27 de Janeiro de 2011 às 16:22
A lógica dos mercados tem um funcionamento muito simples: eu tenho uma coisa para vender e há muita gente interessada na coisa ou mesmo pouco gente, mas muito dependente daquilo que tenho para vender. O que vai acontecer é que vou vender a quem oferecer o melhor preço. Mas imaginemos que aquilo que eu tenho para vender não tem propriamente uma grande procura, o que vai acontecer é que terei que vender a um preço equilibrado ou então incutir nos potenciais compradores que aquilo que tenho para vender é fundamental para a sua existência, criando com isso um aumentar da procura e consequentemente um preço mais alto. Em suma, eu vendedor, vou sempre tentar vender ao preço mais alto, independentemente dos argumentos que encontre para isso. Esse é o comportamento dos vendedores de dinheiro. Encontrarão sempre um pretexto, quer seja a estabilidade governativa, ou o reduzido crescimento económico, ou a degradação (?) demográfica, ou outro qualquer, para conseguirem o máximo de lucro com essa venda. Só se consegue combater essa especulação financeira, não precisando da mesma.



Comentar post