4 comentários:
De P'rá RUA pela Justiça e Democracia a 15 de Fevereiro de 2011 às 13:46

"À la calle!" (II) (Vamos à Rua ! P'rá Rua ! ) (imagem da 'revolução francesa)

Escrevi que estou a ser egípcio, cada vez mais cada dia que passa, como fui tunisino.
Deixei uma leve alusão a vir a ser europeu, o que se pode entender como estar a prever uma revolução europeia do mesmo tipo.
Claro que era figura de retórica, mas é bom deixar as coisas claras.
Que nem se pense que eu possa transpor simplisticamente para a nossa situação o que estamos a testemunhar, e espero que a testemunhar com generalizada alegria.
É verdade que os europeus da periferia vão sofrer uma espiral descendente de austeridade, dívida e défice, austeridade, etc.
Já estão zangados e cada vez mais estarão zangados.
Mas vão sair para a rua como os tunisinos e egípcios, possivelmente também os argelinos, jordanos e iemenitas?
Não me parece.

É facto que o processo histórico, lá nos seus meandros dialéticos (um físico falaria na teoria do caos, no efeito borboleta, nos fractais, etc., mas vem tudo a dar ao mesmo) nos prega enormes partidas, de surpresa.
As situações revolucionárias, muitas vezes, só se percebem com grande aproximação temporal. Quando me lembro de que, em 1970, eu em Angola, na guerra, me perguntava quando tudo aquilo acabaria, nem imaginava, nem ninguém, que estava a 4 anos do 25 de Abril. O que são quatro anos na escala de tempo da história?

No entanto, neste afundamento político, económico, geoestratégico (para quem gosta do conceito) da Europa milenar, 4 anos, sendo um segundo, podem ser fermento de grandes surpresas, numa perspetiva revolucionária.
Isto quer dizer uma possível continuidade com este atual processo revolucionário do norte de África?
Creio que não. Será outra coisa, ninguém sabe o quê.

O que se está a passar começa logo por ter uma base política radicalmente diferente.
Nós vivemos em democracia formal estabilizada, eles em ditaduras.
Quando a democracia como temos ainda é o grande referencial político, a bandeira de luta contra opressões por todo o mundo, a começar no próximo grande império, a China, parece-me inconcebível uma revolução para derrubar uma democracia.
Seria experiência contrasensual.

Na Tunísia ou no Egito, mesmo na Argélia ou na Jordânia, é quase certo que, seja o que for que vier como poder político, não será pior do que o atual, porque pior só seria o fundamentalismo muçulmano, com pouco poder político nesses países.
Pelo contrário, entre nós, a grande probabilidade de resultado de uma convulsão política seria a de um regime a relembrar o fascismo.

Também é verdade que temos corrupção, mas longe do nível de cleptocracia daqueles regimes.
E, principalmente, não há justificação, entre nós, para tal aceitação da incerteza de alternativa política como na Tunísia (quem é o novo poder?) ou mesmo no Egito, apesar do provável papel de El Baradei.

Muito menos se pensa que os europeus, por muito que lhes cresça a revolta contra o consenso político-económico de Berlim-Bruxelas que os vai conduzir à depauperação com cumplicidade de todos os governos, mesmo que de “esquerda” (Portugal, Espanha e Grécia, os que restam), muito menos se pensa, dizia, que estejam dispostos a morrer na rua às dezenas.

Quer tudo isto dizer que a onda sul-mediterrânica não nos faz pensar, senão como notícia televisiva?
Creio que não, que devemos pensar bem no que nos pode surpreender o futuro, conjugando as motivações que são comuns de um lado e de outro do mar nosso com a grande diferença de situações.
E, principalmente, tentando ver e ultrapassar o que nos limita, a nós europeus, em relação a uma vaga de revolta mediterrânica e a uma mudança revolucionária (no sentido científico do termo) desta Europa desconchavada que construíram à nossa revelia.

Como diz um querido amigo, no seu Politeia, "essa luta acabará por favorecer, a Norte, todos os que lutam por um mundo diferente!".
Certo, vem ao encontro do que eu disse. Mas o mais importante é começar a pensar nessa tal luta que esta de hoje vai favorecer.

Publicada por JVC , no-moleskine.blogspot.com 1.2.2011


De Fundamentalismo e líderes derrubados, só a 14 de Fevereiro de 2011 às 11:31
Wafa Sultan é uma árabe-americana (nasceu na Síria numa família muçulmana alauita) que vive nos EUA e se tornou muito conhecida quando há anos a Al Jazira a entrevistou pela primeira vez sobre o Islão.
Neste vídeo de 2006
ela denuncia o fundamentalismo islâmico como um
fanatismo medieval,
belicista,
terrorista,
escravisador da mulher.

Nada do que ela aqui afirma relativamente ao fundamentalismo islâmico perdeu atualidade mas as
surpreendentes e heróicas revoltas populares que já derrubaram os líderes (por ora só os líderes)
dos regimes ditatoriais e corruptos da Tunísia e do Egito e ameaçam outros regimes idênticos de vários países do mundo árabe, Ieman, Jordânia, Síria, Argélia,
revelaram ao mundo que na primeira linha da dinâmica política e social no mundo árabe (para estupefação do Ocidente)
não está a versão retrógrada do Islão mas
ideais de liberdade, democracia, justiça social, progresso e modernidade.

Raimundo Narciso, em PuxaPalavra, 2011.02.13,


De A.Brandão Guedes, BemEstarNoTrabalho a 14 de Fevereiro de 2011 às 11:12
EGIPTO LIVRE !
Compro o jornal junto com a habitual «bica». Com letras bem visíveis na primeira página está «EGIPTO LIVRE». Vejo as fotos e os excelentes relatos do repórter Paulo Moura que está no Cairo! Lá no interior do Douro sinto um pequeno contentamento com a vitória do povo que teimosamente se manteve sabia e corajosamente na Praça Tharir!

Enquanto sinto essa discreta alegria lembro os dias da Revolução de Abril!Lembro o Largo do Carmo! Também aqui o povo foi decisivo e fez história contra todos os cépticos que apenas olham para os jogos de poder.

Egipto livre?
Apenas livre de alguém que esteve à frente de um conjunto de interesses que por lá continuam!
Novos actores estão a emergir e outros a consolidarem-se.

Em dia chuvoso o comboio avança pela via junto ao Douro rodando como quem já conhece o caminho a percorrer. Lá longe no Egipto um povo saboreia momento irrepetíveis num misto de alegria e apreensão pelos capítulos que se seguem.

Muitos deles sabem bem o que se segue!
Controlo do País por uns tantos.
Mas tal não é um fatalismo nem ciência certa pese todos os analistas encartados.

Depende da força e da organização popular, da exigência de justiça na criação e distribuição da riqueza e do controlo do poder escolhido democraticamente.
Exercício pleno da cidadania económica, social e cultural .
Parece um manifesto simples e todavia tão difícil e complexo é nos dias de hoje!
Não apenas no Egipto, civilização milenar,mas aqui na nossa Europa que se orgulha de ser tão democrática!


De Zé T. a 14 de Fevereiro de 2011 às 10:52
Partilho os votos de Zé Pessoa, para o Povo do Egipto e outros sob o jugo da ditadura e exploração.

Espero, sinceramente, que esta revolução não resvale para uma nova ditadura (de cariz militar, religiosa ou económico-oligárquica) e prossiga na (estreita) senda da Liberdade, da Democracia e da Justiça.

E que outros povos da (Arábia ao Afeganistão, da Chechenia ao Quénia, ...) olhem estes exemplos... para corrigir/ melhorar a sua situação político-partidária e económico-social.

E, no caso Português (e Grego, Irlandês, Italiano...), se lembrem que nada se consegue sem LUTA, Manifestação contínua, União, perseverança e sacrificio, ... às vezes mortes.


Comentar post