Suíça, um exemplo de democracia
Referendo sobre armamento, guardado ou não em casa
Nem tudo o que a Suíça tem ou de lá emerge é positivo, veja-se o mais recente caso publicitado do desaparecimento, tudo indicia de morte, das duas crianças, presumivelmente, pelo próprio pai. Contudo em termos do exercício democrático e da participação directa, por parte dos cidadãos, é um exemplo que outros deveríamos seguir.

Como em quase todos os domingos, por uma razão ou por outra, num qualquer dos seus 26 cantões, amanhã todos são chamados a pronunciar-se em referendo, uma iniciativa popular que, neste caso, visa aumentar a fiscalização de armas de fogo no país, e que sendo votado favoravelmente passa a impedir, por exemplo, que os militares na reserva as possam manter em casa.

A iniciativa, segundo a óptica dos movimentos e partidos do centro-esquerda, serve "para a protecção face à violência das armas" exige que as armas dos reservistas suíços passem a ser guardadas num armazém militar, que seja criado um registo centralizado a nível nacional e que nenhuma arma seja entregue aos soldados que deixam o exército, excepto aos atiradores desportivos licenciados.

A consulta popular de domingo foi apresentada por uma plataforma composta por cerca de 70 entidades, entre as quais organizações ligadas à igreja e às forças de segurança, organizações de paz e direitos humanos (incluindo a Amnistia Internacional), sindicatos ou associações de luta contra o suicídio.

Na Suíça, todos os cidadãos cumprem serviço militar no activo até aos 36 ou na reserva até aos 50 anos, período durante o qual guardam as suas armas em casa. Quando terminam o serviço, e caso respeitem as condições exigidas por lei, podem ficar com as respectivas armas.

A nível político, a iniciativa popular conta com o apoio dos partidos de esquerda. Mas o governo federal helvético e a maioria de direita do Parlamento são contra a proposta, argumentando que a legislação em vigor garante protecção suficiente contra o uso indevido das armas, segundo a imprensa helvética.

Nesse sentido, lembram, por exemplo, que os soldados não guardam as munições de guerra em casa e que aos reservistas com um risco psicológico, ainda que pequeno, não lhes é permitido manter as suas armas.

Segundo as ultimas sondagens a população encontra-se dividida com 47% a defender a interdição e 45% a defender a manutenção da actual situação, entre as duas posições encontram-se 8% de indecisos e é nestes que se encontra a decisão final.

Qualquer que seja o resultado, findo o processo de consulta, ganhadores ou perdedores, todos respeitam de igual modo e perfeitamente conhecedores da lei são não só acatadores dela como do seu respectivo cumprimento são vigilantes.

Nós, por cá é o que se vê. Até quem as promulga delas desdenha. Muito temos para aprender, no que respeita ao exercício da cidadania e do respeito democrático pelas diferenças de opinião.



Publicado por Zurc às 21:34 de 12.02.11 | link do post | comentar |

4 comentários:
De DD a 13 de Fevereiro de 2011 às 21:41
Falei pelo Voip com o meu cunhado que votou contra a presença de armas em casa, apesar já estar há muito tempo fora do serviço militar e reserva, pois acha isso uma tremenda asneira.
Ele que é membro do Partido Socialista do Cantão de Genebra e uma espécie de secretário do Cantão para a Segurança Social diz-me que aquilo veio do passado, nomeadmanete das duas guerras mundiais, em que havia o perigo de a pequena Suíça ser subitamente invadida por alguma das potências vizinhas. Mas, hoje não cabe na cabeça de ninguém que a França, Alemanha, Áustria ou Itália possam querer conquistar a Suíça. O que pode acontecer é algum grupo de banditismo internacional assaltar algumas residências para roubar as armas que são boas e de guerra. Na Suíça ninguém está autorizado a utilizar essas armas por decisão própria, nem que seja para se defender de assaltantes.
A permanência das armas em casa é uma embirração da extrema-direita neo-nazi que na Suíça é bastante forte e está em parte no poder, diz o meu cunhado.
A crise também se faz sentir na Suíça, cuja banca gere ativos financeiros muitas vezes superior ao seu PIB, os quais têm vindo a perder valor, logo a reduzir a clientela da sua banca e os respetivos lucros. Curiosamente, sendo a crise provocada pela direita bancária mundial, é a direita política que está a tirar dividendos porque as esquerdas passaram a ter menos meios para satisfazer reivindicações e necessidades siociais e há quem fique a pensar que os outros podem encontrar esses meios. Em teoria, até podem, mas é para colocá-los nos seus bolsos.


De A pobreza da Esquerda... a 14 de Fevereiro de 2011 às 10:08
DD tem um cunhado suíço que perdeu o referendo.
O cunhado de DD acha e é livre disso, que manter as armas em casa é uma asneira. A maioria dos suíços , que em certas coisas são conservadores , votou pela manutenção das armas em casa. Tudo indica que continuam a confiar uns nos outros, ainda que reconheçam existir alguns, raros, cidadãos a mijar fora do penico, coisa simples de corrigir, a avaliar pelo resultado da auscultação popular.
A direita suíça ganhou e a esquerda perdeu.
A esquerda anda a perder muitas vezes, em muitos países Não será altura da esquerda reflectir , profundamente , o porquê de tantas sucessivas derrotas?


De DD a 14 de Fevereiro de 2011 às 21:32
Os fascistas são sempre a favor da posse de armas. Não há um verdadeiro país chamado Suíça; há uma Suíça alemã altamente reacionária e fascizante e há uma Suíça francesa bem mais evoluida e civilizada e uma Suíça italiana de menores dimensões e quase sem importância no geral.
Só quem esteve na Suíça alemã é que sabe como são antipáticos, xenófobos e racistas aqueles tipos que falam um alemão horroroso. Até os alemães detestam os suíços ditos alemães.
O que une verdadeiramente a Suíça é a posse e gestão dos dinheiros de grande parte dos ditadores, traficantes de droga, corruptos e ladrões deste mundo, como escreveu J. Ziegler no seu livro "A Suíça Lava mais Branco" que até me foi oferecido pelo meu cunhado suíço.


De DD a 13 de Fevereiro de 2011 às 18:59
Eu tenho um cunhado suíço e sei como estava a arma dele em casa; selada e os carregadores metidos em latas tipo conserva de abertura difícil, a máscara anti-gás estava selada e os filtros também estavam metidos em latas de conserva hermeticamente fechadas. Todos os anos ele tinha um período curto de treino e tinha de vir com a arma e as latas invioladas. Se alguma lata estivesse aberta havia uma severa pena de prisão e multa e o risco de prestar serviço durante meio a um ano seguido.
Como o meu cunhado tinha filhos, as latas com os carregadores estavam fechadas num pequeno cofre de modo que era impossível as crianças terem acesso às mesmas.

Por outro lado, a maior parte das consultas à população apresentam níveis de abstenção da ordem dos 70 a 90%.


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