A REDUÇÃO DOS DEPUTADOS E AS TRAPALHADAS SOCIALISTAS

Entre o Populismo e a realidade económica e social uma moção

Não será para já que essa redução se vai processar, visto que o BE vai fazer um, grande, favor ao governo socialista (?) de José Socrates ao apresentar a anunciada Moção de Censura, retirando, desse modo, o espaço político tanto ao PSD como a CDS que juntos aprovariam a iniciativa que um deles apresentasse e já o não farão nem aprovarão a apresentada pelos bloquistas.

O bom senso que a gentes do Partido Socialista deixaram escapar entre demagógicas declarações e atropelos sociais, parece ser agarrado pelos liberalistas da social-democracia portuguesa.

O PSD na senda da tomada do poder lá vai subindo a escadaria de acesso ao dito. Entre calinada aqui, jornadas de reflexão alem e estudos mandados fazer acolá vai pregando rasteiras ao governo que, já de si próprio desgastado, não conseguem evitar tantas calinadas políticas como foi a decisão de legislar sobre redução dos ordenados de funcionários publicos e trabalhadores do Sector empresarial do Estado quando o deveria ter feito para a generalidade de quem quer que fosse sendo remunerado em Portugal ou por empresas e Estado português e agora sobre a redução de deputados na Assembleia da Republica.

Mais inteligentemente a Comissão Política Nacional do PSD pediu a elaboração de um estudo técnico para preparar um anteprojecto de lei de reforma do sistema eleitoral, que reduza o número de deputados e permita o voto alternativo.

Miguel Relvas afirmou ainda que se o PS tivesse «a ousadia de apresentar um projecto sobre esta matéria, que já vimos que não vai acontecer, também careceria do apoio do PSD», referiu. «Aguardamos pela disponibilidade do PS para se poder encontrar um entendimento».

Pois é, os socialistas, tudo indica, andam enredados por outras preocupações reactivas e parece terem perdido o espírito da iniciativa e da inovação. Como alguns já vão afirmando, depois da queda governamental, “irá ser longa e penosa a travessia do deserto político e governativo”. A confiança quando perdida com muita dificuldade se consegue reganhar.

Alguém, parece que de memória curta, afirmou que “há muitas razões de censura ao governo”. Toda a gente parece estar de acordo mesmo no meio das hostes do partido apoiante do governo, até o próprio fundador, cujas mais recentes sugestões escritas não deixam qualquer réstia de dúvida. Mas, também pouca gente duvidará que, nas presentes circunstâncias em que o país e a Europa vivem, se este governo cai-se o que a seguir viesse seria muito pior e mais profundamente gravoso, tanto para os trabalhadores como para a população em geral.



Publicado por Zé Pessoa às 00:11 de 14.02.11 | link do post | comentar |

3 comentários:
De VM na UE: síndroma do tacho ! a 14 de Fevereiro de 2011 às 13:16

O socialismo europeu de Vital Moreira

Poul Nyrup Rasmussen, presidente do grupo parlamentar dos socialistas europeus, veio a público rejeitar o Pacto de Competitividade proposto por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy.

Vital Moreira (VM) ficou chocado e, segundo a folha electrónica dos socialistas portugueses no Parlamento Europeu (aqui), tomou as dores por essa proposta:

Intervindo na reunião do Grupo Socialista do Parlamento Europeu esta semana, em Bruxelas, Vital Moreira pronunciou-se no sentido de que
o Grupo não deve adoptar posições críticas que ponham em risco o reforço e a flexibilização do "fundo de estabilidade do euro",
visto que este é essencial para dar confiança aos mercados e para aliviar a pressão sobre os países mais vulneráveis em termos de dívida pública.

Vital Moreira considerou também que é inteiramente justificável que a União obrigue os Estados-Membros a corrigir os seus défices orçamentais, bem como os seus défices de competitividade,
pois estes não somente dificultam a consolidação orçamental, como sobretudo constituem o principal obstáculo duradouro ao crescimento e ao emprego, sendo responsáveis pelos graves desequilíbrios internos dentro da UE, que põem em causa a coesão económica e a estabilidade do euro.

Vital Moreira apelou ao Grupo Socialista Europeu para não cair numa "síndroma de oposição", que leva "a criticar soluções que não deixaríamos de tomar se estivéssemos no governo dos principais Estados-Membros.

VM não é economista mas não se coíbe de dar razões económicas para a aceitação desse pacto. Infelizmente, o resultado é mesmo mau.
VM quer que a União Europeia “obrigue os Estados-Membros a corrigir … os seus défices de competitividade”.

Acontece que a competitividade é uma noção relativa. Somos mais ou menos competitivos relativamente a um concorrente.
Todos sabemos que as empresas portuguesas são menos competitivas que as alemãs no que toca à inovação (tecnológica, organizacional).
Agora, faz sentido que o Estado Português seja obrigado a tornar as suas empresas tão competitivas como as alemãs?
E já agora, o que é que andamos a fazer desde os tempos do PEDIP I ?

Muito provavelmente Vital Moreira estaria a referir-se à competitividade-custo, caso em que a evolução dos salários e da produtividade do trabalho nas empresas industriais portuguesas relativamente às alemãs se torna determinante.
Acontece que desde 1999 que a Alemanha empreendeu um conjunto de reformas laborais, algumas com o acordo dos sindicatos, no sentido de ir tornando mais precário o trabalho e de conter drasticamente os aumentos salariais.
A tal ponto que a parte dos salários no valor acrescentado da Alemanha caiu de 65,4% para 62,2% entre 2003 e 2007.
Assim, a recuperação das exportações alemãs foi em boa parte conseguida à custa de uma desinflação competitiva em que a estagnação dos salários nominais desempenhou um papel determinante.

Por conseguinte, segundo Vital Moreira, para que as empresas portuguesas “reduzam o seu défice de competitividade” relativamente às alemãs, o estado português deve (nos termos do Pacto de Competitividade)
decretar o congelamento dos salários das empresas industriais, no mínimo.
Entretanto, para não perder competitividade relativamente às empresas portuguesas, o estado espanhol (cumprindo também o Pacto de Competitividade) acabará por decretar já não o congelamento mas antes uma redução dos salários das suas empresas.
E assim por essa Europa fora, numa espiral descendente em que caminharíamos heroicamente para uma Grande Depressão ... ainda mais endividados.

Segundo Vital Moreira, é com este pacto que a Europa reduzirá os seus graves desequilíbrios internos e recuperará a estabilidade do euro.
É caso para dizer que Vital Moreira continua a desbravar Novas Fronteiras.

-por Jorge Bateira , Ladrões de bicicletas


De ''biltres ditos socialistas'' a 14 de Fevereiro de 2011 às 13:21
Gato Preto disse...

Desde que VM tem a mulher no governo que passou a ser um lacaio do "chefe", ou seja, está reduzido a ser a "voz do dono".
É triste!

..........
D., H disse...

Muita oportuna esta entrada sobre o “socialismo from Vital Moreira” na espiral rumo à grande depressão, mais uma (não basta as que a História já nos mostrou).

Apetece-me citar Toni Negri, a propósito da ideia que hoje fazem os partidos sociais-democratas e socialistas europeus da ideia de socialismo:

“ Estes nossos socialistas não passam de biltres:
passaram do fetichismo da União Soviética e do socialismo real ao abandono total de qualquer perspectiva de transformação da vida e da sociedade.

O mais tremendo é que a experiência burocrática que estes senhores tiveram com as ideias e as expressões de socialismo real
transfiguraram-se bruscamente em cinismo, permaneceram estalinistas deixando de ser socialistas”.

12 de Fevereiro


De Entreter a pobreza c. ''pão e circo'' . a 14 de Fevereiro de 2011 às 13:10
Entreter a pobreza

Uma decisão conjunta da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu estabeleceu 2010 como o Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social.
Exacto, 2010, um ano em grande para a agenda política das soluções recessivas à escala europeia.
O ano do Cavalo de Tróia, em que o imperativo de combate ao défice nos países periféricos estabeleceu escrupulosamente as regras da batalha:
cortar nas despesas sociais e nos salários, deixando a salvo os interesses financeiros, a economia especulativa, a espiral do endividamento privado e a injustiça fiscal.

Seguindo as orientações da própria iniciativa comunitária, tratou-se essencialmente de "responsabilizar e mobilizar o conjunto da sociedade", descentrando das instâncias estatais a responsabilidade colectiva no combate à exclusão social.
Nada de contraditório, portanto, com o rumo austeritarista definido:
conter o défice cerceando as funções sociais do Estado, sacrificando as classes com menores recursos e transmutando a lógica de direitos estabelecidos numa difusa e incerta responsabilidade da sociedade no seu todo, sem explicitamente configurar, atribuir ou firmar qualquer espécie de compromisso.

Vale a pena espreitar o conjunto de iniciativas que preencheram, entre nós, a "celebração" do Ano Europeu de combate à Pobreza e Exclusão Social (AECPES) e que consumiram, aparentemente de modo exaustivo, os cerca de 700 mil euros orçamentados.
São essencialmente conferências, debates, mostras e colóquios.
Que envolveram sobretudo pessoas e instituições conhecedoras dos contornos da pobreza e da exclusão.
Parole, parole, parole.

À perplexidade que fomos sentindo ao ver os spots publicitários, a intercalar as notícias sobre os PECs e os cortes sociais, junta-se este confrangedor balanço (sobretudo no confronto com que um ano assim deveria significar).
Na página portuguesa do AECPES figura a tshirt aqui ao lado. **
Não, não precisam fazer um desenho, já percebemos tudo.

**com os dizeres:

« AINDA NÂO PERCEBESTE
COMO COMBATER
A POBREZA E A
EXCLUSÃO SOCIAL ?
eu faço-te um desenho »

Postado por Nuno Serra, Ladrões deBicicletas


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