O mundo que construímos

Mubarak, 30 anos de poder

Caiu Mubarak. A sua demissão era simbólica e politicamente decisiva

Defesa do aeroporto na OTA por alto responsável do PS: “Precisávamos de pontes para ir para o lado de lá. Imagine que dinamitavam uma ponte. Há muito terrorismo.” Quase há 30 anos que ocupa o mesmo cargo.

No Congresso de Santarém foi o exemplo oposto do que deve ser deve ser observado em democracia.

Agora duas situações que não se deviam identificar com um governo socialista. Uma, a eficácia do sistema fiscal que apenas captura o peixe miúdo. No mesmo dia em que li os textos no jornal, fiquei a saber que o BES ficou isento de pagar compensações á CML pelo aumento substancial do imóvel onde se situa a sua sede. A outra prende-se com a política da Administração Interna, consubstanciada através da PSP, que revela uma disponibilidade total para aplicar coimas ao mesmo tempo que mostra uma total rejeição para servir o cidadão.

Não pelos motivos que a oposição pede a demissão do Ministro da AI, mas pelas directrizes que emana para as forças de segurança, sou solidário com a sua demissão.

 

O mundo que construímos

Augusta Martinho foi encontrada em casa nove anos depois da sua morte.

A GNR esteve à porta mas não entrou por falta de "autorização". As autoridades procuraram a "desaparecida" em todo o lado menos em casa. A nossas estruturas sociais e administrativas levaram nove anos a entrar em casa de Augusta Martinho.

Não foi a segurança social a encontrar a idosa naquela casa, nem um qualquer apoio domiciliário, como também não foram os vizinhos ou a família.

Mesmo ao fim de nove anos, o fisco conseguiu chegar primeiro.

 

http://31daarmada.blogs.sapo.pt

Diz-se que só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos. Parece que para o Estado português só a segunda parte é verdadeira.

Os tribunais não fazem o que têm de fazer. As polícias muito menos. Estão todo quietos. Ninguém quer chatices. A senhora desapareceu? Tem a certeza? Arrombar a porta é muito complicado. Só dá problemas. Volte cá depois. É assim com tudo. Faz-se de conta que se faz alguma coisa inventando causas nos sectores da moda: agora é o género. Antes foram as alterações climáticas. O povinho fica entretido. E isso é que conta. Entretanto que de facto manda e pode continua a arrebanhar dinheiro. No fundo dos bolsos. O fantasma congratula-se com o dinheiro arrebanhado.  E a máquina fiscal a única que de facto existe e se mexe anda por aí. Faz penhoras, executa. Para ela não há problemas com as portas. Onde os tribunais e as polícias duvidam sequer poder entrar as Finanças penhoram e vendem. Foi a isto que o socialismo nos reduziu: contribuintes.

http://Blasfemias.net

Reduzidos à condição de contribuintes



Publicado por Izanagi às 02:21 de 15.02.11 | link do post | comentar |

5 comentários:
De P'rá RUA mediterrânea ! a 15 de Fevereiro de 2011 às 09:40
"À la calle!" (II) (Vamos à Rua ! P'rá Rua ! ) (imagem da 'revolução francesa)

Escrevi que estou a ser egípcio, cada vez mais cada dia que passa, como fui tunisino.
Deixei uma leve alusão a vir a ser europeu, o que se pode entender como estar a prever uma revolução europeia do mesmo tipo.
Claro que era figura de retórica, mas é bom deixar as coisas claras.
Que nem se pense que eu possa transpor simplisticamente para a nossa situação o que estamos a testemunhar, e espero que a testemunhar com generalizada alegria.
É verdade que os europeus da periferia vão sofrer uma espiral descendente de austeridade, dívida e défice, austeridade, etc.
Já estão zangados e cada vez mais estarão zangados.
Mas vão sair para a rua como os tunisinos e egípcios, possivelmente também os argelinos, jordanos e iemenitas?
Não me parece.

É facto que o processo histórico, lá nos seus meandros dialéticos (um físico falaria na teoria do caos, no efeito borboleta, nos fractais, etc., mas vem tudo a dar ao mesmo) nos prega enormes partidas, de surpresa.
As situações revolucionárias, muitas vezes, só se percebem com grande aproximação temporal. Quando me lembro de que, em 1970, eu em Angola, na guerra, me perguntava quando tudo aquilo acabaria, nem imaginava, nem ninguém, que estava a 4 anos do 25 de Abril. O que são quatro anos na escala de tempo da história?

No entanto, neste afundamento político, económico, geoestratégico (para quem gosta do conceito) da Europa milenar, 4 anos, sendo um segundo, podem ser fermento de grandes surpresas, numa perspetiva revolucionária.
Isto quer dizer uma possível continuidade com este atual processo revolucionário do norte de África?
Creio que não. Será outra coisa, ninguém sabe o quê.

O que se está a passar começa logo por ter uma base política radicalmente diferente.
Nós vivemos em democracia formal estabilizada, eles em ditaduras.
Quando a democracia como temos ainda é o grande referencial político, a bandeira de luta contra opressões por todo o mundo, a começar no próximo grande império, a China, parece-me inconcebível uma revolução para derrubar uma democracia.
Seria experiência contrasensual.

Na Tunísia ou no Egito, mesmo na Argélia ou na Jordânia, é quase certo que, seja o que for que vier como poder político, não será pior do que o atual, porque pior só seria o fundamentalismo muçulmano, com pouco poder político nesses países.
Pelo contrário, entre nós, a grande probabilidade de resultado de uma convulsão política seria a de um regime a relembrar o fascismo.

Também é verdade que temos corrupção, mas longe do nível de cleptocracia daqueles regimes.
E, principalmente, não há justificação, entre nós, para tal aceitação da incerteza de alternativa política como na Tunísia (quem é o novo poder?) ou mesmo no Egito, apesar do provável papel de El Baradei.

Muito menos se pensa que os europeus, por muito que lhes cresça a revolta contra o consenso político-económico de Berlim-Bruxelas que os vai conduzir à depauperação com cumplicidade de todos os governos, mesmo que de “esquerda” (Portugal, Espanha e Grécia, os que restam), muito menos se pensa, dizia, que estejam dispostos a morrer na rua às dezenas.

Quer tudo isto dizer que a onda sul-mediterrânica não nos faz pensar, senão como notícia televisiva?
Creio que não, que devemos pensar bem no que nos pode surpreender o futuro, conjugando as motivações que são comuns de um lado e de outro do mar nosso com a grande diferença de situações.
E, principalmente, tentando ver e ultrapassar o que nos limita, a nós europeus, em relação a uma vaga de revolta mediterrânica e a uma mudança revolucionária (no sentido científico do termo) desta Europa desconchavada que construíram à nossa revelia.

Como diz um querido amigo, no seu Politeia, "essa luta acabará por favorecer, a Norte, todos os que lutam por um mundo diferente!".
Certo, vem ao encontro do que eu disse. Mas o mais importante é começar a pensar nessa tal luta que esta de hoje vai favorecer.

Publicada por JVC , no-moleskine.blogspot.com 1.2.2011


De Povo sai à Rua e pede + Democracia a 15 de Fevereiro de 2011 às 16:29
Parece que é apenas o princípio

por Sérgio Lavos, Arrastão, 14.2.2011

Outra má notícia para quem se apressou a temer que acontecesse na Tunísia e no Egipto o mesmo que aconteceu no Irão em 1979:
o povo saiu à rua a pedir mais democracia.
No Irão.
Depois do comunicado dos líderes políticos a saudar as revoluções naqueles dois países.

(Claro que os opinadores se têm esquecido convenientemente das gigantescas manifestações contra o regime, a quando das últimas presidenciais iranianas.
Não convinha nada que a realidade desmentisse uma opinião feita, mas acontece.
E está a acontecer, e vai acontecer, apesar de estarmos a falar de gente "que não está habituada à democracia e que gosta de viver na barbárie", parafraseando o tom geral destes arautos da cinycalpolitik.)

*Imagem da Reuters


De Telefones, sms e twiter na Revolução a 15 de Fevereiro de 2011 às 17:30
Nunca nos calarão

Ontem e hoje:

« We Will Never Be Silenced

Once again we proved, when we commit to something, no dictator can stand against us.
Today once again, we turn on the switch to war with Dictatorship.
We must not allow this switched to be turned off….
We must be united.
People in Egypt, fought for 18 days nonstop, and they broke the back of dictatorship in their country.
Their key to success was unity.
»
« Our promise to each other:
Tomorrow (February 15th) @ 3:00PM
Immam Housain Sq. To Azadi Sq.
Also, please bring tents with you, so that we can spend the night together at Azadi Sq.
»

Ontem, em Teerão: Protestos com hino nacional:

Contra esta policia:
«
Dozens of Iranian opposition supporters were arrested in Tehran after protesting in support of the recent uprisings in Egypt and Tunisia.
Thousands of people marched to the city’s Azadi Square where they clashed with security forces.
Officers fired tear gas to try and disperse the crowds.
One person was killed and several were wounded, according to the official Fars news agency.

Iranian state television only ran footage of a pro-government demonstration.
It accused opponents of working for the West.
Demonstrators from the two camps clashed later on Monday as tensions ran high.

The march is the first time the Iranian opposition has taken to the streets since December 2009.
Khamenei described the revolts in Egypt and Tunisia as an “Islamic awakening” but his regime has always cracked down on such dissent at home.

British Foreign Secretary William Hague urged Iran to allow people the right to demonstrate.
US Secretary of State Hillary Clinton hailed the “courage” and “aspirations” of the protesters.
»


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