7 comentários:
De Dylan a 16 de Março de 2011 às 14:37
Se no caso egípcio, algumas pessoas acharam por bem que a comunidade internacional não interviesse no país afim de evitar serem acusados de ingerência nos assuntos internos de outros países, no caso da Líbia, a NATO devia mostrar a tiranetes da craveira de Khadafi, Chavez e Ahmadinejad, que o massacre da sua própria população devido a delírios ditatoriais, é a gota de água que faz transbordar o copo da paciência e dos valores ocidentais. Porque não é com discursos de "flower power" que se evitam atentados como o de Lockerbie, que se muda de um socialismo árabe miserável e opressor para uma democracia igualitária. A razão deve opor-se a alianças geoestratégicas e políticas, agora que as forças governamentais parecem reconquistar terreno aos rebeldes e o ajuste de contas do caduco regime líbio tresanda a sangue, superando a tragédia humanitária já em curso.


De Comentasores... experts naifs migrantes a 25 de Fevereiro de 2011 às 10:23
As Líbias do Manuel
...
A ingenuidade e a ignorância são ainda mais chocantes quando afectam pessoas que por dever de ofício deveriam manter-se informadas sobre os terrenos que pisam. É de facto impressionante o grau de desconhecimento das condições políticas que têm preservado os seus postos de trabalho, e o nível de insensibilidade em relação às pessoas com as quais partilham boa parte das suas vidas, evidenciado pela generalidade dos empresários e dos trabalhadores portugueses em missão na Líbia – os turistas têm alguma desculpa – que estão a ser ouvidos pelos telejornais como testemunhas privilegiadas da revolta anti-Khadaffi. Quase invariavelmente, falam do que está a acontecer no país onde trabalham como se tudo não passasse de um rol de desavenças burlescas entre indígenas, que depois de passarem lhes devolverão intacto o país no qual têm governado a vidinha. Existe, de facto, ainda quem alimente o estereótipo do Manuel Padeiro, o tuga ignaro das coisas do mundo para quem tudo se resume ao cálculo simples do deve e do haver e à rota certa do casa-trabalho-casa. Estão no seu direito, claro, mas é patético vê-los convertidos em comentadores idóneos. Francamente, antes um daqueles geopolitics experts que jamais passam o limiar do previsível.

http://aterceiranoite.org/ 24.2.2011


De Insuportável distância entre Ricos e Pob a 25 de Fevereiro de 2011 às 10:12

A vez de Kadafi

Há umas horas atrás os media anunciavam que o leste da Líbia já se libertara, que a revolta alastrava a Trípoli e que o egocêntrico déspota local estava cada vez mais acossado no seu fojo.
Neste momento as informações dão conta de que Kadafi prepara a reconquista das cidades perdidas.

Em resumo, a situação é instável, a informação é insuficiente e não é certa a queda do regime a todo o momento, como ainda há pouco se anunciava.

Kadafi criou uma administração para o país organizando as tribus e os clans que o compôem, de forma sui generis... mas a Líbia não pode escapar à influência da modernidade e as novas gerações não podiam deixar de se
rebelar contra o despotismo, falta de liberdade, a corrupção e o choque das diferenças entre a miséria e a ostentação.

A Líbia é muito diferente, na estrutura da sociedade, da Tunísia ou do Egipto, mas não é por acaso que a revolta que acossa o clã Kadafi surge na mesma altura, na sequência e a exemplo da revolta que rompeu em Tunes, varreu Mubarak do Egipto, incendeia o Iemen e Bahrain e alastrará a outros países da região.

Em cada um destes países, com uma história diferente, coabitam populações em estádios muito diferentes quanto à cultura, à percepção do mundo actual, e consequentemente quanto ao usufruto dos bens materiais e culturais, quanto ao bem-estar.

No Egipto ou na Líbia a modernidade e com ela o desejo de liberdade, de uma outra vida e um outro futuro atingem
a juventude urbana mais educada que coabita com camadas da população que têm as aspirações e as concepções do mundo e da vida de há vários séculos atrás.

A distância entre ricos e pobres acentua-se até ao insuportável e a revolta e a revolução tornam-se inevitáveis.
Assim tem sucedido noutras sociedades e sucede neste mundo árabe, muito diversificado mas em muitos aspectos uno, na língua, na religião, no atraso tecnológico, nas roturas sociais.

Veremos durante quanto tempo os potentados do petróleo, a Arábia Saudita, o Kuwait, os emirados do Golfo, conseguirão escapar à revolta lançando alguns petrodólares à população.

Donde menos se esperava surgiu o fogo da revolta e a espectacular mudança.
Que profundidade atingirão estas inesperadas mudanças no nosso vizinho sul é impossível, de momento, avaliar.

Etiquetas: Kadafi, Líbia
# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra


De Ditadura assassina a 24 de Fevereiro de 2011 às 18:05
Khadafi O Grande Assassino do seu Povo

19 de Fevereiro, foi um dia trágico na Líbia.

Na cidade de Benghazi, os forças de elite sob o comando de Muhamar Khadafi dispararam armas de guerra contra os manifestantes que exigiam uma democracia eleitoral. Segundo a BBC, foram utilizadas espingardas automáticas, metralhadoras e morteiros contra a multidão, matando e ferindo centenas de populares.

Khadafi cobriu-se do sangue do seu povo, tornou-se num monstro inacreditável e cometeu o maior massacre de pacíficos cidadãos deste século.

Exército e polícia dispararam contra o povo e a polícia secreta prendia e matava feridos nos hospitais.

As cenas foram as mais horríveis vistas nos últimos tempos. Evitou-se o uso de balas de borracha ou granadas de gás lacrimogéneo. Khadafi deu ordens para matar, matar até não haver mais oposição.

Na Argélia, em Argel, a polícia também disparou contra os manifestantes que pretendiam chegar à praça central da cidade, mas encontraram barricadas das forças especiais da polícia e exército. O ditador Buteflika ordenou que se matasse e os helicópteros chegaram a disparar sobre as pessoas que acabaram por fugir.

O Mundo Árabe cobre-se de vergonha com estas ações e sabemos que nenhum ditador vai sair do poder sem assassinar. A sua política baseia-se no assassinato do seu povo, tal como fez Hussein que assassinou com gases letais toda a população curda de uma cidade iraquiana e, por isso, foi enforcado.

Não sei se matar é a solução política para os países muçulmanos e ditaduras. A China matou na Praça Tien A Men e voltará a matar quando os estudantes chineses se revoltarem outra vez para exigir direitos democráticos.

Não devemos esquecer que o assassinato de uma população em manifestação em 1917, o chamado massacre da manif do Pope Gapone não impediu a revolução bolchevique. Acredito que nenhum massacre garantirá o poder e resolverá o problema das populações. Mais dia, menos dia, os ditadores irão cair e afogar-se no sangue derramado pelos seus povos sob as suas ordens.

-por DD


De Democracia e Justiça social p. Todos a 24 de Fevereiro de 2011 às 18:08

A UE e a democratização do mundo árabe

[Publicado por AG] [Permanent Link]

"Não vimos em lado nenhum queimar bandeiras israelitas, americanas ou europeias. Estas explosões populares não foram, não estão a ser, contra ninguém no exterior: são pelos direitos dos próprios povos que se revoltam. E demonstram que as suas aspirações por liberdade, democracia e oportunidades são realmente universais, sem incompatibilidade com a religião islâmica professada pela esmagadora maioria dos manifestantes. Desmentem, assim, frontalmente aqueles que brandem como inevitável um 'confronto de civilizações' entre cristãos e muçulmanos. E desacreditam por completo aqueles que até aqui justificavam o apoio às ditaduras opressoras, a pretexto de que elas garantiam a "estabilidade" e representavam a "segurança" contra ameaças fundamentalistas".
(...)
"A Europa não pode ficar impassível, a assistir de braços cruzados: a sua prosperidade e segurança estão directamente dependentes da segurança e do progresso dos povos do Norte de África e do mundo árabe. Não basta já que o petróleo e o gás continuem a vir e não há "Fortaleza Europa" capaz de conter os afluxos de migrantes e refugiados se não tiverem condições de vida nos seus próprios países.
A UE tem de acabar com a hipocrisia de apregoar democracia e direitos humanos e, tal como os EUA, na prática apoiar regimes corruptos e repressivos, a pretexto da estabilidade e do combate ao fundamentalismo islamista. "Estabilidade" que, como vemos, não deu segurança nenhuma a Israel, nem à Europa, nem ao mundo, antes pelo contrário. E "ameaça fundamentalista" que efectivamente se não combateu, antes se reforçou ate pela legitimação na resistência à opressão - e esse é um desafio decisivo que vai travar-se nas transições que se seguirão à revolta no mundo árabe.
A UE tem de tirar as lições e passar a dar apoio, quer àqueles que ainda se batem pela queda dos tiranos - como acontece na Líbia face à brutalidade retaliatória do ditador Kadhafi - quer aos povos tunisino e egípcio na caminhada começada para a construção de regimes democráticos".


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De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 22 de Fevereiro de 2011 às 11:44
Começou com o "mon ami Mitterrand", continuou com "mon ami Khadafi" e agora estamos na época do "mon grand ami Chavez"... Vous se rappellent? Ce n'est pas?
Não há "ninguém" a morder a língua?
Il n'y a pas honte dans les visages?


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De Apoia ditaduras, colhe extremistas. a 22 de Fevereiro de 2011 às 08:48

Quem apoia ditaduras colhe fundamentalistas

[Publicado por AG, 21.2.2011, Causa-Nossa ]

Segundo os meios de comunicação social, o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, seguindo uma linha de argumentação à la Frattini-Berlusconi, adverte contra o perigo do fundamentalismo islâmico no norte de África e no mundo árabe. Não admira, para quem passou tanto tempo a cultivar ditadores que obviamente esgrimiam esse mesmo perigo para justificarem a repressão sobre os seus povos. Nunca perderei a má memória da participação de Luís Amado nas celebrações dos 40 anos da ditadura de Kadhafi, em Tripoli…

O trágico é que ao dar aos movimentos fundamentalistas a oportunidade de resistir à repressão das ditaduras, o ocidente pode ter contribuído para os legitimar aos olhos de muitos.
É tempo de os dirigentes europeus pararem de brandir o papão islamista para continuarem a apoiar ditaduras. É tempo de ouvirem os povos árabes na rua e de se empenharem inteligentemente em apoiar quem nessas sociedades está disposto a tudo arriscar pela liberdade e a democracia.



De Ditadura Líbia e CS-ONU, TCI, UE a 24 de Fevereiro de 2011 às 18:11
A UE e a Líbia

Em Janeiro, o Parlamento Europeu adoptou por unanimidade esta minha Recomendação sobre a as negociações para um Acordo-quadro UE-Líbia.
As recomendações que fiz resultaram dos elementos que recolhi em visita à Líbia, em Novembro último, e da necessidade de ter bem claro que a UE estava a procurar negociar com uma ditadura ostensivamente desrespeitadora dos mais elementares direitos humanos.
São recomendações muito críticas para o Conselho pelo mandato que dera à Comissão, pura e simplesmente negligenciando a natureza do regime líbio.
É por essas e por outras negligências que a UE se acha atarantada diante do caos instalado na Líbia e da selvajaria da vingança do regime do Kadhafi contra o povo líbio.


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De Ditadores: Cons.Seg-ONU e Trib.Crim.Int. a 23 de Fevereiro de 2011 às 15:20

Portugal no Conselho de Segurança. E a Líbia.

[Publicado por AG, 23.02.2011, Causa-Nossa]

1 - Imediato congelamento de todos os bens do ditador Khadaffy e dos seus familiares e próximos, para futura devolução ao Estado líbio.
2 - Imediata imposição de uma "no-fly zone" sobre o espaço aéreo líbio, impedindo a aviação do regime de descolar para massacrar populações.
3 - Imediata referência do Coronel Khadaffy, filhos Saif e Mutassim e seus principais esbirros ao Tribunal Criminal Internacional, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
É o mínimo que a Delegação portuguesa no Conselho de Segurança deveria propôr ou apoiar.
Quem quer ir para o Conselho de Segurança, vai para assumir responsabilidades - não para dar oportunidades a ministros e funcionários de se pavonearem nos corredores da ONU ou nas chancelarias por esse mundo fora.
Quem quer ir para o Conselho de Segurança vai para exercer obrigações. Pelo bom nome de Portugal. Pela paz, a legalidade e a segurança internacionais.
Khadaffy votou em Portugal, contribuiu para nos fazer eleger para o Conselho de Segurança? Para não corarmos de vergonha, votemos agora pela Líbia, pelos líbios. Contra Khadaffy.

Líbia: eu bem lhes dizia...

A política externa portuguesa não pode ser ditada apenas por cifrões e por patrões, muito menos chicos-espertos, construam eles estádios de futebol, estradas, plataformas petrolíferas ou vendam telefones ou tapetes. (...)
Uma ida à tenda de Khadaffi pelo Primeiro-Ministro neste contexto, ao beija-mão de quem vai, não pode deixar de ser interpretada como um endosso da respeitabilidade política de um ditador terrorista que devia estar preso e a ser julgado por crimes contra a Humanidade.
Escrito por mim em 1.10.2005, aqui no CAUSA NOSSA.

Quando qualquer desaguisado de meia tigela levar um empresário ou um técnico português a bater com os ossos nas masmorras líbias, à conta da arbitrariedade e da raiva vingativa do regime líbio,
talvez em Portugal os responsáveis realizem que estão a lidar com um louco que só tem de prevísivel a imprevisibilidade e a crueldade:
não apenas aquela com que oprime o próprio povo, mas também a que o levou a patrocinar os atentatos aos aviões da PANAM e da UTA e
ainda aquela com que extraiu rendimentos do cativeiro das enfermeiras búlgaras e do médico palestiano que falsamente acusou de infectar crianças com sida.

Escrito por mim em 25.7.2008, aqui no CAUSA NOSSA


De Demora da UE e CS é angústia desespero a 17 de Março de 2011 às 11:55

Desesperando pela Líbia. Ou pela UE?

----[Publicado por AG, 17.3.2011 CausaNossa]

Já deixamos cair Rãs Lanuf e Brega.
Os mercenários de Khadaffy estão a tentar tomar a ultima povoação antes de Benghazi, o reduto dos revoltosos.

Finalmente o Reino Unido, a Franca e o Líbano submeteram um projecto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU para impor uma zona de exclusão aérea
(e não só, disse a embaixadora americana Susan Rice, sublinhando a necessidade de se fazer o que fosse preciso para proteger os civis em risco iminente).

Uma zona de exclusão aérea que o Parlamento Europeu pediu na semana passada para a UE estar preparada para aplicar,
numa resolução cujo texto base eu redigi e que acabou aprovada por 584 votos (18 contra e 18 abstenções).

E que lembrava que a UE podia usar os meios navais e aéreos de que dispõe, no quadro da PSDC,
para fazer aplicar o embargo de armas a Líbia,
já decretado pelo Conselho de Segurança, ou para proteger as operações humanitárias.

Conselho e Comissão da UE apoiam e esperam a decisão do Conselho de Segurança de determinar a "no fly zone" , afiançam-nos adjuntos da Sra. Ashton
(ela aparentemente entretem-se a despachar missões de "fact finding" a Líbia e vizinhos....).

O Conselho de Segurança demora,
nas habituais contorções da China e da Rússia, mais contorcidas ainda desta vez porque a Liga Árabe pede a intervenção internacional para proteger os líbios contra a raiva assassina do ditador.
E contorcidas também porque tortuosamente encorajadas... pelo MNE alemão!!!

A denuncia publica, esta tarde, em plena Conferência de Presidentes no PE com Von Rompuy e Barroso, por uma deputada alemã,
pode envergonhar e fazer recuar a diplomacia teutónica, que nos dias que correm não esqueceu apenas a UE, mas parece estar a esquecer-se da Historia.

Estou a receber mensagens angustiadas de colegas espalhados pelo mundo fora com quem partilhei horas de dilaceração no Conselho de Segurança
("vamos deixar massacrar mais líbios, como os bosnios, ruandeses, congoleses?").
Revivo as horas de agonia em Jacarta, naquele Setembro de 1999, a esperar o consentimento indonésio para que a Interfet fosse ...aprovada pelo Conselho de Segurança.

Entretanto passam as horas e desesperam os homens, mulheres e crianças de Benghazi...

E desesperam - pela Líbia, pela UE - todos aqueles a quem ao menos resta algum sentido da decência.


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