De Insuportável distância entre Ricos e Pob a 25 de Fevereiro de 2011 às 10:12

A vez de Kadafi

Há umas horas atrás os media anunciavam que o leste da Líbia já se libertara, que a revolta alastrava a Trípoli e que o egocêntrico déspota local estava cada vez mais acossado no seu fojo.
Neste momento as informações dão conta de que Kadafi prepara a reconquista das cidades perdidas.

Em resumo, a situação é instável, a informação é insuficiente e não é certa a queda do regime a todo o momento, como ainda há pouco se anunciava.

Kadafi criou uma administração para o país organizando as tribus e os clans que o compôem, de forma sui generis... mas a Líbia não pode escapar à influência da modernidade e as novas gerações não podiam deixar de se
rebelar contra o despotismo, falta de liberdade, a corrupção e o choque das diferenças entre a miséria e a ostentação.

A Líbia é muito diferente, na estrutura da sociedade, da Tunísia ou do Egipto, mas não é por acaso que a revolta que acossa o clã Kadafi surge na mesma altura, na sequência e a exemplo da revolta que rompeu em Tunes, varreu Mubarak do Egipto, incendeia o Iemen e Bahrain e alastrará a outros países da região.

Em cada um destes países, com uma história diferente, coabitam populações em estádios muito diferentes quanto à cultura, à percepção do mundo actual, e consequentemente quanto ao usufruto dos bens materiais e culturais, quanto ao bem-estar.

No Egipto ou na Líbia a modernidade e com ela o desejo de liberdade, de uma outra vida e um outro futuro atingem
a juventude urbana mais educada que coabita com camadas da população que têm as aspirações e as concepções do mundo e da vida de há vários séculos atrás.

A distância entre ricos e pobres acentua-se até ao insuportável e a revolta e a revolução tornam-se inevitáveis.
Assim tem sucedido noutras sociedades e sucede neste mundo árabe, muito diversificado mas em muitos aspectos uno, na língua, na religião, no atraso tecnológico, nas roturas sociais.

Veremos durante quanto tempo os potentados do petróleo, a Arábia Saudita, o Kuwait, os emirados do Golfo, conseguirão escapar à revolta lançando alguns petrodólares à população.

Donde menos se esperava surgiu o fogo da revolta e a espectacular mudança.
Que profundidade atingirão estas inesperadas mudanças no nosso vizinho sul é impossível, de momento, avaliar.

Etiquetas: Kadafi, Líbia
# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra


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