Cavaco Silva: Portugal precisa de um "sobressalto cívico"

 


O chefe de Estado reforçou as dificuldades económicas que o país atravessa e endureceu as palavras, dizendo que Portugal precisa de ser "realista" em relação aos seus sonhos, numa clara alusão às grandes obras como o TGV.

O chefe de Estado foi mais longe, dizendo que o país precisa de um “sobressalto cívico” e que os portugueses precisam de "despertar da letargia" para uma sociedade civil "dinâmica e sobretudo mais autónoma dos poderes públicos".

Cavaco Silva apelou assim a uma "grande mobilização da sociedade civil", repto reforçado em relação aos jovens, por quem, diz o Presidente, se decidiu recandidatar ao cargo.

"É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia", afirmou.

Aos jovens deixou, então, o apelo mais forte: "Ajudem o vosso país. Façam ouvir a vossa voz. Sonhem mais alto", disse Cavaco Silva, a apenas dois dias do Protesto "Geração à Rasca" que quer juntar em Lisboa milhares de jovens precários.

 



Publicado por DD às 18:34 de 09.03.11 | link do post | comentar |

4 comentários:
De ... Não olhes ao q.eu faço ... a 10 de Março de 2011 às 13:26

Cavaco Silva: bem prega Frei Tomás

-por Daniel Oliveira, Expresso online

"Só um diagnóstico correto e um discurso de verdade sobre a natureza e a dimensão dos problemas económicos e sociais que Portugal enfrenta permitirão uma resposta adequada", disse Cavaco Silva no seu discurso de tomada de posse e eu subscrevo. "Como em tudo na vida, para delinearmos o melhor caminho para atingirmos o futuro que ambicionamos, temos de saber de onde partimos", continuou e não podia ter mais razão. O problema vem depois. É que quase tudo o que foi referido vem de longe.



Defendeu o presidente Cavaco Silva que esta foi uma "década perdida". É verdade. Mas recordo que houve outra, quando o dinheiro chegava em grandes quantidades ao nosso Pais. E foi nessa década que grande parte do modelo de desenvolvimento que nos trouxe até aqui foi delineado. Era primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva.



Defendeu o presidente Cavaco Silva que não nos podemos esquecer dos "encargos futuros com as parcerias público-privadas". Recordo que o primeiro-ministro Cavaco Silva estreou estas ruinosas parcerias com a ponte Vasco da Gama.



Defendeu o presidente Cavaco Silva que há uma "concessão indiscriminada de crédito, em especial para fins não produtivos". Recordo que a compra de casa própria é um dos principais sorvedouros de crédito e que houve poucos governos que mais tenham promovido este tipo de investimento das famílias do que o do primeiro-ministro Cavaco Silva.



Defendeu o presidente Cavaco Silva que "temos de apostar de forma inequívoca nos setores de bens e serviços transacionáveis". Recordo que o primeiro-ministro Cavaco Silva apostou na construção civil e no betão.



Defendeu o presidente Cavaco Silva que "não podemos privilegiar grandes investimentos que não temos condições de financiar, que não contribuem para o crescimento da produtividade e que têm um efeito temporário e residual na criação de emprego". Recordo os brutais investimentos públicos feitos pelo primeiro-ministro Cavaco Silva, que sugaram os fundos europeus, sem que que tal tivesse, como se vê, um efeito mais do que temporário na economia ou mais do que residual no emprego.



Defendeu o presidente Cavaco Silva que os portugueses devem participar "mais ativamente na vida coletiva, afirmando os seus direitos e deveres de cidadania e fazendo chegar a sua voz aos decisores políticos". Recordo que não houve no Portugal democrático nenhum governante que mais vezes reprimisse qualquer tentativa popular de fazer chegar a voz dos cidadãos aos decisores políticos do que o primeiro-ministro Cavaco Silva.



E, cereja em cima do bolo, defendeu o presidente Cavaco Silva que "em vários setores da vida nacional, com destaque para o mundo das empresas, emergiram nos últimos anos sinais de uma cultura altamente nociva, assente na criação de laços pouco transparentes de dependência com os poderes públicos". Nos últimos anos? Pois ela é quase tão antiga como a Nação e teve no tempo em que Cavaco Silva era primeiro-ministro um dos seus momentos mais vistosos. Teremos de recordar mais uma vez o nome de Dias Loureiro?



E defendeu ainda o presidente Cavaco Silva que "deve ser clara a separação entre a esfera pública das decisões coletivas e a esfera privada dos interesses particulares". Que tal ser mais concreto? Na campanha houve quem o tentasse ser. Falando, por exemplo, do BPN. São excelentes estas generalidades. Mas se falamos da realidade somos a "infâmia" contra a "dignidade".



O discurso do Presidente tem dois problemas. O primeiro: naquilo em que o diagnóstico do Presidente Cavaco Silva está certo, as asneiras começaram com o primeiro-ministro Cavaco Silva.O segundo: as soluções são pouco mais do que frases vazias. E é normal que o sejam. Não esquecendo todas as responsabilidades do atual governo, nenhum diagnóstico que esquece a Europa e a crise internacional pode apontar para qualquer solução séria. Faltou a Cavaco Silva coerência com o seu passado, seriedade quanto ao presente e conteúdo quanto ao futuro.


De PR 2 a 10 de Março de 2011 às 11:05

Cavaco PR II - Presidente do Ressentimento?
[Publicado por AG, CausaNossa, 9.3.2011]

Eu, incorrigível optimista, quis dar-lhe o benefício da dúvida. E por isso escrevi o que que escrevi no Parlamento Global (ver post anterior).
Quis acreditar que o personagem podia ultrapassar fraquezas, ressentimentos, falhas, faltas, próprias e alheias.
Que podia superar-se, pondo os pés bem na terra, mas passando por cima e olhando para a frente, procurando fomentar consensos nacionais, inspirar sentimentos patrióticos em todos os quadrantes, mesmo os que nele pouco confiavam.

Afinal o momento é de grave crise - económica, social e de confiança, de auto-confiança nacional e europeia.

De um Presidente da República espera-se que nos fale verdade, nos aponte horizontes, nos levante o moral, nos incite ao esforço colectivo e patriótico.
Por todos, pela Nação, por Portugal.
Há uma tentativa de tudo isso fazer no discurso da posse deste segundo mandato do Presidente Cavaco Silva. Mas a tentativa sai desastrosamente fracassada por duas principais razões:

- Cavaco Silva pintou uma versão distorcida da realidade - ignorou a crise financeira e económica internacional e a crise de liderança europeia que explicam muito (sem explicar tudo) da crise económica e social com que nos confrontamos em Portugal.

- Cavaco Silva abdicou de nos unir, de nos federar - fez, de facto, um discurso de incitamento ao confronto partidário e geracional.
Fez uma declaração de guerra ao actual Governo. O que seria defensável se tivesse outro melhor e com mais legitimidade, na manga, para rapidamente pôr em seu lugar. Mas não tem.

E ao fazer o que fez e dizer o que disse, precipita a imagem internacional do país perante os para si sacrossantos "mercados internacionais", que recusa possam ser regulados e disciplinados (e por isso nada fez e nada faz nesse sentido, no plano europeu).

Num momento particularmente critíco para a imagem internacional do país e para a forma como ela se reflecte nas capacidades de financiamento público e privado.
Num momento em que a intervenção do Presidente da República poderia ajudar - mas esta desajuda.

O Presidente Cavaco Silva pretenderá que se forme a percepção interna e externa de que está a desembrulhar uma crise política, de que tem uma alternativa de governo estável. Mas não tem.

Poderemos pagá-lo todos muito caro, Estado e cidadãos. Literalmente.
E não dá consolação nenhuma atulhar Belém com as facturas.
Com este discurso o Prof. Cavaco Silva demonstrou dimensão para se distinguir como Presidente do Ressentimento.
Cavaco II, parece-me, prenuncia pesados estragos para Portugal. Bem quero eu estar enganada!


De Desejos para um PR Portuguesa a 10 de Março de 2011 às 11:09

Desejos para um segundo mandato do PR

[Publicado por AG]
"Os meus desejos para o segundo mandato do Prof. Cavaco Silva como Presidente da República - que seja mais e melhor Presidente da República!
Para isso é preciso:

- Que tenha a coragem de actuar conforme as suas convicções, em vez de se mover tanto por calculismo político - mesmo que as suas convições e actos me desagradem a mim e a muitos outros cidadãos portugueses e tenha de defrontar o nosso combate político às suas ideias.
Mas sendo genuíno, far-se-à respeitar mais e servirá melhor o povo português.

- Que actue no completo uso dos seus poderes e influência política, em articulação leal com o Governo (qualquer que seja), exigindo reciprocidade e expondo publicamente a falta dela, se a não tiver. E tirando disso as necessárias consequências.
Mas sobretudo dispensando-nos (e dispensando-se) de fabricações penosas, como a inventona das "escutas".

- Que puxe pela sua sensibilidade social-democrata e europeista para influenciar o Governo, os partidos políticos e os principais actores políticos, económicos e sociais no sentido de procurarem, na maior abrangência possível, as soluções necessárias para os graves problemas políticos, económicos e sociais que o país enfrenta.
A reforma da Justiça tem de ser uma prioridade e o Presidente não pode continuar a lavar as mãos.

- Que intervenha activamente sobre as escolhas estratégicas para a competitividade da economia portuguesa no contexto europeu e global:
delas depende retomarmos o crescimento e a criação de emprego, condições essenciais para corrigirmos as chocantes desigualdades e combatermos a pobreza e a injustiça social a aumentar no nosso país.
O Mar, com todas as suas fabulosas potencialidades, é escolha óbvia e acertada.
Mas há mais caminhos, sendo que todos passam pelo investimento e exigência na Educação, pelo apoio às PMEs (inovação, qualificação, internacionalização), pela eficiëncia energética e mais investimento nas energias renováveis e pelo apoio à actividade criativa e artistica.

- Que intervenha positivamente e sem complexos no plano europeu (e não se tem visto fazer muito para impedir que a crise de liderança europeia nos afunde mais, a nós e à própria Europa)
e no sentido de promover a projecção externa de Portugal em defesa dos nossos interesses, com respeito pelos principios de direitos humanos e de legalidade internacional a que estamos vinculados nos quadros UE e ONU, trabalhando
pela regulação da globalização, por um mundo melhor, mais democrático, mais justo e mais seguro".

Esta foi a minha contribuição para o blogue interactivo PARLAMENTO GLOBAL, promovido pela SIC-Noticias esta tarde, publicada à hora em que se iniciava a cerimónia da tomada de posse do Presidente da República.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 10 de Março de 2011 às 09:47
O homem até tem razão no discurso que ontem fez na tomada de posse a PR.
Mas, (há sempre um mas, não é?) mas aquele homem era um dos portugueses que não tinha moral nenhuma para fazer tal discurso. É que ele tem e muito, as mesmas «culpas no cartório» no estado a que este País chegou, pela ruinosa governação em que foi primeiro ministro.
Falta de memória, falta de vergonha naquela cara ou também ele (como o DD) julga que os portugueses são todos ESTÚPIDOS?


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